{"id":8854,"date":"2019-09-11T15:45:07","date_gmt":"2019-09-11T18:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=8854"},"modified":"2019-09-11T15:24:39","modified_gmt":"2019-09-11T18:24:39","slug":"genero-e-relacoes-de-poder-no-movimento-lgbtq-uruguaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=8854","title":{"rendered":"G\u00eanero e rela\u00e7\u00f5es de poder no movimento LGBTQ uruguaio"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>*Por Diana Mines, da <a href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/copia-de-genero-y-relaciones-esp\">Revista Bravas<\/a>. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_c2f70182435745b6925f9f8be24377c1~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_923%2Ch_518%2Cal_c%2Cq_85%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/PORTADA%20Primer-acto-p%2B%C2%A6blico-Orgullo-Gay.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"PORTADA Primer-acto-p+\u00a6blico-Orgullo-Gay\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O g\u00eanero tem estado em pauta ultimamente, entre outros motivos pela  crescente viol\u00eancia mis\u00f3gina e pelas campanhas provenientes da igreja  cat\u00f3lica e do fundamentalismo evang\u00e9lico contra o que chamam de  \u201cideologia feminista\u201d. No \u00e2mbito pessoal, n\u00e3o me assusta, essa acusa\u00e7\u00e3o  das institui\u00e7\u00f5es que nos impuseram sua ideologia de g\u00eanero durante mais de dois mil anos. Me preocupa mais as contradi\u00e7\u00f5es entre o discurso e a pr\u00e1tica que \u2013 da minha experi\u00eancia e das de outras ativistas \u2013 t\u00eam se  manifestado dentro de um coletivo que tem o g\u00eanero como bandeira de  reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O outrora movimento gay-l\u00e9sbico logo passou a chamar-se l\u00e9sbico-gay  atendendo \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es de visibilidade de suas mulheres. Depois,  incorporou o T de transexualidade, o B das pessoas bissexuais, o I das  interssexuais e o Q, da abordagem queer. Todo esse complexo de  realidades se uniu contra o bloco heterossexual e heterosexista que as  ocultou cruelmente durante s\u00e9culos. Por\u00e9m, em casa, como estamos?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, durante sua visita ao Uruguai, a reconhecida  ativista l\u00e9sbica espanhola Beatriz Gimeno relatou como a Federa\u00e7\u00e3o Estatal de L\u00e9sbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais deveria regulamentar a altern\u00e2ncia de homens e mulheres na presid\u00eancia, para  conter a cont\u00ednua concentra\u00e7\u00e3o de poder por parte de seus companheiros gays. No Uruguai, onde o respaldo te\u00f3rico feminista foi menos s\u00f3lido que o das l\u00e9sbicas espanholas, a falta de reconhecimento diante do trabalho realizado pelas mulheres foi se acentuando at\u00e9 chegar a nos fazer desaparecer enquanto coletivo espec\u00edfico. \u00c9 importante reconhecer, o aporte do ativismo l\u00e9sbico<br \/> foi pouco defendido por n\u00f3s mesmas e desgastado por desaven\u00e7as internas est\u00e9reis.<\/p>\n\n\n\n<p>Que aconteceu com os coletivos mistos? \u00c9 not\u00f3rio que, ao mesmo tempo que eram agregadas \u00e0 sigla, v\u00e1rias letras, o eixo de aten\u00e7\u00e3o foi se  concentrando na comunidade trans, atendendo \u00e0 sua dram\u00e1tica realidade e  suas necessidades. No entanto, \u00e9 interessante observar que, dentro desse  coletivo, que inclui pessoas anatomicamente homens e mulheres, que  cruzam suas identidades e orienta\u00e7\u00f5es sexuais, \u00e9 not\u00f3ria a predomin\u00e2ncia  em n\u00famero, visibilidade p\u00fablica, for\u00e7a de luta e conquistas das mulheres trans, isto \u00e9, pessoas com corpo masculino e identidade de mulher.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_06279b18067b4dbbbeb86db513243ac6~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_656%2Ch_424%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/05Marcha%20LGBT%201993%2C%20foto%20Diana%20Mines.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"05Marcha LGBT 1993, foto Diana Mines.jpg\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No \u201cPrimeiro Censo de Pessoas Trans\u201d do Uruguai, realizado pelo  Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social ao longo de 2016, foram  contabilizadas 853 individualidades, das quais 90% se identificou como  mulheres e 10% como homens. N\u00e3o foi encontrada nenhuma an\u00e1lise ou  investiga\u00e7\u00e3o sobre essa chamativa despropor\u00e7\u00e3o num\u00e9rica. Pelo contr\u00e1rio,  nas considera\u00e7\u00f5es expressadas pelo pr\u00f3prio Mides e pela senadora  suplente Michelle Su\u00e1rez, ao assumir o cargo no Parlamento, no \u00faltimo 10  de outubro, se generalizou a problem\u00e1tica das mulheres trans como  caracter\u00edsticas de toda a \u201cpopula\u00e7\u00e3o trans\u201d (cifras muito elevadas de  exclus\u00e3o laboral, prostitui\u00e7\u00e3o, viol\u00eancias sofridas, HIV, e baix\u00edssima  expectativa de vida). Diferentes e tamb\u00e9m graves s\u00e3o as realidades, as  formas de exclus\u00e3o e as necessidades dos \u201chomens trans\u201d (maior \u00edndice de  suic\u00eddio, para citar um exemplo), por\u00e9m estas n\u00e3o est\u00e3o numeradas, nem  expostas, permanecendo ocultas debaixo do guarda-chuva generalizador da  palavra \u201cpopula\u00e7\u00e3o\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Retomando o tema de g\u00eanero, me parece significativo que estes dois coletivos: as l\u00e9sbicas e homens trans, tenhamos em comum a corporalidade reprimida e a educa\u00e7\u00e3o como mulheres durante nossos primeiros anos de vida, precisamente os que moldam a personalidade infantil. N\u00e3o \u00e9 casual que  n\u00f3s, as l\u00e9sbicas, tenhamos sido protagonistas pioneiras no ativismo para logo ent\u00e3o nos retrairmos a c\u00edrculos privados ou permanecer integradas com pouca aten\u00e7\u00e3o a nossos temas, enquanto eles, os homens trans, t\u00eam t\u00e3o baixo perfil e escassa visibilidade. Vice-versa, \u00e9 igualmente  significativo que coincidam a corporalidade expansiva e uma educa\u00e7\u00e3o<br \/>inicial como homens, no caso dos homens gays e das mulheres trans. Na  primeira inf\u00e2ncia, quando ainda n\u00e3o se expressa a identidade de g\u00eanero  discordante e muito menos uma orienta\u00e7\u00e3o sexual definida, as pessoas s\u00e3o  modeladas segundo os padr\u00f5es do heterosexismo patriarcal: os homens,  estimulados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de seus corpos, \u00e0 competitividade preparadora  para o exerc\u00edcio de poder e de controle das mulheres; n\u00f3s, educadas para  agradar, ser \u00fateis, ajudar, servir e tamb\u00e9m para rivalizarmos entre n\u00f3s&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses estere\u00f3tipos continuam vigentes na complexa realidade dos grupos  ativistas e pautam sua evolu\u00e7\u00e3o desde o come\u00e7o de suas a\u00e7\u00f5es: primeiro  apaixonados, horizontais e informais nas estruturas, com lideran\u00e7as  espont\u00e2neas, cunhados na demanda exigente de seus direitos; depois,  evoluindo seletiva e organizativamente, com interven\u00e7\u00e3o de interesses e  ambi\u00e7\u00f5es tanto pessoais, econ\u00f4micas, como pol\u00edticas. Finalmente, no  momento de organizar a hist\u00f3ria, os discursos que v\u00e3o definindo quais  coisas ser\u00e3o lembradas e quais permaneceram enterradas no esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_e033416ff3184465ab67b71bbe4f16db~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_568%2Ch_358%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/015Diana%20Mines%2C%20Panel%20en%20Intendencia%2C%20oc.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"015Diana Mines, Panel en Intendencia, oc\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_69966a22737e496bb4f212ed7f27140e~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_474%2Ch_307%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/014Plaza-Diversidad%2C-Eduardo-Galeano-en-.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"014Plaza-Diversidad,-Eduardo-Galeano-en-\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 2009, o Centro de G\u00eanero e Diversidade Sexual iniciou uma pesquisa que chamou de Mem\u00f3ria, Masculinidades e Diversidade Sexual, que se  concentrava em\u00a0homens gays adultos. Quando perguntei a Ruben Campero  porque n\u00e3o haviam abarcado as mulheres, ele me respondeu que ele e Bruno Ferreira entendiam que, por respeito, correspondia \u00e0s mulheres  abordarem essa pesquisa sobre a mem\u00f3ria \u00edntima de suas pares. A resposta  me satisfez. N\u00e3o foi o crit\u00e9rio empregado por Carlos Bas\u00edlio Mu\u00f1oz \u2013  recentemente falecido \u2013 que deu o t\u00edtulo \u201cUruguai Homossexual\u201d ao seu  livro pioneiro para o pa\u00eds (1996), abrangente \u00e0 primeira vista, contudo  limitado aos fatos e aventuras da comunidade gay e transexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013, o investigador Diego Sempol publicou um volumoso estudo que  chamou de \u201cDos banheiros \u00e0 rua: hist\u00f3ria do movimento l\u00e9sbico, gay e  trans uruguaio (1984- 2013)\u201d. A partir da pr\u00f3pria capa, os dois pontos  sugerem que transita e \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0s tr\u00eas comunidades componentes da  diversidade sexual uruguaia, algo muito discut\u00edvel pela viv\u00eancia l\u00e9sbica. Caberia mais questionamento metodol\u00f3gico a este trabalho \u2013 o  mais importante deles, o papel do autor como pesquisador que nunca assume sua interfer\u00eancia no processo que analisa. Essa interfer\u00eancia determina quem ele consulta ou entrevista e quem n\u00e3o, que extens\u00e3o e profundidade concede a temas, eventos e protagonismos, como tamb\u00e9m numerosas omiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, apesar de ser mencionada em numerosas passagens, eu surjo sem antecedentes na metaf\u00f3rica \u201crua\u201d e n\u00e3o me parece claro se Sempol  considera que me formei nos banheiros. O interesse de haver averiguado  n\u00e3o seria em meu benef\u00edcio, mas de uma melhor avalia\u00e7\u00e3o dos canais que  contribu\u00edram com a visibiliza\u00e7\u00e3o e com o ativismo uruguaio. Refiro-me a  meu contato com o movimento LGBT californiano e depois com o argentino, o acesso \u00e0 bibliografia inspiradora, \u00e0s minhas t\u00edmidas, primeiras incurs\u00f5es na imprensa, tanto no Brecha como no A Rep\u00fablica das Mulheres, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_910b919de17649dc8762ed8e75e901f2~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_600%2Ch_379%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/07Marcha-del-Orgullo-2000%2C-foto-Diana-Mi.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"07Marcha-del-Orgullo-2000,-foto-Diana-Mi\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Oito linhas em um rodap\u00e9 \u2013 que se parece muito a umas que escrevi h\u00e1 muitos anos para um artigo no Brecha \u2013 assim resumo o livro de Sempol, a  intensa experi\u00eancia de empoderamento que significaram os dois primeiros  grupos l\u00e9sbicos: Las Mismas (1991) e Mujer y Mujer (1995), dos quais  saltamos a diversas formas de milit\u00e2ncia, n\u00e3o apenas eu como Andrea,  Lili\u00e1n, Gilda, Cristina e a pr\u00f3pria Ana Mart\u00ednez, que depois geraria o  espa\u00e7o Lesvenus dentro do Homossexuais Unidos. A origem desses grupos  esteve diretamente vinculada ao feminismo, dado que Las Mismas surgiu a  partir de uma convocat\u00f3ria da te\u00f3loga l\u00e9sbica Mary Hunt \u2013 do Cat\u00f3licas  pelo Direito de Decidir, nos Estados Unidos \u2013 durante sua visita ao  Uruguai.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres l\u00e9sbicas nos encharcamos na leitura de autoras como Adrienne Rich e Audre Lorde, estivemos na primeira concentra\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, no dia  28 de junho de 1992 na Plaza Libertad, e no ano seguinte na primeira  Marcha do Orgulho. Fomos um gay e uma l\u00e9sbica \u2013 arriscando nossas fontes de trabalho \u2013 quem demos as caras e debatemos na televis\u00e3o pela primeira vez em defesa de nossos direitos. Nos engajamos nas mobiliza\u00e7\u00f5es exigindo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica campanhas de\u00a0preven\u00e7\u00e3o de HIV e distribu\u00edmos camisinhas nas ruas, pra\u00e7as e feiras, apoiando aos companheiros gays e trans. Respaldamos o ent\u00e3o deputado Washington Abdala e depois a deputada Margarita Percovich, na adi\u00e7\u00e3o das agress\u00f5es homof\u00f3bicas \u00e0s contempladas pelo artigo 149 do C\u00f3digo Penal.  Organizamos oficinas em v\u00e1rios F\u00f3runs Sociais, debatemos em diversos  meios de comunica\u00e7\u00e3o e nos inserimos em dois desfiles oficiais de Carnaval para neutralizar no pr\u00f3prio espa\u00e7o a homofobia que costumavam empregar as murgas* e as par\u00f3dias. Foi uma mulher \u2013 la Pata \u2013 quem manteve aberto contra todos os boicotes, uma boate como Avanti, onde cantava Arlett Fern\u00e1ndez. Fomos as l\u00e9sbicas que enfrentamos com \u00eaxito o projeto mis\u00f3gino e homof\u00f3bico do senador Alberto Cid sobre Reprodu\u00e7\u00e3o Assistida e apoiamos a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto, e logo a lei de Uni\u00e3o Concubin\u00e1ria. Reunimos, com nossos companheiros de grupos, mais de cinco mil assinaturas de apoio aos nossos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi outra l\u00e9sbica, Ana Mart\u00ednez \u2013 com quem tive grandes diverg\u00eancias \u2013 quem difundiu pela primeira vez no Uruguai, a teoria Queer nas p\u00e1ginas de  seu Br\u00fajula. Foi uma brilhante gestora como Mercedes Mart\u00edn quem pegou o  ef\u00eamero legado de Francisco Dalmao e instalou o ainda vigente Festival  de Cinema LGBT Llamameh na agenda cultural uruguaia. Foi o Grupo de  Reflex\u00e3o L\u00e9sbica \u2013 depois transformado em ALU: Associa\u00e7\u00e3o de L\u00e9sbicas do  Uruguai \u2013 criado pela ativista feminista Elsa Aragone e apoiado por Ana  Mora, Lili\u00e1n, Raquel e outras ativistas, quem sistematizou, publicou e  apresentou na Faculdade de Psicologia uma ampla pesquisa com 100  mulheres uruguaias l\u00e9sbicas. As l\u00e9sbicas organizadas e as que segu\u00edamos  em coletivos mistos (como Diversidade e Anistia Internacional LGBT)  contribu\u00edmos com a obten\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a e Monolito da Diversidade Sexual.  ALU foi o primeiro grupo a tramitar a sua pessoa jur\u00eddica, a ponto do  pr\u00f3prio Sempol e outro integrantes distantes do Grupo Diversidade terem  lhes proposto criar uma associa\u00e7\u00e3o comum (a negativa das mulheres  derivaria finalmente na cria\u00e7\u00e3o do Ovejas Negras). Confesso que me doeu  ver que a refer\u00eancia \u00e0 ALU foi de um \u00fanico par\u00e1grafo (que sequer  menciona Aragone) entre as 412 p\u00e1ginas de um livro de Sempol&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_cf95f4db880541b8a776929a14280cf1~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_600%2Ch_397%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/04Diana-Mines%2C-Marcha-de-Mujeres-del-FA%2C.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"04Diana-Mines,-Marcha-de-Mujeres-del-FA,\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_232e65783439457a935fe3b72fc70511~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_482%2Ch_323%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/03Diana-Mines%2C-Marcha-de-Mujeres%2C-8-Marz.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"03Diana-Mines,-Marcha-de-Mujeres,-8-Marz\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O  sutil, por\u00e9m o cont\u00ednuo menosprezo no relacionamento dos grupos e um  conjunto de circunst\u00e2ncias \u2013 entre elas, nossas pr\u00f3prias fraquezas  organizativas \u2013 foram nos causando at\u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o formal. Seguiria uma  nova etapa do ativismo, conectado com as redes de coopera\u00e7\u00e3o  internacional, com quadros dirigentes, agenda e metodologias diferentes,  n\u00e3o em v\u00e3o coincidentes com a mudan\u00e7a pol\u00edtica no pa\u00eds a partir de 2005. Seguramente, uma hist\u00f3ria que recolha depoimentos de muitas  mulheres que contribu\u00edram com seu trabalho com a rica etapa anterior, equilibraria a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para as novas gera\u00e7\u00f5es. O que vai ficando \u00f3bvio, \u00e9 que temos que compilar n\u00f3s mesmas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Nota da autora:<\/h4>\n\n\n\n<p>\u200b1  \u2013 O convite de Su\u00e1reza por parte do Dr. Marcos Car\u00e1mbula \u2013 titular da  banca \u2013 foi feito para permitir participar da discuss\u00e3o do projeto da  lei integral para pessoas trans, da qual ela havia sido co-autora.  Finalizada essa inst\u00e2ncia, Car\u00e1mbula reassumiu como legislador, em uma  atitude t\u00e3o discriminat\u00f3ria como se as mulheres legisladoras e  afrodescendentes fossem suplentes e as tivesse convocado unicamente para  tratar temas de g\u00eanero e racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b\u200b\u200b*Uma vers\u00e3o deste texto foi apresentada nas V Jornadas de Debate Feminista, organizadas por Cotidiano Mujer (2018).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota da tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong><br \/>*Murga \u00e9 um ritmo musical tradicional no Uruguai, presentes em grupos  que costumam se apresentar durante o Carnaval, e comp\u00f5em can\u00e7\u00f5es que  fazem s\u00e1tira pol\u00edtica e social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Diana Mines &#8211; O g\u00eanero tem estado em pauta ultimamente, entre outros motivos pela  crescente viol\u00eancia mis\u00f3gina e pelas campanhas provenientes da igreja cat\u00f3lica e do fundamentalismo evang\u00e9lico contra o que chamam de  \u201cideologia feminista\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":8857,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Por Diana Mines - O g\u00eanero tem estado em pauta ultimamente, entre outros motivos pela  crescente viol\u00eancia mis\u00f3gina e pelas campanhas provenientes da igreja cat\u00f3lica e do fundamentalismo evang\u00e9lico contra o que chamam de  \u201cideologia feminista\u201d.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14,4],"tags":[714],"class_list":["post-8854","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-latinoamerica","tag-lgbtq"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/CAPA.jpg?fit=917%2C494&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-2iO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8854"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8854\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8860,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8854\/revisions\/8860"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}