{"id":8778,"date":"2019-09-04T14:05:50","date_gmt":"2019-09-04T17:05:50","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=8778"},"modified":"2019-09-04T14:05:56","modified_gmt":"2019-09-04T17:05:56","slug":"teia-dos-povos-e-comunidades-tradicionais-do-maranhao-denuncia-violacoes-aos-corpos-territorios-em-seu-12o-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=8778","title":{"rendered":"TEIA dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranh\u00e3o denuncia viola\u00e7\u00f5es aos corpos-territ\u00f3rios em seu 12\u00ba encontro"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Texto e imagens por Andressa Zumpano \/ CPT Maranh\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Carta Final da TEIA declara rep\u00fadio \u00e0s viol\u00eancias e viola\u00e7\u00f5es cometidas pelos grandes projetos. &#8220;N\u00f3s, nossas sementes, nossas florestas, nossas  nascentes e rios, nosso fogo, nossas lutas, nossa rebeldia, nossas  alegrias e nossa uni\u00e3o v\u00e3o correr cada vez mais fortes por este nosso Ch\u00e3o Sagrado. Somos \u00e1guas que superam qualquer obst\u00e1culo, rompem qualquer pared\u00e3o, infiltram se em todas as frestas e no fim se juntam  fortes na Teia da Vida&#8221;, afirmam. Confira:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cptnacional.org.br\/images\/2019\/Encontro_TEIA_2019_Andressa_Zumpano_4.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mergulhando nas \u00e1guas sagradas do Territ\u00f3rio de \u00c1gua Riquinha, em Paulino Neves, no Maranh\u00e3o, povos ind\u00edgenas, quilombolas, quebradeiras de coco baba\u00e7u, ribeirinhos, pescadores artesanais, agricultores e agricultoras encontraram-se entre os dias 28 de agosto a 1\u00ba de setembro para  partilhar suas sementes de luta e resist\u00eancia, denunciando os impactos do agroneg\u00f3cio, grandes empreendimentos e as diversas formas de viol\u00eancia aos povos tradicionais e origin\u00e1rios vindas dos governos  federal e estadual.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O territ\u00f3rio que recebeu o Encontr\u00e3o situa-se no Delta das Am\u00e9ricas e vem  enfrentando impactos diversos pela implanta\u00e7\u00e3o de Parques E\u00f3licos, como  tamb\u00e9m \u00e9 cercado pelos monocultivos que provocam a especula\u00e7\u00e3o e  grilagem de terras na regi\u00e3o. A Comunidade de \u00c1gua Riquinha \u00e9 cercada  por \u00e1guas cristalinas e igarap\u00e9s e sua hist\u00f3ria se reconta a partir do curso do rio e dos ventos que sopram.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando \neu me encontrei aqui, n\u00e3o encontrei casa de telha, n\u00e3o existia nem de \ntijolo e de alvenaria. N\u00f3s viv\u00edamos uma vida como se fosse uma aldeia, \nporque aqui n\u00e3o tem gente de fora. Este nosso rio era muito abundante, \nera um rio fundo. As mulheres entravam no rio para apanhar \u00e1gua, porque \nn\u00e3o existia po\u00e7o, era s\u00f3 \u00e1gua do rio&#8230; \u00c9 um rio pequeno, sua cabeceira \nse chama Lagoa da \u00c1gua Riquinha\u201d, conta Benedito Candeia, anci\u00e3o da \ncomunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro teve como tema <strong>\u201cNas \u00e1guas da resist\u00eancia, recontamos nossas hist\u00f3rias\u201d<\/strong>,\n trazendo o resgate das lutas hist\u00f3ricas e das narrativas ancestrais, na\n preserva\u00e7\u00e3o de suas identidades, como tamb\u00e9m promovendo den\u00fancias \u00e0s \namea\u00e7as e ao avan\u00e7o do projeto pol\u00edtico, social e econ\u00f4mico do Estado, \nque incentiva as iniciativas privadas e avan\u00e7a com a destrui\u00e7\u00e3o dos \nterrit\u00f3rios tradicionais. Esse resgate traz a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o e\n da insurg\u00eancia das lutas dos povos. \u201cNosso maior instrumento de luta \u00e9 \nconhecer nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, conta Oscar Akro\u00e1-Gamella.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \naos relatos e trocas de experi\u00eancias, destacou-se a import\u00e2ncia da \nunidade entre os povos e o fortalecimento das lutas pelo territ\u00f3rio, \ngarantia da soberania alimentar, combate \u00e0s opress\u00f5es de g\u00eanero e \nautonomia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, considerando que em grande dos casos\n parte os agentes de viol\u00eancia s\u00e3o os mesmos. No atual momento pol\u00edtico \nessas viol\u00eancias se acentuam, sobretudo atrav\u00e9s das pr\u00e1ticas racistas do\n Estado, que se expande com a aplica\u00e7\u00e3o dos grandes projetos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cptnacional.org.br\/images\/2019\/Encontro_TEIA_2019_Andressa_Zumpano_3.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cptnacional.org.br\/images\/2019\/Encontro_TEIA_2019_Andressa_Zumpano_2.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A \nbatalha contra os grandes empreendimentos promovidos pelo Estado em \nbenef\u00edcio ao capital e \u00e0 iniciativa privada, p\u00f5e em risco pilares \nfundamentais para a exist\u00eancia e sobreviv\u00eancia dos territ\u00f3rios e povos \ntradicionais. S\u00e3o inimigos comuns como a VALE, a Suzano, o Porto S\u00e3o \nLu\u00eds e demais investimentos do capital chin\u00eas no estado, expans\u00e3o das \nfronteiras agr\u00edcolas pelo MATOPIBA, entre outros.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No \nentanto, esse grande encontro traz o fortalecimento dos processos de \nresist\u00eancia, pela uni\u00e3o, partilha de saberes tradicionais e diversas \nexpress\u00f5es de espiritualidade. Essas manifesta\u00e7\u00f5es marcaram intensamente\n todos aqueles que pisaram no ch\u00e3o e banharam nas \u00e1guas sagradas de \u00c1gua\n Riquinha. Atrav\u00e9s da fluidez do ritual das \u00e1guas, as hist\u00f3rias foram \nrecontadas e reconhecidas, aquecidas na partilha das lutas no ritual do \nfogo e plantando a resist\u00eancia no ritual das sementes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>CARTA DO XII ENCONTR\u00c3O DA TEIA DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DO MARANH\u00c3O&nbsp;<\/strong><\/p><p><em>\u201cNas \u00e1guas da resist\u00eancia recontamos nossas hist\u00f3rias\u201d&nbsp;<\/em><\/p><p>Entre os\n dias 28 de agosto a 01 de setembro de 2019, n\u00f3s, povos origin\u00e1rios \u2013 \nTrememb\u00e9, Akro\u00e1 Gamella do Maranh\u00e3o e Piau\u00ed, Krikati, Memortumr\u00e9, \nApainekra, Krenje \u2013 comunidades quilombolas, ribeirinhos, pescadores \nartesanais, quebradeiras de coco baba\u00e7u, agricultores e agricultoras, \nmulheres guerreiras, curadoras, guardi\u00e3s das sementes, as Guardi\u00e3s e os \nGuardi\u00f5es do Sagrado, como os rios que correm como sangue pelo corpo do \nnosso Estado para gerar a vida dos nossos Territ\u00f3rios, encontramo-nos no\n Territ\u00f3rio da Comunidade \u00c1gua Riquinha \u2013 Paulino Neves para dizer que \nsomos um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito de luta, resist\u00eancia, desobedi\u00eancia, \ninsurg\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o do Bem Viver.&nbsp;<\/p><p>Nesses \ndias, quando o vento soprou forte, denunciamos as amea\u00e7as, viol\u00eancia e \ndestrui\u00e7\u00e3o dos nossos corpos-territ\u00f3rios causados pelos grandes \nprojetos, tais como, portos, ferrovias, monocultivos, a minera\u00e7\u00e3o, os \ncomplexos de produ\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de energia e\u00f3lica e\/ou solar e \nhidroel\u00e9tricas, a carcinicultura; a extra\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio marinho, as \nleis em discuss\u00e3o ou aprovadas, os decretos, as senten\u00e7as judiciais que \namea\u00e7am destruir a m\u00e3e-terra e nos arrancar do nosso Ch\u00e3o; o desmonte da\n legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, o fim da pol\u00edtica de \ndemarca\u00e7\u00e3o das Terras Ind\u00edgenas, quilombolas e da reforma agr\u00e1ria; \ndenunciamos as amea\u00e7as, criminaliza\u00e7\u00e3o e assassinatos das nossas \nlideran\u00e7as, das nossas lutas e de nossas comunidades.&nbsp;<\/p><p>Reconhecemos\n que cada um dos projetos que amea\u00e7a uma das nossas comunidades, amea\u00e7a a\n todas, porque esses projetos s\u00e3o como pragas que espalham suas nuvens \nde veneno de forma brutal e n\u00e3o reconhecem limites, direitos e \nfronteiras.&nbsp;<\/p><p>Com a \nprote\u00e7\u00e3o dos nossos Encantados com quem celebramos nossa for\u00e7a, nossa \nalegria e nossa uni\u00e3o, para quem acendemos o fogo das nossas \nresist\u00eancias estamos tomando as nossas m\u00e3os para n\u00e3o mais soltar. \nEstamos tecendo nossa Teia que ningu\u00e9m vai romper, nem com a viol\u00eancia \ndas repress\u00f5es policiais e\/ou de mil\u00edcias, nem com o veneno da \ncoopta\u00e7\u00e3o. Acolhemos todas e todos que querem lutar e tecer conosco, mas\n declaramos tamb\u00e9m que reconhecemos quem nos querem dividir, dominar, \noprimir e aniquilar, e a esses dizemos afastem se porque n\u00e3o os queremos\n conosco.&nbsp;<\/p><p>Declaramo-nos\n corespons\u00e1veis por nossos territ\u00f3rios, por guardar e reproduzir nossos \nsaberes, nossas sementes, nosso passado e nosso futuro. Sabemos quem \nsomos e onde pertencemos. Sabemos quais s\u00e3o os nossos direitos e \ndeclaramos que n\u00e3o vamos esperar que os poderosos e os governos nos \nenxerguem, vamos seguir plantando o nosso ch\u00e3o e celebrado nossos \nEncantados, criando vida e Bem Viver, mesmo que burocratas, fazedores de\n leis, ju\u00edzes e governantes pensem em nos negar e nos matar. N\u00e3o \nesperaremos que nos concedam o direito de viver porque esse direito \nsempre foi nosso.&nbsp;<\/p><p>N\u00f3s, \nnossas sementes, nossas florestas, nossas nascentes e rios, nosso fogo, \nnossas lutas, nossa rebeldia, nossas alegrias e nossa uni\u00e3o v\u00e3o correr \ncada vez mais fortes por este nosso Ch\u00e3o Sagrado. Somos \u00e1guas que \nsuperam qualquer obst\u00e1culo, rompem qualquer pared\u00e3o, infiltram se em \ntodas as frestas e no fim se juntam fortes na Teia da Vida. <\/p><p><strong>Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranh\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/p><p><strong>\u00c0s margens do Rio \u00c1gua Riquinha.&nbsp;<\/strong><\/p><p><strong>01 de setembro de 2019&nbsp;<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Texto originalmente publicado pelo site da <a href=\"https:\/\/cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/4890-teia-dos-povos-e-comunidades-tradicionais-do-maranhao-denuncia-violacoes-aos-corpos-territorios-em-seu-12-encontro\"><strong>CPT Nacional<\/strong><\/a>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andressa Zumpano \/ CPT Maranh\u00e3o &#8211; Carta Final da TEIA declara rep\u00fadio \u00e0s viol\u00eancias e viola\u00e7\u00f5es cometidas pelos grandes projetos. \u201cN\u00f3s, nossas sementes, nossas florestas, nossas nascentes e rios, nosso fogo, nossas lutas, nossa rebeldia, nossas alegrias e nossa uni\u00e3o v\u00e3o correr cada vez mais fortes por este nosso Ch\u00e3o Sagrado&#8221;, afirmam. <\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":8781,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Por Andressa Zumpano \/ CPT Maranh\u00e3o - Carta Final da TEIA declara rep\u00fadio \u00e0s viol\u00eancias e viola\u00e7\u00f5es cometidas pelos grandes projetos. 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