{"id":8733,"date":"2019-09-03T18:23:30","date_gmt":"2019-09-03T21:23:30","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=8733"},"modified":"2019-11-01T18:54:20","modified_gmt":"2019-11-01T21:54:20","slug":"a-pratica-do-fazer-popular-no-feminismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=8733","title":{"rendered":"A pr\u00e1tica do fazer popular no feminismo"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" data-attachment-id=\"8737\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8737\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?fit=960%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"13092065_265802600427575_2960336006873898830_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?fit=300%2C169&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?fit=640%2C360&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-8737\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/13092065_265802600427575_2960336006873898830_n.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption> Companheiras do Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o durante ocupa\u00e7\u00e3o  pol\u00edtica dos movimentos sociais na Pra\u00e7a do Derby, em Recife, em  mobiliza\u00e7\u00e3o contra o golpe de 2016. Foto: Arquivo SOS Corpo <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Diferentes grupos de mulheres em atua\u00e7\u00e3o em diferentes regi\u00f5es e territ\u00f3rios, mas que s\u00e3o marcadas por lutas que giram em torno de um objetivo comum, o bem viver. S\u00e3o mulheres diversas que se re\u00fanem para reivindicar moradia digna, acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico, transporte p\u00fablico e outras pautas que envolvem toda a comunidade e ainda lutam pelos direitos de todas as mulheres, pelo fim da viol\u00eancia e do racismo. S\u00e3o mulheres negras, brancas, ind\u00edgenas, l\u00e9sbicas, quilombolas, que s\u00e3o artes\u00e3s, donas de casa, desempregadas, trabalhadoras rurais, dom\u00e9sticas, trabalhadoras urbanas, artistas, aut\u00f4nomas, professoras. <\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade \u00e9 o perfil comum que as aproxima na luta por direitos e igualdade atrav\u00e9s de uma pr\u00e1tica feminista popular, evidenciada aqui por meio da experi\u00eancia partilhada de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es do movimento de mulheres do Brasil, durante a realiza\u00e7\u00e3o do curso Caleidosc\u00f3pio nos dias 23 e 24 de agosto, e que teve como tema o \u201cfeminismo e os desafios de ser movimento social\u201d, organizado pelo <em><strong>SOS Corpo &#8211; Instituto Feminista para a Democracia<\/strong><\/em>. Aproveitamos o ensejo da presen\u00e7a de mulheres ligadas aos grupos para saber como se constr\u00f3i o feminismo popular no fortalecimento da luta das mulheres em experi\u00eancias de atua\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana do Recife e no nordeste do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das organiza\u00e7\u00f5es foi o <strong>Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o dos Guararapes<\/strong>, representado por Neide Silveira, professora aposentada e militante feminista do F\u00f3rum de Mulheres de Pernambuco (FMPE). Segundo Neide, a mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres de Jaboat\u00e3o vem de muito tempo, desde a d\u00e9cada de 1970 elas se organizam para fazer o trabalho comunit\u00e1rio de lutar por direitos sociais. Mas o \u201ccorre-corre\u201d de atividades formativas em torno das pautas feministas come\u00e7a em 2003, quando o grupo passou a integrar o FMPE e come\u00e7a a levar a hist\u00f3ria do feminismo para as rodas de conversa e atividades com as mulheres da comunidade. <em>\u201cFoi quando a gente descobriu que n\u00f3s \u00e9ramos feministas e n\u00e3o sab\u00edamos\u201d<\/em>, conta. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8750\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8750\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?fit=1611%2C886&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1611,886\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1567528476&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"neide-silveira\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?fit=300%2C165&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?fit=640%2C352&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?fit=580%2C319\" alt=\"\" class=\"wp-image-8750\" width=\"360\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?w=1611&amp;ssl=1 1611w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?resize=300%2C165&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?resize=768%2C422&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?resize=1024%2C563&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/neide-silveira.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><figcaption>Neide Silveira, fala sobre os desafios de atua\u00e7\u00e3o do Grupo de Mulheres de Jaboat\u00e3o no curso Caleidosc\u00f3pio. Foto: D\u00e9borah Guaran\u00e1\/SOS Corpo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>\u201cEu considero um feminismo popular essas mulheres que s\u00e3o donas de casa, que correm pra l\u00e1 e pra c\u00e1, que s\u00e3o desempregadas, n\u00f3s temos pessoas que participam do grupo de pescadoras, dom\u00e9sticas, professoras\u2026 a gente n\u00e3o tem um grupo espec\u00edfico de mulheres que s\u00e3o de uma determinada \u00e1rea, nosso grupo \u00e9 muito misturado. Hoje n\u00f3s somos um grupo feminista que faz a luta geral, mas nossa luta maior realmente \u00e9 contra o feminic\u00eddio, contra o machismo, contra a pr\u00f3pria quest\u00e3o do racismo, que \u00e9 muito forte na comunidade\u201d<\/em>, explicou Neide. <\/p>\n\n\n\n<p>Neide conta ainda que as atividades de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feitas pelo Coletivo junto \u00e0 organiza\u00e7\u00f5es feministas ajudaram na politiza\u00e7\u00e3o da luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica, contra o machismo nas rela\u00e7\u00f5es familiares, mas que, ao mesmo tempo, gerou algumas dificuldades, sendo a maior delas, a de conseguir tirar as mulheres de casa, dos afazeres dom\u00e9sticos para se somarem \u00e0 luta do Coletivo. Esse fato se d\u00e1 pela express\u00e3o do sexismo na condi\u00e7\u00e3o do ser mulher, mas as realidades comuns de opress\u00e3o promovidas pelas estruturas que produzem as desigualdades sociais aproximou as mulheres da comunidade ao Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o surge na luta por creche, por acesso ao fornecimento de \u00e1gua e por moradia, algumas das lutas cotidianas que o Coletivo trava ao longo de sua hist\u00f3ria e que impacta diretamente a vida das mulheres de Jaboat\u00e3o. A consci\u00eancia da opress\u00e3o que atravessa a trajet\u00f3ria de diferentes mulheres aproxima e traz um significado de pertencimento, de perceber que suas hist\u00f3rias apresentam um ponto de vista comum, feitas por as imagens de dor que s\u00e3o compartilhadas. Para Neide, essa dimens\u00e3o de perceber que elas n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s \u00e9, com certeza, um dos fatores que colocam a atua\u00e7\u00e3o do Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o como sendo de feminismo popular.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cCom certeza, porque elas se sentiam isoladas, o sofrimento \u00e9 maior. E a gente percebeu que essas mulheres \u00e0s vezes s\u00f3 querem falar, uma pessoa pra conversar. Porque elas trabalham tanto dentro de casa, a gente conseguiu se libertar de ter que lavar, passar, cozinhar, pra poder sair de casa. A gente deixa tudo e sai. E pra essas mulheres isso ainda \u00e9 muito dif\u00edcil. E quando elas se encontram, elas se sentem felizes e essa felicidade d\u00e1 uma energia muito boa pra gente. Isso \u00e9 o que eu considero feminismo popular\u201d<\/em>, afirmou.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cO feminismo est\u00e1 na periferia h\u00e1 muito tempo\u201d<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A mesma certeza que Neide Silveira traz \u00e9 compartilhada por Mar\u00edlia Nascimento, cientista social e militante feminista do FMPE. Ela acompanhou de perto durante os dois anos da pesquisa de mestrado que fez junto ao <strong>Espa\u00e7o Mulher<\/strong>, grupo organizado de mulheres do bairro Passarinho, as a\u00e7\u00f5es do grupo em resist\u00eancia ao descaso do poder p\u00fablico com a comunidade. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8736\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8736\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?fit=1727%2C1097&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1727,1097\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1566565756&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DSC_0050\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?fit=300%2C191&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?fit=640%2C406&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?fit=580%2C368\" alt=\"\" class=\"wp-image-8736\" width=\"328\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?w=1727&amp;ssl=1 1727w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?resize=300%2C191&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?resize=768%2C488&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?resize=1024%2C650&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0050.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><figcaption>Mar\u00edlia Nascimento no curso Caleidosc\u00f3pio. Foto: Fran Ribeiro\/SOS Corpo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Localizado na periferia de Recife, o bairro faz fronteira com os munic\u00edpios de Olinda e Paulista e tem 74,4 % de moradores que se autodeclaram negros. Passarinho sofre com altos \u00edndices de exclus\u00e3o socioambiental, a falta de assist\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade como escola, hospitais, saneamento b\u00e1sico e moradia. A luta por moradia \u00e9, inclusive, uma marca de resist\u00eancia que funda o surgimento do bairro, logo ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio por moradores que viviam em lugares considerados de risco na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo, que surge do encontro de mulheres negras na d\u00e9cada de 1990, em sua maioria trabalhadoras dom\u00e9sticas que se encontravam na Kombi do vizinho para poder ir ao trabalho, j\u00e1 que o transporte p\u00fablico \u00e9 um dos servi\u00e7os p\u00fablicos deficit\u00e1rios nas periferias brasileiras. Ao longo do trajeto elas partilhavam causos e experi\u00eancias, falavam sobre sa\u00fade, viol\u00eancia e outros temas relacionadas \u00e0 vida delas: mulheres negras, trabalhadoras, perif\u00e9ricas. Foi desse encontro que elas decidiram criar o grupo para continuar aprofundando os pontos de vista em comum, mas tamb\u00e9m para se organizar e lutar pelo direito ao bem viver.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cO feminismo popular \u00e9 constitu\u00eddo do Espa\u00e7o Mulher porque essas mulheres se organizam e fazem o enfrentamento em torno de pautas sociais b\u00e1sicas e que s\u00e3o fundamentais, que \u00e9 o direito \u00e0 moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, direito ao bem viver, voc\u00ea andar tranquilamente na rua e articula essas pautas sociais mais amplas que envolvem os sistemas de opress\u00e3o com as pautas mais espec\u00edficas do movimento feminista, como a sa\u00fade da mulher e o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher\u201d<\/em>, explicou Mar\u00edlia. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1 anos elas est\u00e3o na luta para garantir que o Estado disponibilize escolas com vagas suficientes e creches para atender as demandas da comunidade e a presen\u00e7a efetiva de um profissional m\u00e9dico para atendimento cont\u00ednuo no posto de sa\u00fade. Atualmente a batalha se faz na resist\u00eancia frente ao capital especulativo imobili\u00e1rio que tenta desapossar mais de cinco mil fam\u00edlias que habitam a Vila Esperan\u00e7a, e de onde come\u00e7a uma das a\u00e7\u00f5es do grupo, o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ocupepassarinho\/\"><strong>Ocupe Passarinho<\/strong><\/a>, que evidenciou o Espa\u00e7o Mulher como um dos v\u00e1rios coletivos de feminismo popular em atua\u00e7\u00e3o em Pernambuco. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"478\" data-attachment-id=\"8747\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8747\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?fit=960%2C717&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,717\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?fit=300%2C224&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?fit=640%2C478&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?resize=640%2C478&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-8747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?resize=300%2C224&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/12122673_179575245712011_8141375853786649938_n-1.jpg?resize=768%2C574&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>O Ocupe Passarinho \u00e9 uma das a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia organizado pelo Espa\u00e7o Mulher. Foto: Ocupe Passarinho\/Facebook<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com Mar\u00edlia Nascimento, a identidade coletiva negra pauta a organiza\u00e7\u00e3o e d\u00e1 sentido de pertencimento a um grupo social, fatores que marcam as a\u00e7\u00f5es do feminismo popular, como j\u00e1 apontado tamb\u00e9m pela atua\u00e7\u00e3o do Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o. <strong><em>\u201c<\/em><\/strong><em>O que mais me marcou durante a pesquisa \u00e9 a identidade coletiva negra que \u00e9 o que mais se sobressaia, porque \u00e9 o que toca primeiro, a ra\u00e7a, como esse corpo ocupa esse espa\u00e7o social. Sempre a pauta racial esteve presente. Ent\u00e3o o fato de se reconhecer enquanto mulher negra \u00e9 fundamental para o fortalecimento das pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es delas\u201d<\/em>, apontou a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Feminismo Popular para desconstruir o mito do feminismo branco e de classe m\u00e9dia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Mobiliza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas no porta a porta, de bicicleta, reuni\u00f5es em associa\u00e7\u00f5es de bairro, pra\u00e7as ou em sedes pr\u00f3prias, as pr\u00e1ticas do feminismo popular muito se difere do chamado feminismo hegem\u00f4nico, lugar marcado majoritariamente por mulheres brancas de classe m\u00e9dia. Esse feminismo vem sendo criticado e desconstru\u00eddo h\u00e1 anos dentro do pr\u00f3prio movimento feminista por militantes negras, que pautaram a necessidade latente de pensar a luta feminista a partir da intersec\u00e7\u00e3o das opress\u00f5es de g\u00eanero, tendo a ra\u00e7a e a classe social como marcadores constitutivos das desigualdades operadas pelo sistema capitalista patriarcal e racista. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa no\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica cotidiana, de trazer a narrativa de outras mulheres para o centro da organiza\u00e7\u00e3o e da atua\u00e7\u00e3o, bem como o \u201cn\u00f3s por n\u00f3s\u201d desde a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, do partilhar as experi\u00eancias \u00e0s propostas de a\u00e7\u00f5es coletivas s\u00e3o caracter\u00edsticas que marcam o fazer feminista popular. \u00c9 o que se afirma tamb\u00e9m ao conhecer a hist\u00f3ria de organiza\u00e7\u00e3o do <strong>Movimento da Trabalhadora Rural do Nordeste<\/strong>, o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mmtrne\/?epa=SEARCH_BOX\"><strong>MMTR-NE<\/strong><\/a>, movimento feminista dirigido e organizado pelas pr\u00f3prias mulheres rurais. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" data-attachment-id=\"8748\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8748\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?fit=960%2C720&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,720\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?fit=300%2C225&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?fit=640%2C480&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?resize=640%2C480&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-8748\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/38872923_1591367350975114_5482517111869800448_n.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Mulheres do MMTR-NE. Foto: MMTR-NE\/Facebook<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O MMTR-NE \u00e9 um movimento que vem se construindo regionalmente por trabalhadoras rurais feministas h\u00e1 mais de 30 anos, mulheres que est\u00e3o nos ro\u00e7ados, no semi\u00e1rido, no agreste, na zona da mata, em diferentes territ\u00f3rios e comunidades nos nove estados do Nordeste. <em>\u201cCom tranquilidade d\u00e1 pra afirmar que o feminismo do MMTR-NE \u00e9 um feminismo popular. \u00c9 assim que mulheres compreendem aquilo que elas est\u00e3o fazendo, como elas se compreendem como feministas populares\u201d<\/em>, afirma Gabriela Monteiro, militante do MMTR-NE, feminista negra e educadora pol\u00edtica. <\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela realizou em co-autoria com outras militantes do movimento uma pesquisa de mestrado que apresenta a pr\u00e1tica feminista preta, popular e decolonial do MMTR-NE em suas a\u00e7\u00f5es de articula\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o dentro dos movimentos sociais na luta pelos direitos das trabalhadoras do campo. Segundo a pesquisadora, ao longo dos 30 anos de exist\u00eancia do MMTR-NE as organiza\u00e7\u00f5es feministas estiveram presentes ajudando o movimento a se organizar, a se consolidar enquanto organiza\u00e7\u00e3o a partir de atividades de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em torno das pautas do movimento feminista para as trabalhadoras rurais, a exemplo Escola Feminista de Forma\u00e7\u00e3o Socioecon\u00f4mica nos Bairros, que articulou tamb\u00e9m outros grupos, como a Rede Mulher e Democracia, o Centro de Mulheres do Cabo e a Casa da Mulher do Nordeste. E mesmo com a compreens\u00e3o dos anos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminista, a mulheres do MMTR-NE n\u00e3o se afirmavam como feministas. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8749\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8749\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?fit=1595%2C890&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1595,890\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1567527762&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"gabi-monteiro\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?fit=300%2C167&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?fit=640%2C357&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?fit=580%2C323\" alt=\"\" class=\"wp-image-8749\" width=\"361\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?w=1595&amp;ssl=1 1595w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?resize=768%2C429&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?resize=1024%2C571&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/gabi-monteiro.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><figcaption>Gabriela Monteiro, militante do MMTR-NE, no curso Caleidosc\u00f3pio. Foto: D\u00e9bora Guaran\u00e1\/SOS Corpo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>\u201cA partir dos anos 2000 o movimento come\u00e7a a fazer uma reflex\u00e3o e come\u00e7aram a se fazer umas perguntas assim: o MMTR \u00e9 feminista? \u00c9 feminista. E voc\u00ea \u00e9 feminista? E j\u00e1 ficava assim com uma interroga\u00e7\u00e3o no ar. E come\u00e7aram a refletir: e a\u00ed, a gente \u00e9 feminista ou n\u00e3o? E foi quando come\u00e7ou um amadurecimento dessa compreens\u00e3o de que, \u2018t\u00e1 a gente pratica um feminismo, mas \u00e9 um feminismo rural, \u00e9 nosso, n\u00e3o sei se em outro lugar outras pessoas est\u00e3o fazendo diferente ou parecido, mas a gente sabe que aqui a gente t\u00e1 fazendo assim\u2019&#8230; E isso se vincula muito \u00e0 experi\u00eancia da escola feminista autorganizada exclusivamente pela trabalhadoras rurais. Quando elas disseram \u2018n\u00e3o, vamos fazer uma escola feminista, mas que seja nossa, com a nossa cara\u2019,<\/em>\u201d explicou Gabriela. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi com esse processo de autonomia na constru\u00e7\u00e3o de um feminismo a partir da realidade das trabalhadoras que elas compreenderam que sua pr\u00e1tica era feminista e que se diferia e muito daquela que elas conheciam, um feminismo limitado \u00e0 classe m\u00e9dia intelectualizada e que \u00e0s vezes n\u00e3o conseguia se sensibilizar para se transformar a partir da pluralidade e das m\u00faltiplas possibilidades de ser e se construir como mulher. E esse movimento, segundo Gabriela, se deu por meio de um outro entendimento de si, de um outro pertencimento, do ganho de autoestima e da ruptura com constru\u00e7\u00e3o subjetiva de auto \u00f3dio que as mulheres, sobretudo as mulheres negras, s\u00e3o submetidas pelo imagin\u00e1rio social colonial brasileiro. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cN\u00e3o tem como construir um feminismo popular sem passar por isso. Porque seria novamente uma reprodu\u00e7\u00e3o daquilo que a gente t\u00e1 criticando, que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de imagens, de valores externos. N\u00e3o tem como voc\u00ea construir um feminismo popular que n\u00e3o passe, e isso \u00e9 muito comum de ouvir entre as mulheres do MMTR, pelo \u2018o nosso jeito de fazer\u2019, elas demarcam muito isso, fazer do nosso jeito, contar a nossa hist\u00f3ria\u2026 Quer dizer, respeitar as experi\u00eancias pr\u00f3prias, trazer as narrativas das mulheres pro centro do processo de autoforma\u00e7\u00e3o e de identifica\u00e7\u00e3o feminista\u201d, <\/em>concluiu Gabriela. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cVendo o feminismo de Pernambuco n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que o feminismo brasileiro \u00e9 um feminismo de mulheres de classe m\u00e9dia brancas\u201d<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para Carmen Silva, educadora do SOS Corpo e militante feminista, a constru\u00e7\u00e3o do dia a dia do feminismo brasileiro se faz na pr\u00e1tica dos feminismos de mulheres l\u00e9sbicas, de mulheres negras, de mulheres de classes populares, n\u00e3o negras e assalariadas brancas que experienciam a luta desde os seus lugares sociais, todas organizadas com o objetivo em comum de alterar a situa\u00e7\u00e3o em que n\u00f3s mulheres vivemos no interior das rela\u00e7\u00f5es sociais de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8742\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8742\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?fit=1380%2C943&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1380,943\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1566650415&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?fit=300%2C205&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?fit=640%2C438&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?fit=580%2C396\" alt=\"\" class=\"wp-image-8742\" width=\"321\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?w=1380&amp;ssl=1 1380w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?resize=300%2C205&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?resize=768%2C525&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?resize=1024%2C700&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><figcaption>Militantes feministas de diferentes movimentos da regi\u00e3o metropolitana de Recife participaram do curso Caleidosc\u00f3pio nos dias 23 e 24 de agosto. Foto: Fran Ribeiro\/ SOS Corpo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>\u201cToda vez que a gente faz uma luta em qualquer lugar, em qualquer segmento para alterar a posi\u00e7\u00e3o socialmente constru\u00edda para as mulheres, a gente desloca as mulheres dessa posi\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 o feminismo na pr\u00e1tica. Aqui em Recife a gente tem uma experi\u00eancia grande de ver esse movimento se construindo com mulheres de classes populares, com mulheres negras, perif\u00e9ricas, do interior, longe dos grandes centros urbanos e isso \u00e9 uma riqueza muito grande. O que a gente t\u00e1 nesse Caleidosc\u00f3pio percebendo \u00e9 que, al\u00e9m de fazer as lutas e de se organizar, e de se articular com outros grupos, as mulheres feministas de classes populares t\u00eam tamb\u00e9m desenvolvido uma reflex\u00e3o, pensamento sobre si mesmas e esse pensamento tem sido sistematizado por elas em seus grupos e tamb\u00e9m em articula\u00e7\u00e3o com outros coletivos feministas e isso tem ajudado a ampliar a no\u00e7\u00e3o que \u00e9 predominante sobre o movimento feminista\u201d, <\/em>avaliou a militante.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Experi\u00eancias em comum, consci\u00eancia de si e do social, compreens\u00e3o do ser coletivo e da for\u00e7a que ele tem s\u00e3o mais algumas percep\u00e7\u00f5es que podem ser captadas quando se fala, pensa e age dentro da pr\u00e1tica do feminismo popular. A\u00e7\u00f5es que produzem narrativas pr\u00f3prias, que deslocam as mulheres do lugar socialmente constru\u00eddo para n\u00f3s e que produz conhecimento situado, dando diversidade \u00e0 leitura e ao olhar sobre o mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>O feminismo popular \u00e9 corpo, territ\u00f3rio, campo de luta em que os pr\u00f3prios grupos feministas populares produzem conhecimento sobre suas realidades em busca de transforma\u00e7\u00e3o social. A pr\u00e1tica feminista popular \u00e9 revolucion\u00e1ria! Conhe\u00e7a abaixo algumas dessas narrativas que est\u00e3o presentes nos livros da <strong>S\u00e9rie Cirandas<\/strong>,  uma parceria do SOS Corpo com diferentes grupos feministas populares da regi\u00e3o metropolitana do Recife, do Nordeste e do Norte do Brasil:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1zq9arUWh8Tn827mFa-q-40YnL74wxBSN\/view\">Cirandas Feministas: experi\u00eancias que se entrela\u00e7am (obra coletiva).<\/a><\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1q-L6rr7VK7APrkau5bdulx2KSddrRFj5\/view\"><strong><em>Cirandas Feministas na Zona da Mata Sul: uma luta em movimento (obra coletiva).<\/em><\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/15MH1zaRJDpifMSPitaeqrpIr1iI9cb8c\/view\">Mulheres Negras e Populares do Norte e Nordeste: experi\u00eancias que se entrela\u00e7am (obra coletiva). <\/a><\/em><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a edi\u00e7\u00e3o do curso Caleidosc\u00f3pio do m\u00eas de agosto, conversamos com mulheres ligadas ao Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o, ao Espa\u00e7o Mulher e ao MMTR-NE sobre as pr\u00e1ticas de transforma\u00e7\u00e3o do feminismo popular como pot\u00eancia na luta por direitos sociais. <\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":8772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Durante a edi\u00e7\u00e3o do curso Caleidosc\u00f3pio do m\u00eas de agosto, conversamos com mulheres ligadas ao Coletivo de Mulheres de Jaboat\u00e3o, ao Espa\u00e7o Mulher e ao MMTR-NE sobre as pr\u00e1ticas de transforma\u00e7\u00e3o do feminismo popular como pot\u00eancia na luta por direitos sociais","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,14],"tags":[69,265,700],"class_list":["post-8733","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","category-destaques","tag-amb","tag-feminismo-popular","tag-movimento-feminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Caleidoscopio-Fran-Ribeiro-24-2-1.jpg?fit=1367%2C760&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-2gR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8733"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9627,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8733\/revisions\/9627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}