{"id":82,"date":"2014-11-17T16:15:50","date_gmt":"2014-11-17T19:15:50","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=82"},"modified":"2014-11-27T23:37:04","modified_gmt":"2014-11-28T02:37:04","slug":"participacao-da-mulher-na-politica-e-desafio-para-melhorar-igualdade-de-genero-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=82","title":{"rendered":"Participa\u00e7\u00e3o da mulher na pol\u00edtica \u00e9 desafio para melhorar igualdade de g\u00eanero na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Marcela Belchior \/ Adital<\/p>\n<p>O Brasil caiu nove posi\u00e7\u00f5es em uma pesquisa mundial de igualdade de g\u00eanero. Segundo o levantamento divulgado pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM), o pa\u00eds figura agora na 71\u00aa coloca\u00e7\u00e3o na lista global. Em 2013, ocupava a 62\u00aa posi\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o avaliou as diferen\u00e7as entre homens e mulheres na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, economia e indicadores pol\u00edticos em 142 pa\u00edses. Entre os 10 primeiros figuram pa\u00edses n\u00f3rdicos, o centro-americano Nicar\u00e1gua e o africano Ruanda.<\/p>\n<p>Apesar de ter mantido \u00edndices de igualdade entre homens e mulheres nas \u00e1reas da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, o Brasil perdeu posi\u00e7\u00f5es nas estat\u00edsticas que medem a participa\u00e7\u00e3o feminina na economia e na pol\u00edtica. A maior queda ocorreu na avalia\u00e7\u00e3o que considera sal\u00e1rios, participa\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a feminina no mercado de trabalho. Nesse \u00edndice, a pontua\u00e7\u00e3o do Brasil caiu de 0,656 para 0,649 \u2014 quanto mais perto de 1, maior a igualdade entre os g\u00eaneros. A nota zero indica desigualdade total.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, houve uma \u201cligeira queda na igualdade salarial e renda m\u00e9dia estimada\u201d para mulheres no Brasil. Apesar de estar em coloca\u00e7\u00e3o pior, a nota individual do Brasil progrediu desde que o \u00edndice come\u00e7ou a ser divulgado. Em 2006, a nota do pa\u00eds era 0,604.<\/p>\n<p>Outro crit\u00e9rio que fez o Brasil perder posi\u00e7\u00f5es no ranking foi o de \u201cempoderamento\u201d pol\u00edtico das mulheres. O quesito contabiliza mulheres no Congresso Nacional, em posi\u00e7\u00f5es ministeriais e na chefia de Estado. Nesse \u00edndice, o Brasil perdeu coloca\u00e7\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses, apesar de ter melhorado sua nota individual. A curva de participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica brasileira mostra ascens\u00e3o desde a chegada de Dilma Rousseff \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 2011. Ela foi a primeira mulher a governar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em entrevisa \u00e0 Adital, a soci\u00f3loga, historiadora e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rosana Schwartz, destaca que o Brasil desenvolve, hoje, uma s\u00e9rie de pol\u00edticas p\u00fablicas que colaboram para a supera\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es de g\u00eanero. Por\u00e9m, existem perman\u00eancias de comportamento que seriam mais dif\u00edceis de serem desconstru\u00eddas.<\/p>\n<p>\u201cA mulher foi constru\u00edda para o \u00e2mbito privado \u2014 ser m\u00e3e, ser dona de casa. Ent\u00e3o, optam por n\u00e3o buscarem determinado tipo de emprego, que tenham de abrir m\u00e3o da fam\u00edlia\u201d, exemplifica. \u201cA pr\u00f3pria mulher n\u00e3o quer, porque ela se sente com dupla ou tripla jornada de trabalho\u201d, avalia Schwartz.<\/p>\n<p>Outro ponto importante na constru\u00e7\u00e3o desses resultados estaria na participa\u00e7\u00e3o da mulher na pol\u00edtica partid\u00e1ria e institucional. \u201cAntes, elas entravam na pol\u00edtica porque eram parentes de homens que j\u00e1 estavam historicamente na pol\u00edtica. Hoje, diminuiu o n\u00famero de mulheres, mas aumentou a qualidade\u201d, aponta a professora. \u201cAgora, as mulheres entram na pol\u00edtica com interesses pr\u00f3prios. T\u00eam maior necessidade de participarem das inst\u00e2ncias de poder\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, o Brasil atingiu a nota 1, o que significa que n\u00e3o h\u00e1 desigualdade entre homens e mulheres. A elimina\u00e7\u00e3o nas desigualdades na educa\u00e7\u00e3o vem desde 2012. Na sa\u00fade, o pa\u00eds pontua 0,98 \u2014 o que o coloca em 1\u00ba lugar, empatado com outros pa\u00edses \u2014 desde o in\u00edcio da divulga\u00e7\u00e3o do ranking, em 2006. O relat\u00f3rio destaca que o Brasil conseguiu fechar 70% da lacuna entre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>\u201cA queda do Brasil em nove coloca\u00e7\u00f5es, ficando em 71\u00ba, aconteceu mesmo tendo fechado com sucesso ambas as lacunas entre g\u00eaneros no n\u00edvel educacional e de sa\u00fade, e de sobreviv\u00eancia. A prioridade, agora, deve ser garantir retornos em seus investimentos atrav\u00e9s do aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina na \u00e1rea de trabalho\u201d, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Igualdade em outros pa\u00edses<\/strong><\/p>\n<p>A Isl\u00e2ndia ocupa o topo do ranking geral, seguida de outros pa\u00edses n\u00f3rdicos: 1) Isl\u00e2ndia, 2) Finl\u00e2ndia, 3) Noruega, 4) Su\u00e9cia e 5) Dinamarca. Na sexta coloca\u00e7\u00e3o, aparece a Nicar\u00e1gua, o \u00fanico pa\u00eds latino-americano entre os 10 primeiros, seguida por Ruanda (7\u00ba), na \u00c1frica, 8) Irlanda, 9) Filipinas e 10) B\u00e9lgica. A Nicar\u00e1gua \u00e9 o pa\u00eds mais bem colocado da Am\u00e9rica Latina h\u00e1 tr\u00eas anos. Logo depois, em 7\u00ba, aparece Ruanda, situada na \u00c1frica centro-oriental, que, segundo o relat\u00f3rio, possui \u201cgrande pontua\u00e7\u00e3o em termos de participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2012, por exemplo, as mulheres ocuparam de forma massiva o Parlamento nicaraguense, sendo eleitas para mais da metade das vagas. Al\u00e9m disso, minist\u00e9rios e outros cargos fundamentais das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do pa\u00eds passaram a ser dirigidos por elas. Um exempo \u00e9 Aminta Granera, ex-guerrilheira sandinista e, hoje, chefe da Pol\u00edcia Nacional.<\/p>\n<p>Entre os pa\u00edses dos BRICS, a \u00c1frica do Sul \u00e9 a mais bem colocada (18\u00ba), \u201cdevido \u00e0 forte participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. Depois do Brasil, aparecem R\u00fassia (75\u00ba), China (87\u00ba) e \u00cdndia (114\u00ba). O documento do FEM destaca que os avan\u00e7os em todo o mundo foram pequenos. A lacuna entre homens e mulheres ainda est\u00e1 em 60%. Em 2006, esse dado era de 56%.<\/p>\n<p>De acordo com Rosana Schwartz, em ambos os pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Sul, Nicar\u00e1gua e Ruanda, os resultados pouco t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com pol\u00edticas p\u00fablicas por parte do Estado. Ela explica que s\u00e3o na\u00e7\u00f5es em conflito, nos quais a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 submetida a contextos de reposicionamento dos pap\u00e9is dos cidad\u00e3os. Nesse caso, a mulher come\u00e7a a sair de casa para participar da vida p\u00fabica por necessidade e n\u00e3o por inclus\u00e3o social promovida pos vias institucionais.<\/p>\n<p>\u201cO homem sai para conflitos b\u00e9licos, se afasta do mercado de trabalho e a mulher assume\u201d, exemplifica. Segundo a professora, esse movimento ocorre desde os anos 1960 e demora muito tempo para apresentar novas configura\u00e7\u00f5es \u00e0 sociedade. \u201cA necessidade cria solidariedade, conscientiza\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito de luta. Se eu, como um sujeito social, tenho de mudar, vou desconstruindo isso no cotidiano\u201d, explica Schwartz.<\/p>\n<p>Fonte: <a title=\"Adital - Not\u00edcias da Am\u00e9rica Latina e Caribe\" href=\"http:\/\/site.adital.com.br\/site\/noticia.php?lang=PT&cod=83290\" target=\"_blank\">Adital<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcela Belchior \/ Adital O Brasil caiu nove posi\u00e7\u00f5es em uma pesquisa mundial de igualdade de g\u00eanero. 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