{"id":6931,"date":"2018-08-28T14:20:52","date_gmt":"2018-08-28T17:20:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6931"},"modified":"2018-08-28T14:42:10","modified_gmt":"2018-08-28T17:42:10","slug":"o-medo-ronda-a-vida-sexual-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6931","title":{"rendered":"O medo ronda a vida sexual das mulheres"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"data-single\"><em style=\"font-size: 16px;\">Segundo militante feminista, \u2018a legaliza\u00e7\u00e3o tem que vir por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o. Precisamos de um movimento forte para enfrentar o movimento fundamentalista religioso\u2019<\/em><\/h5>\n<div class=\"entry-content\">\n<h5 class=\"data-single\">Publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/observatoriosc.org.br\/noticia\/o-medo-ronda-a-vida-sexual-das-mulheres-diz-ativista-da-sos-corpo\/\">Observat\u00f3rio da Sociedade Civil<\/a> em: 22 de agosto de 2018<\/h5>\n<p><strong>Por Lorena Alves e Nicolau Soares<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Observat\u00f3rio da Sociedade Civil<\/strong>\u00a0entrevistou D\u00e9borah Guaran\u00e1, comunicadora do SOS Corpo \u2013 Instituto Feminista para a Democracia, sobre o Festival Pela Vida das Mulheres, as audi\u00eancias p\u00fablicas no STF e a luta pela despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Argentina. D\u00e9borah tamb\u00e9m faz parte da Articulaci\u00f3n Feminista Mercosur (AFM), Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras (AMB), al\u00e9m de tamb\u00e9m participar da Frente Nacional Contra a Criminaliza\u00e7\u00e3o de Mulheres e pela Legaliza\u00e7\u00e3o do Aborto.<\/p>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_9896\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9896 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D%C3%A9borah-Guaran%C3%A1_Foto_MabelFeres.jpeg?resize=640%2C427\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres.jpeg 1280w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-300x200.jpeg 300w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-768x512.jpeg 768w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-1024x682.jpeg 1024w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-600x400.jpeg 600w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-24x16.jpeg 24w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-36x24.jpeg 36w, http:\/\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/D\u00e9borah-Guaran\u00e1_Foto_MabelFeres-48x32.jpeg 48w\" alt=\" \u2018O medo ronda a vida sexual das mulheres\u2019, diz ativista da SOS Corpo Foto: Mabel Feres\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">D\u00e9borah Guaran\u00e1 | Foto: Mabel Feres<\/figcaption><\/figure>\n<p>Confira os principais trechos:<\/p>\n<p><strong>\u2018Queremos visibilidade porque as mulheres est\u00e3o morrendo\u2019<\/strong><\/p>\n<p>O Festival Pela Vida das Mulheres aconteceu em Goi\u00e1s, Roraima, Curitiba, Recife, Natal, Fortaleza, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. A programa\u00e7\u00e3o estava bem diversa, em alguns lugares aconteceram debates e eventos de car\u00e1ter cultural. Em Recife, foi um festival de m\u00fasica, cinema e sarau po\u00e9tico, j\u00e1 em algumas regi\u00f5es eventos focados na discuss\u00e3o sobre a ADPF.<\/p>\n<p>Queremos visibilidade, porque as mulheres est\u00e3o morrendo, por conta do aborto ainda ser clandestino. O festival tem o mesmo nome, porque queremos dar uma unidade pela vida das mulheres. Ano passado fizemos a campanha \u201cAlerta Feminista\u201d, que aconteceu quando estava rolando a PEC 181\/2015 \u2013 que insere na Constitui\u00e7\u00e3o a proibi\u00e7\u00e3o do aborto em todos os casos. Soltamos o alerta contra os direitos de autonomia das mulheres e conseguimos mobilizar muitos coletivos para entrarem na Frente. Demos uma revivida na organiza\u00e7\u00e3o e com apoio dos parlamentares conseguimos barrar a PEC.<\/p>\n<p>Pensamos em renovar a campanha \u201cAlerta Feminista\u201d, mas enfrentamos uma dificuldade absurda em conseguir recursos para sustentar a luta hoje em dia. Algumas organiza\u00e7\u00f5es fazem muitas atividades e campanhas individuais.<\/p>\n<p><strong>\u2018O medo ronda a vida sexual das mulheres\u2019<\/strong><\/p>\n<p>O medo ronda a vida sexual das mulheres, principalmente as que n\u00e3o tem acesso aos postos de sa\u00fade. \u00c9 culpa do estado que n\u00e3o forneceu medicamento de preven\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um ciclo de problemas\u2026<\/p>\n<p>Fizemos uma pesquisa recentemente com mulheres de periferia urbana e \u00e9 impressionante como elas desacreditam da camisinha, como n\u00e3o confiam nos parceiros, que eles v\u00e3o usar durante a rela\u00e7\u00e3o. Algumas passam anos ininterruptos tomando medica\u00e7\u00f5es pesadas, al\u00e9m de terem medo do DIU e outros m\u00e9todos contraceptivos. Os rem\u00e9dios faltam nos postos, ainda mais hoje em dia em uma conjuntura de total desestrutura\u00e7\u00e3o do SUS.<\/p>\n<p>E, mesmo nesse contexto, elas n\u00e3o perdem autodetermina\u00e7\u00e3o sobre a vida reprodutiva delas. As mulheres sabem quando n\u00e3o v\u00e3o conseguir dar conta e procuram abortar. Elas se viram com ch\u00e1s e milh\u00f5es de maneiras. Muitas vezes as meninas n\u00e3o conseguem contar a ningu\u00e9m quando t\u00eam experi\u00eancias muito novas. A vida sexual delas ainda \u00e9 um tabu. Elas sofrem com todo esse sistema patriarcal, que as colocam dentro de casa para cuidar do lar e reproduzir. E quando alguma foge disso, sofre por n\u00e3o ter material educativo, sofre por preconceito e estigmas. A luta pelos direitos sexuais e reprodutivos vai al\u00e9m do aborto.<\/p>\n<p>A mulher passa por diversas viol\u00eancias tamb\u00e9m quando tem o filho. Para cuidar \u00e9 complicado, porque muitas n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 creche. Se for legalizado elas podem escolher melhor. Atualmente as mulheres est\u00e3o sujeitas aos outros, e lutamos pela autonomia e autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2018Precisamos nos unir na Am\u00e9rica Latina\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Na Argentina as mobiliza\u00e7\u00f5es foram incr\u00edveis. O movimento l\u00e1 \u00e9 muito forte\u2026\u00a0 os atos reunem 80 mil mulheres. Elas conseguiram passar a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, na C\u00e2mara dos Deputados, depois de anos fazendo articula\u00e7\u00e3o, movimento de luta e partindo de um trabalho \u201cmiudinho.\u201d As feministas estavam defendendo o que chamamos de aborto feminista, que \u00e9 feito em casa e por mulheres. Temos cr\u00edticas a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto no Uruguai, porque, como foi aprovado, para ser feito precisa passar por um m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Precisamos nos unir de maneira conjunta na Am\u00e9rica Latina. A mobiliza\u00e7\u00e3o estava prevista at\u00e9 o dia 08 por conta da vota\u00e7\u00e3o no Senado, na Argentina. Quando foi aprovado na C\u00e2mara dos Deputados, tamb\u00e9m fizemos mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A campanha argentina pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto tamb\u00e9m fez parte da \u201cvirada feminista\u201d, realizada em 2016 e 2017. A SOS participou da La Internacional Feminista e da Articula\u00e7\u00e3o Feminista Mercosul (AFM). Estamos sempre tentando estreitar esse la\u00e7o, porque sabemos que o primeiro passo do per\u00edodo de recess\u00e3o \u00e9 retirar os direitos das mulheres. O avan\u00e7o do ultra-neoliberalismo \u00e9 em bloco e global. Se a gente n\u00e3o une as for\u00e7as na Am\u00e9rica Latina ficamos isoladas e n\u00e3o conseguimos enfrentar isso.<\/p>\n<p><strong>\u2018Nossa luta \u00e9 tamb\u00e9m por democracia\u2019<\/strong><\/p>\n<p>A legaliza\u00e7\u00e3o tem que vir por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o. Precisamos de um movimento forte para enfrentar o movimento fundamentalista religioso, como candidatos ligados a igrejas, [Jair] Bolsonaro [candidato \u00e0 presid\u00eancia pelo PSL]. Precisamos de autonomia das mulheres, porque elas independente disso v\u00e3o realizar o aborto e guardam muito medo e culpa. O movimento feminista defende essa articula\u00e7\u00e3o contra o movimento fundamentalista, que \u00e9 quase fascista. Nossa luta tamb\u00e9m \u00e9 por democracia, porque acreditamos que os direitos das mulheres s\u00e3o cruciais para termos uma democracia de verdade. Estamos vendo o Brasil ser arrasado e acreditamos na luta social, apesar do cen\u00e1rio ser tenebroso.<\/p>\n<p><strong>Leia outras vis\u00f5es feministas sobre o aborto:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/observatoriosc.org.br\/noticia\/aborto-tem-sido-discutido-mais-abertamente-diz-militante-da-marcha-mundial-das-mulheres\/\">\u2018Aborto tem se tornado pauta discutida mais abertamente\u2019<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/observatoriosc.org.br\/noticia\/estado-que-nao-permite-aborto-mata-juventude-negra\/\">\u2018Estado que n\u00e3o permite aborto, mata juventude negra\u2019<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo militante feminista, \u2018a legaliza\u00e7\u00e3o tem que vir por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o. 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