{"id":6683,"date":"2018-05-21T09:45:23","date_gmt":"2018-05-21T12:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6683"},"modified":"2018-08-29T13:35:42","modified_gmt":"2018-08-29T16:35:42","slug":"o-mundo-em-marcha-pela-legalizacao-das-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6683","title":{"rendered":"O mundo em marcha pela legaliza\u00e7\u00e3o das drogas"},"content":{"rendered":"<h1><i>Marchas da Maconha defendem que a guerra \u00e0s drogas s\u00e3o, na verdade, guerra contra a popula\u00e7\u00e3o negra e pobre. Ativistas e coletivos afirmam a legaliza\u00e7\u00e3o como o estrat\u00e9gia para combater o \u00a0encarceramento em massa e o genoc\u00eddio da juventude negra. <\/i><\/h1>\n<p><em>*Por D\u00e9borah Guaran\u00e1, comunicadora do coletivo SOS Corpo<\/em><\/p>\n<p>Centenas de pessoas participaram neste s\u00e1bado da 11\u00aa Marcha da Maconha, que este ano tem o tema \u201cNossa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 pela legaliza\u00e7\u00e3o Jah\u201d. Concentrados desde \u00e0s 14h na Pra\u00e7a Oswaldo Cruz, no bairro da Boa Vista, \u00e1rea central do Recife, os manifestantes sa\u00edram em marcha por volta das 17h com destino ao P\u00e1tio de S\u00e3o Pedro, onde ocorrer\u00e1 o 5\u00ba Festival de Cultura Can\u00e1bica.<\/p>\n<p>Desde 1999, a manifesta\u00e7\u00e3o acontece todos os anos no primeiro s\u00e1bado do m\u00eas de maio em v\u00e1rias cidades do mundo. Na Argentina, s\u00e1bado passado, houveram marchas na cidade de Buenos Aires, Bah\u00eda Blanca, Mar del Plata, Olavarr\u00eda, Tandil, La Pampa, Rosario e C\u00f3rdoba. A milit\u00e2ncia can\u00e1bica do Uruguai tamb\u00e9m foi \u00e0s ruas. Ap\u00f3s quatro anos da aprova\u00e7\u00e3o da Lei 19.172 que regulamentou a maconha no Uruguai, a Marcha da Maconha ganhou as ruas de Montevid\u00e9u at\u00e9 a porta do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/argentina.marchamarihuana.org\/marihuana_marcha\/MMM2017.jpg?w=640\" \/><\/p>\n<p>No Brasil, de abril a junho, os coletivos antiproibicionistas, associa\u00e7\u00f5es de cultivo, rede feminista, organiza\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o de danos, militantes da sa\u00fade mental, assistentes sociais se organizam junto com ativistas aut\u00f4nomos para promoverem marchas em mais de 40 munic\u00edpios de Nordeste a Sul do Brasil por uma nova pol\u00edtica de drogas e pelo fim encarceramento em massa e genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra. Conhecidas popularmente como Marchas da Maconha e com uma hist\u00f3ria de mais de 20 anos de exist\u00eancia em algumas capitais do Brasil, as marchas brasileiras defendem a legaliza\u00e7\u00e3o de todas as drogas como medida de enfrentamento \u00e0 estrutura racista do sistema carcer\u00e1rio, jur\u00eddico, policial, pol\u00edtico e midi\u00e1tico.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, 15 mil pessoas marcharam nas ruas de Ipanema no dia 5 de maio contra a interven\u00e7\u00e3o militar e pela legaliza\u00e7\u00e3o. Este ano, a 18\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Marcha, colocou como tema principal o enfrentamento \u00e0 interven\u00e7\u00e3o federal na Secretaria de Seguran\u00e7a, que colocou um militar como interventor. O Observat\u00f3rio da Interven\u00e7\u00e3o, coordenado pelo CESeC &#8211; Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania, evidencia em suas pesquisas desde que foi iniciada a interven\u00e7\u00e3o foram mais homic\u00eddios, mais agentes mortos, mais den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00f5es de direitos.<\/p>\n<p>O retrocesso n\u00e3o \u00e9 apenas na pol\u00edtica de seguran\u00e7a do Rio de Janeiro. As amea\u00e7as atingem tanto a pol\u00edtica de drogas, quanto a de sa\u00fade mental. O PLC 37, que avan\u00e7a no Senado, e a Resolu\u00e7\u00e3o 01\/2018 do CONAD podem significar o fim da pol\u00edtica de Redu\u00e7\u00e3o de Danos para pessoas que fazem uso problem\u00e1tico de drogas. Os projetos restabelecem a interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria como principal pol\u00edtica p\u00fablica, ampliando os neg\u00f3cios da ind\u00fastria da interna\u00e7\u00e3o, hegemonizadas por comunidades terap\u00eauticas de grandes empresas da religi\u00e3o e seu fundamentalismo religioso.<\/p>\n<p><b>Feminismo Antiproibicionista &#8211; <\/b>Recai sobre as mulheres que usam drogas o estigma de estarem desviando-se do papel destinado a elas pela sociedade. O preconceito sobre estas mulheres \u00e9 t\u00e3o grande que as viol\u00eancias contra elas s\u00e3o justific\u00e1veis. A mulher que, sob o uso de drogas, \u00e9 violentada, \u00e9 desacreditada e culpabilizada pela viol\u00eancia que sofreu. J\u00e1 a embriaguez do homem \u00e9 usada como justificativa para amenizar a responsabilidade deles por seus atos de viol\u00eancia. Al\u00e9m disso, as mulheres pobres e pretas que recorrem aos pequenos trabalhos e bicos para o tr\u00e1fico como forma de fugir do destino dom\u00e9stico ou garantir uma forma de sobreviv\u00eancia, s\u00e3o as que primeiro caem nas m\u00e3os da pol\u00edcia. A popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria que mais cresce no Brasil \u00e9 a de mulheres, abrigando a quinta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina do mundo. Em 16 anos aumentaram em 698% o n\u00famero de mulheres presas. Cerca de 43% delas ainda n\u00e3o tiveram seus casos julgados e 60% foi presa por crimes relacionados ao tr\u00e1fico de drogas. Do total de mulheres presas, 80% s\u00e3o m\u00e3es e respons\u00e1veis principais, ou mesmo \u00fanicas, pelos cuidados de filhas e filhos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scontent.frec5-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/32928248_1429447017160886_5630798521301991424_n.jpg?_nc_cat=0&amp;oh=116908f68d489cb4cc69c9c3eaa2e065&amp;oe=5B9278EE\" alt=\"A imagem pode conter: 1 pessoa, em p\u00c3\u00a9 e atividades ao ar livre\" \/><\/p>\n<p><b><i>Tags:\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marchas da Maconha defendem que a guerra \u00e0s drogas s\u00e3o, na verdade, guerra contra a popula\u00e7\u00e3o negra e pobre. 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