{"id":6496,"date":"2018-04-24T18:17:54","date_gmt":"2018-04-24T21:17:54","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6496"},"modified":"2018-08-29T13:36:23","modified_gmt":"2018-08-29T16:36:23","slug":"a-organizacao-e-acao-das-mulheres-negras-e-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6496","title":{"rendered":"A organiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o das mulheres negras e populares"},"content":{"rendered":"<p><em>A organiza\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o bastante radical de resist\u00eancia coletiva, potente o bastante para fazer diferen\u00e7a no cotidiano e ampliar a autoconfian\u00e7a individual, mas tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 luta por direitos, por mudan\u00e7as e transforma\u00e7\u00f5es sociais.<\/em><\/p>\n<p>Por Silvia Camur\u00e7a, educadora do SOS Corpo &#8211; Instituto Feminista para a Democracia<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6497\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6497\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?fit=4928%2C2440&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"4928,2440\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;3.5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;NIKON D5100&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1494495388&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;18&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;2200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.016666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DSC_0570\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?fit=300%2C149&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?fit=640%2C317&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6497\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?resize=580%2C287&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?resize=1024%2C507&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?resize=300%2C149&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?resize=768%2C380&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?resize=365%2C180&amp;ssl=1 365w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>Muito do que configura hoje a din\u00e2mica e forma de agir das organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras e de setores populares no Norte e Nordeste tem como origem a atua\u00e7\u00e3o das mulheres nas lutas sociais desde muitos anos, e muitas vezes em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a. Nos tr\u00eas anos do processo de fortalecimento de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras e populares que <a href=\"https:\/\/www.cese.org.br\/\">CESE<\/a> e SOS Corpo realizaram no Norte e Nordeste, em\u00a0diferentes encontros e oficinas, pudemos nos perceber herdeiras, herdeiras das lutas de muitas outras mulheres, negras, ind\u00edgenas, que, ao longo da forma\u00e7\u00e3o do Brasil-col\u00f4nia, resistiram, por diferentes meios, \u00e0 sua domina\u00e7\u00e3o e buscaram a liberdade para si mesmas e para os seus povos.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6463\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6463\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?fit=1000%2C722&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1000,722\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"capa\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?fit=300%2C217&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?fit=640%2C462&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6463\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?resize=640%2C462&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"462\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?resize=300%2C217&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa.png?resize=768%2C554&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cNunca \u00e9 tarde para voltar e apanhar<\/strong><br \/>\n<strong>aquilo que ficou atr\u00e1s\u201d esta \u00e9 a id\u00e9ia<\/strong><br \/>\n<strong>atribu\u00edda ao ideograma Sankofa e que<\/strong><br \/>\n<strong>inspira esta sistematiza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 forte a certeza de que existimos hoje porque resistimos no passado. Somos herdeiras das sobreviventes. Das que sobreviveram \u00e0 escravid\u00e3o e ao estupro colonial, das que se rebelaram e fugiram, das que sobreviveram \u00e0 matan\u00e7a ind\u00edgena, das que conquistaram um lugar para si e os seus nas matas, nas \u00e1reas desprezadas de antigamente, das que ocuparam terras nas periferias urbanas, das que migraram de um canto a outro, das que ocuparam sindicatos rurais para conquistar o direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o. Somos herdeiras das que estiveram nas lutas camponesas quando nem sindicatos existiam. Dessas somos herdeiras de formas do pensar, do fazer e<br \/>\nagir que ainda est\u00e3o presentes. Herdeiras de suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Somos benefici\u00e1rias das conquistas de outras organiza\u00e7\u00f5es e lutas das mulheres no Brasil. \u00c9 o caso das organiza\u00e7\u00f5es criadas por mulheres que lutaram pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, pela Rep\u00fablica, pelo direito universal das mulheres \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pelo direito ao voto, por pol\u00edticas de sa\u00fade<br \/>\np\u00fablica, pela igualdade de direitos, contra a ditadura militar, pelo socialismo, enfim, nos beneficiamos de conquistas de muitas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres de v\u00e1rias matizes pol\u00edticas e composi\u00e7\u00f5es, que de alguma forma nos permitem trilhar hoje caminhos abertos pelas lutas de ontem\u2026<\/p>\n<p>Mas, no caso das mulheres negras e populares, a historiografia, geral e feminista, ainda lhes deve muito: mulheres, lutas e organiza\u00e7\u00f5es negras e populares ainda seguem \u2018apagadas\u2019 da mem\u00f3ria coletiva e da hist\u00f3ria \u2018oficial\u2019. \u00c9 justo dizer que esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando. Pela for\u00e7a e empenho das pr\u00f3prias mulheres e alian\u00e7as que constroem, a hist\u00f3ria vai sendo recontada e, com isto, vamos recontando o pa\u00eds, trazendo a p\u00fablico a<br \/>\npresen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o de sujeitos pol\u00edticos que estavam l\u00e1, mas foram ocultados.<\/p>\n<p>Contudo, ainda estamos \u00e0s margens da historiografia oficial e a historiografia feminista brasileira est\u00e1 ainda muito referenciada pelo que ocorreu no centrosul\u00a0do pa\u00eds, entre as mulheres das classes\u00a0m\u00e9dias e majoritariamente brancas. H\u00e1 muito por ser desvelado e conhecido. Por\u00a0conta desta consci\u00eancia, iniciamos, em<br \/>\nabril de 2015, o primeiro momento de interc\u00e2mbio dessa A\u00e7\u00e3o \u2018puxando pela mem\u00f3ria\u2019. No semin\u00e1rio inicial, apontamos os momentos mais relevantes da trajet\u00f3ria da organiza\u00e7\u00e3o negra e popular no Norte e Nordeste, com destaque para o surgimento das organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e sua a\u00e7\u00e3o. Foi um momento concentrado<br \/>\nna rememora\u00e7\u00e3o, na recorda\u00e7\u00e3o, nas reminisc\u00eancias. Este foi o caminho para promover entre n\u00f3s (re)conhecimento de n\u00f3s mesmas. Pois, se, para os movimentos, a mem\u00f3ria coletiva \u00e9 um saber que<br \/>\nfortalece sua presen\u00e7a p\u00fablica, no caso das mulheres, mais ainda: para as mulheres \u2018estar em si\u2019 \u00e9 um desafio, vez que somos muito demandadas a estarmos a servi\u00e7o do outro: filhos, fam\u00edlia, vizinhan\u00e7a, igrejas,<br \/>\nmovimentos\u2026<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6498\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6498\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?fit=1465%2C622&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1465,622\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"puxando pela memoria\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?fit=300%2C127&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?fit=640%2C272&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter wp-image-6498 size-large\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?resize=580%2C246&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?resize=1024%2C435&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?resize=300%2C127&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?resize=768%2C326&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?w=1465&amp;ssl=1 1465w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/puxando-pela-memoria.png?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Foi na Am\u00e9rica Latina onde emergiu a ideia do<br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><em>feminismo como um pensamento cr\u00edtico e pr\u00e1tica pol\u00edtica.<\/em> <\/strong><\/span><br \/>\nEsta ideia parece potente para nos estimular a compreender e explicar o feminismo, para n\u00f3s mesmas e para os outros.<\/h2>\n<p>Esta ideia est\u00e1 na base dos debates sobre feminismo que realizamos nestes tr\u00eas anos desta A\u00e7\u00e3o, na qual esta concep\u00e7\u00e3o de feminismo sustentou a proposta metodol\u00f3gica que articulou momentos de autorreflex\u00e3o sobre a experi\u00eancia das mulheres, momentos de troca sobre concep\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas ao pensamento feminista e momentos de debate das pr\u00e1ticas pol\u00edticas, sua pot\u00eancia e limites no presente.<\/p>\n<p>Dialogando com esta ideia de feminismo \u2013 como pensamento cr\u00edtico e pr\u00e1tica pol\u00edtica &#8211; podemos explicitar uma compreens\u00e3o do feminismo, v\u00e1lida para n\u00f3s at\u00e9 o momento, e que cont\u00e9m os seguintes aspectos:<\/p>\n<ul>\n<li>Como pensamento cr\u00edtico, o feminismo n\u00e3o pode ser doutrina, que \u2018se aprende a recitar\u2019. Para ser cr\u00edtico, um pensamento deve ler criticamente a experi\u00eancia situada das mulheres pelo mundo afora e em diferentes momentos da hist\u00f3ria. Al\u00e9m de que, um pensamento cr\u00edtico precisa ser visto e se colocar como pensamento que tem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e contexto. O feminismo \u00e9 sempre pensamento e pr\u00e1tica pol\u00edtica situada na hist\u00f3ria e nas circunst\u00e2ncias nas quais foi\/\u00e9 elaborado e vivido pelas mulheres;<\/li>\n<li>Para ser cr\u00edtico, este pensamento necessariamente deve ser tamb\u00e9m autocr\u00edtico, de modo a acolher novas contribui\u00e7\u00f5es de mais e mais mulheres que desenvolvam cr\u00edticas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de seu viver nas suas sociedades (tempo-espa\u00e7o de seu pensar cr\u00edtico) e desenvolvam cr\u00edticas ao pr\u00f3prio pensamento feminista, ou seja, o pensamento e a pr\u00e1tica pol\u00edtica feminista se renovam constantemente pelo novo que \u00e9 pensado e pelas pr\u00e1ticas renovadas em cada situa\u00e7\u00e3o onde as mulheres instalam a luta feminista;<\/li>\n<li>Novas contribui\u00e7\u00f5es das mulheres ao feminismo instalam novas contradi\u00e7\u00f5es no\u00a0 \u2018corpo\u2019 do pensamento cr\u00edtico feminista e de sua pr\u00e1tica, e quando estas contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o enfrentadas no debate entre\u00a0 feministas, o conjunto do pensamento cr\u00edtico feminista se renova, ganha em capacidade de explicar<br \/>\nmelhor as diferentes condi\u00e7\u00f5es do viver das mulheres na sua diversidade de experi\u00eancias; a\u00a0pr\u00e1tica pol\u00edtica feminista, quando confrontada criticamente, tamb\u00e9m se renova, e se torna mais potente para responder aos desafios do presente em cada contexto;<\/li>\n<li>Sendo pr\u00e1tica pol\u00edtica, \u00e9 desta fonte, a pr\u00e1tica, que emerge o pensamento, ou seja, o pensar cr\u00edtico nasce da a\u00e7\u00e3o das mulheres, que s\u00e3o o sujeito da pr\u00e1tica, e a a\u00e7\u00e3o das mulheres est\u00e1 sempre situada em um<br \/>\ncontexto, espa\u00e7o-tempo-lugar;<\/li>\n<li>O pensamento j\u00e1 consolidado nasceu de pr\u00e1ticas passadas e orienta pr\u00e1ticas presentes, mas se renova com o pensar cr\u00edtico a partir das pr\u00e1ticas no presente;<\/li>\n<li>Al\u00e9m disso, pela diversidade de situa\u00e7\u00f5es vividas pelas mulheres na hist\u00f3ria e nos mais diversos lugares do mundo, n\u00e3o h\u00e1 uma mesma pr\u00e1tica em todos os lugares, mas muitas pr\u00e1ticas feministas, que podem at\u00e9 ser complementares ou contradit\u00f3rias,<br \/>\nmas ser\u00e3o sempre diversas;<\/li>\n<li>Nascendo da pr\u00e1tica, podemos dizer que todo feminismo nasce da luta das mulheres, fundada numa experi\u00eancia comum em um momento da hist\u00f3ria e num dado territ\u00f3rio com contexto particular;<\/li>\n<li>As pr\u00e1ticas das mulheres se fazem por dentro das rela\u00e7\u00f5es sociais de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero, porque cada mulher est\u00e1 sempre situada numa classe, nas rela\u00e7\u00f5es raciais\/inter\u00e9tnicas e nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Desta forma, as pr\u00e1ticas feministas est\u00e3o situadas num momento hist\u00f3rico e num territ\u00f3rio\/contexto de luta e resist\u00eancia das mulheres;<\/li>\n<li>Por fim, na tradi\u00e7\u00e3o de pensamentos cr\u00edticos, pr\u00e1tica e pensamento s\u00e3o insepar\u00e1veis, a pr\u00e1tica precisa de um pensamento cr\u00edtico que a oriente e o pensamento cr\u00edtico s\u00f3 nasce de uma pr\u00e1tica concreta. Ou seja, sem a\u00e7\u00e3o e luta das mulheres n\u00e3o existiria o feminismo nem como pr\u00e1tica nem como pensamento cr\u00edtico, nem no passado, nem no presente.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por muito tempo, a refer\u00eancia de feminismo foi uma s\u00f3: o feminismo surgido nos anos 1970 entre mulheres europeias e norteamericanas, cuja pr\u00e1tica e pensamento refletia as problem\u00e1ticas vividas naqueles contextos. As pr\u00e1ticas e ideias ali desenvolvidas s\u00e3o v\u00e1lidas e usuais em v\u00e1rias partes do mundo, mas a transposi\u00e7\u00e3o<br \/>\npura e simples deste marco referencial de feminismo para outros contextos est\u00e1 hoje questionada como pr\u00e1tica, pois \u00e9 insuficiente para explicar a diversidade de situa\u00e7\u00f5es vividas pelas mulheres e insuficiente<br \/>\npara orientar as diversas pr\u00e1ticas de luta necess\u00e1rias aos diferentes contextos da luta feminista, embora, como todo pensamento cr\u00edtico, explique muitos dos problemas vividos pelas mulheres ainda nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Desde muito tempo, a pr\u00e1tica e o pensamento feminista estiveram sendo criados e recriados, elaborados e<br \/>\nreelaborados, por diferentes \u2018fontes\u2019, por mulheres individualmente, por coletivos de mulheres, seja na perspectiva de classe, na perspectiva do antirracismo, pelas mulheres negras e ind\u00edgenas e pelas latinoamericanas e tamb\u00e9m pelas mulheres\u00a0de outros continentes. Hoje muitas mulheres, todas sujeitos do feminismo do presente, concretizam v\u00e1rias express\u00f5es e experi\u00eancias de feminismo no mundo: o feminismo curdo, o feminismo na \u00cdndia, nas Filipinas, na \u00c1frica, na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6520\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6520\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?fit=2048%2C1356&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"2048,1356\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Ato p\u00fablico Bel\u00e9m nov 2016 (2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?fit=300%2C199&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?fit=640%2C424&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6520\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2-1024x678.jpg?resize=580%2C384&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?resize=1024%2C678&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?resize=768%2C509&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-p%C3%BAblico-Bel%C3%A9m-nov-2016-2.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>Contudo, devemos sempre destacar que, embora a luta das mulheres sempre tenha acontecido \u2013 porque os oprimidos s\u00e3o sujeitos e n\u00e3o apenas v\u00edtimas, e as mulheres resistem h\u00e1 muito tempo, o tempo todo e ao longo do tempo \u2013 o feminismo ganhou visibilidade no mundo, como movimento criado, constitu\u00eddo e liderado por mulheres e como for\u00e7a pol\u00edtica das mulheres, no anos 1970, a partir da visibilidade alcan\u00e7ada nas lutas do feminismo das mulheres na Europa e Estados Unidos. A partir deste momento, pelo menos na hist\u00f3ria ocidental, podemos falar de um movimento de mulheres que organiza lutas e articula espa\u00e7os de encontros entre coletivos feministas para debate e acordos sobre os rumos da luta, promove interc\u00e2mbios e debates, confronta vis\u00f5es divergentes no interior do pr\u00f3prio feminismo, articula a\u00e7\u00f5es de solidariedade e se internacionaliza. Ou seja, a partir deste momento, al\u00e9m de pr\u00e1tica pol\u00edtica e pensamento critico, podemos falar do feminismo como um movimento.<\/p>\n<p>Nos anos 1970, estavam presentes debates feministas, lutas feministas e produ\u00e7\u00e3o de pensamentos cr\u00edticos feministas em outras partes do mundo, para al\u00e9m dos EUA e Europa, embora com pouca ou nenhuma<br \/>\nvisibilidade, no Brasil, inclusive. S\u00f3 recentemente registros da \u00e9poca ganharam for\u00e7a, visibilidade e centralidade no feminismo: o pensamento e pr\u00e1ticas do feminismo negro e do feminismo l\u00e9sbico s\u00e3o exemplos.<\/p>\n<p>Esta diversidade de a\u00e7\u00e3o das mulheres no interior do feminismo, com distintas perspectivas cr\u00edticas e partindo de diversas experi\u00eancias historicamente situadas, consolidou a cr\u00edtica ao universalismo da categoria homem, elaborada pelo feminismo europeu e norte-americano, e instalou a cr\u00edtica ao universalismo da categoria mulher, que tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser universal. As feministas socialistas denunciaram que a experi\u00eancia de opress\u00e3o da mulher branca europeia da aristocracia e da burguesia\u00a0 n\u00e3o \u00e9 a mesma experi\u00eancia da mulher<br \/>\nbranca europeia camponesa ou oper\u00e1ria e\u00a0apontaram para a desigualdade de classe entre mulheres.<\/p>\n<p>No Brasil, nos Estados Unidos, nos demais pa\u00edses ex-col\u00f4nias latinoamericanas, nos pa\u00edses da \u00c1frica e na \u00cdndia, as mulheres negras e ind\u00edgenas denunciaram a desigualdade entre as mulheres brancas e as outras, n\u00e3o-brancas, apontando para diferen\u00e7as nas formas de dom\u00ednio patriarcal, que variam por classe e ra\u00e7a. Assim, com centenas de anos de luta das mulheres sendo resgatados e sistematizados, com o pensamento feminista, que tenta explicar a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, sendo continuamente criticado, problematizado e enriquecido, assumimos a ideia de que o\u00a0conjunto do feminismo, em sua diversidade, compreende formas comuns de opress\u00e3o sobre as mulheres em pelo menos quatro campos da vida:<\/p>\n<p>&#8211; no mundo do trabalho;<br \/>\n&#8211; nas pr\u00e1ticas pol\u00edticas e nos sistemas pol\u00edticos dos pa\u00edses;<br \/>\n&#8211; no controle e explora\u00e7\u00e3o do corpo e sexualidade das mulheres, incluindo a reprodu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica;<br \/>\n&#8211; e no uso da viol\u00eancia como instrumento de domina\u00e7\u00e3o dos homens sobre as mulheres.<\/p>\n<p>Ao que parece, estes s\u00e3o campos de \u2018controle\u2019 comuns ao sistema de domina\u00e7\u00e3o das mulheres. Mas,\u00a0 destacamos, mesmo sendo \u2018campos\u2019 comuns, a experi\u00eancia de opress\u00e3o e formas de explora\u00e7\u00e3o vividas pelas<br \/>\nmulheres, variam por ra\u00e7a, classe e contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico, pois o sistema de domina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m varia no espa\u00e7o-tempo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<h2>Os debates entre n\u00f3s<\/h2>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6508\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6508\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?fit=2048%2C1356&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"2048,1356\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"11155059_798347160260149_5342644851250667552_o (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?fit=300%2C199&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?fit=640%2C424&amp;ssl=1\" class=\"size-large wp-image-6508 alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?resize=580%2C384&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?resize=1024%2C678&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?resize=768%2C509&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/11155059_798347160260149_5342644851250667552_o-1.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>No semin\u00e1rio inicial de 2015, quando \u2018puxamos pela mem\u00f3ria\u2019 e resgatamos para n\u00f3s mesmas os marcos da organiza\u00e7\u00e3o e das pr\u00e1ticas das mulheres no Norte e Nordeste, realizamos um exerc\u00edcio de identificar o que nos une e caracteriza como mulheres negras e populares, e o que nos diferencia das outras mulheres nessas regi\u00f5es e no interior do feminismo brasileiro. Ali destacaram-se alguns aspectos comuns a todas as mulheres feministas: a cr\u00edtica \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o aos homens, a disposi\u00e7\u00e3o de resistir e lutar por mudan\u00e7as, o interesse pela democracia, pela igualdade de condi\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e a luta contra a viol\u00eancia sexista (de g\u00eanero).<\/p>\n<p>Quanto ao que nos diferencia, ficou fortemente destacado que, no cotidiano, as rela\u00e7\u00f5es de classe e o racismo imp\u00f5em \u00e0s mulheres negras e de setores populares experi\u00eancias inteiramente distintas das mulheres brasileiras brancas de classe m\u00e9dia alta ou da burguesia: a viv\u00eancia da pobreza, a viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais e nega\u00e7\u00e3o do \u2018direito a ter direitos\u2019. Ficaram apontadas tamb\u00e9m especificidades como a viv\u00eancia da negritude e viv\u00eancia de ser povo ind\u00edgena, que trazem outras vis\u00f5es de mundo, distintas do \u201ceurocentricismo judaico-crist\u00e3o\u201d, colocam a valoriza\u00e7\u00e3o da ancestralidade, de outras linguagens e l\u00ednguas, bem como da rela\u00e7\u00e3o com a natureza.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6521\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6521\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?fit=4928%2C2512&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"4928,2512\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;3.5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;NIKON D5100&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1428952699&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;18&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;2000&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.016666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Ato de lan\u00e7amento low\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?fit=300%2C153&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?fit=640%2C326&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6521\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low-1024x522.jpg?resize=580%2C296&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?resize=1024%2C522&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?resize=300%2C153&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?resize=768%2C391&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Ato-de-lan%C3%A7amento-low.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>Naquele semin\u00e1rio, apontamos ainda que o contexto de vida das mulheres negras e populares no Brasil, com algumas particularidades no Norte e Nordeste, imp\u00f5e ainda um conjunto de lutas que s\u00e3o do interesse das mulheres dos setores populares e das mulheres negras, e que n\u00e3o s\u00e3o abra\u00e7adas por outros setores do feminismo: a luta por territ\u00f3rios; a luta contra o genoc\u00eddio dos jovens negros, travada pelo movimento de mulheres negras, no campo e nas cidades; pela reforma agr\u00e1ria e pela reforma urbana; a luta contra a pobreza; contra os grandes projetos de desenvolvimento e a busca por alternativas econ\u00f4micas solid\u00e1rias e que garantam um \u2018bem viver\u2019; a luta contra o agroneg\u00f3cio e pela agricultura familiar agroecol\u00f3gica; as lutas por direitos sociais, como o SUS de qualidade, assist\u00eancia social, educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita, pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o da igualdade. Essas viv\u00eancias de opress\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o, no passado e no presente, e estas lutas e causas do presente diferenciam as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras e de setores populares, e seus\/suas aliadas(os), no interior do feminismo. Esta diferen\u00e7a explica as palavras-chave que se destacaram ao apontarmos as for\u00e7as das mulheres negras e populares no Norte e Nordeste: <em>resist\u00eancia e resili\u00eancia.<\/em><\/p>\n<h2 style=\"padding-left: 30px;\">Resist\u00eancia e resili\u00eancia<\/h2>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Adotamos a ideia de que, no plano coletivo, resist\u00eancia \u00e9 sempre um movimento de resist\u00eancia,<\/em><br \/>\n<em>nunca uma atitude passiva. Os movimentos de resist\u00eancia aglutinam pessoas e organiza\u00e7\u00f5es<\/em><br \/>\n<em>que atuam juntas e somam esfor\u00e7os para resistir a uma situa\u00e7\u00e3o de invas\u00e3o do territ\u00f3rio<\/em><br \/>\n<em>ou usurpa\u00e7\u00e3o do poder por um grupo ou uma autoridade, ou resistir a uma pr\u00e1tica de<\/em><br \/>\n<em>explora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio grupo. Fala-se, assim, da resist\u00eancia \u00e0 ditadura, resist\u00eancia dos povos<\/em><br \/>\n<em>ind\u00edgenas \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, o pr\u00f3prio<\/em><br \/>\n<em>feminismo \u00e9 apontado como um movimento de resist\u00eancia das mulheres \u00e0 sua opress\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>No plano individual, tamb\u00e9m se usa resist\u00eancia para nomear a disposi\u00e7\u00e3o e capacidade de pessoas,<\/em><br \/>\n<em>em situa\u00e7\u00f5es muito limitadas, conseguirem desenvolver pr\u00e1ticas individuais para sobreviver com a<\/em><br \/>\n<em>situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podem mudar. No plano individual, resist\u00eancia \u00e9 uma atitude oposta \u00e0 acomoda\u00e7\u00e3o,<\/em><br \/>\n<em>e \u00e9 chamada de resist\u00eancia passiva, ou seja, mesmo de forma passiva oferecer resist\u00eancia, n\u00e3o se<\/em><br \/>\n<em>deixar levar facilmente&#8230; \u00c0s vezes, no uso individual deste conceito, resist\u00eancia se confunde com<\/em><br \/>\n<em>resili\u00eancia, que significa a capacidade das pessoas de se refazerem de situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. A resili\u00eancia<\/em><br \/>\n<em>ajuda a pessoa a n\u00e3o sucumbir, n\u00e3o se afundar numa situa\u00e7\u00e3o, e por isto contribui para que a pessoa<\/em><br \/>\n<em>possa criar estrat\u00e9gias de resist\u00eancia individual. A a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia e a resili\u00eancia s\u00e3o pr\u00e1ticas<\/em><br \/>\n<em>que podemos aprender e desenvolver para usar como recurso em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de nossas vidas.<\/em><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6522\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6522\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?fit=3888%2C2316&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"3888,2316\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Wilson.Militao&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 60D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1464983834&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;24&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;1250&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0125&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_8466-low\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?fit=300%2C179&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?fit=640%2C381&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6522\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?resize=580%2C346&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?resize=1024%2C610&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?resize=300%2C179&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?resize=768%2C457&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/IMG_8466-low.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p>Nos semin\u00e1rios realizados em 2016, o tema da experi\u00eancia comum esteve em foco, em um momento atrav\u00e9s da mem\u00f3ria da casa de inf\u00e2ncia (Salvador, primeiro semestre) e em outro momento atrav\u00e9s de grupos de reflex\u00e3o (Bel\u00e9m, segundo semestre). Nos dois momentos, emergiram muitos aspectos comuns na diversidade de experi\u00eancias singulares entre mulheres dos setores populares e mulheres negras.<\/p>\n<p>Quanto ao feminismo, ficou fortemente colocada a exig\u00eancia de diversificar as perspectivas de feminismo e aprofundar a cr\u00edtica ao feminismo branco e euroc\u00eantrico como insuficiente para explicar toda a\u00a0 situa\u00e7\u00e3o das mulheres negras e populares. Ficou apontada a necessidade de seguir aprofundando a leitura cr\u00edtica das diferentes contribui\u00e7\u00f5es hoje colocadas para interpretar a experi\u00eancia das mulheres e de dar lugar \u00e0 disputa de narrativas sobre as mulheres em sua diversidade em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Compreendemos que estes s\u00e3o desafios que ir\u00e3o avan\u00e7ar, em grande medida,\u00a0na luta, pela a\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias mulheres negras e populares e, especialmente, pela garantia dos espa\u00e7os de enfrentamento do debate nos espa\u00e7os dos movimentos de mulheres. \u00c9 urgente, mas ao mesmo tempo ser\u00e1 processual, porque h\u00e1 enorme diversidade nas formas de se pensar feminismo: h\u00e1 quem o considere apenas teoria; quem o considere um jeito de ser ou\u00a0 fazer ou atitude individual; quem o coloque em oposi\u00e7\u00e3o a movimento de mulheres; quem o perceba como pr\u00e1tica coletiva ou movimento no interior do movimento das mulheres, quem compreenda que equivale a toda a\u00e7\u00e3o e movimento de resist\u00eancia das mulheres.<\/p>\n<p>Nesta diversidade, com suas tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 que aquelas que acolhem o feminismo como refer\u00eancia de sua pr\u00e1tica e pensamento far\u00e3o o enfrentamento do debate.<\/p>\n<p>Seguiremos debatendo, sempre que der, por entre as lutas, os fazeres e os encontros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6465\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6465\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/lan%C3%A7amento-mnp-27-sexta-sos-corpo.png?fit=1000%2C1209&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1000,1209\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"lan\u00e7amento mnp &amp;#8211; 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O que o feminismo representa para elas?","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[50,425,424,272,265,442,123,440,177,441],"class_list":["post-6496","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","tag-feminismo","tag-feminismo-amazonico","tag-feminismo-campones","tag-feminismo-negro","tag-feminismo-popular","tag-livro-desigualdades","tag-marcha-das-mulheres-negras","tag-mnp","tag-mulheres-negras","tag-sistematizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0570.jpg?fit=4928%2C2440&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-1GM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6496"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6496\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6523,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6496\/revisions\/6523"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}