{"id":6299,"date":"2018-04-15T18:19:15","date_gmt":"2018-04-15T21:19:15","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6299"},"modified":"2018-04-05T18:23:44","modified_gmt":"2018-04-05T21:23:44","slug":"em-memoria-a-carlos-munoz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6299","title":{"rendered":"Em memoria a Carlos Mu\u00f1oz"},"content":{"rendered":"<p><em><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Antes de qualquer coisa, Carlos Basilio Mu\u00f1oz Mart\u00ednez (20 de outubro de 1966 \u2013 26 de dezembro de 2017) foi um intelectual. Sociol\u00f3gico, professor da Universidade da Rep\u00fablica, pesquisador, autor \u2013 de trabalhos acad\u00eamicos, obras de fic\u00e7\u00e3o, poemas e can\u00e7\u00f5es \u2013, estudante avan\u00e7ado da licenciatura em Letras e incipiente na de Filosofia. Especializou sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.cienciassociales.edu.uy\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2013\/archivos\/LasBrujas4-Munoz.pdf\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">g\u00eanero e diversidade sexual<\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">, juventude, drogas e AIDS, entre outros temas.<\/span><\/em><\/p>\n<p><i><strong>Por Alvaro Queiruga<\/strong><br \/>\nPublicado originalmente na <a href=\"http:\/\/revistabravas.org\/article\/181\/carlos-basilio-mu%C3%B1oz-rara-avis\">Revista Bravas<\/a>, \u00e9 uma revista da Articula\u00e7\u00e3o Feminista MarcoSur que busca transmitir uma vis\u00e3o de mundo combinando jornalismo e enfoque feminista.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"left-article-image article-body-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistabravas.org\/sites\/salada\/files\/u6\/basilio2.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u201cTento proporcionar uma perspectiva alternativa&#8230; as vis\u00f5es tradicionais da homossexualidade, com pelo menos uma vantagem: como pesquisador e como homossexual, nunca poderia me ver como um cientista de t\u00fanica branca examinando um mero \u2018objeto\u2019 de estudo. As pessoas homossexuais que conhe\u00e7o e respeito s\u00e3o \u2018sujeitos\u2019 com tanto direito a opinar como eu mesmo\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">O contexto no qual se publicou\u00a0<i>Uruguai homossexual<\/i>\u00a0\u00e9 importante para confirmar como essa apresenta\u00e7\u00e3o de si mesmo foi revolucion\u00e1ria, talvez a primeira desse teor em nosso pa\u00eds. Em 1996 n\u00e3o existiam leis que amparassem a popula\u00e7\u00e3o LGBT uruguaia. Recentemente em 2006, com a regulamenta\u00e7\u00e3o da\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/legislativo.parlamento.gub.uy\/temporales\/leytemp9996141.htm\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">lei 17.817<\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">, legisla-se timidamente contra a discrimina\u00e7\u00e3o por orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. As normas espec\u00edficas sobre identidade de g\u00eanero e matrim\u00f4nio igualit\u00e1rio teriam de esperar at\u00e9 2009 e 2013, respectivamente. A palavra \u201chomofobia\u201d, que hoje em dia \u00e9 aceita inclusive pelo dicion\u00e1rio da conservadora Real Academia Espanhola, era considerada um anglicismo quase desconhecido pelo mundo de fala hispana da \u00e9poca, como assinala o pr\u00f3prio livro. \u00c0 parada do<\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wH01T8TsiIQ\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u201corgulho homossexual\u201d<\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u00a0de 1996 em Montevid\u00e9u foram pouqu\u00edssimas pessoas, muitas delas com as caras cobertas. A visibilidade n\u00e3o era benvinda.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Que um professor universit\u00e1rio se apresentasse nessas circunst\u00e2ncias como pesquisador gay era adentrar-se em um territ\u00f3rio desconhecido e in\u00f3spito. Os e as docentes homossexuais da \u00e9poca cuidavam de apresentar uma heterossexualidade que o resto dava por pressuposta, mas que eles n\u00e3o sentiam, pelo temor a que fossem confundidos com o que Carlos cunhou o\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.chasque.net\/frontpage\/relacion\/anteriores\/n146\/monstruo.htm\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">monstro homossexual<\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">. Entre outras caracter\u00edsticas, a mentalidade imperante atribu\u00eda a esse monstro uma hipersexualidade que confinava um potencial perigo para os jovens a seu cargo.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">***<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Entretanto, Carlos j\u00e1 tinha sa\u00eddo publicamente do arm\u00e1rio aos 28 anos em uma entrevista televisiva em 1994, dois anos antes da publica\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>Uruguai homossexual<\/i>. No dia seguinte, seus alunos do liceu de Paso Carrasco \u2013 o \u00fanico ano que deu aulas no ensino fundamental \u2013 esperaram sua chegada para parabeniz\u00e1-lo por sua valentia, j\u00e1 que no Uruguai de h\u00e1 mais ou menos duas d\u00e9cadas os referentes positivos da homossexualidade eram praticamente inexistentes, principalmente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o massivos. Por\u00e9m, na sa\u00edda da sala de professores, n\u00e3o recebeu nem um cumprimento de seus colegas. Eram os ossos do of\u00edcio de algu\u00e9m que se definia a si mesmo como uma\u00a0<i>ave rara<\/i>\u00a0e que n\u00e3o temia ser etiquetado como provocador se isso dava visibilidade \u00e0 tem\u00e1tica e abria as portas aos<\/span><a href=\"http:\/\/www.chasque.net\/frontpage\/relacion\/9912\/alteridades.htm#Alteridades\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u201chomoestudos\u201d<\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u00a0na academia uruguaia.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">***<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Carlos tinha uma excelente rela\u00e7\u00e3o com seus estudantes. Era generoso no tempo que lhes dedicava fora do hor\u00e1rio de aulas para orient\u00e1-los e na forma minuciosa que demonstrava ao corrigir seus trabalhos (em muitos desses escritos se reiteravam seus coment\u00e1rios alentadores, do tipo \u201cadoro como voc\u00ea escreve\u201d). Seu esp\u00edrito juvenil se refletia em sua forma de vestir, chamativa para o que se costuma esperar de um professor terci\u00e1rio: jaqueta de couro preto, camisetas estampadas com o s\u00edmbolo de Superman ou da planta do cannabis, cogumelos, \u00f3culos de sol. Tamb\u00e9m cultivou seu corpo e alcan\u00e7ou uma apar\u00eancia que momentaneamente podia ser intimidante. Quem o viu partir para os Estados Unidos em 1992, magro e cabelos compridos, para cursar um mestrado na Universidade de Boston, quase n\u00e3o o reconheceu quando voltou a Montevid\u00e9u no final de 1993, musculoso e careca, talvez emulando seu admirado Michel Foucault.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Essa forma de ser e parecer conquistava os jovens, que intu\u00edam nele um rebelde, mas destoava dos seus pares adultos, que ocasionalmente receavam dessa singularidade que viam como fr\u00edvola ou deslocada. N\u00e3o compreendiam, talvez, que era outra de suas vias para se desmascarar do\u00a0<i>establishment<\/i>, desse sentido comum que pretendia marginaliz\u00e1-lo.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">***<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Fora do \u00e2mbito sociol\u00f3gico, Carlos tamb\u00e9m incursionou na teoria liter\u00e1ria. Seu trabalho\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.academia.edu\/3341147\/Orientaci%C3%B3n_sexual_en_la_literatura_uruguaya\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\"><i>Orienta\u00e7\u00e3o sexual na literatura uruguaia<\/i><\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">, escrito junto com Rafael Pimentel, enfoca uma poss\u00edvel literatura\u00a0<i>queer<\/i>\u00a0crioula, a qual se divide em tr\u00eas etapas:<\/span><\/p>\n<div class=\"right-article-image article-body-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistabravas.org\/sites\/salada\/files\/u6\/foto%20basilio.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><i><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u201c[1] a \u2018etapa do silencio (at\u00e9 1971, s\u00f3 eventuais \u2018ru\u00eddos\u2019 perspectivam a homossexualidade), [2] a \u2018etapa da meton\u00edmia (1971 a 1994, s\u00f3 aparecem refer\u00eancias, principalmente em poesia) e [3] a \u2018etapa queer\u2019 (desde 1994, tematiza e problematiza explicitamente as identidades locais de orienta\u00e7\u00e3o sexual).\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Esse ensaio prop\u00f5e o inovador conceito de\u00a0<i>trologema<\/i>:<\/span><\/p>\n<p><i><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u201cSeguindo a tradi\u00e7\u00e3o queer de resgatar palavras do estigma, decidimos chamar \u2018trologema\u2019 a uma subclasse tem\u00e1tica de ideologemas: aqueles contextualmente associados \u00e0 tematiza\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o sexual.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Por\u00e9m seus interesses n\u00e3o se limitavam \u00e0 academia. Foi a alma m\u00e3e da revista under\u00a0<i>Lady<\/i>\u00a0<i>Ventosa<\/i>; participou na Coordenadoria Anti-razzias no final dos anos 80; escreveu v\u00e1rias obras de teatro, como\u00a0<i>Safer<\/i><i>Sex<\/i>, que teve sucesso na Primeira Mostra Internacional de Teatro Jovem de Montevid\u00e9u,\u00a0<i>O terno lil\u00e1s<\/i>, baseada em um conto de Julio Herrera e Reissig; fez parte do circuito art\u00edstico underground de Montevid\u00e9u, onde seu corpo foi tela para numerosas mostras de bodypaiting; tamb\u00e9m escreveu dezenas de contos nos quais, com um humor \u00e1cido e barroco, seus amigos ou amigas se tornavam personagens maltratados pela vida, com t\u00edtulos como\u00a0<i>A licenciada que deu o mal passo<\/i>\u00a0ou\u00a0<i>A vingan\u00e7a da tia mais louca<\/i>; e foi o autor de numerosos poemas e can\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">***<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">N\u00e3o se pode falar de Carlos sem mencionar a causa de sua morte, esse diabetes virulenta que desde a adolesc\u00eancia o obrigava a injetar-se insulina v\u00e1rias vezes ao dia. Nos \u00faltimos anos, a doen\u00e7a tinha complicado tanto sua vida que ele s\u00f3 se animava para andar por aqueles c\u00edrculos que conhecessem a gravidade de sua situa\u00e7\u00e3o e pudessem ajud\u00e1-lo se ocorresse outra de suas crises, cada vez mais frequentes. \u00a0Muitos n\u00e3o sabiam que o diabetes o fazia reagir com irrita\u00e7\u00e3o desmedida diante de incidentes aparentemente banais, o que desconcertava amigos, amantes e burocratas ou figuras da autoridade, estes \u00faltimos talvez seus brancos preferidos na hora de descarregar sua irrita\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Pergunto-me \u2013 e aqui entro no terreno da especula\u00e7\u00e3o, produto de minha pr\u00f3pria raiva diante da injusti\u00e7a de sua partida prematura \u2013 se essa morte poderia ter sido evitada caso tivesse dinheiro para pagar uma bomba de insulina. Porque Carlos tinha de trabalhar para se manter, como a maioria dos mortais. Em seus \u00faltimos anos, encarregou-se de cuidar de seus pais doentes e isso n\u00e3o s\u00f3 lhe impediu de cumprir com o Regime de Dedica\u00e7\u00e3o Exclusiva da Universidade (DE), com a consequente perda de rendimento, mas que seguramente repercutiu em sua pr\u00f3pria sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Em 2017 tinha conseguido recuperar a DE e estava entusiasmado porque as autoridades universit\u00e1rias tinha-lhe aprovado uma inovadora Oficina de Emo\u00e7\u00f5es que dirigiria a partir de 2018. Isso j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, por\u00e9m a n\u00f3s que tivemos o privil\u00e9gio de conhec\u00ea-lo nos resta o consolo de que ajudou a formar v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de estudantes com um olhar alternativo (alterativo, diria) para o senso comum que tinha escolhido para viver.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistabravas.org\/article\/181\/carlos-basilio-mu%C3%B1oz-rara-avis#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Carlos<a id=\"_ftnref1\" title=\"\" href=\"http:\/\/revistabravas.org\/article\/181\/carlos-basilio-mu%C3%B1oz-rara-avis#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0<\/span><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">era gay e a discrimina\u00e7\u00e3o que sofreu desde sempre por esse motivo orientou e determinou sua postura e busca a n\u00edvel intelectual. Assim se apresentava em seu ensaio pioneiro \u2013 e pelo qual possivelmente seja mais recordado \u2013\u00a0<i>Uruguai homossexual: culturas, minorias e discrimina\u00e7\u00e3o a partir de uma sociologia da homossexualidade<\/i>\u00a0em 1996:<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistabravas.org\/article\/181\/carlos-basilio-mu%C3%B1oz-rara-avis#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Pela amizade que compartilhamos, que come\u00e7ou no liceu em 1981, seria muito artificial referir-me a ele de outra forma que n\u00e3o fosse pelo seu primeiro nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de qualquer coisa, Carlos Basilio Mu\u00f1oz Mart\u00ednez (20 de outubro de 1966 \u2013 26 de dezembro de 2017) foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":6300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Em memoria a Carlos Mu\u00f1oz","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-6299","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-latinoamerica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/carlos-munoz.png?fit=1376%2C648&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-1DB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6299"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6301,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6299\/revisions\/6301"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}