{"id":6253,"date":"2018-04-08T15:38:36","date_gmt":"2018-04-08T18:38:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6253"},"modified":"2018-04-06T15:59:32","modified_gmt":"2018-04-06T18:59:32","slug":"pec-das-domesticas-completa-5-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6253","title":{"rendered":"PEC das Dom\u00e9sticas completa 5 anos; direitos n\u00e3o s\u00e3o fiscalizados"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6255\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6255\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/images-1-1.jpg?fit=275%2C183&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"275,183\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"images (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/images-1-1.jpg?fit=275%2C183&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/images-1-1.jpg?fit=275%2C183&amp;ssl=1\" class=\"alignleft wp-image-6255 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/images-1-1.jpg?resize=275%2C183&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s cinco anos da promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 72, que entrou em vigor no dia 3\u00a0de abril de 2013, a medida, popularmente conhecida como PEC das dom\u00e9sticas, n\u00e3o propiciou mudan\u00e7as significativas \u00e0s trabalhadoras brasileiras desse setor, na opini\u00e3o de especialistas. A falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos direitos dessas profissionais \u00e9 apontada como um dos principais motivos para que a lei n\u00e3o sa\u00edsse do papel.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>De acordo com Eliete Ferreira da Silva, coordenadora geral do Sindicato das\/os Trabalhadoras\/es Dom\u00e9sticas\/os de Campinas e Regi\u00e3o, segunda associa\u00e7\u00e3o da categoria criada no pa\u00eds, os empregadores dom\u00e9sticos v\u00eam encontrando formas de driblar a lei.\u00a0&#8220;Mesmo que as trabalhadoras tenham jornada de 8 horas semanal, muitos empregadores n\u00e3o fazem o registro em carteira. E mesmo com registro, eles sonegam determinados direitos, como pagar s\u00f3 uma parcela do 13\u00ba, dispensar sem justa causa&#8221;, denunciou.<\/p>\n<p>A rapper, professora de hist\u00f3ria e ex-empregada dom\u00e9stica Joyce Fernandes, a Preta Rara \u00e9 criadora da p\u00e1gina &#8220;Eu empregada dom\u00e9stica&#8221; no Facebook. Ela conta que recebe diariamente relatos de mulheres que tiveram seus direitos violados, ou de an\u00fancios que ofertam empregos precarizados a elas.<\/p>\n<p>\u201cL\u00f3gico, trouxe uma garantia para elas, mas eu continuo recebendo an\u00fancios de mulheres que trabalham oito horas por dia e ganham 30 reais.\u00a0Ou que trabalharam de segunda a sexta, mais de 8 horas por dia, e no final do m\u00eas recebem 400, 300 reais.\u00a0Ent\u00e3o pouca coisa mudou&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Juliane Furno, doutoranda em Desenvolvimento Econ\u00f4mico na Unicamp, um dos principais motivos por tr\u00e1s da dificuldade de fiscalizar as garantias trazidas pela PEC 72 \u00e9 a grande informalidade do trabalho dom\u00e9stico. Isso porque, as medidas trazidas pela lei \u2014 o Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), o seguro acidente de trabalho, e a regulamenta\u00e7\u00e3o das horas extras \u00a0\u2014 \u00a0contemplam apenas as trabalhadoras que t\u00eam carteira assinada.<\/p>\n<p>\u201cAcontece que a quantidade de trabalhadoras afetadas pela PEC \u00e9 em torno de 31% da categoria s\u00f3, que corresponde \u00e0 porcentagem formalizada.\u00a0Isso porque a PEC n\u00e3o vem com medidas fiscalizadoras. A carteira de trabalho para dom\u00e9sticas j\u00e1 \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o desde 1982, por exemplo, mas o fato de ser ilegal n\u00e3o faz com que haja formaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Furno acrescenta que, quando a PEC foi votada, suas defensoras imaginavam que ela impactaria na formaliza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o. Mas n\u00e3o foi o que aconteceu. Em agosto de 2014, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) publicou a Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 110, que cria procedimentos de fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das normas relativas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico. A medida estabelece uma multa m\u00ednima de R$805,06 para o empregador que n\u00e3o assinar a carteira de trabalho do empregado dom\u00e9stico. No entanto, a medida funciona apenas por meio de den\u00fancias, e de acordo com Juliane Furno, n\u00e3o pode ser considerada uma fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 mais f\u00e1cil algu\u00e9m denunciar que existe trabalho escravo do que saber se a dom\u00e9stica que trabalha em determinado lugar t\u00eam carteira assinada ou n\u00e3o&#8221;, afirmou. Procurado pela reportagem, o MTE n\u00e3o respondeu se existe algum tipo de documenta\u00e7\u00e3o dessa medida at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da reportagem.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Reforma Trabalhista &#8211;\u00a0<\/strong>Com as mudan\u00e7as na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT) trazida pela Reforma que entrou em vigor em novembro de 2017, as especialistas avaliam que a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico aumentar\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;A precariza\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico j\u00e1 existe, mas com essa reforma trabalhista a tend\u00eancia \u00e9 piorar.\u00a0Os relatos deixam isso muito evidente, e eu tenho recebido muitas mensagens com uma preocupa\u00e7\u00e3o generalizada sobre como tudo vai ficar e como dar continuidade aos direitos&#8221;, afirmou Joyce Fernandes.<\/p>\n<p>Para Juliane Furno, um dos pontos da nova lei que mais prejudicar\u00e1 as dom\u00e9sticas \u00e9 a flexibiliza\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, que agora poder\u00e1 chegar ao limite de 12 horas por dia, no regime 12X36, no qual deve-se folgar nas 36 horas seguintes.<\/p>\n<p>&#8220;A jornada de trabalho foi o \u00faltimo direito a ser regulamentado pela PEC de 2013.\u00a0\u00c9 um direito muito significativo, porque a jornada n\u00e3o ser limitada era o principal motivo que fazia o trabalho dom\u00e9stico ainda ter caracter\u00edsticas an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, porque as trabalhadoras ficavam permanentemente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do trabalhador.\u00a0A Reforma tira esse mecanismo. \u00c9 um bloqueamento muito precoce de um direito rec\u00e9m-adquirido&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Crise &#8211;\u00a0<\/strong>Um dos principais debates sobre a PEC das Dom\u00e9sticas na \u00e9poca em que ela estava sendo votada \u00e9 o de que sua aprova\u00e7\u00e3o levaria ao aumento do desemprego entre dom\u00e9sticas, pois os empregadores n\u00e3o estariam dispostos a gastar mais com os novos direitos. De acordo com Juliane Furno, no entanto, o emprego dom\u00e9stico foi o \u00fanico que teve saldo positivo de contrata\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. Por\u00e9m, ela destaca que este dado n\u00e3o \u00e9 diretamente relacionado \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da PEC, mas sim \u00e0 crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&#8220;Temos uma hip\u00f3tese que em momento de crise econ\u00f4mica, os trabalhadores perdem emprego e as mulheres procuram se inserir da \u00faltima forma que tem praticamente oferta ilimitada, que \u00e9 o trabalho dom\u00e9stico.\u00a0Ent\u00e3o, como muito mais mulheres passam a ofertar, o sal\u00e1rio tende a cair muito. Hoje h\u00e1 um ex\u00e9rcito de reserva, um n\u00famero de pessoas que se submetem a fazer esse trabalho por um valor menor&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com o maior n\u00famero de trabalhadoras dom\u00e9sticas, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). S\u00e3o cerca de 7 milh\u00f5es de pessoas no setor. Em 2015, 5,7 das 6,2 de trabalhadoras dom\u00e9sticas eram mulheres, e 3,7 milh\u00f5es eram negras e pardas. Em 2017, o trabalho dom\u00e9stico respondeu por 6,8% dos empregos no pa\u00eds, e 14,6% dos empregos formais das mulheres.<\/p>\n<address class=\"author\"><strong>Publicado originalmente <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/04\/03\/pec-das-domesticas-completa-5-anos-direitos-nao-sao-fiscalizados\/\">aqui<\/a><\/strong><br \/>\nPor J\u00falia Dolce para Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP)<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Camila Salmazio<\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s cinco anos da promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 72, que entrou em vigor no dia 3\u00a0de abril de 2013, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":6254,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[5],"tags":[49,367,366,368,57],"class_list":["post-6253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conjuntura","tag-divisao-sexual-do-trabalho","tag-pec-72","tag-pec-72-2013","tag-pec-das-domesticas","tag-trabalho-domestico"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Trabalho-domestico.jpg?fit=640%2C501&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-1CR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6256,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6253\/revisions\/6256"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}