{"id":6100,"date":"2018-03-07T13:47:52","date_gmt":"2018-03-07T16:47:52","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6100"},"modified":"2018-04-03T11:47:19","modified_gmt":"2018-04-03T14:47:19","slug":"8-de-marco-por-que-paramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=6100","title":{"rendered":"8 de Mar\u00e7o | Por que paramos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em>* Textos originalmente publicados para mobiliza\u00e7\u00e3o de mulheres pela coletiva que est\u00e1 organizando o 8 de mar\u00e7o em Recife &#8211; Pernambuco<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6110\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6110\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Programa%C3%A7%C3%A3o.jpeg?fit=720%2C292&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"720,292\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Programa\u00e7\u00e3o\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Programa%C3%A7%C3%A3o.jpeg?fit=300%2C122&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Programa%C3%A7%C3%A3o.jpeg?fit=640%2C260&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6110\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Programa%C3%A7%C3%A3o.jpeg?resize=640%2C260&#038;ssl=1\" alt=\"Programa\u00e7\u00e3o\" width=\"640\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Programa%C3%A7%C3%A3o.jpeg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Programa%C3%A7%C3%A3o.jpeg?resize=300%2C122&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>ESTAMOS NAS RUAS PELA VIDA DAS MULHERES E POR NENHUM DIREITO A MENOS!<\/strong><\/p>\n<p>Chegamos a mais um 8 de Mar\u00e7o e n\u00f3s mulheres estamos nas ruas para erguer nossas vozes contra os retrocessos, contra a perda de direitos e em defesa de nossas vidas. O 8 de Mar\u00e7o \u00e9 marcado por um processo internacional, nacional e local, que mobiliza e articula mulheres de todas as idades, de todas as ra\u00e7as, de todas as identidades de g\u00eanero, de diferentes setores da sociedade, em torno de objetivos comuns, dos quais se destacam: lutar contra a viol\u00eancia e garantir os direitos das mulheres. O governo golpista de Michel Temer est\u00e1 conduzindo um conjunto de pol\u00edticas que tem aumentado o desemprego e precarizado ainda mais as vidas de toda a popula\u00e7\u00e3o, atingindo especialmente as mulheres. Estamos nas ruas porque n\u00e3o aceitamos mais tanta viol\u00eancia contra n\u00f3s! No ano de 2017, em Pernambuco, houve 2.134 v\u00edtimas de estupro e mais de 300 casos de homic\u00eddios de mulheres; foram 33.188 casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar.<\/p>\n<p>Estamos nas ruas porque n\u00e3o aceitamos que parlamentares fundamentalistas, racistas e machistas aprovem leis que atingem diretamente os direitos reprodutivos das mulheres e sua autonomia reprodutiva. O aborto \u00e9 hoje a quarta causa de mortalidade materna no Brasil, e esses parlamentares afirmam que a vida do feto \u00e9 mais importante que a vida da mulher, negando o direito de interromper a gravidez mesmo em casos de estupro, risco de morte e anencefalia. Criminalizar o aborto n\u00e3o inibe sua pr\u00e1tica, mas aumenta o n\u00famero de abortos clandestinos e inseguros, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. As mulheres morrem porque n\u00e3o tem direito a assist\u00eancia nos servi\u00e7os de sa\u00fade ou por serem abandonadas ao chegar a esses servi\u00e7os, independente de terem provocado ou n\u00e3o o aborto. Nos pa\u00edses em que o procedimento est\u00e1 legalizado, o abortamento com mais de 12 semanas praticamente deixou de existir.<\/p>\n<p>Ocupamos as ruas neste 8 de Mar\u00e7o porque queremos uma sociedade livre do racismo, do machismo e do capitalismo. No quadro geral das desigualdades, as mulheres negras ocupam sempre as piores posi\u00e7\u00f5es, em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o aos homens brancos, \u00e0s mulheres brancas e aos homens negros. O racismo \u00e9 institucionalizado em todos os campos das pol\u00edticas p\u00fablicas e isso se reflete em todas as dimens\u00f5es da vida das mulheres negras.<\/p>\n<p>Estamos nas ruas tamb\u00e9m para afirmar que \u201cquando morar \u00e9 um privil\u00e9gio, ocupar \u00e9 um direito\u201d! \u00c1gua, terra e moradia s\u00e3o direitos cada vez mais usurpados das mulheres, pela mercantiliza\u00e7\u00e3o das cidades e dos servi\u00e7os p\u00fablicos. O modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico predat\u00f3rio praticado nas cidades urbanas e rurais tem eliminado o acesso a condi\u00e7\u00f5es dignas de habitalibilidade, com infra-estrutura adequada e a garantia do direito de ir e vir. Queremos exercer nosso direito \u00e0 cidade!<\/p>\n<p>Elevamos as nossas vozes nas ruas, em defesa da plena democracia, que n\u00e3o nos foi garantida at\u00e9 ent\u00e3o, pois n\u00e3o toleramos mais ser tratadas como cidad\u00e3s de segunda categoria. N\u00e3o aceitamos mais que partidos nos utilizem para preencher a cota de 30% em candidaturas sem reconhecimento, sem estrutura e sem apoio. Estamos construindo outras formas de fazer pol\u00edtica e reivindicamos um modelo de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que contemple todas e todos. Por isso fazemos um chamado a todas as mulheres a se organizarem nos movimentos, a ocuparem as ruas, a lutarem contra a retirada de direitos.<\/p>\n<p>A recente reforma trabalhista aprovada pelo governo golpista tem como resultado a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e o empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o, retirando direitos duramente conquistados ao longo da hist\u00f3ria da luta dos trabalhadores e das trabalhadoras neste pa\u00eds. N\u00e3o aceitamos esses retrocessos!<\/p>\n<p>A Previd\u00eancia Social \u00e9 at\u00e9 hoje a \u00fanica pol\u00edtica social que reconhece \u2013 formalmente \u2013 que existe dupla jornada de trabalho das mulheres e que o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o social \u00e9 um trabalho. E esta pol\u00edtica est\u00e1 seriamente amea\u00e7ada por uma reforma que vai aumentar o tempo de contribui\u00e7\u00e3o, aumentar os limites de idade para a aposentadoria, prejudicando mulheres do campo e da cidade. Somos contra a reforma da previd\u00eancia!<\/p>\n<p>Para que possamos exercer nosso direito ao trabalho e ao estudo, reivindicamos a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de creches, porque cuidar e educar as crian\u00e7as \u00e9 dever das mulheres, dos homens e do Estado. N\u00e3o aceitamos mais arcar sozinhas com as responsabilidades das tarefas de cuidado, que geram uma cruel sobrecarga sobre nossos corpos e mentes!<\/p>\n<p>Neste 8 de Mar\u00e7o nos erguemos tamb\u00e9m contra o encarceramento em massa de mulheres que vem ocorrendo nos \u00faltimos anos neste pa\u00eds, especialmente de mulheres negras. Mulheres essas que t\u00eam seus direitos mais b\u00e1sicos violados pela a\u00e7\u00e3o do Estado que extermina seus filhos na t\u00e3o propalada \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, que criminaliza suas rela\u00e7\u00f5es de afeto, que lhes nega condi\u00e7\u00f5es de higiene e sa\u00fade nas instala\u00e7\u00f5es prisionais e lhes viola inclusive o direito \u00e0 maternidade. Exigimos uma nova pol\u00edtica de drogas, que n\u00e3o seja caracterizada como uma guerra perversa dirigida a pessoas negras e pobres das periferias.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o federal militar na \u00e1rea de seguran\u00e7a do Rio de Janeiro decidida pelo governo corrupto de Temer \u00e9, na verdade, uma guerra ao povo pobre. \u00c9 a continuidade de uma pol\u00edtica de criminalizar a pobreza e os movimentos sociais, assim como em anos anteriores no complexo do Alem\u00e3o e na favela da Mar\u00e9. Basta de genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra! Lutar n\u00e3o \u00e9 crime! Fora a interven\u00e7\u00e3o militar das favelas do Rio de Janeiro!!!!<\/p>\n<p>Estamos nas ruas contra o fundamentalismo, que amea\u00e7a nossas vidas, desrespeita nossas identidades, viola nossos corpos e recusa nossa liberdade de escolha! Um fundamentalismo estampado no falso discurso que afirma que nossas identidades enquanto mulheres s\u00e3o uma \u201cideologia de g\u00eanero\u201d e portanto devem ser reprimidas; um fundamentalismo que viola o direito \u00e0 religi\u00e3o das pessoas de matriz africana, cujos lugares sagrados t\u00eam sofrido constantes ataques racistas. Um fundamentalismo que nega os direitos das mulheres l\u00e9sbicas, transexuais, travestis e bissexuais, que t\u00eam seus corpos violentados em estupros corretivos e coletivos e que sofrem in\u00fameras outras formas de viol\u00eancia, culminando muitas vezes com a morte!<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Estamos nas ruas,<br \/>\n<\/strong><strong>erguendo a nossa voz em mais um 8 de Mar\u00e7o,<br \/>\nporque queremos mais que resistir!<br \/>\nQueremos existir plenamente!&#8221;<\/strong><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6102\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6102\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n.jpg?fit=338%2C214&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"338,214\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n.jpg?fit=300%2C190&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n.jpg?fit=338%2C214&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6102\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n.jpg?resize=300%2C190&#038;ssl=1\" alt=\"28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n.jpg?resize=300%2C190&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28467630_1909426085797193_5251457263294490767_n.jpg?w=338&amp;ssl=1 338w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>CONTRA O RACISMO E PELO BEM VIVER!<\/strong><\/h2>\n<p>O Racismo \u00e9 um sistema de opress\u00e3o, que confere privil\u00e9gios a um determinado grupo racial e mant\u00e9m outros grupos em situa\u00e7\u00e3o de subalternidade e de explora\u00e7\u00e3o. O racismo fundamentou toda a constru\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade brasileira e at\u00e9 hoje estrutura as desigualdades nas rela\u00e7\u00f5es e nas condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas.Ra\u00e7a, g\u00eanero e classe se sobrep\u00f5em para manter a popula\u00e7\u00e3o negra sempre em condi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o. E quando se fala das mulheres negras, \u00e9 preciso destacar que estas s\u00e3o atingidas mais fortemente tanto pelo sexismo quanto pelo racismo, sem contar outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o que permeiam a sociedade.<br \/>\nNo quadro geral das desigualdades, as mulheres negras ocupam sempre as piores posi\u00e7\u00f5es. Est\u00e3o em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o aos homens brancos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres brancas e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos homens negros. As mulheres negras superam os homens negros apenas no item Educa\u00e7\u00e3o, porque tem mais anos de estudo, na m\u00e9dia geral.<br \/>\nQuando se fala de mercado de trabalhoe de previd\u00eancia social, a desvantagem das mulheres negras \u00e9 extremamente grave. O desemprego atinge mais as mulheres e, com a crise, na hora da demiss\u00e3o, somos sempre as primeiras; com a perda de direitos trabalhistas, algumas medidas v\u00e3o nos atingir de forma mais perversa: o aumento na jornada de trabalho, por exemplo, vai reduzir o tempo das mulheres para dedicar aos servi\u00e7os dom\u00e9sticos, o que vai lhes causar sobrecarga e maior cansa\u00e7o; as mulheres hoje s\u00e3o 70% do total de trabalhadores\/as no mercado informal e esses \u00edndices tendem a aumentar com as pol\u00edticas que est\u00e3o sendo praticadas pelo governo golpista. As mulheres negras s\u00e3o maioria neste mercado informal de trabalho, inclusive entre as pr\u00f3prias mulheres; s\u00e3o elas que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 ascens\u00e3o de mulheres brancas e profissionalizadas a posi\u00e7\u00f5es de poder no mundo empresarial, nas profiss\u00f5es liberais, na burocracia de Estado e no Judici\u00e1rio; se j\u00e1 ocupam profiss\u00f5es mal remuneradas, esse quadro de redu\u00e7\u00e3o de direitos vai afet\u00e1-las muito mais. Logicamente, quanto menos acesso ao mercado de trabalho formal, menos acesso \u00e0 previd\u00eancia e outras formas de prote\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nO racismo \u00e9 um fator determinante tamb\u00e9m para o grau de viol\u00eancia que as mulheres negras enfrentam cotidianamente na sociedade. S\u00e3o as mulheres negras a maioria das v\u00edtimas de feminic\u00eddio, de viol\u00eancia sexual e da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<br \/>\nO racismo \u00e9 institucionalizado em todos os campos das pol\u00edticas p\u00fablicas, e isso se reflete em todas as dimens\u00f5es das vidas das mulheres negras. Na sa\u00fade, s\u00e3os as negras que mais morrem de morte materna, que s\u00e3o mal atendidas nos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados, com consultas mais curtas, menor quantidade de exames, menos medica\u00e7\u00e3o, entre outros aspectos.<br \/>\nO racismo institucional \u00e9 tamb\u00e9m o que determina o exterm\u00ednio da juventude negra, uma realidade que vem sendo denunciada pelo movimento negro h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. Esse exterm\u00ednio tem um impacto direto na vida das mulheres negras, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista emocional, afetivo e psicol\u00f3gico (perdem filhos, irm\u00e3os, companheiros, pais&#8230;), como tamb\u00e9m do ponto de vista s\u00f3cio-econ\u00f4mico, afinal, a perda desses homens negros tem tamb\u00e9m colaborado para manter as fam\u00edlias negras em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e precariedade. Aliada ao exterm\u00ednio est\u00e1 a pol\u00edtica de combate \u00e0s drogas, nitidamente dirigida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, e que tem cada vez mais vitimado as mulheres negras, cujo \u00edndice de encarceramento aumentou quase 600% nos \u00faltimos 10 anos. O exterm\u00ednio e o encarceramento de homens e mulheres negros e negras s\u00e3o hoje as principais estrat\u00e9gias do Estado racista, capitalista e patriarcal para controlar e eliminar a popula\u00e7\u00e3o negra.<br \/>\nAs mulheres negras permanecem lutando contra todas as formas de opress\u00e3o, liderando suas comunidades, coletivos e organiza\u00e7\u00f5es na resist\u00eancia frente \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 perda de direitos. Neste 8 de Mar\u00e7o, estaremos nas ruas novamente, reagindo ao racismo e a todas as formas de opress\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6101\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6101\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?fit=875%2C511&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"875,511\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28167386_822660514607816_8030000599659379702_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?fit=300%2C175&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?fit=640%2C374&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6101\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?resize=300%2C175&#038;ssl=1\" alt=\"28167386_822660514607816_8030000599659379702_n\" width=\"300\" height=\"175\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?resize=300%2C175&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?resize=768%2C449&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28167386_822660514607816_8030000599659379702_n.jpg?w=875&amp;ssl=1 875w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>POR DIREITOS \u00c0 \u00c1GUA, TERRA E MORADIA\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>\u201c Quando morar \u00e9 um privil\u00e9gio, ocupar \u00e9 um direito!!\u201d<\/p>\n<p>Essa frase \u00e9 um s\u00edmbolo da luta por moradia pelo movimento urbano. Mas, se aplica na luta por direito e acesso \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 terra e \u00e0 moradia pela popula\u00e7\u00e3o do campo e da cidade, num contexto pol\u00edtico de regress\u00e3o de direitos e de mercantiliza\u00e7\u00e3o dos bens naturais tendo como cen\u00e1rio o crescimento das desigualdades sociais e seus impactos na vida da popula\u00e7\u00e3o negra, mulheres, LBT, juventude, idosa, moradora de rua, dentre outras. Mas neste texto queremos dialogar como isso impacta na vida das mulheres em raz\u00e3o do dia internacional de luta, o 8 de Mar\u00e7o.<br \/>\n\u00c1gua, terra e moradia sempre foram lutas que marcaram a vida da popula\u00e7\u00e3o de forma muito di\u00e1ria, porque isso tem a ver com o cotidiano e as condi\u00e7\u00f5es de vida socioecon\u00f4mica ao qual est\u00e3o sujeitas. O que deveria ser um bem p\u00fablico \u00e9 a cada momento da hist\u00f3ria, aliado ao modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico predat\u00f3rio, mercadoria e distancia neste mesmo cotidiano o acesso \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dignas de habitabilidade, com infraestrutura adequada, daquilo que chamamos o direito \u00e0 cidade.<br \/>\nPernambuco apresenta \u00edndices de uma crescente desigualdade no urbano, no acesso \u00e1gua ou na falta dela porque encontra-se em racionamento no abastecimento d\u00b4\u00e1gua em alguns munic\u00edpios da Regi\u00e3o metropolitana do Recife de mais de 20-10 anos e com o acesso desigual na pr\u00f3pria cidade. O que \u00e0s vezes no mesmo bairro a \u00e1gua n\u00e3o chega e isso tem a ver com a desigual estrutura das cidades. E em se tratando das demais regi\u00f5es do Estado vivencia-se verdadeiro sistema de colapso das barragens e, por conseguinte, o crescimento do sistema privado de carros-pipas e junto a mercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua o seu uso para fins eleitorais, dentro da l\u00f3gica perversa do clientelismo pol\u00edtico, transformando o que \u00e9 direito em mercadoria. E as mulheres que tem como parte do seu cotidiano a dupla jornada de trabalho ( o trabalho produtivo e o reprodutivo e de cuidados com as tarefas dom\u00e9sticas) tem nesta l\u00f3gica desigual econ\u00f4mica e de g\u00eanero a explora\u00e7\u00e3o e a sobrecarga nestas dimens\u00f5es da vida, tendo que depois de mais 54,7 horas de jornada de trabalho semanal &#8211; onde se inclui o trabalho fora e dentro de casa \u2013 uma sobrecarga e uma precariza\u00e7\u00e3o ( quando a \u00e1gua racionada chega 2 ou 3 vezes por semana demanda das mulheres recolher tarde da noite-madrugada para realizer as tarefas dom\u00e9sticas ) das suas condi\u00e7\u00f5es de vida, impedindo-a em muitos casos em ter tempo para cuidar de si, de viver espa\u00e7os de lazer e da pol\u00edtica.<br \/>\nAs mulheres est\u00e3o na rua, construindo a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na luta por terra e moradia, s\u00e3o a maioria que integram o movimento urbano e rural, mas ainda est\u00e3o invis\u00edveis como parte da luta enquanto sujeito pol\u00edtico. E essa \u00e9 uma quest\u00e3o para reafirmar-se enquanto lugar pol\u00edtico das mulheres. Muitas ocupa\u00e7\u00f5es t\u00eam o nome das mulheres que s\u00e3o s\u00edmbolos destas lutas, a luta de resist\u00eancia nos territ\u00f3rios como lugar de viver e de constru\u00e7\u00f5es coletivas de modo de vida. A terra e a moradia tem um lugar central na vida das mulheres seja porque s\u00e3o em sua maioria chefes de fam\u00edlia, respons\u00e1veis pelo provimento, sustenta\u00e7\u00e3o, de toda fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m como um lugar de seguran\u00e7a e conviv\u00eancia fam\u00edlia e social. Mas, assim como a \u00e1gua, terra e moradia s\u00e3o mercadorias, por mais que tenhamos toda uma legisla\u00e7\u00e3o (Estatuto da Cidade) que dar amparo a l\u00f3gica do direito social, tem-se um contexto que transforma o acesso a esses direitos como mercadoria e vincula o acesso \u00e0 terra e moradia em uma rela\u00e7\u00e3o de compra e venda, cujo regulador \u00e9 o mercado imobili\u00e1rio e construtoras, n\u00e3o sem prop\u00f3sito s\u00e3o setores que financiam as campanhas eleitorais do local ao nacional.<br \/>\nAs mulheres est\u00e3o na rua pela Democracia, contra a regress\u00e3o de direitos e no 8 de Mar\u00e7o \u00e9 um momento de reafirma\u00e7\u00e3o de agendas pol\u00edticas para enfrentar o contexto de desigualdades que impactam a vida das mulheres. Mulheres em sua maioria pobres, negras, jovens, idosas, com viv\u00eancia sexual diversa, e a depender da condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ficam distantes do acesso a esses direitos e vivenciam no seu cotidiano a desigualdade na constitui\u00e7\u00e3o das cidades, no ir e vir com um modelo de mobilidade urbana segregador; com prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de moradia (quantitativo e qualitativo); com uma rede de abastecimento de \u00e1gua racionada e propulsor de doen\u00e7as \u2013 a exemplo da epidemia das arboviroses; pelo alto pre\u00e7o da terra numa especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que joga a popula\u00e7\u00e3o pobre, negra para as periferias urbanas, carentes de infraestrutura urbana, num crescente processo de faveliza\u00e7\u00e3o e feminiliza\u00e7\u00e3o da pobreza.<br \/>\nO que n\u00f3s queremos !!? Casa, terra e \u00e1gua<br \/>\ncomo direito e n\u00e3o como mercadoria! Que as pol\u00edticas p\u00fablicas no campo urbano \u2013 Habita\u00e7\u00e3o, saneamento ambiental, mobilidade urbana e terra \u2013 tenham perspectiva universal, para todas e todos, e sejam mecanismos de enfrentamento \u00e0s desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e de viv\u00eancia sexual (L\u00e9sbicas, Bissexuais e Transg\u00eaneros) no campo urbano e rural. E n\u00f3s mulheres em toda nossa diversidade queremos construir uma cidade para viv\u00ea-la em sua amplitude no acesso aos direitos sociais e politicos e sem medo de ir e vir !<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6106\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6106\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28685514_591518604539946_6290519309119335073_n.png?fit=640%2C413&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"640,413\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28685514_591518604539946_6290519309119335073_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28685514_591518604539946_6290519309119335073_n.png?fit=300%2C194&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28685514_591518604539946_6290519309119335073_n.png?fit=640%2C413&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6106\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28685514_591518604539946_6290519309119335073_n.png?resize=300%2C194&#038;ssl=1\" alt=\"28685514_591518604539946_6290519309119335073_n\" width=\"300\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28685514_591518604539946_6290519309119335073_n.png?resize=300%2C194&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28685514_591518604539946_6290519309119335073_n.png?w=640&amp;ssl=1 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>ENFRENTAMENTO A VIOL\u00caNCIA CONTRA A MULHER<\/strong><\/h2>\n<p>Desde que Temer assumiu a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, atrav\u00e9s de um golpe de Estado, o n\u00famero de estupro, viol\u00eancia e feminic\u00eddio aumentou assustadoramente. E como se n\u00e3o bastasse, ele congelou o or\u00e7amento federal para as pol\u00edticas sociais por 20 anos! Isso significa que os servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia ser\u00e3o mais precarizados. O que \u00e9 pior: muitos destes servi\u00e7os j\u00e1 est\u00e3o fechando por falta de recursos!<br \/>\nSegundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, em 2016 foram 350 mulheres assassinadas. Em 2017, quando o ano ainda nem tinha terminado, 268 mulheres foram assassinada! Em todo o ano de 2017, foram realizados 33.188 registros de crimes de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar e 2.134 estupros. Sabe-se que muitas mulheres n\u00e3o denunciam a viol\u00eancia por medo de morrer ou porque n\u00e3o tem acesso aos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o. Portanto, esses n\u00fameros podem ser ainda maiores.<br \/>\nA viol\u00eancia tem tomado propor\u00e7\u00f5es alarmantes nos \u00faltimos anos porque o Estado permite que homens humilhem as mulheres no facebook; permite que os meios de comunica\u00e7\u00e3o veiculem m\u00fasicas, propagandas comerciais e novelas que desqualificam a imagem da mulher, naturalizando e coisificando nossos corpos; permite tamb\u00e9m que lideran\u00e7as pol\u00edticas n\u00e3o sejam punidas judicialmente por amea\u00e7ar a integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e moral das mulheres s\u00f3 pelo privil\u00e9gio de ser um deputado ou senador.<br \/>\nMuitas mulheres sofrem viol\u00eancia dom\u00e9stica por estarem desempregadas ou por n\u00e3o ter recursos financeiros suficientes para sustentar sozinhas suas filhas e filhos, sendo obrigadas a se submeter a isso para garantir o sustento da fam\u00edlia. Alheio a essa situa\u00e7\u00e3o, o governo Golpista Temer est\u00e1 conduzindo uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que aumenta o desemprego e precariza ainda mais as rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Al\u00e9m disso, reduziu os recursos da assist\u00eancia social, dificultando a autonomia financeira \u00e0s mulheres.<br \/>\nA viol\u00eancia aumenta quando as mulheres n\u00e3o t\u00eam acesso a servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o, como Centro de Refer\u00eancia, Delegacias da Mulher, casas Abrigo, varas judici\u00e1rias e assist\u00eancia social. Ou quando elas procuram os estes servi\u00e7os s\u00e3o maltratadas, de v\u00edtimas viram vil\u00e3s por m\u00e9dicos, delegados e ju\u00edzes.<br \/>\nLideran\u00e7as religiosas fundamentalistas t\u00eam disseminado o \u00f3dio contra n\u00f3s. Elas divulgam id\u00e9ias reacion\u00e1rias de que mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais e transexuais s\u00e3o doentes e pecadoras, estimulando o estupro corretivo e o assassinato.<br \/>\nAs taxas de estupro, assassinato e viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica e moral s\u00e3o maiores entre as mulheres negras porque o racismo est\u00e1 enraizado tanto em nossa sociedade quanto no Estado. As mulheres negras al\u00e9m de serem as maiores v\u00edtimas de Feminic\u00eddio s\u00e3o tamb\u00e9m as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia policial no Brasil. O racismo \u00e9 respons\u00e1vel por difundir a id\u00e9ia de que as mulheres negras s\u00e3o mais propensas a criminalidade, e est\u00e3o mais dispon\u00edveis sexualmente. Da mesma forma, o racismo religioso tem estimulado a destrui\u00e7\u00e3o de terreiros de candombl\u00e9 e expulsado m\u00e3es de santo de suas comunidades.<br \/>\nApesar de toda essa viol\u00eancia contra as mulheres, o congresso brasileiro e as c\u00e2maras municipais est\u00e3o aprovando leis que pro\u00edbem as escolas de oferecer uma educa\u00e7\u00e3o baseada no respeito e na dignidade das mulheres. A viol\u00eancia n\u00e3o diminuir\u00e1 enquanto as escolas n\u00e3o assumirem a responsabilidade de educar os meninos a respeitar as meninas e estas aprenderem a se proteger.<br \/>\nPor isso, neste 08 de Mar\u00e7o paremos todas para dizer:<\/p>\n<p>PELO FIM DA CULTURA DO ESTUPRO!\u00a0NOS QUEREMOS VIVAS, LIVRES E SEM MEDO! PAREM DE NOS MATAR<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6108\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6108\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/direito-a-creche.png?fit=639%2C409&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"639,409\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"direito a creche\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/direito-a-creche.png?fit=300%2C192&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/direito-a-creche.png?fit=639%2C409&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6108\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/direito-a-creche.png?resize=300%2C192&#038;ssl=1\" alt=\"direito a creche\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/direito-a-creche.png?resize=300%2C192&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/direito-a-creche.png?w=639&amp;ssl=1 639w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>MATERNIDADE COMPULS\u00d3RIA E SEUS DESDOBRAMENTOS<\/strong><\/h2>\n<p>Vamos come\u00e7ar este texto partindo do princ\u00edpio que a maternidade \u00e9 uma experi\u00eancia e que essa experi\u00eancia \u00e9 marcada por aspectos culturais, sociais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, hist\u00f3ricos, locais, geogr\u00e1ficos, raciais, entre outras categorias. Essas marcas, contudo, s\u00e3o mais fortemente fixadas nas mulheres. S\u00e3o em nossas trajet\u00f3rias e na forma que nos \u00e9 incutido a acep\u00e7\u00e3o de ser mulher que esse \u201clugar materno\u201d se distende e suas marcas podem advir de viol\u00eancias ou n\u00e3o. Essa discuss\u00e3o n\u00e3o pode ser justificada em seus aspectos biologizantes, por que est\u00e1 em sua cosmologia, aspectos constru\u00eddos socialmente, e essa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o pode ser naturalizada, como por exemplo, a maternidade compuls\u00f3ria, que \u00e9 em linhas breves o \u201cdestino\u201d que se tende a impor \u00e0s mulheres. Se por um lado o discurso hist\u00f3rico ocidental nos apresenta dois espectros de mulher: Eva e Maria e essa hist\u00f3ria se fixa como discurso obrigat\u00f3rio, imposto- temos duas op\u00e7\u00f5es, ser Eva (a mulher desviante) ou Maria (a docilidade materna) ent\u00e3o qual escolha de fato temos? Duas mulheres que foram m\u00e3es, a primeira o exemplo a n\u00e3o ser seguido, a segunda a figura que as mulheres, portanto, deviam se espelhar. A hist\u00f3ria e as formas como essa mesma hist\u00f3ria \u00e9 constru\u00edda, deve ser contestada, ou melhor, confrontada e precisamos agora partir para o confronto, quer dizer, quando n\u00e3o estivemos no confronto?<br \/>\nEntendemos maternidade compuls\u00f3ria como toda forma de controlar e violentar nossas experi\u00eancias. Desde pequenas, no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o tradicional e crist\u00e3, a maioria de n\u00f3s tivemos em comum, para dar um exemplo, brinquedos que sinalizam aspectos \u201cmaternos\u201d: cuidar de casinha, brincar de boneca, cuidar do lar. Na primeira inf\u00e2ncia, a viol\u00eancia j\u00e1 se destaca antes mesmo de nascermos, come\u00e7a na barriga da m\u00e3e, no cord\u00e3o, na escolha da cor do quarto da \u201cmenina\u201d, as roupas, os detalhes e desenhos do quarto (isso para quem tem as devidas condi\u00e7\u00f5es, porque existem mulheres que n\u00e3o tem esse privil\u00e9gio). \u201cO primeiro gole de leite, \u00e9 o primeiro gole de cultura\u201d li, em algum lugar. Acredito que os primeiros tra\u00e7os da cultura machista, vem antes, vem na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o interna da mulher. Ent\u00e3o a inf\u00e2ncia e depois a adolesc\u00eancia e outras demais fases da nossa vida, carregam estere\u00f3tipos negativos do g\u00eanero e do que \u00e9 ser mulher. O confronto continua aqui, quando, o movimento de mulheres e o movimento feminista vem questionar esses estere\u00f3tipos e esses pap\u00e9is sociais relegados \u00e0 mulher. Esse papel tem uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3cio cultural, pol\u00edtica e econ\u00f4mica baseadas no patriarcado brasileiro. \u00c9 necess\u00e1rio compreend\u00ea-lo, a partir de seus contextos, entender que o local (geografia) que viemos e do qual falamos \u00e9 intr\u00ednseco em nossa experi\u00eancia. De onde viemos? Quais discursos foram reproduzidos em nossa inf\u00e2ncia? Temos em comum v\u00e1rios discursos, como por exemplo: \u201ctem que casar, constituir uma fam\u00edlia, ser m\u00e3e\u201d. Essa premissa, n\u00e3o \u00e9 de hoje, ela tem uma realidade social anterior. Quantas mulheres n\u00e3o foram submetidas apenas aos cuidados de casa e a maternidade? Quantos e quantas filhas nossas av\u00f3s tiveram de parir? Quantos filhos por ano? Quantas vezes puderam questionar e se questionaram teve resultado que beneficiasse essas mulheres? A maternidade compuls\u00f3ria \u00e9 toda forma de silenciar a mulher, de torna-la presa aos arames do patriarcado. Se uma mulher quer ser m\u00e3e, ou, se ela n\u00e3o quer ser m\u00e3e, isso deve ser uma escolha livre e n\u00e3o uma obrigatoriedade. Quantas adolescentes engravidam por que existe a obrigatoriedade cultural (romantizada) de ser m\u00e3e? E o que acontece com essas mulheres? E com suas crias? S\u00e3o muitos os caminhos que devem ser discutidos sobre \u201cmaternidade compuls\u00f3ria\u201d por que a constru\u00e7\u00e3o desse lugar materno pode ser um lugar de sombra que pode adoecer e definhar nossa exist\u00eancia. Maternidade compuls\u00f3ria \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o, em sua maioria, para quem? Quais de n\u00f3s? Vamos partir da realidade brasileira, onde, a maioria das mulheres que engravidam sofrem viol\u00eancia obst\u00e9trica, seja em hospitais particulares ou p\u00fablicos, algumas morrem, s\u00e3o apagadas pela crueldade dessa imposi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 um lugar que est\u00e1 permeado de problemas enviesados por viol\u00eancia. A maternidade solo, por exemplo, \u00e9 um exemplo gritante do abandono dessas mulheres e dessas crian\u00e7as, porque a responsabilidade do cuidado est\u00e1 incutido apenas \u00e0 mulher (a que cuida) e a paternidade por sua vez \u00e9, em sua maioria pautada pelo abandono, abandono este, legitimado pelas diversas ordens e estruturas sociais. As mulheres m\u00e3es tem tripla jornada de trabalho, ou mais. Constitui-se de uma realidade que cicatriza nossa mem\u00f3ria e nossa pr\u00f3pria forma de ser na vida. Maternidade compuls\u00f3ria \u00e9 uma forma de negar a arte da vida e como pensar a maternidade como um confronto? H\u00e1 muitas possibilidades e cada uma de n\u00f3s, em nossas experi\u00eancias diversas podemos encontrar a nossa. Entendemos, que as epistemologias feministas e de libera\u00e7\u00e3o das mulheres seria uma dessas possibilidades, porque a nossa luta \u00e9 cotidiana, sendo feministas ou n\u00e3o. A maternidade atravessada pela consci\u00eancia da nossa constru\u00e7\u00e3o cultural, pode ser um caminho (e acreditamos que a educa\u00e7\u00e3o tem potencial papel para desconstruir os estere\u00f3tipos negativos impingidos \u00e0s mulheres m\u00e3es) porque essa consci\u00eancia pode nos dar a possibilidade de causar rupturas com os discursos fixados, portanto, desestabilizar esse discurso na nossa educa\u00e7\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o de outras crian\u00e7as seria fundamental, mas sabemos, que n\u00e3o s\u00e3o todas as mulheres que tem acesso, muitas de n\u00f3s n\u00e3o tivemos acesso, aos poucos, estamos sendo acolhidas e abra\u00e7adas por outras mulheres e construindo, um outro caminho, caminhos poss\u00edveis e de discuss\u00e3o sobre diversos aspectos do lugar materno. Lembremos que os meios de comunica\u00e7\u00e3o refor\u00e7am os estere\u00f3tipos maternos. A reprodu\u00e7\u00e3o da imagem materna atrav\u00e9s da novela, do cinema, da pr\u00f3pria literatura, representa todas as mulheres? Carolina Maria de Jesus, em seu livro \u201cO di\u00e1rio de Bitita\u201d registra o cotidiano de sua experi\u00eancia enquanto crian\u00e7a e como ela via as mulheres e sua m\u00e3e. H\u00e1 algo importante em seu livro, quando ela menciona como as mulheres m\u00e3es negras e solo, adoeciam e muitas se suicidavam porque eram abandonadas pelos homens brancos que as engravidavam. Esta passagem \u00e9 cruel e cortante e \u00e9 ainda uma realidade constante. \u00c9 um lugar simb\u00f3lico que refor\u00e7a tanto mais o sofrimento das mulheres. Estamos, com isso, querendo trazer esta discuss\u00e3o justamente por que, antes de ser rom\u00e2ntico, \u00e9 um problema social e este problema afeta a vida de quem? Quantas de n\u00f3s? Tornar p\u00fablica nossas experi\u00eancias e as marcas desse lugar \u00e9 uma express\u00e3o pol\u00edtica do que vivenciamos 24h por dia, todos os dias. Ao amamentar na rua e sermos assediadas, por sermos mulheres advindas de uma classe que n\u00e3o tem privil\u00e9gios burgueses, por sermos mulheres negras lutando contra o racismo e a opress\u00e3o de g\u00eanero. Refletimos sobre isso para que nenhuma de nossas escolhas sejam repudiadas ou hostilizadas. A quem pertence nossos corpos? E porque n\u00e3o queremos mais pertencer mais a nenhum tipo de fetichiza\u00e7\u00e3o , sexualiza\u00e7\u00e3o ou estere\u00f3tipos e n\u00e3o queremos, sobretudo, ser violentadas escrevemos esse texto com sangue , leite e punho armados.<br \/>\n\u00c9 por nossas crian\u00e7as e seu devir. Para que elas brinquem com a vida e todas as cores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6105\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6105\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577327_591519864539820_3479569653106098942_n.png?fit=632%2C389&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"632,389\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28577327_591519864539820_3479569653106098942_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577327_591519864539820_3479569653106098942_n.png?fit=300%2C185&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577327_591519864539820_3479569653106098942_n.png?fit=632%2C389&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6105\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577327_591519864539820_3479569653106098942_n.png?resize=300%2C185&#038;ssl=1\" alt=\"28577327_591519864539820_3479569653106098942_n\" width=\"300\" height=\"185\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577327_591519864539820_3479569653106098942_n.png?resize=300%2C185&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577327_591519864539820_3479569653106098942_n.png?w=632&amp;ssl=1 632w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>CONTRA A CRIMINALIZA\u00c7\u00c3O DAS MULHERES QUE ABORTAM<\/strong><\/h2>\n<p>Os senadores e deputados, aliados do Presidente golpista, s\u00e3o homens racistas, machistas, fundamentalistas religiosos capitalistas e corruptos. Eles est\u00e3o destruindo todos os nossos direitos, com grande foco nos direitos sociais e nos direitos humanos, para completar, querem aprovar leis que atingem diretamente os direitos reprodutivos das mulheres e sua autonomia reprodutiva. Querem proibir o aborto nas tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es hoje permitidas por lei.<\/p>\n<p>Atualmente, o aborto \u00e9 um direito das mulheres nos casos de risco de vida, quando a gravidez \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia de estupro e quando o feto \u00e9 anenc\u00e9falo. Mas estes pol\u00edticos do poder legislativo est\u00e3o querendo tirar estes direitos e aprovar leis que criminalizam o aborto em todas as situa\u00e7\u00f5es. Se as leis que est\u00e3o tramitando no congresso forem aprovadas n\u00f3s mulheres poderemos ser:<\/p>\n<p>? Obrigadas a ter um filho de estuprador.<br \/>\n? Ser presas em decorr\u00eancia de um aborto natural!<br \/>\n? Morrer em decorr\u00eancia de uma gravidez tub\u00e1ria!<br \/>\n? Ser presas por tomar ch\u00e1s para descer as regras!<br \/>\n? Obrigadas a levar uma gravidez adiante mesmo que esta gravidez nos leve a morte!<br \/>\n? Obrigadas a carregar em nosso ventre um feto anenc\u00e9falo, que n\u00e3o tem a menor condi\u00e7\u00e3o de sobreviver fora do nosso corpo!<\/p>\n<p>Esse ataque \u00e0s nossas vidas \u00e9 aterrorizante, um retrocesso, e atinge um direito conquistado desde os anos 1940! Para nos iludir eles enaltecem a maternidade como uma fun\u00e7\u00e3o santa e bela! Mas, ao mesmo tempo,ap\u00f3iam e refor\u00e7am que os empregadores devem pagar \u00e0s mulheres um sal\u00e1rio menor que o dos homens porque engravidamos e somos m\u00e3es. N\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio? \u00c9 tudo uma mentira, uma farsa, querem o poder sobre a reprodu\u00e7\u00e3o e a vida das mulheres!<br \/>\nOs deputados e senadores machistas, racistas e fundamentalistas afirmam que a vida do feto \u00e9 mais importante que a vida da mulher, negando inclusive o direito de interromper a gravidez nos casos em que ela \u00e9 resultado de incesto ou abuso sexual de menor. Querem preservar a vida do embri\u00e3o a qualquer custo, mesmo que seja em detrimento da qualidade de vida e dos direitos humanos de uma pessoa nascida e vivente como a mulher gr\u00e1vida (seja ela adolescente, jovem ou adulta).<br \/>\nEles afirmam que o aborto \u00e9 um crime mais grave do que o estupro e, por isso, querem aprovar leis que aumentam a pena para as mulheres que praticarem o aborto, mas querem amenizar a pena para os homens estupradores. Colocam um homem que abusou de uma menina ou mulher com mais direito e import\u00e2ncia que a vida de uma menina ou mulher, isto \u00e9 justo?<br \/>\nEstes deputados desvalorizam de tal maneira n\u00f3s mulheres que difundem a falsa e enganosa ideia de que se o aborto for legalizado n\u00f3s mataremos \u201cbeb\u00eas\u201d j\u00e1 formados. Sabemos que quando uma mulher precisa abortar ela o faz nas primeiras semanas, t\u00e3o logo descubra a gravidez indesejada e imposs\u00edvel. O aborto tardio, ap\u00f3s 15 semanas, acontece em raz\u00e3o da ilegalidade, que torna dif\u00edcil o acesso ao procedimento. Sendo assim, os abortos tardios s\u00e3o responsabilidade do Estado, por criminalizar a pr\u00e1tica, e n\u00e3o responsabilidade das mulheres. Nos pa\u00edses em que o procedimento foi legalizado o aborto, o abortamento com mais de 12 semanas praticamente deixou de existir.<br \/>\nEstes parlamentares distorcem as nossas reivindica\u00e7\u00f5es. Eles afirmam que o feminismo pretende legalizar aborto at\u00e9 nove meses de gravidez. Eles mentem! O aborto \u00e9 um procedimento que n\u00e3o ultrapassa 12 semanas, podendo chegar at\u00e9 20 semanas em casos espec\u00edficos, como risco de vida para a gestante.<br \/>\nCriminalizar o aborto n\u00e3o inibe sua pr\u00e1tica, mas aumenta o n\u00famero de mortes de mulheres porque a criminaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o impede sua pr\u00e1tica, mas aumenta o n\u00famero de abortos clandestinos e inseguros, feitos em cl\u00ednicas clandestinas, em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene e seguran\u00e7a.<br \/>\nVoc\u00ea sabia que o aborto \u00e9 a quarta causa de morte materna no Brasil? Isso acontece porque as mulheres n\u00e3o t\u00eam direito a assist\u00eancia nos servi\u00e7os de sa\u00fade ou por serem abandonadas ao chegar nestes servi\u00e7os, independente de ter sido provocado ou n\u00e3o. No entanto, o Estado n\u00e3o tem uma pol\u00edtica de planejamento reprodutivo eficaz, com acesso a informa\u00e7\u00e3o e insumos, nem tem uma pol\u00edtica de enfrentamento a viola\u00e7\u00e3o dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres para enfrentar esta situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs mulheres que abortam n\u00e3o est\u00e3o muito distantes de n\u00f3s. S\u00e3o nossas irm\u00e3s, m\u00e3es, tias, av\u00f3s, amigas. A maioria das mulheres que j\u00e1 praticaram aborto \u00e9 casada, tem uma religi\u00e3o, j\u00e1 tem filhos e t\u00eam entre 19 e 35 anos.<br \/>\nNenhuma mulher deve ser presa, ficar doente ou morrer por aborto. At\u00e9 quando a sociedade brasileira vai tratar as mulheres assim? O aborto n\u00e3o deve ser tratado como crime. A legaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social por in\u00fameras raz\u00f5es: mulheres de todas as classes sociais j\u00e1 praticaram um aborto em algum momento de suas vidas, mas as mulheres pobres e negras s\u00e3o as que mais sofrem com a criminaliza\u00e7\u00e3o. A mulher pobre, na maioria negra, em situa\u00e7\u00e3o de abortamento n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de ser assistidas em hospitais privados com a assist\u00eancia m\u00e9dica necess\u00e1ria, com menos riscos de morrer e de ser presa. As mulheres quando abortam t\u00eam sempre uma raz\u00e3o muito forte! S\u00e3o v\u00e1rios os fatores que a levam a decidir. Nenhuma mulher gosta de fazer aborto!<br \/>\nAs mulheres de classe m\u00e9dia ou rica s\u00e3o assistidas em hospitais privados com toda assist\u00eancia m\u00e9dica necess\u00e1ria, j\u00e1 as mulheres pobres, na maioria negras, s\u00e3o obrigadas a se submenter ao pior atendimento. A segunda raz\u00e3o \u00e9 que, na maioria das vezes, quando uma mulher engravida, os homens, quando n\u00e3o querem ser pais, abandonam a mulher e a crian\u00e7a, ou seja, eles s\u00e3o os primeiros a abortar. Por isso, o aborto \u00e9 uma decis\u00e3o da mulher: n\u00e3o \u00e9 da igreja, nem do estado!<\/p>\n<h2><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6104\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6104\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577125_591529607872179_255327323520579940_n.png?fit=642%2C395&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"642,395\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28577125_591529607872179_255327323520579940_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577125_591529607872179_255327323520579940_n.png?fit=300%2C185&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577125_591529607872179_255327323520579940_n.png?fit=640%2C394&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6104\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577125_591529607872179_255327323520579940_n.png?resize=300%2C185&#038;ssl=1\" alt=\"28577125_591529607872179_255327323520579940_n\" width=\"300\" height=\"185\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577125_591529607872179_255327323520579940_n.png?resize=300%2C185&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28577125_591529607872179_255327323520579940_n.png?w=642&amp;ssl=1 642w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/h2>\n<h2><strong>CONTRA A REFORMA DA CLT!<\/strong><br \/>\n<strong>CONTRA A REFORMA DA PREVID\u00caNCIA!<\/strong><\/h2>\n<p>O golpe pol\u00edtico-midi\u00e1tico-judici\u00e1rio, conservador e neoliberal, iniciado desde 2014 atinge especialmente n\u00f3s mulheres. Eles destitu\u00edram uma presidentA democraticamente eleita e instalaram minist\u00e9rios formados s\u00f3 por homens, revelando o machismo e o patriarcado do golpista no pa\u00eds.<br \/>\nO governo golpista fez uma s\u00e9rie de reformas no Estado brasileiro que prejudicam a classe trabalhadora, em especial as mulheres, como \u00e9 o caso do desmonte da Secret\u00e1ria de Pol\u00edticas para Mulheres. N\u00e3o bastasse isso, o governo Temer e seus aliados t\u00eam proferido frases machistas e mis\u00f3ginas contra n\u00f3s mulheres, como a naturaliza\u00e7\u00e3o da nossa fun\u00e7\u00e3o social no trabalho dom\u00e9stico e reprodutivo.<br \/>\nPara impor esta nova ordem pol\u00edtica conservadora, preconceituosa e machista retira direitos empobrecendo e vulnerabilizando ainda mais a auto-estima da classe trabalhadora, atingindo mais profundamente n\u00f3s mulheres. Em 2017 o governo fez uma reforma trabalhista que trar\u00e1 impacto nefasto em nossas vidas, como:<br \/>\n1. Trabalho Intermitente: esse sistema de contrata\u00e7\u00e3o consiste na presta\u00e7\u00e3o descont\u00ednua de servi\u00e7o, determinado por hora. O pagamento corresponder\u00e1 apenas ao montante de hora que a trabalhadora estiver em atividade. Esse sistema ser\u00e1 adotado especialmente no setor de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, onde predomina o emprego de m\u00e3o de obra das mulheres.<br \/>\n2. Trabalho tempor\u00e1rio: este sistema de contrato n\u00e3o garante direitos fundamentais, como multa do FGTS e f\u00e9rias. As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o a maioria nos trabalhos tempor\u00e1rios, geralmente utilizados no setor do com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Al\u00e9m disso, uma trabalhadora com contrato tempor\u00e1rio poder\u00e1 receber at\u00e9 70% da remunera\u00e7\u00e3o de uma trabalhadora efetiva e, pasmem, na \u00e1rea de servi\u00e7os, essa remunera\u00e7\u00e3o cai para 61%!<br \/>\n3. Trabalho terceirizado: Al\u00e9m da inseguran\u00e7a que esse tipo de contrato traz \u00e0s\/os trabalhadoras\/res, h\u00e1 tamb\u00e9m estat\u00edsticas que demonstram que a\/o trabalhador\/a submetidas\/os a esse tipo de contrato, trabalham em m\u00e9dia 3 horas semanais a mais que as\/os contratadas\/os e est\u00e3o mais sujeitos \u00e0 rotatividade.<br \/>\nN\u00f3s mulheres somos a maioria dos trabalhadores que est\u00e1 nos setores de maior rotatividade da m\u00e3o de obra: os setores de servi\u00e7o e de com\u00e9rcio. Os impactos sobre nossas vidas s\u00e3o mais nefastos!<br \/>\nO governo tamb\u00e9m pretende fazer a reforma da Previd\u00eancia Social!<br \/>\nA Previd\u00eancia Social \u00e9 a \u00fanica pol\u00edtica social que reconhece \u2013 formalmente \u2013 que existe as mulheres t\u00eam dupla jornada de trabalho (trabalho dom\u00e9stico e trabalho remunerado) Por isso, atualmente n\u00f3s aposentamos mais cedo que os homens. Dessa forma, mesmo n\u00e3o contando para o c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es para a aposentadoria, o trabalho dom\u00e9stico deve ser contabilizado! Entretanto, a inten\u00e7\u00e3o dessa reforma \u00e9 aumentar a idade para as mulheres se aposentar, dificultando o acesso, diminuindo os valores das aposentadorias e reduzindo a cobertura dos benef\u00edcios.<br \/>\nCom essa l\u00f3gica, a aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es que trazem preju\u00edzos \u00e0 classe trabalhadora, pois, a idade m\u00ednima para as mulheres ter acesso a este direito aumentar\u00e1 para 62 anos. Tamb\u00e9m aumentar\u00e1 de 30 para 35 anos de contribui\u00e7\u00e3o. E pasmem! Para alcan\u00e7ar 100% do valor da aposentadoria, ou seja, receber o teto do valor pago pelo INSS, ser\u00e1 preciso trabalhar 40 anos!<br \/>\nO pior \u00e9 que a base de c\u00e1lculo do valor da aposentadoria tamb\u00e9m ser\u00e1 alterada. Atualmente \u00e9 baseada nas 80% maiores contribui\u00e7\u00f5es, mas o golpista Temer quer que passe para a m\u00e9dia de todas as contribui\u00e7\u00f5es. Isso vai diminui o valor de nossa aposentadoria!<br \/>\nPor isso no 08 de Mar\u00e7o estamos lutando por direitos e por respeito \u00e0 nossa cidadania!<br \/>\nN\u00e3o aceitamos esta reforma da previd\u00eancia!<br \/>\nLutaremos at\u00e9 o Fim por NENHUM DIREITO A MENOS!<\/p>\n<h2><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6109\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6109\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28870896_591526224539184_143216812366411862_n.png?fit=640%2C413&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"640,413\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28870896_591526224539184_143216812366411862_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28870896_591526224539184_143216812366411862_n.png?fit=300%2C194&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28870896_591526224539184_143216812366411862_n.png?fit=640%2C413&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6109\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28870896_591526224539184_143216812366411862_n.png?resize=300%2C194&#038;ssl=1\" alt=\"28870896_591526224539184_143216812366411862_n\" width=\"300\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28870896_591526224539184_143216812366411862_n.png?resize=300%2C194&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28870896_591526224539184_143216812366411862_n.png?w=640&amp;ssl=1 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/h2>\n<h2><strong>CONTRA O ENCARCERAMENTO DAS MULHERES<\/strong><\/h2>\n<p><em>Por uma nova pol\u00edtica de drogas n\u00e3o genocida<\/em><\/p>\n<p>O atual modelo de guerra \u00e0s drogas no Brasil se transformou numa guerra perversa dirigida \u00e0s pessoas pobres e negras nas periferias, essa guerra exige um investimento milion\u00e1rio do Estado em treinar policiais para matar e prender jovens nas comunidades pobres do pa\u00eds. Quando avaliamos essa realidade para as mulheres o impacto \u00e9 ainda mais cruel, a atual legisla\u00e7\u00e3o de drogas (Lei 11.343\/2006) se expressa de diversas formas: atrav\u00e9s do massivo encarceramento de mulheres nos \u00faltimos anos; na perda de seus filhos e filhas em raz\u00e3o do exterm\u00ednio promovido pelo Estado da popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica; na viola\u00e7\u00e3o do direito do exerc\u00edcio da maternidade, no momento em que seus filhos s\u00e3o retirados de seu cuidado em raz\u00e3o do estigma associado ao uso de drogas il\u00edcitas; entre outros exemplos. Segundo dados do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen), nos \u00faltimos 16 anos a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina aumentou mais de 700%, enquanto a popula\u00e7\u00e3o masculina aumentou cerca de 200%. Isso configura uma diferen\u00e7a de mais do que o dobro do aumento de encarceramento de mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Sendo assim, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer a proibi\u00e7\u00e3o das drogas como uma quest\u00e3o que impacta a vida das mulheres, que s\u00e3o em sua maioria chefes de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Diante do contexto apresentado, \u00e9 urgente dirigir o olhar ao desencarceramento feminino, considerando que s\u00e3o as mulheres que constituem a popula\u00e7\u00e3o cuja taxa de crescimento foi mais acelerada nos \u00faltimos anos. \u00c9 preciso que o movimento feminista esteja atento a defender os direitos e a vida dessas mulheres que est\u00e3o sendo encarceradas no Brasil, a garantia dos direitos humanos \u00e9 fundamental para um ambiente democr\u00e1tico. Precisamos produzir narrativas sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres encarceradas denunciando essas situa\u00e7\u00f5es e possibilitando dar voz \u00e0 essas mulheres. A atual pol\u00edtica de encarceramento em massa usando o motivo das drogas \u00e9 racismo e machismo promovido por um grupo de pessoas ricas e poderosas que deseja controlar o povo negro e higienizar nossa presen\u00e7a das ruas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6103\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6103\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?fit=960%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28575578_826003080940226_5702837901490815556_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?fit=300%2C169&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?fit=640%2C360&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6103\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?resize=300%2C169&#038;ssl=1\" alt=\"28575578_826003080940226_5702837901490815556_n\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28575578_826003080940226_5702837901490815556_n.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>DIREITOS DAS MULHERES LBTI<\/strong><\/h2>\n<p>Com o avan\u00e7o do fundamentalismo na atual conjuntura pol\u00edtica do Brasil. Vem propiciando o preconceito e \u00f3dio, nas diversas esferas da sociedade. Mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais no enfrentamento ao machismo, racismo, sexismo, lbtfobia e todas as formas de viol\u00eancias. Apesar de lutar contra o machismo e a LBTfobia, as marcas das batalhas que enfrentamos est\u00e3o nos nossos corpos e almas e s\u00e3o necess\u00e1rias de serem lembradas nesse sentido. Muitas l\u00e9sbicas, mulheres bissexuais, travestis e transexuais sofrem com a enorme ocorr\u00eancia de estupros corretivos, viol\u00eancias f\u00edsica, ps\u00edquica, emocional, chegando diversas vezes at\u00e9 a morte. Em considera\u00e7\u00e3o aos fatores emocionais, ps\u00edquicos o Conselho Federal de psicologia vem atuando em suas resolu\u00e7\u00f5es 001\/99 ( que orientam as\/os profissiOnais aos cuidados e escuta do que se refere as Orienta\u00e7\u00f5es Sexuais LGBT), como tamb\u00e9m a resolu\u00e7\u00e3o 001\/2018 (que disp\u00f5e a Despatologiza\u00e7\u00e3o das Transexualidade e travestilidade). Neste sentido as\/os profissionais de psicologia tem o dever de escuta do sofrimento ps\u00edquico causado pela LGBTFOBIA. Sendo assim pautadas as resolu\u00e7\u00f5es que se baseiam na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. Compreendendo que os r\u00f3tulos sociais adoecem, excluem, seguimentam e propriciam o adoecimento ps\u00edquico. Os estupros das l\u00e9sbicas e mulheres bissexuais para al\u00e9m do machismo enraizado ainda \u00e9 agravado pelo agressor acreditar na \u201cmudan\u00e7a\u201d da orienta\u00e7\u00e3o sexual de mulheres que se relacionam com outras mulheres. Para as travestis e mulheres transexuais, o simples fato de existir \u00e9 uma afronta a uma sociedade normatizada pelas rela\u00e7\u00f5es de poder, onde o homem branco, heterossexual e crist\u00e3o \u00e9 a base e tudo que vier a diferir dele est\u00e1 errado. Compreender as identidades de g\u00eanero destas mulheres \u00e9 um avan\u00e7o extremamente importante para a luta de TODAS as mulheres.<\/p>\n<p>Neste sentido, compreendemos que o Estado de Pernambuco, tem n\u00fameros alarmantes de estupros corretivos das l\u00e9sbicas e mulheres bissexuais, assim como cresce tamb\u00e9m assustadoramente o assassinato de travestis e mulheres transexuais. Esses casos de estupros corretivos constantes, muitas vezes cometidos por parentes muito pr\u00f3ximos, s\u00e3o a express\u00e3o mais violenta de aonde podem chegar o \u00f3dio pelas LBs e as TTs a viol\u00eancia \u00e9 de cunho machista, mis\u00f3gino e fundamentalista. As mulheres que vivem no c\u00e1rcere, seja no complexo masculino onde est\u00e3o as TTs ou nos complexos femininos onde est\u00e3o as l\u00e9sbicas e bissexuais, tamb\u00e9m s\u00e3o violentadas sexual, emocional e fisicamente apenas por serem quem s\u00e3o, \u00e9 uma lbtfobia institucionalizada. N\u00e3o podemos deixar de falar sobre as quest\u00f5es raciais e de classe, pois os direitos s\u00e3o negados principalmente para as mulheres negras que est\u00e3o nos quilombos urbanos e rurais, pois o racismo ele \u00e9 ambiental, est\u00e9tico, de classe e tamb\u00e9m de orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero, fatores refor\u00e7ados pela influ\u00eancia patriarcal euroc\u00eantrica de nossa sociedade.<\/p>\n<p>A ideologia machista \u00e9 lesbof\u00f3bica, bif\u00f3bica e transf\u00f3bica muito aproveitada pelo capitalismo para explorar mais e impor padr\u00f5es de comportamento, colocando para as mulheres LBTs duas alternativas: a repress\u00e3o da sexualidade das mulheres que as obrigam a buscar um \u00fanico e encantado \u201chomem\u201d a quem a mulher ir\u00e1 pertencer para o resto da vida. A outra alternativa \u00e9 o tratamento das mulheres como peda\u00e7os de carne que devem servir aos prazeres sexuais dos \u201chomens\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6107\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=6107\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28795684_826004207606780_6162951725840128475_n.png?fit=640%2C413&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"640,413\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"28795684_826004207606780_6162951725840128475_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28795684_826004207606780_6162951725840128475_n.png?fit=300%2C194&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28795684_826004207606780_6162951725840128475_n.png?fit=640%2C413&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6107\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28795684_826004207606780_6162951725840128475_n.png?resize=300%2C194&#038;ssl=1\" alt=\"28795684_826004207606780_6162951725840128475_n\" width=\"300\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28795684_826004207606780_6162951725840128475_n.png?resize=300%2C194&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/28795684_826004207606780_6162951725840128475_n.png?w=640&amp;ssl=1 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2><strong>MULHERES E PARTICIPA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA<\/strong><\/h2>\n<p>O Dia Internacional das Mulheres \u2013 8 de mar\u00e7o \u00e9 uma das principais datas do calend\u00e1rio feminista, quando s\u00e3o organizadas diversas atividades no Brasil e no mundo. Em Recife, h\u00e1 alguns anos, um ato unificado \u00e9 constru\u00eddo por dezenas de movimentos, entidades e coletivos. Mulheres das periferias, mulheres m\u00e3es, mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais e transexuais, mulheres universit\u00e1rias, mulheres negras,mulheres jovens e mais velhas. O que \u00e9 comum a todas \u00e9 que, em determinado momento, perceberam a necessidade de lutar e se reuniram. A partir disso, um dos eixos pensado para o ato de 2018 foi \u201cMulheres, organiza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, desejamos ocupar cada vez mais as ruas e fortalecer outras formas de organiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das estruturas formais.O movimento de mulheres \u00e9 hist\u00f3rico e vem revigorando-se em marchas, em coletivos aut\u00f4nomos, em entidades feministas secundaristas e universit\u00e1rias, em ONGs de defesa de direitos, em m\u00eddias alternativas. Com as mais diversas formas e estrat\u00e9gias, mulheres mostram, cada vez mais, que existem outras formas de fazer pol\u00edtica. Ainda assim, n\u00e3o podemos negar a pol\u00edtica institucional, principalmente em ano eleitoral, v\u00e1rias reivindica\u00e7\u00f5es passam por mudan\u00e7as em leis e programas de governo.Os partido t\u00eam que cumprir uma cota de 30% de representa\u00e7\u00e3o feminina, entretanto isso n\u00e3o significa a valoriza\u00e7\u00e3o da mulher, tampouco a efetividade das candidaturas. Percebemos o aumento crescente de candidatas eleitas por partidos que defendem agendas extremamente conservadoras, que conflitam com as demandas apresentadas pelas mulheres e os movimentos feministas. \u00c9 preciso repensar essa estrutura pol\u00edtica no Brasil e incluir a perspectiva de g\u00eanero no trabalho de mulheres e homens na gest\u00e3o p\u00fablica.Chamamos todas as mulheres para a luta coletiva, em uma solidariedade construtora de la\u00e7os fraternos e estrat\u00e9gicos,temos a potencialidade de mudar nossas vidas e o mundo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Textos originalmente publicados para mobiliza\u00e7\u00e3o de mulheres pela coletiva que est\u00e1 organizando o 8 de mar\u00e7o em Recife &#8211; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":6111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6100","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/base-3.jpg?fit=1485%2C565&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-1Ao","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6100"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6115,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6100\/revisions\/6115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6111"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}