{"id":5605,"date":"2017-11-13T15:01:19","date_gmt":"2017-11-13T18:01:19","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=5605"},"modified":"2018-01-25T11:59:04","modified_gmt":"2018-01-25T14:59:04","slug":"%e2%80%8bda-subversao-ao-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=5605","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Russa: Da subvers\u00e3o ao sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 16px;\"><i>* Por Lili\u00e1n Celiberti<\/i><\/span><br \/>\nAs mulheres foram protagonistas em todas as revolu\u00e7\u00f5es. Entretanto, embora seus corpos tenham sido perseguidos, torturados, encarcerados igualmente aos dos homens, seus olhares, suas lutas e opini\u00f5es, muitas vezes dissidentes, raramente ficaram registrados na hist\u00f3ria. Resgatar a mem\u00f3ria dessas subvers\u00f5es e resist\u00eancias foi uma tarefa tenaz das feministas desde o come\u00e7o do movimento.<\/p>\n<p>Evidentemente n\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o associe a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro aos homens de Lenin, L\u00e9on Trotsky ou I\u00f3sif Stalin, e talvez na mem\u00f3ria coletiva s\u00f3 se registre o nome de Alexandra Kollont\u00e1i. Muitas outras mulheres organizaram a\u00e7\u00f5es significativas, como as trabalhadoras que impulsionaram uma greve em fevereiro de 1917, que foi a antessala da greve geral que abriu caminho para a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, ou Nadezhda Krupskaia e Inessa Armand, editoras do jornal Rabotnitsa, censurado em junho de 1914 pelo governo e reeditado em 1917, \u00e0s v\u00e9speras da revolu\u00e7\u00e3o. Krupskaia exilou-se junto com Lenin, seu marido, e escreveu seu primeiro livro: A mulher trabalhadora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5616\" aria-describedby=\"caption-attachment-5616\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"5616\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=5616\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Nadezhda-Krupskaia.jpg?fit=336%2C500&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"336,500\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Nadezhda Krupskaia\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Nadezhda Krupskaia&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Nadezhda Krupskaia&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Nadezhda-Krupskaia.jpg?fit=202%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Nadezhda-Krupskaia.jpg?fit=336%2C500&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-5616\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Nadezhda-Krupskaia.jpg?resize=202%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"Nadezhda Krupskaia\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Nadezhda-Krupskaia.jpg?resize=202%2C300&amp;ssl=1 202w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Nadezhda-Krupskaia.jpg?w=336&amp;ssl=1 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5616\" class=\"wp-caption-text\">Nadezhda Krupskaia<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5617\" aria-describedby=\"caption-attachment-5617\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"5617\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=5617\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Inessa_Armand.jpg?fit=325%2C456&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"325,456\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Inessa_Armand\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Inessa Armand&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Inessa_Armand.jpg?fit=214%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Inessa_Armand.jpg?fit=325%2C456&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-5617\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Inessa_Armand.jpg?resize=214%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"Inessa Armand\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Inessa_Armand.jpg?resize=214%2C300&amp;ssl=1 214w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Inessa_Armand.jpg?w=325&amp;ssl=1 325w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5617\" class=\"wp-caption-text\">Inessa Armand<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1917, o Rabotnitsa dizia: \u201cSe uma mulher \u00e9 capaz de subir em um andaime e lutar nas barricadas, ent\u00e3o \u00e9 capaz de ser uma mulher igual na fam\u00edlia oper\u00e1ria e nas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias\u201d. <strong>A luta contra o patriarcado estava, para elas, no mesmo plano que o enfrentamento do capitalismo, embora n\u00e3o se expressasse com essas palavras.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 interessante ver como, ao longo da hist\u00f3ria, a experi\u00eancia social das mulheres ultrapassa as dimens\u00f5es e as categorias da pol\u00edtica e incorpora a vida como um todo no debate p\u00fablico. Basta ler os artigos de Kollont\u00e1i sobre o amor livre e o questionamento da fam\u00edlia burguesa para ver a dimens\u00e3o integral que a revolu\u00e7\u00e3o propunha, mesmo em uma R\u00fassia campesina, analfabeta e faminta.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 guerra, as mulheres se incorporaram massivamente ao mercado de trabalho para substituir os homens. Calcula-se que, em Petrogrado, chegavam a 47% da for\u00e7a de trabalho. Por isso, de fevereiro a outubro, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na revolu\u00e7\u00e3o foi elevada. Em meados de abril, milhares de mulheres se mobilizaram em Petrogrado para exigir o direito ao voto e obtiveram a promessa do governo provis\u00f3rio de Alexander Kerensky de permitir o voto para todas as mulheres maiores de 20 anos na futura Assembleia Constituinte.<\/p>\n<p>As jornadas de trabalho eram de 10 ou 12 horas, significando para as mulheres o abandono real das tarefas de cuidado. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, portanto, que 40.000 lavadeiras protagonizaram em maio a primeira grande greve contra o governo provis\u00f3rio, reivindicando um aumento de sal\u00e1rios, as oito horas de trabalho e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Nesse clima de organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia, a voz rebelde de Kollont\u00e1i apoiou a greve, mas seu pensamento foi al\u00e9m das reivindica\u00e7\u00f5es de direitos, para analisar as causas da opress\u00e3o e avan\u00e7ar em propostas emancipat\u00f3rias e libert\u00e1rias.<\/p>\n<h2>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa significou uma conquista para as mulheres sem precedentes na hist\u00f3ria: o direito ao voto, ao aborto livre e gratuito, ao div\u00f3rcio; a legitimidade dos filhos nascidos fora do matrim\u00f4nio, a despenaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o e a homossexualidade.<\/h2>\n<p>Entendia-se como princ\u00edpio \u201carrancar as mulheres da escravid\u00e3o dom\u00e9stica\u201d, mediante a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho do lar e o cuidado dos filhos com creches e refeit\u00f3rios p\u00fablicos. Os primeiros anos da revolu\u00e7\u00e3o foram um per\u00edodo de intensos debates e experimenta\u00e7\u00e3o. Um dos eixos de debate mais inovadores e provocadores foi o ocorrido na fam\u00edlia. Como destaca a historiadora Wendy Goldman, em <em>A mulher, o Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, o debate estava orientado por quatro princ\u00edpios: 1) a uni\u00e3o ou amor livre; 2) a necess\u00e1ria independ\u00eancia econ\u00f4mica de homens e mulheres para garantir as op\u00e7\u00f5es livres; 3) a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, com a cria\u00e7\u00e3o de lavanderias, creches, refeit\u00f3rios, para que o cuidado das pessoas necessitadas fosse uma tarefa social coletiva, e n\u00e3o responsabilidade das mulheres; 4) a certeza de que, dadas essas condi\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia como tal, como unidade econ\u00f4mica e afetiva, tenderia a desaparecer.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5619\" aria-describedby=\"caption-attachment-5619\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"5619\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=5619\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/as-mulheres-o-estado-e-a-revoluc3a7c3a3o1.jpg?fit=350%2C525&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"350,525\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Kehl&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;As mulheres o Estado e a revolu\\u00e7\\u00e3o CS6.indd&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"As mulheres o Estado e a revolu\u00e7\u00e3o CS6.indd\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/as-mulheres-o-estado-e-a-revoluc3a7c3a3o1.jpg?fit=200%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/as-mulheres-o-estado-e-a-revoluc3a7c3a3o1.jpg?fit=350%2C525&amp;ssl=1\" class=\"wp-image-5619 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/as-mulheres-o-estado-e-a-revoluc3a7c3a3o1.jpg?resize=200%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"As mulheres o Estado e a revolu\u00e7\u00e3o CS6.indd\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/as-mulheres-o-estado-e-a-revoluc3a7c3a3o1.jpg?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/as-mulheres-o-estado-e-a-revoluc3a7c3a3o1.jpg?w=350&amp;ssl=1 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5619\" class=\"wp-caption-text\">&#8216;Mulher, Estado e Revolu\u00e7\u00e3o&#8217; analisa o papel das mulheres na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 e as li\u00e7\u00f5es deixadas por elas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Goldman ressalta: \u201cA partir de uma perspectiva comparativa, o C\u00f3digo de 1918 se adiantava notavelmente em sua \u00e9poca. N\u00e3o teria sido promulgada at\u00e9 o momento nenhuma legisla\u00e7\u00e3o similar quanto \u00e0 igualdade de g\u00eanero, ao div\u00f3rcio, \u00e0 legitimidade e \u00e0 propriedade, nem na Am\u00e9rica nem na Europa. Contudo, apesar das inova\u00e7\u00f5es radicais do C\u00f3digo, os juristas destacaram rapidamente que essa legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 socialista, mas legisla\u00e7\u00e3o para a era transicional\u201d.<\/p>\n<p>Em setembro de 1919, Lenin escrevia no Pravda:<strong> \u201cA situa\u00e7\u00e3o da mulher ainda continua sendo \u00e1rdua devido a suas tarefas dom\u00e9sticas. Para conseguir a total emancipa\u00e7\u00e3o da mulher e sua igualdade real e efetiva com o homem, \u00e9 necess\u00e1rio que a economia nacional seja socializada e que a mulher participe no trabalho geral de produ\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim a mulher ocupar\u00e1 o mesmo lugar que o homem\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Dez anos de experimenta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na produ\u00e7\u00e3o, nas rela\u00e7\u00f5es sociais e familiares, na sociedade, na economia e na cama, diriam as feministas do s\u00e9culo XXI, \u00e9 muito pouco para dimensionar as mudan\u00e7as a que essa gera\u00e7\u00e3o de mulheres e homens revolucion\u00e1rios se prop\u00f4s na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<p>Antes do d\u00e9cimo anivers\u00e1rio, o regime de Stalin reintroduziu o matrim\u00f4nio civil como a \u00fanica uni\u00e3o legal reconhecido pelo Estado. Mais tarde, tamb\u00e9m suprimiu a se\u00e7\u00e3o feminina do Comit\u00ea Central do Partido, penalizou a homossexualidade e criminalizou a prostitui\u00e7\u00e3o. Para Goldman, \u201ca proibi\u00e7\u00e3o do aborto em junho de 1936 foi acompanhada de uma campanha para desacreditar e destruir as ideias libert\u00e1rias que tinham dado forma \u00e0 pol\u00edtica social ao longo da d\u00e9cada de 1920\u201d, \u201ca doutrina da \u2018extin\u00e7\u00e3o\u2019, que em um momento tinha sido central para a compreens\u00e3o socialista da fam\u00edlia, do direito e do Estado, foi repudiada\u201d.<\/p>\n<p>Mais fam\u00edlia, mais Estado, menos revolu\u00e7\u00e3o. A esquerda pol\u00edtica no mundo se afiliou a essa vis\u00e3o conservadora e limitante das rela\u00e7\u00f5es sociais, e deixou fora do debate emancipador as rela\u00e7\u00f5es de poder cotidianas entre homens e mulheres at\u00e9 meados dos anos 60, com o ressurgimento das lutas feministas. Aquela vanguarda subversiva foi, portanto, silenciada, deslocada e derrotada.<\/p>\n<p>Quase um milh\u00e3o de mulheres fizeram parte do Ex\u00e9rcito Vermelho; suas vozes s\u00e3o resgatadas do sil\u00eancio por Svetlana Alexi\u00e9vichc em A guerra n\u00e3o tem rosto de mulher: \u201cA guerra feminina tem suas cores, seus cheiros, sua ilumina\u00e7\u00e3o e seu espa\u00e7o. Tem suas pr\u00f3prias palavras. Nessa guerra n\u00e3o h\u00e1 her\u00f3is nem fa\u00e7anhas incr\u00edveis, apenas h\u00e1 seres humanos envolvidos em uma tarefa desumana. Nessa guerra, n\u00e3o s\u00e3o apenas as pessoas que sofrem, mas tamb\u00e9m a terra, os p\u00e1ssaros, as \u00e1rvores. Todos os que habitam este planeta junto conosco. E sofrem em sil\u00eancio, o que \u00e9 ainda mais terr\u00edvel.\u201d Os testemunhos que ela recolhe falam dessa guerra contra a vida vivida pelas mulheres, na qual s\u00f3 resta o sil\u00eancio, porque o que t\u00eam para dizer expressa uma dimens\u00e3o da pol\u00edtica que n\u00e3o encontra espa\u00e7o para a escuta, o di\u00e1logo ou a enuncia\u00e7\u00e3o. \u00c9 o corpo agredido, \u00e9 a viol\u00eancia, \u00e9 o medo, \u00e9 uma compreens\u00e3o de que o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a vida toda, que necessita de muitos cuidados para se sustentar, matizes, cheiros e cores que n\u00e3o entram nos debates, nem nos sonhos, nem na imagina\u00e7\u00e3o das esquerdas que s\u00f3 pensam em estrat\u00e9gias de poder.<\/p>\n<p>Mudar a vida e transitar por esses quatro princ\u00edpios bolcheviques se revelou mais complexo que \u201ctomar o poder\u201d, precisamente porque \u00e9 no campo das pr\u00e1ticas cotidianas subversivas onde cresce a emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*Lilian Celiberti \u00e9 coordinadora da organiza\u00e7\u00e3o feminista <a title=\"Cotidiano Mujer\" href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Cotidiano_Mujer\">Cotidiano Mujer<\/a> e participa da <a href=\"http:\/\/www.mujeresdelsur-afm.org.uy\/\">Articulaci\u00f3n Feminista Marcosur (AFM)<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Por Lili\u00e1n Celiberti As mulheres foram protagonistas em todas as revolu\u00e7\u00f5es. 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