{"id":5540,"date":"2017-09-30T23:11:04","date_gmt":"2017-10-01T02:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=5540"},"modified":"2017-11-13T13:14:05","modified_gmt":"2017-11-13T16:14:05","slug":"a-historia-de-pablo-a-logica-brutal-do-encarceramento-em-massa-marco-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=5540","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de Pablo: a l\u00f3gica brutal do encarceramento em massa [Marco Zero]"},"content":{"rendered":"<p>Por Samarone Lima\/MarcoZero<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A\u00a0<strong>queda<\/strong><\/h2>\n<p>H\u00e1 uma semana, uma sexta-feira de manh\u00e3, dia 22 de setembro, uma s\u00e9rie de combina\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias e diferentes hist\u00f3rias de vida levou dois Pablos \u00e0 pris\u00e3o. Um deles era o taxista Pablo Messias Pereira da Silva, de 28 anos, que mora na ocupa\u00e7\u00e3o Coca-Cola, em Jaboat\u00e3o, casado, pai de duas meninas, de 7 e 8 anos, e paga uma renda di\u00e1ria de R$ 80 para rodar com o carro. O outro era Pablo Henrique Pereira de Lima, de 26 anos, apontado pela Pol\u00edcia como o \u201cgerente\u201d do tr\u00e1fico de drogas no Bairro de Santo Amaro, no Recife.<\/p>\n<p>De bermuda e sand\u00e1lia, o Pablo taxista saiu de casa para fazer um conserto no carro, quando recebeu, logo cedo, o telefonema de um de seus muitos clientes, dizendo que tinha separado da mulher e que precisava fazer uma corrida de Ouro Preto, em Olinda, para Pau Amarelo, no munic\u00edpio de Paulista. Era o Pablo Henrique. O taxista foi ao local, mas n\u00e3o desceu do carro, por causa de um enorme c\u00e3o Rotweiller. Abriu o bagageiro pelo bot\u00e3o autom\u00e1tico, esperou o cliente botar v\u00e1rias sacolas, e quando engatou a primeira, a Pol\u00edcia cercou o t\u00e1xi e deu voz de pris\u00e3o aos dois.<\/p>\n<p>No DHPP (Departamento de Homic\u00eddios e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa), foi feito o balan\u00e7o do material que fora colocado no bagageiro: 40 kg de maconha, 1kg de coca\u00edna em p\u00f3 e outro de crack, uma pistola e dois rev\u00f3lveres, 16 balaclavas (m\u00e1scaras), tr\u00eas balan\u00e7as de precis\u00e3o, embalagem para drogas e quase R$ 53 mil em dinheiro. Era o final de uma opera\u00e7\u00e3o que tinha come\u00e7ado dia 13 de setembro, com a pris\u00e3o de outros dois homens \u2013 Wagner Santos Souza, de 26 anos, e Mois\u00e9s Joaquim da Silva, de 30, quando faziam uma transa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria. Estavam com R$ 5 mil, 2 kg de maconha e crack. Seriam da mesma quadrilha de Pablo Henrique.<\/p>\n<p>Poucos minutos depois do in\u00edcio do flagrante, a advogada de Pablo Henrique chegou ao DHPP. Pablo Messias preferiu n\u00e3o telefonar para sua m\u00e3e, a soci\u00f3loga Rejane Pereira da Silva, de 57 anos, conhecida militante dos Direitos Humanos e do Movimento Negro, por dois motivos \u2013 estava com vergonha da pris\u00e3o e achava que tudo seria esclarecido e seria liberado. Ao final do flagrante, foi acusado pelo delegado Jo\u00e3o Leonardo, da for\u00e7a-tarefa do DHPP, de \u201cdar suporte no transporte de drogas e armas de fogo \u00e0 quadrilha\u201d. O delegado ainda levantou a possibilidade de o taxista ter \u201cdado fuga a elementos da quadrilha, ap\u00f3s o cometimento de homic\u00eddios\u201d.<\/p>\n<p>Somente \u00e0 noite, quando o flagrante estava sendo lavrado, o taxista resolveu avisar \u00e0 fam\u00edlia. Foi pelo celular da advogada de Pablo Henrique, que a soci\u00f3loga Liliana Barros, de 58 anos, companheira de Rejane h\u00e1 mais de trinta anos, foi a primeira da fam\u00edlia a saber da pris\u00e3o. Come\u00e7ava uma hist\u00f3ria que era inicialmente preocupante, se tornou assustadora e, uma semana depois, se tornou um pesadelo.<\/p>\n<p>Acionado por Liliana por volta das 20h, quando a ocorr\u00eancia j\u00e1 estava no final, o advogado Augusto Evangelista foi ao DHPP. Pelas informa\u00e7\u00f5es que tinha sobre o taxista, acreditava que seria poss\u00edvel obter sua liberta\u00e7\u00e3o, mesmo que provis\u00f3ria. Mas o flagrante j\u00e1 estava feito. Um dos agentes disse que \u201cs\u00f3 com o juiz, amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Evangelista notou que o taxista estava calado, abatido, e na \u00fanica vez que conseguiu falar com ele, a preocupa\u00e7\u00e3o do rapaz era com o pagamento da renda do dia, de R$ 80 \u2013 e com as filhas. No dia seguinte, no F\u00f3rum de Olinda, haveria a Audi\u00eancia de Cust\u00f3dia, quando um juiz iria escutar a vers\u00e3o de Pablo, ver sua vida pregressa e acusa\u00e7\u00f5es no flagrante da pris\u00e3o, para decidir se ele poderia ser solto, responder em liberdade ou se \u201cdesceria\u201d para o Cotel (Centro de Observa\u00e7\u00e3o Criminol\u00f3gica e Triagem Professor Everardo Luna), no munic\u00edpio de Abreu e Lima, Regi\u00e3o Metropolitana do Recife.<\/p>\n<p>Os dois Pablos passaram a noite no DHPP.<\/p>\n<div class=\"fluid-width-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"fitvid248647\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KpVjZV4eHG4\" width=\"300\" height=\"150\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<h2><strong>\u201cMeu filho, tenha for\u00e7a\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>Com a ajuda das m\u00e3es, Augusto Evangelista levantou a vida de Pablo Messias. Conseguiu certid\u00f5es negativas na Pol\u00edcia Federal, Civil, Tribunal de Justi\u00e7a e na Justi\u00e7a Federal. Nunca teve problemas com a Lei. Tinha endere\u00e7o fixo, uni\u00e3o est\u00e1vel h\u00e1 dez anos, duas filhas, era motorista de t\u00e1xi sindicalizado.<\/p>\n<p>Quando chegou com os dados todos, esperando pelo menos a liberdade provis\u00f3ria, o advogado n\u00e3o teve muito o que fazer. A promotora T\u00e2nia Elizabete de Moura Felizardo pediu a pris\u00e3o do taxista, alegando que \u201co acusado demonstrava perigo \u00e0 ordem p\u00fablica\u201d. O juiz, Hugo Bezerra de Oliveira, acatou. A audi\u00eancia durou pouco mais de 15 minutos. Neste momento, a vida do taxista se tornou muito mais dif\u00edcil \u2013 estava sendo acusado de tr\u00e1fico e \u201cassocia\u00e7\u00e3o com o tr\u00e1fico\u201d.<\/p>\n<p>Do lado de fora do F\u00f3rum, Rejane e Liliana n\u00e3o sabiam do que estava acontecendo com Pablo e n\u00e3o tiveram como falar com ele. Rejane estava preocupada porque, nas imagens que vira de Pablo, o filho estava sem camisa e sem sand\u00e1lia. \u201cEle deve estar assustado\u201d, pensou ela. \u201cFiquei dizendo a mim mesma \u2013 Meu filho, tenha for\u00e7a, tenha for\u00e7a\u201d.\u00a0 O advogado, vendo a situa\u00e7\u00e3o do taxista, pediu ao juiz para levar pelo menos um pacote de biscoitos e um guaran\u00e1. Uma coisa chamava a aten\u00e7\u00e3o \u2013 Pablo seguia descal\u00e7o.<\/p>\n<p>Ao final dos seis julgamentos da Audi\u00eancia de Cust\u00f3dia, todas as pessoas que tinham sido presas no dia anterior foram levadas para o Cotel.<\/p>\n<p>A vida de Pablo Messias n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. H\u00e1 tr\u00eas meses, o Cotel tinha 3.191 homens presos, num pres\u00eddio com 940 vagas. O excesso \u00e9 de 2.251 homens. Enquanto isso, seu processo segue na 3\u00aa Vara Criminal de Olinda, nas m\u00e3os da ju\u00edza \u00c2ngela Maria Teixeira de Mello.<\/p>\n<h2>\u00a0<strong>Pelos jornais e TV, a senten\u00e7a<\/strong><\/h2>\n<p>De volta para o modesto apartamento onde vivem, no Arruda, com outro filho de Rejane, Jo\u00e3o Pedro, de 17 anos, a dif\u00edcil tarefa de juntar os peda\u00e7os. Al\u00e9m da queda, o coice. A pris\u00e3o do traficante teve ampla repercuss\u00e3o na Imprensa, com mat\u00e9rias nos jornais impressos, sites e nas TVs. O Pablo taxista se tornara \u201cparte da quadrilha\u201d, \u201cassociado ao tr\u00e1fico\u201d. Teria confessado a pr\u00e1tica de \u201ctr\u00e1fico de entorpecentes e porte ilegal de arma de fogo\u201d.<\/p>\n<p>Mais contida e mais emotiva, Liliana chorou muito, sem acreditar no que estava vendo. O Pablo, que \u00e0s vezes chegava exausto em casa e acabava dormindo no sof\u00e1, de tantos quil\u00f4metros rodando para conseguir levantar os R$ 80 da di\u00e1ria do carro?<\/p>\n<p>Na sala de casa, descal\u00e7a, muitas vezes ela fala e fica em sil\u00eancio, como se tentasse entender o tamanho do pesadelo. Lembrou da \u00faltima compra que ele fizera, no valor de R$ 1.500. Era cer\u00e2mica para ajeitar a casa, parcelada em cinco vezes, no cart\u00e3o de cr\u00e9dito de uma amiga. Ap\u00f3s a pris\u00e3o, encontraram R$ 200 que ele tinha guardado, em casa, para completar os R$ 320 da \u00faltima parcela. \u201cO dono do t\u00e1xi veio aqui, \u00e0 noite, se solidarizar. Disse que o carro est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, para ele voltar a rodar, quando sair\u201d, conta Liliane. Depois de mais um sil\u00eancio, o desabafo: \u201cA vida da gente virou de cabe\u00e7a pra baixo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe ele fosse realmente desse mundo das drogas, eu talvez estivesse sofrendo menos\u201d, diz Rejane, que desde 2002 tem uma ONG com Liliane e um grupo de mulheres do C\u00f3rrego do Euclides, a \u201cCidadania Feminina\u201d.<\/p>\n<p>Por conta do trabalho na ONG, ela diz, via a viol\u00eancia \u201cpelos olhos das outras mulheres\u201d, que contavam o que passavam quando seus companheiros ou filhos \u201ccaiam\u201d na pris\u00e3o. \u201cEu n\u00e3o tinha a dimens\u00e3o da dor. Agora estou vendo com meus pr\u00f3prios olhos, porque sou m\u00e3e de um negro, pobre e taxista, que est\u00e1 preso, j\u00e1 foi chamado de \u2018bandido e condenado\u2019\u201d. Depois de um curto sil\u00eancio, ela diz uma frase que jamais pensou que diria, para dois jornalistas \u2013 \u201cagora eu sou a m\u00e3e de um presidi\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 um trabalhador, de 28 anos, que mora numa ocupa\u00e7\u00e3o e tem semana que n\u00e3o consegue nem comprar o leite da filha, que tem alergia a Lactose, porque a lata custa R$ 36\u201d, completa. \u201cQue traficante \u00e9 esse, que n\u00e3o consegue pagar uma parcela da compra de uma cer\u00e2mica pra casa?\u201d, pergunta.<\/p>\n<div class=\"fluid-width-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"fitvid943772\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OtDG9zFe2_I\" width=\"300\" height=\"150\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<h2><strong>Quando a fam\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 presa<\/strong><\/h2>\n<p>Mesmo sabendo que a luta n\u00e3o vai ser f\u00e1cil, Rejane quer apenas uma coisa \u2013 que o filho seja tratado como um ser humano. \u201cQuem est\u00e1 ali, perde a condi\u00e7\u00e3o humana. Mas n\u00e3o estou falado s\u00f3 por ele. Seria muito ego\u00edsmo da minha parte. Quero que se fa\u00e7a justi\u00e7a para ele e para todos os outros\u201d.<\/p>\n<p>Ela diz que s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 pior porque por cursar uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos na UFPE e ter feito um curso de \u201cJusti\u00e7a Restaurativa\u201d. O curso, ministrado pelo professor Marcelo Pelizolli, mexeu com v\u00e1rias percep\u00e7\u00f5es e sentimentos que ela tinha sobre a viol\u00eancia. Aprendeu a ver as coisas de uma forma mais ampla, a se colocar no lugar do outro. \u201cE se fosse comigo, o que eu faria?\u201d<\/p>\n<p>\u201cO que custa, em algum momento, algu\u00e9m perguntar ao preso se ele tem m\u00e3e, se tem pai, se quer dar um telefonema? Eu n\u00e3o queria que ele fosse solto, nem que tivesse qualquer tipo de privil\u00e9gio. Quando fui ao F\u00f3rum, queria apenas dar um abra\u00e7o no meu filho e confort\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>A imagem do filho descal\u00e7o foi como uma pancada a mais vinda do Estado. \u201cPodiam dizer: A senhora v\u00e1 l\u00e1, entre e fale com seu filho, d\u00ea um abra\u00e7o nele, pode levar uma sand\u00e1lia para ele\u201d. Mas n\u00e3o conseguiu sequer v\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Em meio ao vendaval, ela percebe que a fam\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 \u201ccapturada\u201d. \u201cO Estado prende a pessoa e a fam\u00edlia dele vai junto. Primeiro ele \u00e9 presidi\u00e1rio, depois \u00e9 bandido e voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais uma pessoa. Para que ele assinasse uma simples procura\u00e7\u00e3o, Liliana passou um dia inteiro no Cotel\u201d.<\/p>\n<p>Com a ajuda de advogados, a fam\u00edlia deve entrar, na pr\u00f3xima semana, com um pedido de\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0para Pablo Messias.<\/p>\n<p>Pelas regras do Cotel, as visitas de familiares acontecem aos domingos. S\u00f3 pode ter a carteira de acesso a m\u00e3e, pai ou esposa do preso. Irm\u00e3o, s\u00f3 com autoriza\u00e7\u00e3o. No domingo (01\/10) ser\u00e1 a primeira vez, em dez dias de pris\u00e3o, que Pablo ter\u00e1 contato com algum parente.<\/p>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211;\u00a0\u00a0<strong><em>Publicado originalmente na <a href=\"http:\/\/marcozero.org\/a-historia-de-pablo-a-logica-brutal-do-encarceramento-em-massa\/\">Marco Zero<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Samarone Lima\/MarcoZero &nbsp; A\u00a0queda H\u00e1 uma semana, uma sexta-feira de manh\u00e3, dia 22 de setembro, uma s\u00e9rie de combina\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5541,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[177,24,277,93],"class_list":["post-5540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","tag-mulheres-negras","tag-pernambuco","tag-politica-de-encarceramento","tag-racismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/a-historia-de-pablo-marco-zero.jpg?fit=700%2C336&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-1rm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5540"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5543,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5540\/revisions\/5543"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}