{"id":3146,"date":"2015-08-21T11:08:50","date_gmt":"2015-08-21T14:08:50","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=3146"},"modified":"2015-09-14T22:50:07","modified_gmt":"2015-09-15T01:50:07","slug":"agricultores-e-ambientalistas-fazem-a-mesma-pergunta-por-que-inundar-uma-das-terras-agricolas-mais-produtivas-e-ferteis-do-peru-brasil-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=3146","title":{"rendered":"Agricultores e ambientalistas fazem a mesma pergunta: por que inundar uma das terras agr\u00edcolas mais produtivas e f\u00e9rteis do Peru? (Brasil de Fato)"},"content":{"rendered":"<p class=\"title\">Camponeses das comunidades ao longo do rio Mara\u00f1\u00f3n, um dos mais importantes afluentes do Amazonas, resistem \u00e0s obras da Odebrecht para instalar hidrel\u00e9tricas em Cajamarca, celeiro de alimentos do Peru.<\/p>\n<p>Por Ver\u00f3nica Goyzueta (texto e fotos), da <a href=\"http:\/\/apublica.org\/2015\/08\/eles-que-comam-ouro\/\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/0603_vg_TreeNoChadin360.jpg?resize=343%2C343&#038;ssl=1\" alt=\"0603_vg_TreeNoChadin360\" width=\"343\" height=\"343\" \/><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o a Chad\u00edn\u201d \u00e9 o que se l\u00ea pichado no\u00a0tronco de\u00a0 uma \u00e1rvore \u00e0 beira da estrada de terra que leva a Huanabamba, uma pequena vila ao norte do Peru. A \u00e1rvore fica na frente de uma casinha de adobe rodeada por frut\u00edferas silvestres e uma pequena planta\u00e7\u00e3o de bananeiras, compondo o\u00a0cen\u00e1rio do caminho entre os Andes e a Amaz\u00f4nia peruana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os camponeses peruanos s\u00e3o famosos por sua hospitalidade, mas o homem que aparece na porta depois do meu chamado apenas rosna: \u201cQuem \u00e9 voc\u00ea?\u201d. Primi Araujo, a professora prim\u00e1ria que \u00e9 minha\u00a0guia na regi\u00e3o, explica que sou uma jornalista de um ve\u00edculo internacional. E, mais importante, n\u00e3o sou representante da construtora brasileira Odebrecht. \u201cEles [os funcion\u00e1rios de Odebrecht] vieram aqui e tiraram fotos sem minha permiss\u00e3o\u201d, diz o agricultor Paquito Vargas Machuca para explicar sua rea\u00e7\u00e3o \u00e0 visita inesperada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hostilidade do campon\u00eas \u00e9 uma boa mostra da reputa\u00e7\u00e3o da Odebrecht em\u00a0Huanabamba, um munic\u00edpio de mil habitantes situado em um c\u00e2nion cortado pelo\u00a0rio Mara\u00f1\u00f3n, na divisa dos departamentos (estados) de Cajamarca, Amazonas e La Libertad. A fam\u00edlia Vargas Machuca, composta por seis pessoas, corre o risco de perder a ch\u00e1cara em que vive para uma obra da Odebrecht. A \u00e1rea da sua ch\u00e1cara deve ser inundada pelo reservat\u00f3rio que\u00a0\u00a0gerar\u00e1 energia para a Hidrel\u00e9trica Rio Grande 1. Essa \u00e9 uma das tr\u00eas hidrel\u00e9tricas conhecidas coletivamente como \u201cChad\u00edn\u201d \u2013 as outras s\u00e3o Rio Grande 2 e Chad\u00edn 2 \u2013 com concess\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o obtida pela Odebrecht no governo peruano, mas ainda sem licen\u00e7a social \u2013 que compreende a consulta e anu\u00eancia dos camponeses \u2013 para ser realizada. Rio Grande 1 e 2 inundar\u00e3o uma \u00e1rea de 38 km2\u00a0e Chad\u00edn 2, outra de quase 33 km2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pequena cidade de Huanabamba \u00e9 uma das mais impactadas entre as 20 comunidades que vivem na \u00e1rea de influ\u00eancia do projeto de hidrel\u00e9tricas desenvolvido pela Eletrobras como parte dos acordos de com\u00e9rcio energ\u00e9tico firmados entre Peru e Brasil em junho de 2010.\u00a0Ao todo 20 represas ser\u00e3o instaladas ao longo dos 1.700 quil\u00f4metros do rio na pr\u00f3xima d\u00e9cada, de acordo com o planejamento do governo peruano.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/0603_vg_MaranonRiver2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/0603_vg_MaranonRiver2.jpg?resize=318%2C238&#038;ssl=1\" alt=\"0603_vg_MaranonRiver2\" width=\"318\" height=\"238\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rio Mara\u00f1\u00f3n \u00e9 um dos afluentes mais importantes do rio Amazonas. Ele percorre uma regi\u00e3o do norte do Peru onde se fundem dois dos biomas mais importantes da Am\u00e9rica do Sul: os planaltos montanhosos dos Andes e a densa floresta tropical da Amaz\u00f4nia. \u00c9 uma das \u00e1reas mais ricas do mundo em biodiversidade e tamb\u00e9m um dos maiores dep\u00f3sitos de ouro do mundo. Mara\u00f1\u00f3n, o sinuoso rio que corta a Amaz\u00f4nia peruana, significa \u201cserpente de ouro\u201d em qu\u00e9chua, a l\u00edngua dos ind\u00edgenas peruanos, porque as suas areias est\u00e3o cheias de min\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A explora\u00e7\u00e3o de ouro e prata h\u00e1 mais de 30 anos amea\u00e7a a regi\u00e3o, agora tamb\u00e9m traumatizada com os novos projetos hidrel\u00e9tricos.<\/strong> Ali fica a sede da mineradora peruano-estadunidense Yanacocha, propriet\u00e1ria do projeto Conga, outra gigantesca jazida que tamb\u00e9m tem sido fonte de conflitos sociais que fazem da regi\u00e3o uma das mais convulsionadas do pa\u00eds nessa \u00faltima d\u00e9cada. Protestos contra a minera\u00e7\u00e3o em Cajamarca, especialmente em Conga, deixaram 11 mortos e 282 feridos, entre 2004 e 2013. Segundo a Defensor\u00eda del Pueblo, 303 l\u00edderes ambientais foram presos e julgados no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior oposi\u00e7\u00e3o ao projeto das hidrel\u00e9tricas, por\u00e9m, vem de agricultores amea\u00e7ados de perder suas terras, como Vargas Machuca, mas os ambientalistas se mobilizam tamb\u00e9m diante dos efeitos potencialmente negativos das obras \u200b\u200bnessa regi\u00e3o ecologicamente sens\u00edvel. Agricultores e ambientalistas fazem a mesma pergunta: por que inundar uma das terras agr\u00edcolas mais produtivas e f\u00e9rteis do Peru?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\n<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u1131\/21-08-15_PaquitoVargasMachucaeFamilia-600x450.jpg?resize=316%2C237\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"237\" \/>Submergindo o celeiro do Peru &#8211;\u00a0<\/strong>Quando ouviu falar pela primeira vez sobre a represa Chad\u00edn, Vargas Machuca confessa que gostou da ideia. \u201cEles [Odebrecht] nos ofereceram um monte de coisas boas, mas nada disso realmente vai acontecer\u201d, diz o campon\u00eas, que vive da pesca, das frutas e dos legumes que colhe na sua terra f\u00e9rtil, ao lado do Mara\u00f1\u00f3n. Ele conta que recebeu uma oferta da construtora para vender suas colheitas e terras e ganhar uma nova casa para a fam\u00edlia, mas decidiu n\u00e3o aceitar. \u201cEles [Odebrecht] dizem que, se concordamos com um contrato de venda, eles v\u00e3o nos pagar e v\u00e3o nos mudar para outro lugar. Mas esse lugar \u00e9 um deserto\u201d, afirma.\u00a0[Foto: Fam\u00edlia\u00a0Vargas Machuca na porta da sua casa, em Huanabamba]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A agricultora Gregoria Baz\u00e1n, que vive perto dos Vargas, tamb\u00e9m se op\u00f5e \u00e0 barragem. \u201cN\u00f3s temos planta\u00e7\u00f5es de manga, lim\u00e3o, banana,\u00a0folhas de coca, lim\u00f5es, que vendemos em Celend\u00edn (sede do munic\u00edpio onde fica a comunidade) e Cajamarca (capital do departamento)\u201d, enumera.\u00a0At\u00e9 os funcion\u00e1rios da Odebrecht que vivem em Cajamarca compram os alimentos que Gregoria e seus vizinhos produzem, como ela destaca,\u00a0bem-humorada. \u201cO que eles v\u00e3o comer depois disso? Dinheiro? Eles ter\u00e3o prata e ouro, mas n\u00e3o v\u00e3o ter nada para comer. Eles n\u00e3o v\u00e3o ter \u00e1gua\u201d, diz soltando uma gargalhada.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que eles v\u00e3o comer depois disso? Dinheiro? Eles ter\u00e3o prata e ouro, mas n\u00e3o v\u00e3o ter nada para comer. Eles n\u00e3o v\u00e3o ter \u00e1gua\u201d, diz soltando uma gargalhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u1131\/21-08-15_MiltoSanchezPIC-600x450.jpg?resize=348%2C261\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"261\" \/>Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a remo\u00e7\u00e3o, os agricultores reclamam do direcionamento dos investimentos para o complexo hidrel\u00e9trico. \u201cA regi\u00e3o produz o melhor cacau do pa\u00eds, mas as estradas que est\u00e3o construindo por aqui n\u00e3o fazem sentido em termos de transporte de produtos\u201d, diz Milton S\u00e1nchez, secret\u00e1rio-geral da Plataforma Interinstitucional Celendina (PIC), organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane os principais movimentos sociais da regi\u00e3o. \u201cQueremos estradas para levar frutas para o mercado, e n\u00e3o para os vales que ser\u00e3o inundados\u201d, critica.\u00a0[Foto:\u00a0Milton Sanchez, do PIC, Plataforma Interinstitucional de Celend\u00edn]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos preju\u00edzos ambientais, \u00e9 imposs\u00edvel calcular a extens\u00e3o do dano. \u201cEles est\u00e3o bloqueando rios que fluem livres, que ser\u00e3o represados \u200b\u200bpela primeira vez, em v\u00e1rios pontos, provocando altera\u00e7\u00f5es no fluxo hidrol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia, e sem saber quais ser\u00e3o os impactos\u201d, diz C\u00e9sar Gamboa, diretor-executivo da ONG peruana Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR), em Lima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/mongabay-images.s3.amazonaws.com\/15\/0603_vg_NICONGANICHADIN360.jpg?resize=316%2C421\" alt=\"A local protest sign tying together the proposed Chadin hydroelectric mega-dams project with the mega-energy needs of the $5 billion planned Conga gold-copper mine backed by the U.S. Newmont Corporation. Photo credit: Veronica Goyzueta \" width=\"316\" height=\"421\" \/>Eletricidade e &#8220;Lava-Jato&#8221;<\/strong> &#8211; E para quem as hidrel\u00e9tricas de Cajamarca e Chad\u00edn v\u00e3o fornecer energia? Cajamarca \u00e9 a sede de Yanacocha, a maior mina de ouro do mundo. Existem na \u00e1rea 16 projetos de minera\u00e7\u00e3o que precisar\u00e3o de grande volume de eletricidade \u2013 especialmente Conga, El Galeno e Michiquillay \u2013 nas redondezas das barragens projetadas. Os acordos energ\u00e9ticos entre Brasil e Peru preveem a exporta\u00e7\u00e3o de excedentes energ\u00e9ticos do Peru para o Brasil, mas a maior suspeita recai sobre as mineradoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2013, o presidente Ollanta Humala deu a seguinte declara\u00e7\u00e3o em um congresso de minera\u00e7\u00e3o no Peru: \u201cComo vemos, nesta \u00e1rea predominam os projetos de ouro e cobre, localizados na serra de Piura, Lambayeque, Cajamarca e Trujillo. Para funcionar, precisam de energia, e para isso se prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de pelo menos cinco centrais que, aproveitando a for\u00e7a hidr\u00e1ulica, poder\u00e3o alcan\u00e7ar uma produ\u00e7\u00e3o superior aos 10 mil megawatts\u201d, discursou o presidente peruano. Os cinco projetos destacados por ele foram: Chad\u00edn 2, Rio Grande 1 e 2, Veracruz, Rentema e Manseriche, uns dos 20 que cortar\u00e3o em peda\u00e7os o rio Mara\u00f1\u00f3n.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o surpreendeu o l\u00edder dos movimentos sociais Milton S\u00e1nchez. \u201cYanacocha vai usar tr\u00eas vezes mais energia do que a cidade de Trujillo (uma das cidades mais importantes do norte do pa\u00eds). Conga \u00e9 tr\u00eas vezes maior\u201d, compara. S\u00f3 na \u00e1rea de Chad\u00edn h\u00e1 16 projetos mineiros que precisam de energia, especialmente Conga, El Galeno e Michiquillay. \u201cPara n\u00f3s, isso j\u00e1 est\u00e1 claro\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E para quem as hidrel\u00e9tricas de Cajamarca e Chad\u00edn v\u00e3o fornecer energia? Cajamarca \u00e9 a sede de Yanacocha, a maior mina de ouro do mundo. Existem na \u00e1rea 16 projetos de minera\u00e7\u00e3o que precisar\u00e3o de grande volume de eletricidade \u2013 especialmente Conga, El Galeno e Michiquillay \u2013 nas redondezas das barragens projetadas. Os acordos energ\u00e9ticos entre Brasil e Peru preveem a exporta\u00e7\u00e3o de excedentes energ\u00e9ticos do Peru para o Brasil, mas a maior suspeita recai sobre as mineradoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Persegui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as &#8211;\u00a0<\/strong>O reservat\u00f3rio que promete atingir a vida dos Vargas e seus vizinhos ainda n\u00e3o pode ser constru\u00eddo. A Odebrecht tem a concess\u00e3o e obteve a aprova\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a ambiental pelo Minist\u00e9rio de Energia e Minas, em outubro do ano passado, mas ainda n\u00e3o conseguiu a licen\u00e7a social. A consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades tradicionais no caso de obras com influ\u00eancia em suas terras \u00e9 obrigat\u00f3ria e prevista na lei peruana. Os l\u00edderes entrevistados afirmaram que ainda n\u00e3o foram consultados e que a empresa est\u00e1 fazendo movimentos para tentar convenc\u00ea-los a aceitar as hidrel\u00e9tricas, dando presentes e infiltrando gente nas comunidades.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u1131\/21-08-15_AuroraAraujoHouse-600x800.jpg?resize=300%2C400\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aurora Araujo, uma l\u00edder comunit\u00e1ria nos munic\u00edpios de Huanabamba e Celend\u00edn, conta que as reuni\u00f5es com engenheiros da Odebrecht t\u00eam sido tensas e complicadas. Muitas delas foram adiadas na \u00faltima hora, prejudicando agricultores e povos ind\u00edgenas, que frequentemente t\u00eam de viajar longas dist\u00e2ncias para chegar aos eventos. De acordo com Aurora, as reuni\u00f5es t\u00eam sido manipuladas. \u201cEles [Odebrecht] trazem pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da comunidade, \u00e0s vezes para nos atacar\u201d, disse ela, mostrando os documentos das seguidas reuni\u00f5es desmarcadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEles nos dizem que vamos ser removidos pela for\u00e7a se n\u00e3o aceitarmos a sua proposta. Eles enganam as pessoas com presentes, como panetones e fornos, e t\u00eam conseguido as assinaturas de apoio de algumas das pessoas que j\u00e1 venderam suas casas e n\u00e3o t\u00eam mais terra na \u00e1rea\u201d, explica a l\u00edder comunit\u00e1ria, que calcula em 5 mil as pessoas que ser\u00e3o impactadas pelas represas e reservat\u00f3rios Rio Grande I e Rio Grande 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua modesta e antiga casa no centro de Celend\u00edn, Aurora conta que funcion\u00e1rios da Odebrecht a acusaram de ganhar dinheiro de ONGs para desprestigi\u00e1-la perante a comunidade. E faz uma den\u00fancia grave: diz ter recebido amea\u00e7as de morte desses mesmos homens, assim como teria acontecido com outras pessoas que se op\u00f5em aos projetos. \u201cQuando temos uma reuni\u00e3o, h\u00e1 tiros. \u00c9 Deus quem nos protege na luta pela \u00e1gua\u201d, diz. \u201cEles querem nos levar pela for\u00e7a. N\u00f3s n\u00e3o queremos represas. Ningu\u00e9m quer perder suas ch\u00e1caras. Onde \u00e9 que vamos viver? \u201c, indigna-se Aurora.\u00a0A reportagem fez um segundo contato com o escrit\u00f3rio da Odebrecht em Celend\u00edn para obter uma resposta detalhada a essas acusa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o obteve resposta. Contatados, os representantes da Odebrecht em Lima e S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m n\u00e3o responderam \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/brasildefato.com.br\/node\/32735\" target=\"_blank\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Esta reportagem foi feita com apoio da organiza\u00e7\u00e3o Mongabay.\u00a0<a href=\"http:\/\/news.mongabay.com\/2015\/06\/cajamarca-let-them-eat-gold\/\">Leia aqui<\/a>\u00a0a vers\u00e3o original<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camponeses das comunidades ao longo do rio Mara\u00f1\u00f3n, um dos mais importantes afluentes do Amazonas, resistem \u00e0s obras da Odebrecht [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3148,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[81,79,82,184],"class_list":["post-3146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-latinoamerica","tag-agua","tag-america-latina-e-caribe","tag-justica-socioambiental","tag-mineracao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/0603_vg_NICONGANICHADIN360.jpg?fit=360%2C480&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-OK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3146"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3162,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3146\/revisions\/3162"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}