{"id":2236,"date":"2015-03-16T16:18:59","date_gmt":"2015-03-16T19:18:59","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=2236"},"modified":"2015-04-13T16:43:15","modified_gmt":"2015-04-13T19:43:15","slug":"e-agora-aonde-vamos-a-saida-e-pela-ponte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=2236","title":{"rendered":"E agora, aonde vamos? &#8230;a sa\u00edda \u00e9 pela ponte"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"2489\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=2489\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?fit=320%2C320&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"320,320\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"conjuntura\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?fit=320%2C320&amp;ssl=1\" class=\"alignnone  wp-image-2489\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?resize=171%2C171&#038;ssl=1\" alt=\"conjuntura\" width=\"171\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?w=320&amp;ssl=1 320w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/conjuntura1.jpg?resize=70%2C70&amp;ssl=1 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 171px) 100vw, 171px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Carmen Silva (*)<\/em><\/p>\n<p>Imagino que todas as militantes feministas iniciaram a semana com o peito apertado. Estamos apreensivas com esta conjuntura de polariza\u00e7\u00e3o extrema em que nosso pa\u00eds se encalacrou. Qual o significado do dia 13 e do dia 15 de mar\u00e7o? O que est\u00e1 por tr\u00e1s das mobiliza\u00e7\u00f5es? O que pode vir pela frente? O que podemos pensar sobre a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes neste momento? Como isso se articula com o recrudescimento de manifesta\u00e7\u00f5es racistas, com o \u00f3dio de classe travestido de regionalismos e com a pauta fundamentalista que est\u00e1 sendo imposta? Que desafios n\u00f3s, do movimento feminista e do conjunto do campo pol\u00edtico dos movimentos sociais teremos que enfrentar nestes tempos que vir\u00e3o? Como atuar nesta conjuntura a partir de um lugar que vai al\u00e9m da polariza\u00e7\u00e3o entre &#8216;sai&#8217; e &#8216;fica&#8217; e exige o respeito aos procedimentos democr\u00e1ticos institu\u00eddos com os quais a presidenta Dilma se elegeu, garantindo a continuidade do governo, mas exige tamb\u00e9m a mudan\u00e7a dos rumos do governo, no sentido de que as mulheres, as pessoas negras e toda a classe trabalhadora n\u00e3o sigam arcando com o peso das atuais medidas<br \/>\nde ajuste e nem do j\u00e1 antigo modelo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>No dia 13 a defesa de direitos e da reforma pol\u00edtica era tema forte. Articulado da forma que foi, este momento, para quem via de fora, podia ser simplesmente uma vermelha defesa do governo. Nas ruas de Recife n\u00e3o fosse o grito da multid\u00e3o \u201cabaixo a rede globo, o povo n\u00e3o \u00e9 bobo\u201d, evocado pelas integrantes do Levante Popular da Juventude disputaram o microfone com a CUT, e junto com os movimentos de mulheres, puxaram uma ciranda de luta no final, esta teria sido uma passeata sindical. No dia 15 era clara a for\u00e7a dos que pediam o impechament da presidenta, somando com os que exortavam \u00e0s for\u00e7as armadas que os salvassem do comunismo e pediam a morte de Paulo Freire e Marx, todos entoando o hino nacional vestidos de verde e amarelo. Todos contra a corrup\u00e7\u00e3o!&#8230; por\u00e9m eles n\u00e3o pedem o fim do financiamento das empresas para os partidos e as elei\u00e7\u00f5es, antiga bandeira dos movimentos sociais que h\u00e1 anos lutam pela reforma do sistema pol\u00edtico e pelo fim da corrup\u00e7\u00e3o. Embora os n\u00fameros da av. Paulista sejam expressivos, a foto da manifesta\u00e7\u00e3o do dia 15 em Salvador \u00e9 a mais emblem\u00e1tica deste momento hist\u00f3rico. Na cidade mais negra do pa\u00eds o &#8216;povo&#8217; nas ruas mostrava a sua brancura e a sua classe para quem quisesse ver. E tamb\u00e9m a sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contr\u00e1ria \u00e0s conquistas populares dos \u00faltimos anos, que n\u00e3o s\u00e3o muitas, mas, para eles, s\u00e3o insuport\u00e1veis a ponto de destilarem seu \u00f3dio racista.<\/p>\n<p>O governo ensaia respostas dizendo que manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o democr\u00e1ticas, preparando um pacote anti-corrup\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o sinaliza em nada com poss\u00edveis mudan\u00e7as de rumo no seu modelo de desenvolvimento, na sua pol\u00edtica econ\u00f4mica e na rela\u00e7\u00e3o com aqueles e aquelas que garantiram a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma no apagar das luzes do segundo turno em 2014. Os movimentos sociais vinculados \u00e0 luta por direitos, dizem que s\u00f3 se garante democracia com participa\u00e7\u00e3o direta dos setores hoje alijados do poder de decis\u00e3o. Para n\u00f3s do movimento feminista a luta por democracia direta, por financiamento p\u00fablico de campanhas eleitorais, pelo fim da sub-representa\u00e7\u00e3o dos segmentos sociais alijados do poder pol\u00edtico e pelo n\u00e3o retrocesso nos direitos conquistados segue sendo a raz\u00e3o para irmos \u00e0s ruas. N\u00e3o podemos aceitar o controle do capital sobre os nossos destinos. Menos ainda dos fundamentalistas de plant\u00e3o no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado dia 14, depois do 13 e na expectativa do que viria a ser o 15, o F\u00f3rum de Mulheres de Pernambuco reuniu-se em Recife para trocar ideias sobre este momento hist\u00f3rico e pensarmos juntas sobre os desafios que temos que enfrentar. Para n\u00f3s, da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras, movimento nacional do qual o f\u00f3rum \u00e9 parte, a polariza\u00e7\u00e3o extrema nesta conjuntura \u00e9 o ponto culminante de um processo em curso desde o governo Lula. Em 2011, quando lan\u00e7amos o balan\u00e7o do governo Lula <strong>[1]<\/strong>, j\u00e1 diz\u00edamos \u201co governo liderado por Lula foi marcado por contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, desenvolveu pol\u00edticas que se encaminham para o rumo de romper com o modelo neoliberal (\u2026). Por outro lado, deixou intocado o sistema pol\u00edtico excludente \u2013 patrimonialista, patriarcal e racista &#8211;\u00a0 e n\u00e3o garantiu instrumentos para o exerc\u00edcio efetivo do poder popular nos processos de participa\u00e7\u00e3o (\u2026) e muito pouco se fez na democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Esta conta est\u00e1 sendo paga agora.<\/p>\n<p>Em uma conjuntura internacional mais favor\u00e1vel, o governo petista, com sua coliga\u00e7\u00e3o de centro direita, n\u00e3o foi capaz de enfrentar o grande capital <strong>[2]<\/strong> e nem duas estruturas do Estado que, sem mudan\u00e7as, emperram todas as outras transforma\u00e7\u00f5es: o sistema pol\u00edtico na forma como est\u00e1 institu\u00eddo e a estrutura da comunica\u00e7\u00e3o de massa no pa\u00eds. Hoje temos o Congresso Nacional mais reacion\u00e1rio de todo o per\u00edodo p\u00f3s Ditadura, com um presidente fundamentalista encurralando o poder executivo e amea\u00e7ando direitos elementares conquistados a duras penas pelas mulheres e outros segmentos sociais minorit\u00e1rios politicamente. E temos a rede Globo mostrando o seu potencial de mobiliza\u00e7\u00e3o, sustentando grupos pol\u00edticos de direita financiados pelo grande capital2. Capital que, diga-se de passagem, n\u00e3o perdeu muito nestes \u00faltimos tempos, com o projeto neodesenvolvimentista de inser\u00e7\u00e3o do Brasil em um lugar central no cen\u00e1rio econ\u00f4mico mundial.<\/p>\n<p>Seguimos tendo cr\u00edticas a este governo e entendendo que o risco que a polariza\u00e7\u00e3o est\u00e1 gerando \u00e9 muito grande e nos exige um posicionamento firme \u00e0 esquerda. N\u00f3s, do movimento feminista, estamos presentes nesta luta com a for\u00e7a pol\u00edtica das mulheres. Fizemos grandes e coloridas manifesta\u00e7\u00f5es no 08 de mar\u00e7o levando \u00e0s ruas a defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, das creches, do fim da viol\u00eancia sexista e racista, de igualdade no mundo do trabalho e paridade entre homens e mulheres nos espa\u00e7os de poder. No dia 13 nos mobilizamos em defesa da democracia e dos direitos. Fizemos isso porque avaliamos que, neste momento, n\u00e3o h\u00e1 maiores ind\u00edcios de possibilidades de um golpe militar, pois nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica org\u00e2nica e expressiva tem manifestado este interesse, por\u00e9m a defesa do impechament pode levar a um outro tipo de golpe. O impedimento da presidenta, que pode ser decidido no Congresso, levaria um representante mais balizado da coaliz\u00e3o de classe no poder a ser o mandat\u00e1rio da Rep\u00fablica. N\u00e3o fosse o PMDB um partido sem unidade e esta possibilidade j\u00e1 estaria dada. Tudo vai depender das mudan\u00e7as na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que este momento pode produzir.<\/p>\n<p>Os interesses no plano econ\u00f4mico internacional indicam que o capital financeiro aprendeu muito com a crise iniciada em 1988 e que vai com tudo para manter ou conseguir o controle das grandes riquezas materiais no mundo. No caso brasileiro, al\u00e9m da disputada Amaz\u00f4nia com sua presen\u00e7a no mercado de carbono, temos a reserva petrol\u00edfera do pr\u00e9-sal e compartilhamos com nossos vizinhos ao sul a maior reserva de \u00e1gua do planeta, o aqu\u00edfero guarani. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o jornal O Globo, em editorial, defendeu a completa entrega do pr\u00e9-sal para explora\u00e7\u00e3o estrangeira. \u00c9 um territ\u00f3rio muito importante para correr riscos com governos com algum grau de independ\u00eancia. O governo norte-americano est\u00e1 dando provas disso ao fomentar o golpe no Paraguai, amea\u00e7ar a soberania da Venezuela e apoiar os ataques internos na Bol\u00edvia e na Argentina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, estamos enfrentando no mundo todo, uma crise de representatividade dos partidos pol\u00edticos de esquerda e dos sindicatos, estruturas at\u00e9 ent\u00e3o consolidadas de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Os movimentos sociais t\u00eam se colocado como alternativa pol\u00edtica para grandes transforma\u00e7\u00f5es. Todavia, muitas mobiliza\u00e7\u00f5es que levam multid\u00f5es \u00e0s ruas n\u00e3o tem conseguido operar as mudan\u00e7as que advogam em fun\u00e7\u00e3o das engrenagens do sistema e da aus\u00eancia de uma articula\u00e7\u00e3o de ideias capaz de projetar um futuro mais justo e igualit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O momento exige muita reflex\u00e3o mas tamb\u00e9m coragem para agir. O nosso movimento feminista, a AMB, tem se pautado ao longo da hist\u00f3ria como um movimento aut\u00f4nomo frente aos governos e aos partidos pol\u00edticos. Desta forma temos constru\u00eddos o nosso feminismo anti-patriarcal, antirracista e anti-capitalista. Isso tem sido importante para seguirmos impulsionando, em alian\u00e7a com outros movimentos, a constru\u00e7\u00e3o da for\u00e7a pol\u00edtica das mulheres, como um sujeito pr\u00f3prio nesta conjuntura. Precisamos nos manter firmes nesta dire\u00e7\u00e3o. Defender a democracia contra o impedimento da presidenta Dilma e defender a mudan\u00e7a dos rumos do governo para garantir nossos direitos que est\u00e3o sendo violados.<\/p>\n<p>A pergunta que nos angustia \u201ce agora, aonde vamos?\u201d tem resposta. A sa\u00edda \u00e9 pela ponte. Precisamos construir pontes entre os movimentos sociais que seguem firmes na luta por direitos, entre os movimentos feministas que permanecem no enfrentamento ao fundamentalismo, ao racismo e ao capital. E temos que exigir do governo e dos partidos do combalido campo democr\u00e1tico e popular que se dirijam a estas pontes para colocar-se em di\u00e1logo com nossas lutas.<\/p>\n<p>(*)\u00a0Carmen Silvia Maria da Silva comp\u00f5e a equipe do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, \u00e9 militante da AMB \u2013 Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras e cursa o doutorado em sociologia na UFPE.<\/p>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211;<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] AMB. Pol\u00edticas P\u00fablicas para a Igualdade: Balan\u00e7o de 2003 a 2010 e Desafios do Presente. Bras\u00edlia,<br \/>\n2011.<\/p>\n<p>[2] A exemplo de &#8216;revoltados on line&#8217; e &#8216;movimento brasil livre&#8217;, como anunciado no Di\u00e1rio do Centro do Mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carmen Silva (*) Imagino que todas as militantes feministas iniciaram a semana com o peito apertado. 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