{"id":2226,"date":"2015-03-05T12:43:58","date_gmt":"2015-03-05T15:43:58","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=2226"},"modified":"2015-03-05T13:06:20","modified_gmt":"2015-03-05T16:06:20","slug":"enegrecer-o-8-de-marco-para-autonomia-e-liberdade-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=2226","title":{"rendered":"&#8220;Enegrecer o 8 de mar\u00e7o  para autonomia e liberdade das mulheres&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras neste 8\/3\/2015<\/p>\n<p>Neste 8 de Mar\u00e7o, Dia Internacional da Mulher, n\u00f3s, que fazemos a Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras(AMB), rearmamos nossas lutas por liberdade, autonomia e pelos direitos das mulheres. Para isto \u00e9 preciso erradicar as desigualdades de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero que estruturam a sociedade e superar todas as formas de preconceito e descrimina\u00e7\u00e3o que atingem os grupos sociais desprivilegiados nas estruturas de poderes capitalistas, patriarcais, racistas, etnoc\u00eantricas e heteronormativas.<\/p>\n<p>Recusamos a democracia branca, elitista, racista, sexista e excludente e lutamos pela constru\u00e7\u00e3o de processos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos justos e igualit\u00e1rios, reconhecendo a import\u00e2ncia de todas as lutas que transformam o mundo e a vida das mulheres.<\/p>\n<p>Neste 8 de Mar\u00e7o, saudamos e nos somamos aos dois maiores processos de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento de mulheres neste ano: a Marcha das Margaridas e a Marcha das Mulheres Negras. As mulheres urbanas, do campo, das \u00e1guas e da oresta nos convocam \u00e0 luta por democracia e apontam grav\u00edssimos problemas deste modelo de desenvolvimento que amea\u00e7a a soberania alimentar, limita a autonomia econ\u00f4mica das mulheres, amea\u00e7a a sociobiodiversidade e avan\u00e7a de forma predat\u00f3ria e destrutiva sobre os bens comuns como a terra, as \u00e1guas, as matas, o ar.<\/p>\n<p>Gritamos a nossa luta contra o racismo e a viol\u00eancia vivenciada pela popula\u00e7\u00e3o negra, em especial, pelas mulheres negras, traduzida em situa\u00e7\u00f5es de desigualdades socioecon\u00f4micas, para as quais se acumulam as opress\u00f5es e explora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O racismo \u00e9 um sistema que estrutura as rela\u00e7\u00f5es e a vida social. Seu enfrentamento diz respeito n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s pessoas negras, mas a toda a sociedade brasileira. Para a AMB, o antirracismo \u00e9 uma luta de todas as ativistas, sejam negras, brancas e ind\u00edgenas. Contudo, temos ci\u00eancia de que as mulheres negras e ind\u00edgenas s\u00e3o sujeitos determinantes na constru\u00e7\u00e3o dessas lutas e acreditamos ser urgente enegrecer o<br \/>\n8 de Mar\u00e7o, por sua simbologia e import\u00e2ncia pol\u00edtica na luta feminista por transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As mulheres negras somam 49 milh\u00f5es de brasileiras, s\u00e3o as que recebem os menores sal\u00e1rios, encontram maiores diculdades para ingressar no mercado de trabalho e est\u00e3o na maioria em ocupa\u00e7\u00f5es precarizadas. Aquelas entre 16 e 24 anos t\u00eam tr\u00eas vezes mais probabilidade de serem estupradas e duas vezes mais de serem assassinadas que mulheres brancas; e, quando l\u00e9sbicas, est\u00e3o mais suscet\u00edveis a estupros corretivos. Al\u00e9m disto, o aborto inseguro e ilegal no Brasil \u00e9 uma das principais causas de morte materna, afetando mais diretamente as mulheres negras.<\/p>\n<p>As mulheres negras s\u00e3o as principais v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, e convivem cotidianamente com a viol\u00eancia e o racismo institucional. Na trag\u00e9dia do exterm\u00ednio do povo negro, o sofrimento dessas mulheres n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 aumentado, mas invisibilizado e desconsiderado no debate p\u00fablico. Elas tamb\u00e9m as maiores v\u00edtimas de viol\u00eancia simb\u00f3lica: vistas como sempre dispon\u00edveis para o sexo, supostamente dotadas de \u201cfor\u00e7a\u201d f\u00edsica e com inclina\u00e7\u00e3o &#8220;natural&#8221; para os sofrimentos e os cuidados dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p><strong>MULHERES NEGRAS: EXISTIMOS, RESISTIMOS, EXIGIMOS!!<\/strong><\/p>\n<p>Por conta do hist\u00f3rico de exclus\u00e3o, as mulheres, em especial as negras e ind\u00edgenas, ainda vivenciam situa\u00e7\u00f5es que as mant\u00eam na invisibilidade. Embora as mulheres e a popula\u00e7\u00e3o negra sejam maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira &#8211; 51,4 % e 51%, respectivamente &#8211; no \u00faltimo pleito para o Congresso Nacional (2014)<br \/>\nforam eleitas 10% de mulheres, 3% de mulheres negras e nenhuma ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Este \u201cimagin\u00e1rio social\u201d diculta a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade negra positiva, expressa na ancestralidade e est\u00e9tica do corpo e do cabelo, n\u00e3o centrada nos valores da branquitude. Os estere\u00f3tipos e a discrimina\u00e7\u00e3o da negritude violentam as mulheres negras desde a inf\u00e2ncia, abalando sua autoconan\u00e7a e sendo essa uma das causas dos baixos n\u00edveis de escolaridade dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, armamos que as mulheres negras n\u00e3o s\u00e3o v\u00edtimas, s\u00e3o guerreiras que acumulam um hist\u00f3rico de lutas e resist\u00eancia desde que foram sequestradas do continente africano para serem escravizadas no Brasil. As fugas, a recusa \u00e0s investidas dos \u201csenhores\u201d, o nanciamento da liberdade de outras pessoas escravizadas, a organiza\u00e7\u00e3o nos quilombos, irmandades e religi\u00f5es de matriz africana, at\u00e9 a lideran\u00e7a em grupos, partidos pol\u00edticos e movimentos sociais, s\u00e3o express\u00f5es dessa resist\u00eancia que muito nos inspira em sua ancestralidade africana.<\/p>\n<p>Uma dessas resist\u00eancias \u00e9 a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Viol\u00eancia e pelo Bem Viver, grande mobiliza\u00e7\u00e3o protagonizada pelas mulheres negras, que acontecer\u00e1 em 18 de novembro de 2015, em Bras\u00edlia. A AMB compreende a import\u00e2ncia desta mobiliza\u00e7\u00e3o e tem nela se engajado, apoiando e construindo processos coletivos em v\u00e1rios estados com o m de fortalecer o movimentos de mulheres negras.<\/p>\n<p>Diante disso, convidamos todas as mulheres do pa\u00eds para, embaladas no processo da Marcha das Mulheres Negras, enegrecer este 8 de Mar\u00e7o, incorporando o enfrentamento ao racismo, as pautas e as lutas das mulheres negras como centrais na luta feminista! Ao mesmo tempo, exigimos que o Estado brasileiro repare as in\u00fameras viol\u00eancias e desigualdades a que submete a popula\u00e7\u00e3o negra, implementando pol\u00edticas que previnam e condenem o racismo em todos os \u00e2mbitos da sociedade, mas<br \/>\ntamb\u00e9m contribuam para constituir rela\u00e7\u00f5es sociais que reconhe\u00e7am nas mulheres negras, os sujeitos de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>POR UMA REFORMA POL\u00cdTICA COM PARTICIPA\u00c7\u00c3O POPULAR, PARIDADE J\u00c1!!<\/strong><\/p>\n<p>Acesse: https:\/\/www.facebook.com\/articulacaodemulheres?fref=ts<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras neste 8\/3\/2015 Neste 8 de Mar\u00e7o, Dia Internacional da Mulher, n\u00f3s, que fazemos a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2226","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/cartaamb21.png?fit=660%2C412&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-zU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2226"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2226\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2232,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2226\/revisions\/2232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}