{"id":21329,"date":"2024-12-03T12:48:11","date_gmt":"2024-12-03T15:48:11","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=21329"},"modified":"2025-07-03T14:51:11","modified_gmt":"2025-07-03T17:51:11","slug":"mulheres-positivas-sos-corpo-entrevista-nance-ferreira-coordenadora-do-gtp-prevencao-e-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=21329","title":{"rendered":"Mulheres Positivas: SOS Corpo entrevista Nance Ferreira, coordenadora do GTP+ &#8211; Preven\u00e7\u00e3o e Cidadania."},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>No \u00faltimo domingo, dia 1 de dezembro, Dia Internacional de Luta contra a AIDS, o GTP+ promoveu o Primeiro Circuito Positivo, dando in\u00edcio \u00e0 Semana de Luta Contra a AIDS e comemorando os 24 anos da organiza\u00e7\u00e3o. Para somar nessa semana de luta, o SOS Corpo conversou com Nance Ferreira, coordenadora do GTP+, sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres que vivem com HIV em Pernambuco.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto: Lara Buitron | Revis\u00e3o: Fran Ribeiro<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"640\" data-attachment-id=\"21331\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=21331\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?fit=1080%2C1080&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,1080\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?fit=640%2C640&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?resize=640%2C640&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-21331\" style=\"width:406px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No final da d\u00e9cada de 1970 come\u00e7aram a aparecer os primeiros casos de AIDS na \u00c1frica Central, no Haiti e nos EUA. Na d\u00e9cada seguinte, as notifica\u00e7\u00f5es da infec\u00e7\u00e3o&nbsp; aumentaram e a S\u00edndrome de Imunodefici\u00eancia Adquirida se espalhou rapidamente pelo mundo. Junto com o v\u00edrus, diversos preconceitos e estigmas com as pessoas positivadas tamb\u00e9m se tornaram uma pandemia.<br \/><br \/>A m\u00eddia e a opini\u00e3o p\u00fablica mundial ajudaram a construir e refor\u00e7ar os preconceitos relacionados \u00e0s v\u00edtimas da infec\u00e7\u00e3o, adotando o termo \u201cdoen\u00e7a dos 5 H\u201d: Homossexuais, Hemof\u00edlicos, Haitianos, Heroin\u00f4manos (usu\u00e1rios de hero\u00edna injet\u00e1vel), e Hookers (profissionais do sexo, em ingl\u00eas), sendo o termo utilizado inclusive nos servi\u00e7os de sa\u00fade. A AIDS tamb\u00e9m ficou mundialmente conhecida como&nbsp; \u201cpeste gay\u201d ou \u201cc\u00e2ncer gay\u201d, localizando a infec\u00e7\u00e3o em um grupo espec\u00edfico, refor\u00e7ando a associa\u00e7\u00e3o entre a homossexualidade e a morte e culpabilizando a comunidade gay pela doen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1987, quando ainda n\u00e3o havia tratamento para a doen\u00e7a, mais de 200 mil pessoas, dentre elas ativistas e pessoas soropositivadas, protestaram na 3\u00aa Confer\u00eancia Internacional de Aids, os militantes queriam ser escutados pela comunidade cient\u00edfica. Em consequ\u00eancia ao ato de resist\u00eancia ao silenciamento, no ano seguinte, foi institu\u00eddo o dia 1\u00ba de dezembro como Dia Mundial de Luta contra a Aids, pela Assembleia Geral da ONU e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no Brasil, em 1983, o primeiro caso de infec\u00e7\u00e3o identificado em uma mulher, surpreendendo a comunidade cient\u00edfica e os servi\u00e7os de sa\u00fade e provando que n\u00e3o, a AIDS n\u00e3o era uma doen\u00e7a exclusiva de homens gays. Hoje, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, estima-se que um milh\u00e3o de pessoas vivam com HIV no Brasil e desse total, 350 mil s\u00e3o do sexo feminino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo domingo, dia 1\u00ba de dezembro, a organiza\u00e7\u00e3o GTP+ &#8211; Preven\u00e7\u00e3o e Cidadania, ocupou o Parque 13 de Maio, no centro do Recife, para iniciar a Semana de Luta Contra a AIDS e come\u00e7ar as celebra\u00e7\u00f5es do Jubileu de Prata da Institui\u00e7\u00e3o, que completa 25 anos de exist\u00eancia em 2025. A atividade come\u00e7ou \u00e0s 7h da manh\u00e3 com um circuito de corrida interno. Al\u00e9m de promover bem estar e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o tema, o evento contou tamb\u00e9m com testagem r\u00e1pida de fluido oral e uma equipe para fazer acolhimento e orienta\u00e7\u00e3o.<br \/><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"481\" data-attachment-id=\"21333\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=21333\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?fit=1080%2C812&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,812\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?fit=300%2C226&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?fit=640%2C481&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?resize=640%2C481&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-21333\" style=\"width:582px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?resize=1024%2C770&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?resize=300%2C226&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?resize=768%2C577&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Snapinsta.app_469052011_18250881148279924_2753739121957433702_n_1080-1.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Primeiro Circuito Posithivo<\/em> &#8211; <em>Acervo GTP+ <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para entender melhor a situa\u00e7\u00e3o das mulheres soropositivas em Pernambuco, entrevistamos Nance Ferreira, coordenadora do GTP+. Nance \u00e9 ativista na luta contra o preconceito e estigma de quem vive com HIV e AIDS, militante dos direitos humanos e feminista do F\u00f3rum de Mulheres de Pernambuco. O GTP+ \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que atua na garantia dos direitos humanos de quem est\u00e1 mais vulner\u00e1vel \u00e0 epidemia do HIV e AIDS no estado, principalmente popula\u00e7\u00f5es LGBTI+, profissionais do sexo, pessoas que vivem com HIV e AIDS, pessoas egressas e internas do sistema prisional e popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>SOS Corpo: Como voc\u00ea percebe a situa\u00e7\u00e3o das mulheres vivendo com HIV-AIDS no estado de Pernambuco e suas condi\u00e7\u00f5es de vida?<\/strong><\/em><br \/><strong>Nance Ferreira:<\/strong> As condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres que vivem com HIV aqui em Pernambuco s\u00e3o, no geral, situa\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias. A maioria delas, quando elas n\u00e3o t\u00eam o benef\u00edcio garantido, a autoestima dessa mulher vai l\u00e1 para baixo. Ela j\u00e1 n\u00e3o tem mais uma autoestima, ela tem pensamento de que ningu\u00e9m vai querer ficar com ela e a\u00ed quando ela consegue um companheiro, ela se submete a v\u00e1rios tipos de preconceito, de viola\u00e7\u00e3o de direitos. Fora isso, a condi\u00e7\u00e3o de vida social tamb\u00e9m \u00e9 muito muito gritante. Porque com a descontinuidade do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC), muitas delas tamb\u00e9m terminam n\u00e3o conseguindo acessar o Bolsa Fam\u00edlia. E tem a quest\u00e3o do trabalho. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil para uma pessoa que vive com HIV conseguir um trabalho. Algumas pessoas at\u00e9 conseguem o trabalho, mas permanecer nele \u00e9 complicado. Isso tudo faz com que essa condi\u00e7\u00e3o de vida seja bem complicada, principalmente para as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>S: Como est\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade das mulheres vivendo com HIV\/AIDS e a situa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade?&nbsp;<\/strong><\/em><br \/><strong>Nance: <\/strong>S\u00e3o mulheres, principalmente as que vivem com HIV h\u00e1 muito tempo, que t\u00eam HIV h\u00e1 mais de 5 ou de 10 anos, na maioria das vezes, a sa\u00fade mental \u00e9 o que tem pesado muito para essas mulheres. E a falta de profissionais de sa\u00fade nessa \u00e1rea \u00e9 muito grande. A gente sabe que tem um d\u00e9ficit enorme na sa\u00fade do Brasil. Falta profissional de sa\u00fade, falta medica\u00e7\u00e3o\u2026 e s\u00e3o medica\u00e7\u00f5es que nem s\u00e3o t\u00e3o caras, como alguns rem\u00e9dios para dormir, por exemplo, que s\u00e3o rem\u00e9dios super baratos, mas que faltam muito na rede de sa\u00fade, seja por conta da quantidade de pessoas que utilizam, seja por falta de investimentos. Eu vejo que a maioria das mulheres que vivem com HIV tem utilizado os servi\u00e7os de psicologia e psiquiatria e que a maioria delas tamb\u00e9m tomam rem\u00e9dios para depress\u00e3o e tamb\u00e9m rem\u00e9dios para dormir.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>S: Como anda a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres vivendo com HIV em Pernambuco e o enfrentamento a viol\u00eancia dom\u00e9stica por parte do Poder P\u00fablico?&nbsp;<\/strong><\/em><br \/><strong>Nance: <\/strong>Praticamente n\u00e3o existem direitos sexuais e reprodutivos para as mulheres que vivem com HIV e AIDS, porque desde o primeiro momento que essa mulher recebe o resultado positivo para HIV, ela perde esse direito sexual e ela perde esse direito reprodutivo, porque se coloca uma condi\u00e7\u00e3o de que ela n\u00e3o pode mais transar e de que ela n\u00e3o pode mais ter filhos. Mesmo a gente sabendo que pode sim! Que essa mulher pode sim transar, que essa mulher pode sim ter filho e que essa mulher pode sim ter parto parto normal, se ela quiser. E esse direito muitas vezes n\u00e3o \u00e9 garantido, \u00e0s vezes at\u00e9 a pr\u00f3pria mulher se sente t\u00e3o menosprezada e com tanto preconceito em cima dela, que muitas vezes ela mesmo desiste de querer ter um parceiro, de transar com uma pessoa que ela queira, porque ela fica com medo. A maioria das mulheres t\u00eam medo de procurar um parceiro sexual. Eu digo isso porque eu passei por isso tamb\u00e9m, de ter medo de ter um parceiro sexual, de passar por viol\u00eancia por dizer que era uma pessoa que vivia com HIV, de ter o direito de engravidar n\u00e3o garantido no servi\u00e7o de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente sabe como \u00e9 dif\u00edcil para uma mulher assumir que est\u00e1 vivendo viol\u00eancia dom\u00e9stica, essa viol\u00eancia que se tem a todo momento e em todos os lugares. E&nbsp; quando \u00e9 uma mulher que vive com HIV, essa viol\u00eancia \u00e9 muito maior. Isso acontece tanto quando ela tem um parceiro que \u00e9 sorodiscordante (que \u00e9 uma pessoa que n\u00e3o vive com HIV), como tamb\u00e9m quando \u00e9 uma pessoa que tamb\u00e9m vive com HIV. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a viol\u00eancia f\u00edsica, tem todas as outras viol\u00eancias que a gente termina passando por conta de querer estar numa rela\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 muito delicado, sabe? Acho que essa \u00e9 a palavra, chega a ser muito delicado, para as mulheres que vivem com HIV, sair dessa viol\u00eancia, principalmente a viol\u00eancia psicol\u00f3gica que a gente termina passando, viol\u00eancia sexual tamb\u00e9m. S\u00e3o v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia, mas eu acredito que principalmente essas duas s\u00e3o viol\u00eancias mais frequentes, no caso das mulheres que vivem com HIV e tem um relacionamento fixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea vai para as mulheres que vivem com HIV, mas n\u00e3o tem relacionamento fixo, j\u00e1 \u00e9 uma viol\u00eancia ou verbal ou uma viol\u00eancia realmente f\u00edsica, porque quando o parceiro descobre que aquela mulher tem HIV, mesmo que ela seja indetect\u00e1vel (indetect\u00e1vel quer dizer que ela n\u00e3o transmite) o cara n\u00e3o quer saber, ele vai l\u00e1 e mete o cacete na mulher, porque na cabe\u00e7a dele, ela passou HIV para ele, sendo que muitas vezes voc\u00ea nem sabe o que ele pr\u00f3prio j\u00e1 viveu por a\u00ed. Mas ele termina culpando aquela mulher por ter passado alguma coisa para ele, mesmo sem ter passado, e a\u00ed termina vindo essas viol\u00eancias verbais ou at\u00e9 mesmo a viol\u00eancia f\u00edsica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>S: Como anda a luta das mulheres vivendo com HIV no estado?<\/strong><\/em><br \/><strong>Nance:<\/strong> Aqui no estado de Pernambuco a gente tem uma luta bem consolidada. Tem v\u00e1rios movimentos, mesmo que n\u00e3o sejam s\u00f3 de mulheres que vivem com HIV,&nbsp; que agregam essas mulheres, que acolhem essas mulheres. A gente tem um movimento muito consolidado, as Cidad\u00e3s Positivas, tem o programa Hora Feminista do GTP+, o F\u00f3rum de Mulheres de Pernambuco\u2026 Enfim, s\u00e3o v\u00e1rias redes e f\u00f3runs que trazem essa tem\u00e1tica e fortaleceem essas mulheres. Mas, ao mesmo tempo que essas mulheres est\u00e3o ali querendo dar a carga, dar o g\u00e1s, o Estado n\u00e3o garante que esses movimentos cres\u00e7am. Ent\u00e3o, quando tem um Congresso para participar, que seja em outro estado, ou at\u00e9 mesmo dentro do munic\u00edpio, muitas mulheres n\u00e3o conseguem participar, porque elas n\u00e3o tem recurso financeiro para ir at\u00e9 os lugares, as Audi\u00eancias P\u00fablicas que se t\u00eam, os atos p\u00fablicos\u2026 Em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, mesmo tendo esse movimento forte, porque as mulheres s\u00e3o mulheres muito fortes, o Estado n\u00e3o garante a participa\u00e7\u00e3o de uma forma mais tranquila, muitas n\u00e3o conseguem participar.<\/p>\n\n\n\n<p>No GTP+, no programa Hora Feminista, a gente tem um grupo que tem crescido bastante. Hoje estamos com um grupo com 36 mulheres, se eu n\u00e3o me engano. S\u00f3 que quando tem uma atividade que tenha que se locomover de alguma forma, se a Institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tiver recurso para garantir essa locomo\u00e7\u00e3o, as mulheres n\u00e3o conseguem ir, porque como eu disse l\u00e1 no come\u00e7o, a gente n\u00e3o tem a garantia de um benef\u00edcio, a gente n\u00e3o tem a garantia de um Bolsa Fam\u00edlia, a gente n\u00e3o tem a garantia de continuar no trabalho sendo CLT. Tudo isso atrapalha o nosso movimento de mulheres que vivem com HIV.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>S: Como a luta feminista contribui ou pode contribuir na luta das mulheres vivendo com HIV?<\/strong><\/em><br \/><strong>Nance: <\/strong>A luta feminista contribui muito com a luta das mulheres que vivem com HIV. Como eu falei aqui, o F\u00f3rum de Mulheres de Pernambuco, principalmente, \u00e9 um ambiente que sempre tenta trazer essas quest\u00f5es, o SOS Corpo tamb\u00e9m\u2026 O SOS j\u00e1 teve muitos projetos direcionados para essa popula\u00e7\u00e3o e hoje em dia, sempre que tem qualquer discuss\u00e3o, eu percebo que o SOS sempre tenta colocar as mulheres que vivem com HIV para ver as quest\u00f5es a partir desse recorte tamb\u00e9m, seja l\u00e1 qual for o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, o Movimento de Mulheres \u00e9 muito importante na vida das mulheres que vivem com HIV, porque&nbsp; mesmo que essas mulheres n\u00e3o participem diretamente dos movimentos, elas s\u00e3o fortalecidas de alguma forma, diretamente ou indiretamente, porque sempre vai ter aquela que vai e quando chega l\u00e1 no hospital, l\u00e1 no seu lugar de tratamento, ela vai contar para as outras mulheres que est\u00e3o l\u00e1 e elas v\u00e3o se sentir fortalecidas igual. Na maioria das vezes, eu escuto as falas da seguinte forma: \u201cpoxa, eu queria tanto poder participar. Eu queria tanto poder ir para essas coisas.\u201d Mas como a gente ainda tem um estigma muito forte e um preconceito muito forte em cima das pessoas que vivem com HIV, muitas pessoas, principalmente as mulheres, n\u00e3o t\u00eam a sorologia aberta. A fam\u00edlia n\u00e3o sabe, os amigos n\u00e3o sabem. Ent\u00e3o, essas mulheres terminam n\u00e3o participando dos movimentos sociais e elas s\u00f3 escutam as hist\u00f3rias ali no ambulat\u00f3rio, quando v\u00e3o para o m\u00e9dico. Porque tem toda essa quest\u00e3o, porque a fam\u00edlia n\u00e3o sabe, o marido \u00e0s vezes n\u00e3o sabe, tem aquela coisa de se esconder mesmo. E a\u00ed essa mulher termina se isolando e quando tem aquela que vai, quando ela chega no ambulat\u00f3rio ela conversa outras sabe e isso \u00e9 muito interessante, porque isso acontece de verdade, s\u00f3 das outras mulheres escutarem elas j\u00e1 se sentem fortalecidas. Ent\u00e3o, o Movimento de Mulheres \u00e9 um \u00e9 um pilar de fortalecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para saber mais sobre o trabalho do GPT+ &#8211; Preven\u00e7\u00e3o e Cidadania acesse: <\/em><a href=\"https:\/\/www.gtpposithivo.org\/\"><em>https:\/\/www.gtpposithivo.org\/<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>UNAIDS Brasil &#8211; Dia Mundial De Luta Contra A Aids: O que \u00e9?<br \/><a href=\"https:\/\/unaids.org.br\/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids\/\">https:\/\/unaids.org.br\/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids\/<br \/><br \/><\/a>FIOCRUZ &#8211; O V\u00edrus da AIDS 20 anos depois &#8211; A Epidemia de AIDS atrav\u00e9s do tempo<br \/><a href=\"https:\/\/www.ioc.fiocruz.br\/aids20anos\/linhadotempo.html\">https:\/\/www.ioc.fiocruz.br\/aids20anos\/linhadotempo.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211; Brasil registra queda de \u00f3bitos por aids, mas doen\u00e7a ainda mata mais pessoas negras do que brancas<br \/><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2023\/novembro\/brasil-registra-queda-de-obitos-por-aids-mas-doenca-ainda-mata-mais-pessoas-negras-do-que-brancas#:~:text=Estima%2Dse%20que%2C%20atualmente%2C,350%20mil%20do%20sexo%20feminino\">https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2023\/novembro\/brasil-registra-queda-de-obitos-por-aids-mas-doenca-ainda-mata-mais-pessoas-negras-do-que-brancas#:~:text=Estima%2Dse%20que%2C%20atualmente%2C,350%20mil%20do%20sexo%20feminino.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Biblioteca Virtual em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211; \u201cAcabar com as desigualdades. Acabar com a Aids. Acabar com as pandemias\u201d: 01\/12 \u2013 Dia Mundial de Luta Contra a Aids<br \/><a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/acabar-com-as-desigualdades-acabar-com-a-aids-acabar-com-as-pandemias-01-12-dia-mundial-de-luta-contra-a-aids\/\">https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/acabar-com-as-desigualdades-acabar-com-a-aids-acabar-com-as-pandemias-01-12-dia-mundial-de-luta-contra-a-aids\/<\/a><br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo domingo, dia 1 de dezembro, Dia Internacional de Luta contra a AIDS, o GTP+ promoveu o Primeiro Circuito Positivo, dando in\u00edcio \u00e0 Semana de Luta Contra a AIDS e comemorando os 24 anos da organiza\u00e7\u00e3o. Para somar nessa semana de luta, o SOS Corpo conversou com Nance Ferreira, coordenadora do GTP+, sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres que vivem com HIV em Pernambuco.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":21331,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,14,8],"tags":[158,50,781,783],"class_list":["post-21329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","category-destaques","category-entrevista","tag-direitos-humanos","tag-feminismo","tag-hiv-aids","tag-luta-contra-a-aids"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/1-16.png?fit=1080%2C1080&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-5y1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21329"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22669,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21329\/revisions\/22669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}