{"id":21262,"date":"2024-11-19T09:23:00","date_gmt":"2024-11-19T12:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=21262"},"modified":"2025-07-03T14:51:30","modified_gmt":"2025-07-03T17:51:30","slug":"nao-e-mais-possivel-tratar-de-qualquer-dimensao-da-vida-social-sem-considerar-a-perspectiva-das-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=21262","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel tratar de qualquer dimens\u00e3o da vida social sem considerar a perspectiva das mulheres negras\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>A 1\u00aa Marcha das Mulheres Negras, realizada em 2015, impulsionou transforma\u00e7\u00f5es fundamentais para a luta contra o Racismo no Brasil. 10 anos depois, convocada sua 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o para 2025, conversamos com Rivane Arantes, representante do SOS Corpo no Comit\u00ea Impulsor da Marcha em Pernambuco, sobre as consequ\u00eancias desse fato pol\u00edtico que mexeu com a vida coletiva no pa\u00eds e sobre Repara\u00e7\u00e3o e Bem Viver que constituem o tema da Marcha de 2025.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto: Fran Ribeiro | Fotos: Arquivo do SOS Corpo<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"383\" data-attachment-id=\"21263\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=21263\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?fit=800%2C479&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"800,479\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Marcelo Casal JR\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?fit=300%2C180&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?fit=640%2C383&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?resize=640%2C383&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-21263\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?resize=300%2C180&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Marcelo-Casal-JR.webp?resize=768%2C460&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>1\u00aa Marcha das Mulheres Negras reuniu cerca de 100 mil mulheres de todo o pa\u00eds. Foto: Marcello Casal Jr\/Ag\u00eancia Brasil.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No dia 18 de novembro de 2015, cerca de 100 mil mulheres negras das cinco regi\u00f5es do Brasil se reuniram em Bras\u00edlia para a 1\u00aa Marcha das Mulheres Negras. Aquele dia foi a culmin\u00e2ncia de um processo intenso, compartilhado, constru\u00eddo junto com as mais diversas experi\u00eancias de negritude, ancestralidade e a\u00e7\u00f5es pol\u00edtica,&nbsp; expressas na multiplicidade do sujeito pol\u00edtico mulheres negras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 praticamente un\u00e2nime a resposta: o antes, o durante e o p\u00f3s-Marcha, todo o processo em si, desencadeou no fortalecimento profundo da autoorganiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras em todo o Brasil, imprimindo novas perspectivas na forma de ler as quest\u00f5es do pa\u00eds, ampliando modos e cosmovis\u00f5es, tendo no centro dessa leitura, as mulheres negras. Agora, mais uma vez, o movimento convoca uma nova Marcha, que j\u00e1 est\u00e1 sendo constru\u00edda para sua consolida\u00e7\u00e3o em novembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 20 de novembro de 2024, Dia Nacional de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra, o primeiro que marca a data como feriado em todo o territ\u00f3rio brasileiro, trazemos aqui uma conversa com Rivane Arantes, educadora e pesquisadora do SOS Corpo, sobre a import\u00e2ncia da Marcha das Mulheres Negras para a luta contra o Racismo no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fran Ribeiro &#8211; Na Marcha de 2015, o tema foi contra o racismo, a viol\u00eancia e pelo bem-viver, e desencadeou um processo profundo de organiza\u00e7\u00e3o e fortalecimento do movimento de mulheres negras em todo o pa\u00eds e fora dele.&nbsp; O que mais voc\u00ea destaca nesse processo?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Rivane Arantes &#8211;<\/strong> V\u00e1rias quest\u00f5es podem ser destacadas, sobretudo no processo anterior \u00e0 Marcha em si em Bras\u00edlia. Ele representou uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o do conjunto das mulheres negras no Brasil todo, das regi\u00f5es urbanas aos interiores, do cais ao sert\u00e3o. Mulheres negras do norte, nordeste, centro oeste, sudeste e sul. Mulheres negras do campo, \u00e1guas, florestas e cidades, usando diferentes estrat\u00e9gias de mobiliza\u00e7\u00e3o. Realizamos diversas rodas de conversa, semin\u00e1rios, encontros e reuni\u00f5es para discutir o problema do racismo, sobretudo o racismo patriarcal que atinge em cheio as mulheres negras, a partir do mote da viol\u00eancia e do bem viver. A mobiliza\u00e7\u00e3o chegou em mulheres organizadas em diferentes movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais mas, mobilizou tamb\u00e9m as que ocupavam inst\u00e2ncias de Estado e as que integravam institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como partidos. Al\u00e9m disso, meio que \u201cfor\u00e7ou\u201d novamente, um debate no conjunto da sociedade sobre o problema do racismo no Brasil a partir da perspectiva das mulheres negras, ou seja, como o racismo impacta, como foi constru\u00eddo e segue sustentado sobre os corpos e o trabalho dessas mulheres. Al\u00e9m disso, o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o se deu de forma multidimensional, foi um processo plural, no sentido de que diferentes express\u00f5es da negritude das mulheres negras estiveram marcadas nele, articulando diferentes formas de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Pernambuco, por exemplo, foram realizadas v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es com a contribui\u00e7\u00e3o de diferentes organiza\u00e7\u00f5es antirracistas, dentre elas o SOS Corpo, que na ocasi\u00e3o foi uma das apoiadoras do Comit\u00ea Impulsor da Marcha no estado. Foram a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da Marcha, com lan\u00e7amento presencial, ensaio fotogr\u00e1fico, marchas preparat\u00f3rias em Recife e em outras cidades de Pernambuco, muita produ\u00e7\u00e3o de material de divulga\u00e7\u00e3o com zines, boletins impressos, v\u00eddeos etc. Houveram ainda debates com professores\/as em espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o e com estudantes em escolas p\u00fablicas, com cine debates, a\u00e7\u00f5es em pra\u00e7as, nas periferias etc. Foram mobilizadas ainda diferentes express\u00f5es da arte negra, da literatura, \u00e0 poesia, m\u00fasica, teatro\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um processo intenso e sistem\u00e1tico de encontros de forma\u00e7\u00e3o e de articula\u00e7\u00e3o tendo como refer\u00eancia o tema da marcha de mulheres negras. A Marcha em si em Bras\u00edlia, foi muito importante, mas o processo de realiza\u00e7\u00e3o dela foi muito mais rico, porque viabilizou todas essas experi\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, encontros e de constru\u00e7\u00e3o coletiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que d\u00e1 pra destacar tamb\u00e9m que o processo todo foi um chamado para a conviv\u00eancia coletiva, para o fortalecimento do estar junto, do aprender coletivamente e do agir juntas. Fundamentalmente agir juntas. Tem algo a\u00ed do exerc\u00edcio da solidariedade, tem o esfor\u00e7o de aprender essas perspectivas que, no fim das contas, meio que esquecemos com toda a viol\u00eancia que o conjunto de n\u00f3s mulheres negras enfrentamos no passado escravocrata e seguimos enfrentando hoje. O exerc\u00edcio de coopera\u00e7\u00e3o, o companheirismo e o de nos confrontarmos muitas vezes, porque tamb\u00e9m havia conflito, mas um esfor\u00e7o de somar mais do que de separar. Um esfor\u00e7o da gente fazer ser maior aquilo que nos unia do que aquilo que nos separava, um esfor\u00e7o que nem todo mundo t\u00e1 afim de fazer hoje em dia\u2026 tudo isso foram realiza\u00e7\u00f5es e desafios para n\u00f3s, naquele momento, como todo processo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" data-attachment-id=\"21264\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=21264\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?fit=1600%2C900&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1600,900\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"WhatsApp Image 2024-11-18 at 12.20.00 (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?fit=300%2C169&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?fit=640%2C360&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-21264\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.20.00-1.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Rivane Arantes, em atividade preparat\u00f3ria para a 1\u00aa Marcha das Mulheres Negras, realizada no centro do Recife, h\u00e1 10 anos. Foto: Arquivo SOS Corpo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>FR &#8211; Algumas companheiras do movimento de mulheres negras gostam de dizer que a Marcha foi um pretexto bem-sucedido, porque a auto organiza\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 o que pode contribuir para a transforma\u00e7\u00e3o social, na busca ut\u00f3pica de um mundo sem machismo e sem racismo. Quais foram os ganhos pol\u00edticos no p\u00f3s-Marcha?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>RA &#8211;<\/strong> A Marcha ajudou a constituir movimentos e espa\u00e7os de auto-organiza\u00e7\u00e3o de mulheres negras em lugares onde antes n\u00e3o havia e, lugares onde existiam, a Marcha colaborou para rearticul\u00e1-los e\/ou fortalec\u00ea-los. A Rede de Mulheres Negras de Pernambuco \u00e9 um grande resultado constitu\u00eddo pela Marcha. Eu estou falando a partir de Pernambuco, mas eu poderia falar do resto do pa\u00eds, j\u00e1 que a mobiliza\u00e7\u00e3o despertou processos de auto-organiza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds inteiro, processos de fortalecimento daquelas inst\u00e2ncias de organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras. A resist\u00eancia das mulheres negras \u00e9 muito antiga e o alicerce que a Marcha representou nessa hist\u00f3ria de luta, possibilitou que, dez anos depois, um novo processo da Marcha das Mulheres Negras fosse instaurado, mais forte, mais amplo, com outros desafios auto-organizativos, com velhas e novas quest\u00f5es que atravessam nossas vidas, t\u00e3o fundamental para a sociedade como para o Estado, uma vez que o bem-viver se apresenta como outra forma, muito melhor e mais humana, de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que muitas de n\u00f3s que estivemos presentes, construindo o processo da Marcha, v\u00ea tudo isso como um pretexto bem-sucedido porque a for\u00e7a do movimento conseguiu pautar o problema do racismo, da viol\u00eancia contra as mulheres negras para o pa\u00eds novamente e, apontou o bem viver como uma alternativa \u00e0 sociedade, outro paradigma civilizat\u00f3rio. Ademais, todo o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e encontro partiu de uma perspectiva afrocentrada, portanto, fortaleceu e ao mesmo tempo, tomou como refer\u00eancia os elementos da identidade, ancestralidade e resist\u00eancia t\u00e3o caro ao povo negro, como estrat\u00e9gias, mecanismos e inspira\u00e7\u00e3o para o processo de auto-organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o importante de se destacar nesse momento em que somos acusadas de identitarismo. A identidade, a valoriza\u00e7\u00e3o da identidade negra, da ancestralidade negra e, obviamente, a resist\u00eancia hist\u00f3rica da popula\u00e7\u00e3o negra e das mulheres negras, \u00e9 algo fundamental de ser dito, lembrado, de ser fortalecido. E isso foi uma das boas coisas que n\u00f3s fizemos nesse processo de Marcha das Mulheres Negras. \u00c9 como se fossem os guias atrav\u00e9s dos quais a gente se inspirou e que tomamos como refer\u00eancia para essa travessia, para essa nossa caminhada juntas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um pretexto para dizer que n\u00f3s mulheres negras temos tamb\u00e9m um projeto de sociedade, n\u00f3s temos um projeto de pa\u00eds. Ele j\u00e1 t\u00e1 a\u00ed dito de diferentes formas, nas v\u00e1rias express\u00f5es, nos v\u00e1rios momentos em que estivemos em Marcha nesse pa\u00eds, por n\u00f3s mesmas e junto com outros diferentes sujeitos. N\u00f3s temos um projeto e agora n\u00f3s queremos falar sobre ele novamente. A Segunda Marcha \u00e9 um outro momento para lembrar e vocalizar nossas reivindica\u00e7\u00f5es, nossas proposi\u00e7\u00f5es, nossas den\u00fancias contra o mito da democracia racial e a viol\u00eancia racista patriarcal e capitalista que segue recaindo sobre nossos corpos e vidas nas v\u00e1rias dimens\u00f5es de nosso viver, independente do que quer que fa\u00e7amos ou sejamos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-jetpack-slideshow aligncenter\" data-effect=\"slide\"><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_container swiper-container\"><ul class=\"wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper\"><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-21271\" data-id=\"21271\" 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Quais outras quest\u00f5es fundamentais foram visibilizadas?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>RA &#8211;<\/strong> No processo de mobiliza\u00e7\u00e3o de mulheres negras, uma das quest\u00f5es que se colocou e se coloca como importante e como central \u00e9 o enfrentamento do problema da sub-representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres negras na pol\u00edtica institucional. O problema do genoc\u00eddio da Juventude Negra, que tem uma consequ\u00eancia direta para as mulheres negras; o problema das prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida do maior grupo populacional deste pa\u00eds, que somos n\u00f3s, as mulheres negras. Essas s\u00e3o quest\u00f5es fundamentais que ficaram n\u00edtidas com os debates sobre o Bem Viver, ao olhar as situa\u00e7\u00f5es de&nbsp; viol\u00eancia, por exemplo. N\u00f3s podemos dizer que aprofundando a reflex\u00e3o sobre a vida das mulheres negras nos momentos sistem\u00e1ticos de encontro, articula\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de saber e leitura coletiva sobre a nossa pr\u00f3pria realidade, n\u00f3s pudemos ter mais nitidez sobre a real situa\u00e7\u00e3o do conjunto de n\u00f3s mulheres negras nos diferentes territ\u00f3rios onde nossa a\u00e7\u00e3o chegou.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da Marcha ficou muito mais dif\u00edcil para o conjunto dos movimentos sociais ou para qualquer sujeito falar em pol\u00edtica p\u00fablica sem mobilizar as mulheres negras no Brasil. O sujeito pol\u00edtico &#8211; mulheres negras &#8211; foi fortalecido no conjunto da sociedade, mas tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o com o Estado. O processo da Marcha ampliou a presen\u00e7a e a voz desse sujeito nos espa\u00e7os de disputa da pol\u00edtica, nos espa\u00e7os de disputa do poder, nos espa\u00e7os de constitui\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o dos direitos e, nos debates mais amplos, que dizem respeito \u00e0 quest\u00e3o das mulheres, no conjunto da sociedade, porque tamb\u00e9m isso se observou na rela\u00e7\u00e3o com os diferentes movimentos sociais. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel fazer algo ou tratar de alguma quest\u00e3o da vida em comum, sem fazer um debate a partir de uma perspectiva do racismo e das mulheres negras.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>FR &#8211; Na Marcha de Mulheres Negras convocada para 2025, o tema ser\u00e1 \u201cPor Repara\u00e7\u00e3o e Bem Viver\u201d. Qual a import\u00e2ncia de marcar essas lutas no tema e consequentemente, nas ruas?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>RA <\/strong>&#8211; Eu acho que Repara\u00e7\u00e3o e Bem Viver s\u00e3o dois temas e duas quest\u00f5es que est\u00e3o articulados, porque n\u00f3s, povo negro brasileiro, n\u00f3s carregamos o peso de mais de 380 anos de escraviza\u00e7\u00e3o. Muito tempo de muita desumaniza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00f3s temos muito pouco tempo de liberdade, s\u00e3o 136 anos apenas desde a assinatura da Lei \u00c1urea, que \u00e9 a falsa aboli\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, de liberdade real, quase nenhum tempo, porque aquelas express\u00f5es que caracterizavam a escraviza\u00e7\u00e3o, o colonialismo, elas permanecem de uma forma atualizada ainda hoje como colonialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As trabalhadoras dom\u00e9sticas, que \u00e9 o grande espelho para n\u00f3s mulheres negras no campo do trabalho, por exemplo, continuam sendo alvo de processos de desumaniza\u00e7\u00e3o no trabalho, na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, na moradia etc. E, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, as circunst\u00e2ncias de suas vidas s\u00e3o express\u00f5es do que \u00e9 real para o conjunto das mulheres negras que est\u00e3o em outras ocupa\u00e7\u00f5es. &nbsp; As mulheres negras s\u00e3o desumanizadas no seu direito a acessar direitos b\u00e1sicos e fundamentais. As mulheres negras vivem at\u00e9 hoje, no p\u00f3s-Aboli\u00e7\u00e3o, uma condi\u00e7\u00e3o que se aproxima em muito, do ponto de vista material e simb\u00f3lico, do que nossas antepassadas viveram no processo de escraviza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o somente o governo brasileiro tem uma d\u00edvida hist\u00f3rica com esta popula\u00e7\u00e3o, mas todos os estados-na\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, os pa\u00edses que foram respons\u00e1veis pelo processo de coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, todos os que saquearam e enriqueceram com este pa\u00eds, explorando a natureza e a m\u00e3o de obra ind\u00edgena e africana, t\u00eam uma d\u00edvida hist\u00f3rica com a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e negra e, em particular, com as mulheres. D\u00edvida que n\u00e3o foi resolvida at\u00e9 hoje. E as poucas pol\u00edticas p\u00fablicas, no caso do governo brasileiro, que se realizam, s\u00e3o bastante insuficientes, elas n\u00e3o tocam nem de perto aquilo que \u00e9 realmente necess\u00e1rio para o m\u00ednimo b\u00e1sico para sobrevivermos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-jetpack-slideshow aligncenter is-style-rectangular\" data-effect=\"slide\"><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_container swiper-container\"><ul class=\"wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper\"><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-21269\" data-id=\"21269\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2024-11-18-at-12.19.58-1.jpeg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\"\/><\/figure><\/li><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img 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E o Bem Viver, eu n\u00e3o vou aqui tecer grandes quest\u00f5es, mas no fim das contas, o Bem Viver \u00e9 um outro modo de viver a vida, a partir de outras perspectivas que n\u00e3o s\u00e3o as do capitalismo racista patriarcal. O Bem Viver prop\u00f5e outro modelo de vida, outra forma de organizar a sociedade, frente ao modelo explorador, devastador e desumanizador do capitalismo. \u00c9 uma proposta que os povos origin\u00e1rios ind\u00edgenas e povos origin\u00e1rios negros, t\u00eam para confrontar o sistema capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m vivermos o Bem Viver, sem um justo processo de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. H\u00e1 uma articula\u00e7\u00e3o entre essas duas coisas, precisamos fazer uma reflex\u00e3o muito longa e profunda sobre a Repara\u00e7\u00e3o para entendermos isso, mas por hora quero destacar apenas que n\u00e3o se trata somente de repara\u00e7\u00e3o financeira, ainda que a repara\u00e7\u00e3o financeira seja importante. N\u00e3o se trata apenas da inclus\u00e3o na economia, ainda que a inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m seja fundamental. Estou falando de inclus\u00e3o, sobretudo, na perspectiva de podermos usufruir das riquezas produzidas historicamente por todas as pessoas, sobretudo n\u00f3s negros\/as que integramos a classe que vive apenas de seu trabalho, usufruto esse que a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e1 profundamente e historicamente exclu\u00edda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, a Repara\u00e7\u00e3o precisa abarcar a perspectiva da pol\u00edtica, da economia e, tamb\u00e9m, da cultura, lembro que toda nossa produ\u00e7\u00e3o material e simb\u00f3lica s\u00e3o amplamente absorvidas, apropriadas, mercantilizadas at\u00e9, pelo capitalismo, s\u00f3 que tanto n\u00f3s, os sujeitos dessa produ\u00e7\u00e3o somos descartados e somos exclu\u00eddos do usufruto do que produzimos e, tamb\u00e9m, do que o conjunto da humanidade produz como saber e riquezas materiais. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da qual a popula\u00e7\u00e3o negra e, as mulheres negras, foram e ainda est\u00e3o sendo alijadas. Tem algo a\u00ed que precisa ser resolvido, e n\u00e3o \u00e9 simples de ser resolvido porque mexe com a estrutura, uma vez que mexe com recursos financeiros e tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00f5es de poder. Este algo tem uma rela\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica, economia e a cultura que \u00e9 muito mais amplo do que conseguimos ver. [fim]<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O SOS Corpo &#8211; Instituto Feminista para a Democracia<\/em><\/strong> \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es feministas que comp\u00f5em o Comit\u00ea Impulsor pernambucano da Marcha das Mulheres Negras 2025. Para saber mais informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades preparat\u00f3rias para a Marcha 2025 em Pernambuco, siga o perfil da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/redemulheresnegraspe\/\"><strong>@redemulheresnegraspe<\/strong><\/a>. Para saber sobre as mobiliza\u00e7\u00f5es a n\u00edvel nacional, siga <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marchadasmulheresnegras2025\/\"><strong>@marchadasmulheresnegras2025<\/strong><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"339\" data-attachment-id=\"21279\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=21279\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/6a1031_e78553ba0d4746b0ab299e9324a84b62.webp?fit=600%2C339&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"600,339\" data-comments-opened=\"1\" 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