{"id":14605,"date":"2021-07-06T15:17:00","date_gmt":"2021-07-06T18:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=14605"},"modified":"2021-07-06T11:34:18","modified_gmt":"2021-07-06T14:34:18","slug":"resistencia-feminista-fio-tecido-a-muitas-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=14605","title":{"rendered":"Resist\u00eancia feminista, fio tecido a muitas m\u00e3os"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Resist\u00eancia feminista, fio tecido a muitas m\u00e3os<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>Frente a crise, que pesa mais sobre os ombros femininos, grupos como o Tecel\u00e3s apostam em a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias contra a fome e a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Tamb\u00e9m semeiam o autocuidado entre ativistas, para enfrentar o medo e as desesperan\u00e7as<\/em><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"449\" width=\"640\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Imagem-5-1024x719.jpg?resize=640%2C449&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3049822\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por <strong>CFEMEA<\/strong>, na coluna <em><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/resistencia-feminista-fio-tecido-a-muitas-maos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baderna Feminista<\/a>, <\/em>do site <em>Outras Palavras<\/em> | Ilustra\u00e7\u00e3o: <strong>L\u00eddia Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ana acordou ao som de tiros, mais uma vez. D\u00e1 um aperto no peito cada vez que imagina o resultado de uma a\u00e7\u00e3o policial na sua comunidade. N\u00e3o ser\u00e1 a primeira nem a \u00faltima vez, mas ela sempre se assusta. Como se pudesse, algum dia, habituar-se com a viol\u00eancia do Estado que invade cotidianamente a sua casa, agride a sua fam\u00edlia e que negou o direito \u00e0 vida de seu filho. Como se n\u00e3o bastasse a pandemia, a morte de mais de 500 mil pessoas em decorr\u00eancia da covid-19 e o risco que ela mesma corre obrigada a pegar um \u00f4nibus lotado para ir trabalhar diariamente. N\u00e3o bastasse o desemprego de seu companheiro e seus familiares, a fome que j\u00e1 assola boa parte de seus vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o basta. A pol\u00edcia segue alvejando os corpos negros e perif\u00e9ricos, ceifando vidas, destruindo sonhos, como os de <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2021\/06\/09\/mae-de-kathlen-romeu-quem-foi-recebida-a-tiros-foi-a-minha-filha\/\">Kathlen Romeu, 24 anos, gr\u00e1vida de 14 semanas quando foi atingida por um tiro no t\u00f3rax<\/a> no Complexo do Lins, no Rio de Janeiro. Foi assim tamb\u00e9m que a viol\u00eancia racista do Estado, dissimulada sob o pretexto do \u201cenfrentamento ao tr\u00e1fico\u201d, assassinou 28 pessoas durante a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Chacina_do_Jacarezinho\">chacina de Jacarezinho<\/a>. Em junho de 2020, o Supremo Tribunal Federal determinou a <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/noticias\/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=448994&amp;ori=1\">suspens\u00e3o das incurs\u00f5es policiais em comunidades do Rio de Janeiro<\/a>, enquanto perdurar o estado de calamidade p\u00fablica decorrente da pandemia da covid-19, \u201cpara n\u00e3o colocar em risco ainda maior a popula\u00e7\u00e3o, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos sanit\u00e1rios e o desempenho de atividades de ajuda humanit\u00e1ria\u201d. Um ano ap\u00f3s a decis\u00e3o, o <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2021\/06\/07\/em-um-ano-de-restricao-as-operacoes-policiais-no-rj-numero-de-mortes-e-tiroteios-cai-no-estado-diz-relatorio.ghtml\">n\u00famero de mortes e de tiroteios caiu no estado<\/a>, ainda assim, de agosto do ano passado a mar\u00e7o deste ano, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2021\/05\/07\/rj-teve-ao-menos-944-mortos-em-acao-policial-desde-que-stf-restringiu-operacoes-em-favelas.ghtml\">agentes do Estado j\u00e1 vitimaram ao menos 944 pessoas no Rio de Janeiro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem pausa, sem descanso, sem um \u00fanico minuto dedicado para o cuidado consigo mesma, Ana segue a vida, dia a p\u00f3s dia, sobrecarregando diariamente sua sa\u00fade f\u00edsica e mental. Morrer de tiro, morrer de fome ou morrer de v\u00edrus. Ana conhece o destino que o Estado brasileiro tra\u00e7ou, e o atualiza agora em meio \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, para ela e os seus. Lutou a vida toda e luta ainda contra ele. Junto a muitas outras mulheres que perderam familiares para a viol\u00eancia do Estado, luta por justi\u00e7a para os <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-36461295\">jovens negros assassinados, um a cada 23 minutos neste pa\u00eds<\/a>. Luta contra o racismo que normaliza o sangue negro derramado ao longo de toda a nossa hist\u00f3ria. No cen\u00e1rio devastador promovido pelo governo genocida de Jair Bolsonaro, de dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e esc\u00e1rnio diante das quase 500 mil mortes, Ana sabe que a luta pela vida n\u00e3o \u00e9 escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como se manter em p\u00e9, como sustentar uma luta pol\u00edtica em um cen\u00e1rio t\u00e3o hostil, e agravado pela pandemia? A instaura\u00e7\u00e3o da pandemia em nosso pa\u00eds ampliou os desafios enfrentados pelas mulheres, com o <a href=\"http:\/\/mulheresnapandemia.sof.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Relatorio_Pesquisa_SemParar.pdf\">aumento da sobrecarga de trabalho dom\u00e9stico e de cuidados<\/a>, o desemprego, o desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade e assist\u00eancia social. Historicamente, as mulheres s\u00e3o as mais afetadas nos momentos de crise, e numa crise desta dimens\u00e3o n\u00e3o seria diferente. Em um ano de pandemia, as mulheres foram as que mais perderam sua fonte de renda, enfrentam a inseguran\u00e7a alimentar em suas fam\u00edlias e s\u00e3o as que mais est\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.care.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/RGA_SheToldUsSo_9.18.20.pdf\">sofrendo de ansiedade, depress\u00e3o, ins\u00f4nia, entre outros dist\u00farbios de ordem emocional e f\u00edsico-moral<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres ativistas j\u00e1 sofrem os efeitos morais, emocionais e materiais da enorme subvers\u00e3o que praticam ao confrontarem a l\u00f3gica do capitalismo que defende o lucro acima das vidas e do planeta, do sexismo e do racismo que agridem diariamente os corpos das mulheres, LGBTI+ e pessoas negras. Num contexto onde a luta por direitos \u00e9 o \u00fanico caminho para sobrevivermos e construirmos sa\u00eddas para a crise, \u00e9 preciso sustent\u00e1-la, al\u00e9m de sustentarmos a n\u00f3s mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, as mulheres t\u00eam protagonizado a constru\u00e7\u00e3o de respostas \u00e0 emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica que vivemos, mobilizando campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o de recursos para a doa\u00e7\u00e3o de alimentos e kits de higiene pessoal, denunciando a viol\u00eancia dom\u00e9stica e acolhendo mulheres nessa situa\u00e7\u00e3o, denunciando viola\u00e7\u00f5es de direitos das popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas, fortalecendo v\u00ednculos comunit\u00e1rios e redes de apoio, tecendo fios de resist\u00eancia para si mesmas, suas comunidades e coletividades. Neste contexto, o cuidado se revela cada vez mais um princ\u00edpio e uma ferramenta essencial n\u00e3o apenas para a nossa sobreviv\u00eancia, mas tamb\u00e9m para a nossa resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, iniciamos a tessitura de uma rede que conecta mulheres como Ana a outras ativistas em todo o territ\u00f3rio nacional, para construir uma resposta pol\u00edtica cuidadosa, afetiva e acolhedora com as mulheres frente aos desafios da pandemia da covid-19. A rede das Tecel\u00e3s do Cuidado nasceu em abril de 2020 com o objetivo de dar sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e suas lutas, rompendo com a l\u00f3gica do individualismo e fortalecendo la\u00e7os de solidariedade e confian\u00e7a, mobilizando a\u00e7\u00f5es coletivas de cuidado frente a pol\u00edtica de morte imposta pelo governo, e que s\u00f3 se agravou de l\u00e1 pra c\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta iniciativa, fomentada pelo CFEMEA, hoje articula mais de 30 mulheres engajadas em lutas feministas, antirracistas, anticapacitistas, pelo direito \u00e0 terra, pelo respeito \u00e0 diversidade e o direito de amar quem quisermos, pela educa\u00e7\u00e3o, em defesa da sa\u00fade p\u00fablica, entre outras lutas pol\u00edticas. Al\u00e9m das iniciativas de solidariedade e mobiliza\u00e7\u00e3o para o enfrentamento da crise que promovem em seus territ\u00f3rios, realizam <a href=\"https:\/\/www.cfemea.org.br\/index.php\/publicacoes\/4856-cartilha-rodas-virtuais-de-autocuidado-e-cuidado-entre-ativistas\">rodas virtuais de autocuidado e cuidado entre ativistas<\/a> para compartilharem experi\u00eancias de autocuidado, experimentarem metodologias diversas e ferramentas para lidar com as tens\u00f5es, o estresse, a exaust\u00e3o, o cansa\u00e7o, a solid\u00e3o, o medo, a inseguran\u00e7a, a invisibilidade, o silenciamento, decorrentes do contexto que se agrava com a pandemia e, assim, potencializar a justa indigna\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o das mulheres para a luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde abril do ano passado, as rodas t\u00eam se constitu\u00eddo enquanto espa\u00e7os seguros, criativos e acolhedores, onde mulheres como Ana, submetidas \u00e0s mais diversas formas de viol\u00eancia ao longo de suas vidas e lutas permitem-se experimentar o cuidado de si, conectar-se com a sua for\u00e7a interna e a for\u00e7a coletiva que a partilha desse cuidado com outras mulheres produz.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as mulheres encontram caminhos para o cuidado de si, investem no seu crescimento e fortalecimento, elas subvertem as l\u00f3gicas da opress\u00e3o sexista e racista que nos obrigam a direcionar o nosso cuidado aos outros, nunca a n\u00f3s mesmas. Esta subvers\u00e3o, ao trazer ao centro da luta pol\u00edtica a import\u00e2ncia do autocuidado e do cuidado coletivo, \u00e9 uma forma de resist\u00eancia pol\u00edtica e de afirma\u00e7\u00e3o do cuidado enquanto um direito de todas as pessoas. No cen\u00e1rio em que vivemos, o autocuidado e o cuidado coletivo se revelam fundamentais para atravessarmos esse per\u00edodo de crise e construirmos sa\u00eddas para ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Ana, personagem que trouxemos no in\u00edcio deste texto, poderia ser a hist\u00f3ria de Maria Santina, Diana, G\u00e9sia ou S\u00f4nia, algumas das mulheres que em meio aos desafios da crise que vivemos est\u00e3o tecendo fios de cuidado para nos enla\u00e7ar, juntas, na resist\u00eancia. Fios que se conectam criando uma rede de acolhimento, pertencimento e seguran\u00e7a entre mulheres de luta. Essa teia fiada a v\u00e1rias m\u00e3os ganha for\u00e7a e vigor nas rodas virtuais de autocuidado e cuidado entre ativistas:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u00c9 um momento assim de um autoconhecimento mesmo, de autoestima, de se enxergar como pessoa\u2026 de entender que voc\u00ea faz parte de um todo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u00c9 uma outra terapia que eu fa\u00e7o, eu fa\u00e7o quest\u00e3o quando tem rodas, eu fa\u00e7o quest\u00e3o de organizar, de me programar pra eu t\u00e1 participando. Porque ver outras mulheres que compartilham da mesma luta que voc\u00ea\u2026 que te ouvem, eu me sinto abra\u00e7ada, eu me sinto ouvida, eu me sinto compreendida, eu me sinto livre pra falar o que eu sinto, eu sinto que \u00e9 uma troca, sabe? Eu sinto que eu ajudo mulheres\u2026 E eu sinto que eu sou ajudada.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Nas rodas, a gente na verdade se aproximou mais, porque conhecer a ang\u00fastia da outra, conhecer a for\u00e7a ou fraqueza da outra, nos d\u00e1 uma outra vis\u00e3o, inclusive pra gente poder nortear as estrat\u00e9gias de como a informa\u00e7\u00e3o que a gente t\u00e1 dando, enquanto milit\u00e2ncia, vai chegar a outra pessoa, porque algumas vezes, n\u00f3s confundimos o nosso entender com o de quem est\u00e1 ouvindo, n\u00e9?<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>As mulheres j\u00e1 t\u00eam experi\u00eancia, essa rotina [de se colocar e construir politicamente], mas a partir do autoconhecimento, a partir do momento que elas solucionam primeiro o interior delas, elas se melhoraram \u2013 \u2018estou melhor\u2019 para poder junto com as outras buscar solu\u00e7\u00f5es para os problemas coletivos.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esses relatos das Tecel\u00e3s, colhidos ao longo das rodas de autocuidado e cuidado entre ativistas realizadas por elas, ilustram a nossa compreens\u00e3o de que o cuidado, o acolhimento e a solidariedade entre n\u00f3s, mulheres feministas antirracistas, s\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necess\u00e1ria e urgente neste contexto em que estamos sobrecarregadas, cansadas, adoecidas e, ainda assim, de punhos erguidos para defender nossos direitos e construir caminhos de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desta experi\u00eancia das Tecel\u00e3s do Cuidado, as mulheres est\u00e3o mobilizadas, tecendo fios de resist\u00eancia, cuidado e solidariedade em todo o pa\u00eds. No Rio de Janeiro da nossa personagem Ana, o projeto <a href=\"https:\/\/www.agoraeahora.org\/\">Agora \u00e9 a Hora<\/a>, realizado pelas organiza\u00e7\u00f5es Criola, Instituto Marielle Franco, Movimenta Caxias e PerifaConnection, junto com lideran\u00e7as do estado, busca garantir o \u201cdireito das mulheres negras de seguir em frente\u201d. O projeto articula a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias emergenciais, como a entrega de cestas b\u00e1sicas, materiais de higiene e outros mantimentos, \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a defesa de direitos \u2013 o monitoramento e den\u00fancia das perdas em direitos humanos econ\u00f4micos, sociais, culturais e ambientais, e das viol\u00eancias vivenciadas pela popula\u00e7\u00e3o negra, em especial mulheres negras. Al\u00e9m disso, compartilham a metodologia que elas desenvolveram para que novas experi\u00eancias possam ser realizadas a partir dela, e nos convidam a tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.agoraeahora.org\/metodologia\">compartilharmos nossas metodologias<\/a> e fortalecermos essa teia que nos conecta e fortalece nossa resist\u00eancia a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra \u2013 MST, al\u00e9m de seu engajamento na a\u00e7\u00e3o de solidariedade que tem mobilizado os assentamentos do movimento em todo o pa\u00eds e distribu\u00eddo toneladas de alimentos para fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, tamb\u00e9m est\u00e3o tecendo <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2020\/11\/20\/mulheres-do-mst-desenvolvem-redes-feministas-pelo-afeto-e-contra-a-violencia\/\">redes feministas de afeto e enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia<\/a>, ampliando a conex\u00e3o solid\u00e1ria entre mulheres do campo e da cidade. A campanha <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2020\/12\/02\/artigo-cultivar-afetos-derrotar-a-violencia\/\">Mulheres Sem Terra: contra os v\u00edrus e as viol\u00eancias<\/a> busca fortalecer as mulheres para enfrentar os desafios da pandemia atrav\u00e9s do combate \u00e0 viol\u00eancia, do autoconhecimento e autocuidado, e da promo\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, da coopera\u00e7\u00e3o e da autonomia das mulheres. Como afirma Ceres Hadich, dirigente nacional do MST, o que a campanha e as a\u00e7\u00f5es de cuidado e solidariedade est\u00e3o promovendo vai muito al\u00e9m da ajuda humanit\u00e1ria e da resposta emergencial \u00e0 crise: \u201cN\u00e3o estamos falando de cestas, nem de solidariedade, nem de mulheres, ou mesmo de empatia: estamos falando de processo, de constru\u00e7\u00e3o, de possibilidade de fazer diferente, por n\u00f3s todas, porque vivas, livres e despertas nos queremos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do cuidado conosco e com o planeta, subvertemos as rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o que nos s\u00e3o impostas, e tecemos v\u00ednculos de reciprocidade. Compartilhamos e experimentamos outras possibilidades de sermos e existirmos, e vamos abrindo os caminhos para a transforma\u00e7\u00e3o que vislumbramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Resist\u00eancia \u00e9 substantivo FEMINISTA, e a sa\u00edda \u00e9 coletiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frente a crise, que pesa mais sobre os ombros femininos, grupos como o Tecel\u00e3s apostam em a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias contra a fome e a viol\u00eancia dom\u00e9stica. 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Artigo do @cfemea","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[11],"tags":[984,1363,933,804,647],"class_list":["post-14605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-autocuidado-entre-ativistas","tag-cfemea","tag-coluna-baderna-feminista","tag-outras-palavras","tag-resistencia-feminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Imagem-5-1024x719-1.jpg?fit=1024%2C719&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-3Nz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14605"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14607,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14605\/revisions\/14607"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}