{"id":14249,"date":"2021-05-26T09:47:00","date_gmt":"2021-05-26T12:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=14249"},"modified":"2021-05-25T15:59:22","modified_gmt":"2021-05-25T18:59:22","slug":"por-dia-duas-gravidas-morrem-de-covid-19-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=14249","title":{"rendered":"\u201cPor dia, duas gr\u00e1vidas morrem de COVID-19 no Brasil\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Gr\u00e1vidas sofrem mais com a segunda onda de COVID-19 no Brasil e a principal causa de morte s\u00e3o as falhas no atendimento. Situa\u00e7\u00e3o calamitosa exp\u00f5e a pol\u00edtica genocida de Bolsonaro com mulheres negras. Para entender melhor o que est\u00e1 acontecendo, entrevistamos o ginecologista Melania Amorim da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras.<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"356\" data-attachment-id=\"14250\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=14250\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?fit=1607%2C895&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1607,895\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Sem-titulo-1-2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?fit=300%2C167&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?fit=640%2C356&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?resize=640%2C356&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-14250\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?resize=1024%2C570&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?resize=768%2C428&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?resize=1536%2C855&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?w=1607&amp;ssl=1 1607w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/Sem-titulo-1-2.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Por D\u00e9borah Guaran\u00e1, do SOS Corpo, para a <a href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/mortalidade-materna-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Bravas<\/a>. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gestantes e pu\u00e9rperas est\u00e3o passando por quadros mais graves de COVID-19 na segunda onda da pandemia. A ginecologista Melania Amorim, que integra a <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/FeministaRede\" target=\"_blank\"><strong>Rede Feministas de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (RFGO)<\/strong><\/a>, alerta que o n\u00famero de mortes maternas mais do que dobrou nos tr\u00eas primeiros meses de 2021 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia semanal do ano passado. A Rede lan\u00e7ou, no in\u00edcio de abril, uma <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/t.co\/Ygz9bSyBvL?amp=1\" target=\"_blank\">nota de den\u00fancia<\/a>\u00a0e chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o contra a morte materna em que, analisando dois estudos sobre os n\u00fameros e as condi\u00e7\u00f5es em que esses \u00f3bitos aconteceram, elencam uma s\u00e9rie de medidas a serem tomadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o Senado estava debatendo o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/universa\/colunas\/isabela-del-monde\/2021\/03\/28\/estatuto-da-gestante-titulo-populista-para-lei-antijuridica.htm\" target=\"_blank\"><strong>Projeto de Lei 5435<\/strong><\/a> &#8211; um Estatuto da Gestante que, entre outras propostas, prev\u00ea o pagamento de uma Bolsa-Estupro para mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual gestarem e darem luz a filhos de seus violadores &#8211; a Rede Feminista denunciava o expressivo aumento do n\u00famero de mortes maternas: 8 em cada 10 \u00f3bitos relatados no mundo acontecem no Brasil. A RFGO revelou tamb\u00e9m que houve falhas assistenciais em propor\u00e7\u00e3o significativa, entre elas desorganiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de assist\u00eancia pr\u00e9-natal, suspens\u00e3o de consultas, al\u00e9m de problemas importantes de acesso ao atendimento adequado da COVID-19 como falta de testes diagn\u00f3sticos, falta de insumos terap\u00eauticos e de leitos de UTI espec\u00edficos para a popula\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segunda a nota difundida pelo grupo, entre as mulheres que morreram de COVID-19, \u201c6% n\u00e3o foram sequer hospitalizadas, cerca de 40% n\u00e3o foram admitidas em UTI, 43% n\u00e3o receberam ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e 26% n\u00e3o tiveram acesso a qualquer tipo de suporte respirat\u00f3rio\u201d. O racismo \u00e9 evidente: \u201cDentre os fatores associados ao \u00f3bito foram encontrados estar no puerp\u00e9rio, ter cor preta, viver em \u00e1rea periurbana, n\u00e3o ter acesso ao Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia e morar a mais de 100km do hospital de refer\u00eancia\u201d, alertam na nota.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Uma menina negra de 13 anos, gr\u00e1vida de 31 semanas, morreu exatamente sob essas condi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m da viol\u00eancia sexual, a crian\u00e7a atendida no Hospital Municipal da sua cidade, Uruar\u00e1, teve o quadro agravado e piorou ao longo do trajeto de quase 200km para o Hospital Regional P\u00fablico da Transamaz\u00f4nica, em Altamira. A ambul\u00e2ncia chegou ao Hospital Municipal de Medicil\u00e2ndia, a 100km da sua cidade natal, mas ela n\u00e3o resistiu e morreu na unidade. Em Mato Grosso, Mikaely Karoline Souza, gr\u00e1vida de 7 meses, morreu internada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), depois de aguardar por 4 dias transfer\u00eancia para leito de UTI.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre nascimentos e mortes caiu para 345 mil em 2020 e para 134 mil em 2021. A situa\u00e7\u00e3o em que o pa\u00eds v\u00ea mais mortes do que nascimentos \u00e9 in\u00e9dita em sua hist\u00f3ria recente, talvez s\u00f3 precedida pelo genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nos per\u00edodos colonial e imperial. Desta vez, o genoc\u00eddio provocado pela condu\u00e7\u00e3o da pandemia tem a popula\u00e7\u00e3o negra como alvo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista a <strong>BRAVAS<\/strong>, Melania Amorim explicou por que classifica as mortes de mulheres gr\u00e1vidas e pu\u00e9rperas como \u201cfeminic\u00eddio de estado\u201d e deu um panorama de como est\u00e1 a sa\u00fade reprodutiva em tempos de pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8211; Qual a gravidade da situa\u00e7\u00e3o da mortalidade materna por COVID-19 no BR hoje?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 calamitosa, porque o n\u00famero de mortes maternas tem aumentado em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, que j\u00e1 estava grande. O n\u00famero de mortes maternas mais do que dobrou nas tr\u00eas primeiras semanas de 2021 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia semanal do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8211; O que voc\u00ea tem de dados?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; At\u00e9 o dia 7 de abril a gente j\u00e1 teve este ano 289 mortes. O ano passado inteiro foram 449. A gente t\u00e1 com uma velocidade muito maior de casos de gestantes e pu\u00e9rperas; e somando o n\u00famero total de casos desde que a pandemia come\u00e7ou at\u00e9 agora (at\u00e9 o dia em que temos informa\u00e7\u00e3o, 7 de mar\u00e7o), s\u00e3o 738 mortes. Essa m\u00e9dia semanal \u00e9 absurda. S\u00e3o cerca de 22 mortes por semana, 3 mortes por dia. Isso coincide com as informa\u00e7\u00f5es da m\u00eddia. E isso se refere somente aos casos confirmados por COVID. Nos sistemas oficiais ainda h\u00e1 muitos casos de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG) de causa indeterminada. Mas se voc\u00ea est\u00e1 olhando um sistema e come\u00e7a a ver l\u00e1 dentro que o n\u00famero de casos de s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave no meio de uma pandemia, \u00e9 \u00f3bvio que a gente vai achar que isso foi por COVID. As mulheres chegaram t\u00e3o graves que n\u00e3o deu tempo de fazer os testes, ou ent\u00e3o estava faltando teste e a\u00ed, com certeza, o n\u00famero real de mortes maternas por COVID \u00e9 ainda maior que esse n\u00famero &#8211; o que \u00e9 extremamente tr\u00e1gico!<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b<strong><em>&#8211; H\u00e1 alguma orienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos riscos da COVID para gr\u00e1vidas?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Uma das nossas recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 exatamente que haja uma campanha sobre os riscos da COVID-19 na gravidez e das complica\u00e7\u00f5es que a COVID-19 pode acarretar na gravidez, porque s\u00e3o duas coisas. Na gravidez e p\u00f3s-parto h\u00e1 chances de ter complica\u00e7\u00f5es e morte por COVID, mas tamb\u00e9m existem as repercuss\u00f5es da COVID na gravidez. Mesmo que a pessoa n\u00e3o tenha nenhuma complica\u00e7\u00e3o da COVID, pode ter complica\u00e7\u00f5es gestacionais, ou seja, ela pode ter risco de aborto, de morte fetal, de descolamento de placenta, de redu\u00e7\u00e3o de crescimento, de pr\u00e9-eclampsia, de hemorragia p\u00f3s-parto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bEnt\u00e3o essa campanha de forma\u00e7\u00e3o eu tenho feito. Desde que a pandemia come\u00e7ou e eu comecei a notar que estava tendo um n\u00famero bem maior de complica\u00e7\u00f5es e mortes por COVID, mas isso n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 um mecanismo eficiente de informa\u00e7\u00e3o. E a\u00ed uma das medidas que a Rede Feminista de Ginecologia e Obstetras prop\u00f5e e exige para redu\u00e7\u00e3o para essas mortes maternas \u00e9 uma ampla campanha de informa\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o s\u00f3 as gr\u00e1vidas possam se conscientizar e possam adotar medidas de prote\u00e7\u00e3o individual, mas que as pr\u00f3prias mulheres possam, com base nessas informa\u00e7\u00f5es, decidir se realmente \u00e9 o momento mais adequado para engravidar ou se seria mais adequado postergar os seus planos de engravidar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u200b- Mas o acesso a contraceptivos, planejamento reprodutivo, como t\u00e1?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tem problemas muito s\u00e9rios, porque muitos servi\u00e7os que ofereciam a assist\u00eancia ao planejamento reprodutivo simplesmente fecharam as portas e muitos postos de sa\u00fade est\u00e3o trabalhando apenas com atividades consideradas essenciais, nas quais n\u00e3o est\u00e1 incluso o planejamento reprodutivo. Por isso que a primeira exig\u00eancia nossa \u00e9 informa\u00e7\u00e3o, acesso e oferta de m\u00e9todos contraceptivos porque n\u00e3o h\u00e1 como reduzir mortalidade materna sem contracep\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8211; Quais as condi\u00e7\u00f5es materiais das maternidades?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O ideal \u00e9 que as mulheres sejam assistidas em locais onde elas tenham cuidados obst\u00e9tricas 24 horas por dia, 7 dias por semana e o que t\u00e1 acontecendo \u00e9 que nem todo servi\u00e7o tem essa equipe obst\u00e9trica de retaguarda: as mulheres v\u00e3o parar nas UTIs de hospitais gerais, muitas nem chegam na UTI e a\u00ed a qualidade da assist\u00eancia fica muito comprometida. Ent\u00e3o, uma das medidas que a gente indica \u00e9 que o governo garanta, atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas, um sistema de aten\u00e7\u00e3o efetiva e cuidados, maternidades adequadas e garantia de, caso elas precisem de UTI, garantir um suporte adequado e supervis\u00e3o obst\u00e9trica 24h. Muitas maternidades est\u00e3o fechando as portas e virando leito-COVID. Isso est\u00e1 se repetindo em v\u00e1rios locais. Em S\u00e3o Paulo me falaram do fechamento de 4 maternidades que prestavam, juntas, assist\u00eancia a cerca de 7 mil partos. Esses leitos desativados sobrecarrega as maternidades que, no caso, v\u00e3o trabalhar com superlota\u00e7\u00e3o, o que aumenta o risco da pessoa contrair COVID. O sistema est\u00e1 totalmente desestruturado. Ent\u00e3o, \u00e9 uma \u00e9poca p\u00e9ssima por muitos motivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b<strong><em>&#8211; E os estudos que voc\u00eas apontaram na nota revelam falhas grav\u00edssimas de assist\u00eancia, principalmente \u00e0s mulheres negras. Podes comentar isso?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Olha, foram dois estudos. Um deles n\u00f3s contamos com a participa\u00e7\u00e3o da professora D\u00e9bora Santos, da Unicamp, especialista em quest\u00f5es de ra\u00e7a. Mostramos que a chance da mulher chegar [aos centros de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica dos estados] mais grave, precisar de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e morrer foram maiores nas mulheres negras do que nas mulheres brancas. O risco de morte materna chegou a ser duas vezes maior em mulheres negras, indicando que profundas quest\u00f5es raciais na sociedade brasileira e \u00e9 algo que vem sendo demonstrado tamb\u00e9m na pandemia como um todo, n\u00e9? Voc\u00ea v\u00ea, por exemplo, que os mais vacinados at\u00e9 agora s\u00e3o brancos, porque a campanha at\u00e9 agora focou principalmente nos grupos priorit\u00e1rios e a expectativa de vida m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 mais baixa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m tem muitos dados mostrando que, todo mundo pode, \u00e9 claro, contrair o Coronav\u00edrus, mas definitivamente a gente n\u00e3o est\u00e1 no mesmo barco. As chances de complica\u00e7\u00f5es e morte s\u00e3o maiores para as pessoas pobres e negras. E isso acontece tamb\u00e9m com as mulheres, por causa desse racismo institucional que afeta a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira pela falta de assist\u00eancia em m\u00faltiplos n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8211; Voc\u00ea chegou a classificar essas mortes como feminic\u00eddio de estado.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim, porque as mortes dessas mulheres aconteceram em condi\u00e7\u00f5es de extremo sofrimento. As falhas assistenciais foram grav\u00edssimas, porque n\u00e3o tinha leito de UTI, n\u00e3o tinha acesso \u00e0 ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, n\u00e3o tinha nenhum tipo de suporte ventilat\u00f3rio. Certamente se a gente n\u00e3o tivesse uma condu\u00e7\u00e3o da pandemia t\u00e3o catastr\u00f3fica como a gente teve, essas mulheres n\u00e3o teriam morrido. Ent\u00e3o, as mortes maternas representam uma trag\u00e9dia grav\u00edssima, porque a gente sabe que 90% das mortes maternas podem ser evitadas. Ent\u00e3o a gente tem que realmente lamentar e se indignar por estas mortes estarem acontecendo, pois elas s\u00e3o reflexo da pandemia e da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para essa popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, na verdade, \u00e9 necess\u00e1rio que as gestantes fiquem\u00a0 em casa, protegidas e com o afastamento do trabalho presencial garantido. Mas assim, se a popula\u00e7\u00e3o toda est\u00e1 exposta, ela, em pouco tempo, vai acabar sendo exposta tamb\u00e9m, porque realmente nada foi feito para atacar as causas estruturais nesse ano que se passou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8211; Enquanto isso, o Congresso quer \u00e9 dar bolsa estupro.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Exato, em vez de se preocupar com o que realmente s\u00e3o os direitos da gestante &#8211; um pr\u00e9-natal de qualidade, baixar a mortalidade materna, garantir a sa\u00fade da gestante e seu direito \u00e0 vida &#8211; esse Estatuto visa somente a prote\u00e7\u00e3o da vida em potencial dos fetos. Ent\u00e3o ele [o Estatuto, o Governo] vai fazer uma tentativa de legislar e tutelar os nossos corpos em fun\u00e7\u00e3o do projeto perverso da extrema direita de ir contra os direitos sexuais e reprodutivos, chegando a requintes de perversidade. Ent\u00e3o esse Estatuto da Gestante, n\u00e3o \u00e9 Estatuto da gestante coisa nenhuma!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_0515b16492974f68bbaff586a15164a4~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_811%2Ch_484%2Cal_c%2Cq_85%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/b45053_0515b16492974f68bbaff586a15164a4~mv2.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Foto tomada de Infobae\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gr\u00e1vidas sofrem mais com a segunda onda de COVID-19 no Brasil e a principal causa de morte s\u00e3o as falhas no atendimento. Situa\u00e7\u00e3o calamitosa exp\u00f5e a pol\u00edtica genocida de Bolsonaro com mulheres negras. 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