{"id":13078,"date":"2020-12-05T10:03:00","date_gmt":"2020-12-05T13:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=13078"},"modified":"2020-11-30T17:03:20","modified_gmt":"2020-11-30T20:03:20","slug":"mulheres-da-america-latina-sob-pressao-para-aceitar-cesareas-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=13078","title":{"rendered":"Mulheres da Am\u00e9rica Latina \u2018sob press\u00e3o\u2019 para aceitar ces\u00e1reas durante a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"324\" data-attachment-id=\"13079\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=13079\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?fit=980%2C496&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"980,496\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?fit=300%2C152&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?fit=640%2C324&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?resize=640%2C324&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-13079\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?w=980&amp;ssl=1 980w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?resize=300%2C152&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/b45053_f8f5ab9e87df48128faa5f7a5d2bd32cmv2.jpg?resize=768%2C389&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Montse Reyes y su beb\u00e9 durante una videollamada<br \/>Foto: Fernanda Ruiz, gentileza de openDemocracy<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As mulheres enfrentam uma crise de viol\u00eancia obst\u00e9trica agravada pela Covid-19, apesar das leis contra o maltrato e a medicaliza\u00e7\u00e3o excessiva*.<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><br \/><em>Por Diana Cariboni \/ Daniela Rea \/ Lydiette Carri\u00f3n<a href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/encuesta-aislamiento-social\"> <\/a>, em Pol\u00edticas del cuerpo, na <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/cesarea-y-pandemia\" target=\"_blank\"><strong>Revista Bravas N\u00ba13<\/strong><\/a>. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o de openDemocracy encontrou, al\u00e9m disso, m\u00faltiplos relat\u00f3rios de maltrato, proibi\u00e7\u00f5es de acompanhante e negativas de assist\u00eancia em casos de emerg\u00eancia, a pesar da exist\u00eancia de leis contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica e a medicaliza\u00e7\u00e3o abusiva em v\u00e1rios pa\u00edses. A Am\u00e9rica Latina j\u00e1 tinha a <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4743929\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">maior taxa<\/a> de ces\u00e1reas do mundo, estimada em 40% de todos os nascimentos, mesmo que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) <a href=\"https:\/\/www.who.int\/reproductivehealth\/publications\/maternal_perinatal_health\/cs-statement\/es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">recomend<\/a>e que n\u00e3o ultrapassem 15% e insiste em que s\u00f3 devem ser praticadas quando as raz\u00f5es m\u00e9dicas justifiquem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bA OMS reiterou esta recomenda\u00e7\u00e3o em suas <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.who.int\/es\/emergencies\/diseases\/novel-coronavirus-2019\/question-and-answers-hub\/q-a-detail\/q-a-on-covid-19-pregnancy-and-childbirth\" target=\"_blank\">pautas sobre o parto durante a pandemia<\/a> publicadas em mar\u00e7o e acrescentou, tamb\u00e9m, que as mulheres devem contar com uma companhia de sua escolha ao parir, receber um tratamento digno e respeitoso, informa\u00e7\u00e3o clara, seda\u00e7\u00e3o adequada e apoio para amamentar se desejarem. A pr\u00e1tica de ces\u00e1reas, indu\u00e7\u00f5es, episiotomias e outros procedimentos que n\u00e3o seja medicamente necess\u00e1ria, ou que n\u00e3o conte com consentimento informado, est\u00e1 proibida por leis nacionais ou estaduais contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica em, pelo menos, oito pa\u00edses latino-americanos, entre eles <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/servicios.infoleg.gob.ar\/infolegInternet\/anexos\/150000-154999\/152155\/norma.htm\" target=\"_blank\">Argentina<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.igualdadgenero.gob.ec\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/REGISTRO-OFICIAL-LEY-ORGA%CC%81NICA-INTEGRAL-PARA-PREVENIR-Y-ERRADICAR-LA-VIOLENCIA-CONTRA-LAS-MUJERES.pdf\" target=\"_blank\">Equador<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/sil.gobernacion.gob.mx\/Archivos\/Documentos\/2019\/04\/asun_3871930_20190429_1556225465.pdf\" target=\"_blank\">M\u00e9xico<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.impo.com.uy\/bases\/leyes\/19580-2017\" target=\"_blank\">Urugua<\/a>i e <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1HVxs1CPHxWGbT4gtO7ynjPBUqw3ayDPQ\/view\" target=\"_blank\">Venezuela<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bA maioria destas leis <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/servicios.infoleg.gob.ar\/infolegInternet\/anexos\/95000-99999\/98805\/norma.htm\" target=\"_blank\">garante<\/a> uma companhia no parto, coabita\u00e7\u00e3o com o rec\u00e9m-nascido e apoio para amamentar. Por\u00e9m, ativistas pela sa\u00fade materna asseguram que nem essas normas nem as pautas da OMS eram suficientes para proteger estes direitos inclusive antes da Covid-19. E a pandemia n\u00e3o fez mais que piorar as coisas. Na Argentina, Margarita Go\u00f1i, do grupo ativista O Parto \u00e9 Nosso (EPEN, sigla em espanhol), disse que \u201cem mar\u00e7o e nas primeiras semanas de abril\u201d, quando o governo decretou o isolamento obrigat\u00f3rio, em alguns hospitais, \u201ccome\u00e7ou-se a citar indu\u00e7\u00e3o ou diretamente ces\u00e1rea por estar de 38 semanas de gravidez\u201d, embora as <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.msal.gob.ar\/images\/stories\/bes\/graficos\/0000001839cnt-covid-19-recomendaciones-atencion-embarazadas-recien-nacidos.pdf\" target=\"_blank\">pautas<\/a> do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estabele\u00e7am que \u201c\u00e9 importante evitar ces\u00e1reas injustificadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bVioleta Osorio, do grupo de direitos humanos Las Casildas, acrescentou: \u201cSe diz \u00e0s gr\u00e1vidas que \u00e9 melhor programar uma ces\u00e1rea que entrar em trabalho de parto no meio de um pico de Covid-19. Mas isso \u00e9 contradit\u00f3rio com a necessidade de n\u00e3o saturar o sistema de sa\u00fade, dado que uma ces\u00e1rea implica mais tempo de interna\u00e7\u00e3o e insumos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bNo Equador, Sof\u00eda Benavides (tamb\u00e9m do EPEN) disse que seu grupo reuniu testemunhos de 26 mulheres que deram \u00e0 luz durante o surto de Covid-19. Treze delas disseram que se viram obrigadas a parir \u201csozinhas\u201d pelas restri\u00e7\u00f5es que proibiram os acompanhantes, e quinze disseram que n\u00e3o puderam ter contato precoce pele com pele com os rec\u00e9m-nascidos. Benavides tamb\u00e9m descreveu que uma cl\u00ednica privada \u201coferecia: \u2018venha sozinha, se voc\u00ea for fazer uma ces\u00e1rea, n\u00e3o lhe damos quarto, a mantemos em zona de observa\u00e7\u00e3o e lhe cobramos 1.200 d\u00f3lares\u2019. A grande vantagem \u00e9 que lhe permitem permanecer com o beb\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bNo M\u00e9xico, o ginecologista e obstetra Christian Mera, do Grupo M\u00e9dico Pr\u00f3-parto Natural, prev\u00ea que as estat\u00edsticas mostrar\u00e3o \u201cem abril e maio um aumento nas ces\u00e1reas\u201d, impulsionado pelo \u201cmedo de os hospitais se saturarem\u201d, um medo \u201ccontradit\u00f3rio porque a ces\u00e1rea tem maiores riscos e, no caso do COVID-19, soma-se o risco da hospitaliza\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em toda regi\u00e3o, \u201cos n\u00edveis de ces\u00e1reas chegaram a ser extremamente altos, inclusive nas mulheres sem COVID-19\u201d, disse a openDemocracy Bremen de Mucio, assessor regional em sa\u00fade materna da OMS e a organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana da Sa\u00fade (OPS).<\/p>\n\n\n\n<p>No Uruguai, que em meados de julho <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/coronavirus\/country\/uruguay\/\" target=\"_blank\">registrava<\/a> cerca de 1.000 casos de COVID-19 e umas trinta mortes, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi acusado de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.elobservador.com.uy\/nota\/el-debate-por-los-partos-sin-acompanante-otro-cambio-que-trajo-el-coronavirus--2020545051\" target=\"_blank\">fazer vista grossa<\/a> quando v\u00e1rios centros de sa\u00fade suspenderam temporariamente os acompanhantes em partos, contrariando a <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.impo.com.uy\/parto\/\" target=\"_blank\">lei<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Venezuela, duas mulheres jovens que deram \u00e0 luz em maio em maternidades p\u00fablicas de Caracas, relataram ter permanecido \u201csozinhas\u201d e \u201cassustadas\u201d at\u00e9 que lhes deram alta, depois de passar por procedimentos sobre os quais n\u00e3o foram consultadas, como ruptura de membranas (o que se conhece como romper a bolsa), indu\u00e7\u00e3o e episiotomia (corte na abertura vaginal).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_6ac683f8267c4c898d433da8568cbf5b~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_700%2Ch_468%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/b45053_6ac683f8267c4c898d433da8568cbf5b~mv2.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mujeres embarazadas en la entrada de un hospital materno en Ciudad de M\u00e9xico Foto: Fernanda Ruiz, gentileza de openDemocracy1\/1<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sozinhas e mal informadas<\/h3>\n\n\n\n<p>A partir de mar\u00e7o, openDemocracy entrevistou dezenas de mulheres e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, parteiras e obstetras da Argentina, Equador, M\u00e9xico, Uruguai e Venezuela, que detalharam experi\u00eancias de parto na pandemia que parecem infringir tanto as pautas internacionais quanto as leis locais.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das mulheres disse que tive que parir sem acompanhantes de sua confian\u00e7a, proibidos pela COVID-19. Isso \u201cmultiplica o risco de maltrato\u201d em pa\u00edses onde a <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/saludconlupa.com\/series\/el-parto-robado\/introduccion\/\" target=\"_blank\">viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/a> \u201csempre est\u00e1 presente\u201d, advertiu a parteira mexicana Nuria Landa, do grupo Nove Luas.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias mulheres denunciaram tamb\u00e9m abuso verbal de um pessoal do hospital superlotado, enquanto outras parturientes disseram que foram separadas de seus beb\u00eas e n\u00e3o puderam amament\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>As infra\u00e7\u00f5es \u00e0 guia da OMS e \u00e0s leis se apresentam tanto em hospitais p\u00fablicos quanto privados. \u201cN\u00e3o nos mataram com dignidade\u201d, assim \u00e9 como Lidia Cordero descreve o que sentiu ao ficar sozinha em trabalho de parto em uma sala de emerg\u00eancias de um hospital p\u00fablico de Huixquilucan, M\u00e9xico, onde assegura que n\u00e3o lhe deram informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para entender o que os m\u00e9dicos faziam com ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLiteralmente, fomos as contaminadoras do hospital\u201d, disse Montse Reyes, que teve uma ces\u00e1rea programada em maio em uma cl\u00ednica privada do M\u00e9xico. Reyes assegura que ap\u00f3s o nascimento ela e seu beb\u00ea deram positivo no teste do Covid-19, mas o pessoal n\u00e3o lhe informou os resultados at\u00e9 que lhe deram alta, ap\u00f3s passar dois dias em isolamento. N\u00e3o a separaram da rec\u00e9m-nascida, mas ambas foram colocadas \u201cem uma zona isolada detr\u00e1s de uma porta de vidro\u201d e \u201cningu\u00e9m queria ter contato conosco. Eram 11 horas da noite e eu n\u00e3o tinha tomado nem um copo de \u00e1gua desde as 10 horas da noite do dia anterior\u201d, relatou. \u201cMe senti abandonada. Foi uma mistura de ang\u00fastia e dor\u201d, explicou Daniela Echeverr\u00eda, no Equador. Embora tenham lhe permitido estar com seu esposo, os deixaram sozinhos na sala de partos durante tr\u00eas horas; depois disso, ela sofreu uma lacera\u00e7\u00e3o vaginal e seu beb\u00ea tinha engolido l\u00edquido amni\u00f3tico e mec\u00f4nio, sinal de sofrimento fetal.<\/p>\n\n\n\n<p>Echeverr\u00eda acredita que o pessoal foi reduzido pela pandemia e a \u00fanica equipe de plant\u00e3o (uma m\u00e9dica e duas enfermeiras) estava atendendo outro parto. No Uruguai, a coordenadora do Grupo pela Humaniza\u00e7\u00e3o do Parto e Nascimento, Laura Vega, disse que sua organiza\u00e7\u00e3o recebeu \u201c70 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/feminismos.ladiaria.com.uy\/articulo\/2020\/5\/organizaciones-denuncian-que-no-se-respeta-el-derecho-de-las-mujeres-embarazadas-a-estar-acompanadas-durante-el-parto-o-la-cesarea\/?fbclid=IwAR0-aGtbbxzu6n7O34T279Qwi-YWM6IqMiyRH17_NO1KUtDcerZ2TjiU8l0\" target=\"_blank\">den\u00fancias<\/a> em todo o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o clara \u00e9 um assunto que se reitera nos testemunhos recopilados por openDemocracy. Duas mulheres que foram fazer ces\u00e1rea em duas cidades uruguaias em abril (antes de que o governo <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=165Wl5GGWNlXtYdsZHUH63IzfiE5gGFtc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">revertesse<\/a> a proibi\u00e7\u00e3o de acompanhantes em maio) disseram ter se enterado no \u00faltimo momento que dariam \u00e0 luz sem seus esposos. \u201cNem sequer me perguntaram. A ginecologista disse a meu companheiro que n\u00e3o era conveniente que entrasse na sala de cirurgias\u201d, disse Anah\u00ed Oudri. Andrea Fern\u00e1ndez sustentou: \u201cNesse momento n\u00e3o conseguia discutir. Tinha terror \u00e0 ces\u00e1rea, e voc\u00ea sabe que, se voc\u00ea n\u00e3o ganha a discuss\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 bom ver caras feias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_68c8d981eaaf40d19133656faeb20d8c~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_750%2Ch_499%2Cal_c%2Cq_85%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/b45053_68c8d981eaaf40d19133656faeb20d8c~mv2.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Dos mujeres embarazadas esperan que las controlen en un hospital materno en Caracas, Venezuela Yadira P\u00e9rez, gentileza de openDemocracy1\/1<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma crise global<\/h3>\n\n\n\n<p>Em todo o mundo, a investiga\u00e7\u00e3o de openDemocract identificou infra\u00e7\u00f5es \u00e0s pautas da OMS em, ao menos, 45 pa\u00edses desde que come\u00e7ou a pandemia. Esta evid\u00eancia procede de testemunhos diretos, de ONG e de outros meios jornal\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, os toques de recolher e as restri\u00e7\u00f5es ao transporte pelo coronav\u00edrus levaram a que muitas mulheres perdessem controles de gravidez, tivessem que caminhar longas dist\u00e2ncias para chegar a um hospital ou inclusive se viram obrigadas a <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/gk.city\/2020\/05\/03\/embarazadas-tiempos-covid-19-parir-guayaquil\/\" target=\"_blank\">partos em casa<\/a>, n\u00e3o planejados e arriscados. Em maio, nossa rep\u00f3rter na Venezuela viu uma mulher com uma gesta\u00e7\u00e3o de 31 semanas a quem foi negada inicialmente assist\u00eancia em uma maternidade p\u00fablica de Caracas. Foi transferida horas mais tarde a outro hospital, mas seu beb\u00ea estava morto.<\/p>\n\n\n\n<p>No Equador, durante o m\u00eas de abril, negou-se assist\u00eancia a duas mulheres com emerg\u00eancias obst\u00e9tricas v\u00e1rias vezes em salas de urg\u00eancia de hospitais p\u00fablicos de Guayaquil, segundo a advogada feminista Ana Vera, do grupo de direitos sexuais e reprodutivos Surkuna. A cidade estava naquele momento submersa na crise do Covid-19. \u201cTive que intervir diretamente chamando autoridades do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica\u201d para que lhe \u201cdessem antibi\u00f3ticos a uma\u201d e uma \u201ctransfus\u00e3o de sangue\u201d \u00e0 outra, disse Vera a openDemocracy.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em abril, Nuria Landa, a parteira mexicana, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/piedepagina.mx\/por-emergencia-sanitaria-olvidan-a-parturientas-en-los-cabos\/\" target=\"_blank\">recebeu chamadas telef\u00f4nicas de emerg\u00eancia<\/a> de duas mulheres que estavam fazendo trabalho de parto em suas casas, ap\u00f3s serem rejeitadas por um hospital reconvertido para atender casos de Covid-19 sem pr\u00e9vio aviso. Outra mulher, em Guadalajara, M\u00e9xico, relatou a openDemocracy que tinha parido sem complica\u00e7\u00f5es em sua casa em abril, mas, no dia seguinte, sentiu-se mal e foi ao hospital para que lhe fizessem um teste de coronav\u00edrus, que, em princ\u00edpio, lhe foi negado, segundo disse.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA doutora introduziu em mim mais forte os dedos, girou dentro de mim\u201d, disse a mulher, que assegurou ter sido repreendida pelo parto domiciliar e informada de que tinha restos de placenta e necessitava de uma curetagem. Isso foi incorreto, segundo explicou, quando um segundo m\u00e9dico ordenou uma ultrassonografia, assim como um teste de coronav\u00edrus (que deu positivo).<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher denunciou seu caso \u00e0s autoridades como uma viola\u00e7\u00e3o \u00e0s normas sobre maltrato m\u00e9dico em seu estado (que n\u00e3o conta com uma lei contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica). Entretanto, n\u00e3o est\u00e1 claro se essas autoridades v\u00e3o investigar sua queixa, e ningu\u00e9m dos minist\u00e9rios de sa\u00fade da Argentina, Equador, M\u00e9xico, Uruguai e Venezuela respondeu as consultas de openDemocracy. A defensoria p\u00fablica do Equador disse, em maio, em resposta a nossas perguntas, que n\u00e3o tinha recebido nenhuma den\u00fancia de viol\u00eancia obst\u00e9trica durante a pandemia. Esse gabinete n\u00e3o respondeu novas perguntas para atualizar esses dados em julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, uma porta-voz da Alta Comissionada das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que seu gabinete \u201ctamb\u00e9m recebeu relat\u00f3rios preocupantes sobre os direitos humanos das mulheres e meninas gr\u00e1vidas no contexto da pandemia de Covid-19\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos preocupa que, em todo o mundo com sistemas de sa\u00fade sobrecarregados, se desviem com frequ\u00eancia os recursos para servi\u00e7os de rotina como os da sa\u00fade materna. Documentar esses incidentes \u00e9 um primeiro passo crucial para expor o problema. Os estados devem adaptar sem demoras suas pr\u00e1ticas \u00e0s pautas da OMS\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribu\u00edram com este artigo Magda Gibelli (Venezuela) e Agostina Mileo (Argentina).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_4e748971a4d74581a18849fb60a9c8a4~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_600%2Ch_395%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/b45053_4e748971a4d74581a18849fb60a9c8a4~mv2.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Una mujer embarazada camina en un vecindario de Caracas durante la cuarentena por el COVID-19 Foto: Yadira P\u00e9rez, gentileza de openDemocracy1\/1<\/p>\n\n\n\n<p>* Este artigo foi originalmente publicado em <a href=\"https:\/\/www.opendemocracy.net\/es\/5050\/mujeres-de-america-latina-bajo-presion-para-aceptar-cesareas-durante-la-pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">OpenDemocracy<\/a> e \u00e9 reproduzido com autoriza\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres enfrentam uma crise de viol\u00eancia obst\u00e9trica agravada pela Covid-19, apesar das leis contra o maltrato e a medicaliza\u00e7\u00e3o excessiva. 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