{"id":12830,"date":"2020-11-06T10:00:00","date_gmt":"2020-11-06T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=12830"},"modified":"2020-11-05T17:07:34","modified_gmt":"2020-11-05T20:07:34","slug":"a-arida-peleja-das-mulheres-candidatas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=12830","title":{"rendered":"A \u00e1rida peleja das mulheres candidatas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>Em 2020, emergem as mulheres negras e as mandatas coletivas. Num pa\u00eds em que poder do patriarcado \u00e9 mais opressor na pol\u00edtica, elas enfrentam preconceito, viol\u00eancia e hierarquias para sustentar pautas do feminismo e do Comum<\/em><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"374\" data-attachment-id=\"12831\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=12831\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?fit=1024%2C598&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,598\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"201030-BF_EleicaoDiversidade-1024&amp;#215;598\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?fit=300%2C175&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?fit=640%2C374&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?resize=640%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-12831\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?resize=300%2C175&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/201030-BF_EleicaoDiversidade-1024x598-1.jpg?resize=768%2C449&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Pelo <strong>CFEMEA \u2013 Centro Feminista de Estudos e Assessoria<\/strong>, na coluna <em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/a-arida-peleja-das-mulheres-candidatas\/\" target=\"_blank\">Baderna Feminista<\/a><\/em> | Ilustra\u00e7\u00e3o: <strong>Stephanie Pollo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em milhares de munic\u00edpios brasileiros h\u00e1 candidaturas feministas antirracistas disputando, concorrendo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, ainda que em campo minado. Os riscos s\u00e3o muito altos para essas candidatas! As bombas do racismo patriarcal e da mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida detonam o debate pol\u00edtico sobre os projetos de cidade que buscam construir sociedades com justi\u00e7a racial, de g\u00eanero e ecossocial, enfrentando as desigualdades, afirmando a nossa diversidade, zelando pelos bens comuns nos munic\u00edpios onde vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos munic\u00edpios, territ\u00f3rios onde a vida cotidiana se concretiza, est\u00e3o sendo lan\u00e7adas sementes de feminismo, dos povos ind\u00edgenas, do povo negro, da diversidade sexual, das periferias. Sementes que honram a mem\u00f3ria de Marielle Franco, mesmo nesse contexto t\u00e3o \u00e1rido, t\u00e3o violento, ainda assim germinam. H\u00e1 muita indigna\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o, discernimento e coragem de mulheres prontas para a resist\u00eancia. E muitas outras brotar\u00e3o depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentamos o processo eleitoral imersas no pandem\u00f4nio das <em>fake News<\/em> bolsonaristas e na pandemia do COVID 19. Enfrentamos o poder das megacorpora\u00e7\u00f5es da <em>Big Data<\/em>, que lan\u00e7am m\u00e3o de sofisticados mecanismos de dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o de mentes, privilegiando plataformas conservadoras e representantes dos interesses do capital. Trata-se de uma guerra entre a urg\u00eancia da vida real e uma verdade inventada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o debate pol\u00edtico est\u00e1 escasso e as desigualdades estruturais t\u00eam se aprofundado, n\u00e3o s\u00f3 pela nega\u00e7\u00e3o de direitos, mas tamb\u00e9m pela exclus\u00e3o dos espa\u00e7os de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mesmo face \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, a submiss\u00e3o do poder p\u00fablico e de seus mandat\u00e1rios ao poder econ\u00f4mico, a supress\u00e3o da justi\u00e7a ecossocial em favor do lucro predat\u00f3rio que aniquila a vida, ainda assim, nesta d\u00e9bil democracia que ainda respira, h\u00e1 candidaturas das mulheres em oposi\u00e7\u00e3o ao poder estabelecido. Elas est\u00e3o construindo alternativas, por dentro e por fora do sistema pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o possamos celebrar o crescimento do n\u00famero de candidaturas de mulheres nesse ano, \u2014 pois elas mais uma vez se mantiveram no patamar m\u00ednimo dos 30% previstos em lei \u2013, podemos celebrar a entrada massiva e organizada das mulheres negras na campanha. \u00c9 uma vit\u00f3ria importante dos movimentos sociais feministas e antirracistas, que conquistamos na press\u00e3o de fora para dentro do sistema pol\u00edtico. Neste ano de 2020 o total de candidaturas de pessoas negras (a\u00ed inclu\u00eddos homens e mulheres) aumentou 2,08% em rela\u00e7\u00e3o a 2016, totalizando 277.967 registros, cerca de 49,99%, do total de candidaturas (517.328), de acordo com os dados do TSE; enquanto as candidaturas de mulheres s\u00e3o 186.144, representando 33,5% do total. Permanecemos, portanto, mais uma vez no patamar m\u00ednimo por sexo estabelecido pela legisla\u00e7\u00e3o para as elei\u00e7\u00f5es proporcionais, que \u00e9 de 30%.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, como sempre defendemos, reafirmamos: \u00e9 preciso avan\u00e7ar na estrat\u00e9gia da presen\u00e7a aliada \u00e0 estrat\u00e9gia das ideias, ou seja, candidaturas de mulheres, negras, ind\u00edgenas compromissadas com os princ\u00edpios e lutas feministas, antirracistas, decoloniais, anticapitalistas. Sem essa combina\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil a supera\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fascista que assola o pa\u00eds. O sistema pol\u00edtico vigente, em que pesem positivamente os elementos democr\u00e1ticos que conseguimos instituir a partir das lutas sociais, \u00e9 fundamentalmente uma estrutura de sustenta\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f4mico, patriarcal, racista, etnoc\u00eantrico, heteronormativo. Por isso os mecanismos da democracia participativa s\u00e3o t\u00e3o ineficazes, e os da democracia direta praticamente n\u00e3o existem.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres que est\u00e3o concorrendo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es trazem para o cen\u00e1rio pol\u00edtico um conjunto de demandas para a estrutura\u00e7\u00e3o da vida cotidiana nas comunidades. H\u00e1 urg\u00eancias sobre como viver nos territ\u00f3rios, que v\u00e3o da qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da vida, passando pelas pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica, direito \u00e0 moradia, transporte p\u00fabico, saneamento urbano, a necessidade de equipamentos que sustentem a economia do cuidado, at\u00e9 toda a reestrutura\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o p\u00fablica municipal, para democratiz\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais de 10 anos um conjunto de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais brasileiros estruturaram uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para mudar as regras do jogo eleitoral: a Plataforma pela Reforma do Sistema Pol\u00edtico, que cont\u00e9m um conjunto de proposta que radicalizam a democratiza\u00e7\u00e3o do poder. Em destaque, o financiamento p\u00fablico exclusivo de campanha; lista fechada com altern\u00e2ncia de sexo. Al\u00e9m de um conjunto de propostas para o fortalecimento da democracia direta e participativa. Questionamos a hegemonia do poder, concentrada nas m\u00e3os dos homens brancos. A sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres, popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgenas estiveram e continuam no centro dos debates cr\u00edticos ao sistema pol\u00edtico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 na marca dos piores em representa\u00e7\u00e3o feminina. No parlamento, figurando abaixo de pa\u00edses percebidos, por grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, como atrasados e fundamentalistas. Ocupando a 140\u00ba posi\u00e7\u00e3o no ranking da representa\u00e7\u00e3o feminina no legislativo, em uma lista de 190 pa\u00edses, o que significa que as mulheres brasileiras t\u00eam uma longa jornada de luta para aumentar sua participa\u00e7\u00e3o no parlamento. Uma proje\u00e7\u00e3o feita por ONU Mulheres indicou que se continuarmos nesse ritmo, ser\u00e3o 80 anos para equiparar as mulheres aos homens em representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em nosso pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/congresso\/brasil-e-140o-em-ranking-de-representacao-feminina-no-legislativo\/\">Hoje, no Congresso Nacional, contamos um total de 86 mulheres, 75 deputadas e 11 senadoras<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o tenha crescido o n\u00famero de mulheres candidatas (depois de 25 anos estamos conseguindo que a porcentagem m\u00ednima de 30% seja cumprida), temos acumulado uma evolu\u00e7\u00e3o das candidaturas populares, feministas, de mulheres comprometidas com mudan\u00e7as estruturais que reduzam as desigualdades e ampliem direitos. Temos tido o crescimento das candidaturas coletivas e j\u00e1 tamb\u00e9m experiencias bastante ricas de mandatas coletivas, a exemplo do Juntas, em Pernambuco e Bancada Ativista, em S\u00e3o Paulo e a Mandata, em Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, uma press\u00e3o de movimentos sociais, de fora para dentro do sistema pol\u00edtico excludente. Assim como as alternativas que lutamos e viabilizamos anteriormente para mulheres, negras\/os \u2013 quotas de candidaturas, reparti\u00e7\u00e3o do tempo de propaganda eleitoral gratuita reparti\u00e7\u00e3o dos fundos de campanha e dos fundos partid\u00e1rios \u2013 tamb\u00e9m essa brecha das mandatas coletivas pode ser desidratada, perder o seu potencial questionador das estruturas de desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma r\u00e1pida pesquisa com as palavras \u201ccandidaturas coletivas\u201d j\u00e1 nos d\u00e1 a dimens\u00e3o do crescimento de iniciativas desse tipo, s\u00e3o dezenas de mat\u00e9rias abordando o tema, avaliando as experi\u00eancias j\u00e1 existentes e apontando o crescimento de candidaturas desse tipo nestas elei\u00e7\u00f5es. S\u00e3o centenas de candidaturas coletivas espalhadas por todo o Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o experiencias importantes de novas formas de se fazer pol\u00edtica, de se tentar gest\u00f5es mais coletivas, de construirmos propostas e pol\u00edticas de forma um pouco mais horizontal. Mas os limites dessas experi\u00eancias s\u00e3o enormes, em uma estrutura engessada por formas patriarcais, racistas e machistas de se fazer pol\u00edticas, concentrando poder e recursos. Mat\u00e9ria recente, publicada no jornal <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, exp\u00f5e de forma cruel o que estamos falando.<\/p>\n\n\n\n<p>As dificuldades para as candidaturas que lutam contra a corrente da pol\u00edtica hegem\u00f4nica, s\u00e3o in\u00fameras. Uma delas \u00e9 a dificuldade com o financiamento das campanhas, resultado da estrutura machista, mis\u00f3gina, classista que alicer\u00e7am as organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias em suas estruturas de exclus\u00e3o. Al\u00e9m da falta de dinheiro, falta tempo \u00e0s mulheres para se dedicarem \u00e0 vida pol\u00edtica, a tripla jornada inviabiliza as candidaturas das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ano chama tamb\u00e9m a aten\u00e7\u00e3o a maior organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras, se apresentando como candidatas, em candidaturas individuais e coletivas, pautando o debate imprescind\u00edvel do reconhecimento e da supera\u00e7\u00e3o do racismo estrutural que nos permeia. Colocando na rua candidaturas feministas antirracistas, coletivas ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperamos que mais mulheres feministas antirracistas sejam eleitas, que sejam a express\u00e3o de nossa diversidade racial, \u00e9tnica, geracional; queremos mais trabalhadoras, l\u00e9sbicas e trans na pol\u00edtica; queremos tamb\u00e9m homens compromissados com as lutas. Precisamos eleger mulheres e homens dispostos a transformar essas estruturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos tamb\u00e9m de estar atentas e denunciar epis\u00f3dios de viol\u00eancia pol\u00edtica contra as mulheres que ocorram durante as campanhas e no exerc\u00edcio dos mandatos, caso eleitas. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica bastante comum nos legislativos brasileiros, e n\u00e3o faltam relatos de parlamentares sobre as viol\u00eancias que sofreram e sofrem. O problema est\u00e1 pautado em duas proposi\u00e7\u00f5es legislativas criando o tipo penal de viol\u00eancia pol\u00edtica contra as mulheres, problematizando e desnaturalizando essas atua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto \u00e9 muito adverso, remamos contra a mar\u00e9 conservadora. At\u00e9 as candidaturas perif\u00e9ricas e coletivas correm o risco de esgar\u00e7ar sua capacidade de sustentar politicamente as lutas identit\u00e1rias, locais e as pautas comunit\u00e1rias promotoras de direitos, como est\u00e1 na origem destas experi\u00eancias em sua esmagadora maioria. Experi\u00eancias que corporificam as demandas das popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas pelo racismo, a desigualdade social e o preconceito. Queremos candidaturas e mandatas comprometidas com a democracia, com a amplia\u00e7\u00e3o de direitos e supera\u00e7\u00e3o de desigualdades. Candidaturas que defendam e promovam o livre exerc\u00edcio dos direitos sexuais e reprodutivos, entre esses o direito ao aborto legal, seguro e gratuito e a autonomia das mulheres sobre seu corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o desanimemos: em tempos de resist\u00eancia, a constru\u00e7\u00e3o do contrapoder tamb\u00e9m acontece nesses canais estreitos. As candidaturas feministas antirracistas anticapitalistas, sejam individuais ou coletivas, se fortalecem quanto mais estejam enraizadas no terreno das lutas sociais pelo Bem Viver e contra todas as formas de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. \u00c9 o debate, a mobiliza\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o coletiva de alternativas nos territ\u00f3rios onde a vida se sustenta o que mais fortalece os processos de transforma\u00e7\u00e3o ecossocial que almejamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2020, emergem as negras e as mandatas coletivas. 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