{"id":11745,"date":"2020-08-12T17:20:00","date_gmt":"2020-08-12T20:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11745"},"modified":"2020-08-29T21:24:03","modified_gmt":"2020-08-30T00:24:03","slug":"feminismo-e-internet-as-fronteiras-para-o-livre-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11745","title":{"rendered":"Feminismo e internet: as fronteiras para o livre saber"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Universidade Livre Feminista lan\u00e7a ciclo de debates sobre as possibilidades (e limita\u00e7\u00f5es) do ativismo e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas redes: as barreiras f\u00edsicas ao acesso democr\u00e1tico \u2013 e as disputas de espa\u00e7o com o discurso de \u00f3dio, racista e machista<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por <strong>CFEMEA<\/strong>, na coluna <em><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/feminismo-e-internet-as-fronteiras-para-o-livre-saber\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baderna Feminista<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" data-attachment-id=\"11772\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11772\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?fit=1024%2C576&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,576\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"capa-cfemea-2-1024&amp;#215;576\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?fit=300%2C169&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?fit=640%2C360&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11772\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O isolamento social nos abriu um leque imenso de possibilidades de forma\u00e7\u00e3o virtual, incluindo as que tratam de temas feministas. Ironicamente, a Universidade Livre Feminista (ULF), que promove esse tipo de forma\u00e7\u00e3o h\u00e1 10 anos, se viu num per\u00edodo de reflex\u00e3o interna. A Rede de Colaboradoras, que hoje re\u00fane mulheres de todo o pa\u00eds dedicadas a fazer o projeto acontecer, est\u00e1 fazendo um debate sobre os desafios colocados para a ULF. Qual o lugar e o papel da forma\u00e7\u00e3o feminista na internet hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade Livre Feminista foi gestionada inicialmente pelo CFEMEA com o sonho de que esse espa\u00e7o virtual de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de e para mulheres feministas, comprometidas com lutas pelo fim das desigualdades raciais, sociais, de classe, regionais, ambientais que tanto assolam a n\u00f3s<\/p>\n\n\n\n<p>brasileiras fosse ampliado e apropriado por outros coletivos. Assim, desde 2009, a<a href=\"http:\/\/www.feminismo.org.br\"> Universidade Livre Feminista<\/a> cresceu com a presen\u00e7a de outras organiza\u00e7\u00f5es, em especial o SOS Corpo \u2013 Instituto Feminista para a Democracia (sediado em Recife) e a Cunh\u00e3 \u2013 Coletivo Feminista (sediada em Jo\u00e3o Pessoa). E, nos \u00faltimos anos, conta com uma Rede de Colaboradoras, formada por ativistas de todo o pa\u00eds dispostas a contribuir com o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa partia do sonho de promover a troca de saberes entre mulheres de todo o pa\u00eds, documentar as produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, pol\u00edticas e acad\u00eamicas de mulheres engajadas na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminista, al\u00e9m de apoiar a organiza\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos diferentes movimentos de mulheres. A<\/p>\n\n\n\n<p>internet era um horizonte convidativo para algo nesse sentido, pois estava em franca transforma\u00e7\u00e3o e repleta de possibilidades. Para construir o projeto, bebemos da fonte do que os movimentos de mulheres constru\u00edram como<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zwK84OB4l_U\"> pedagogia feminista<\/a>. Sua principal caracter\u00edstica \u00e9 que ela se baseia na valoriza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de confian\u00e7a e ambientes de partilha e escuta.<\/p>\n\n\n\n<p>E pedagogia feminista tem uma refer\u00eancia ineg\u00e1vel na educa\u00e7\u00e3o popular e nas reflex\u00f5es de Paulo Freire, mas tamb\u00e9m das teorias feministas e na experi\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es que lutaram desde a democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pela igualdade de direitos. S\u00e3o princ\u00edpios caros dessa pedagogia feminista e<\/p>\n\n\n\n<p>popular, a dialogicidade, a autorreflex\u00e3o, a integra\u00e7\u00e3o entre corpo e mente, a preocupa\u00e7\u00e3o com o cuidado e o autocuidado, assim como a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de troca horizontais e acolhedores. Assim, a proposta da Universidade Livre Feminista n\u00e3o se baseia na ideia de transmiss\u00e3o de<\/p>\n\n\n\n<p>conte\u00fados, mas sim do compartilhamento de ideias, pensamentos e conhecimentos, constru\u00eddos ou a se construir. \u00c9 o encontro entre as mulheres, na sua diversidade, que constr\u00f3i novos conhecimentos, pela troca de ideias e de saberes, pela coletiviza\u00e7\u00e3o do pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Facebook havia surgido em 2004 e outras plataformas estavam transformando as formas de comunica\u00e7\u00e3o que conhec\u00edamos \u2013 a chamada web 2.0. Havia caminhos poss\u00edveis para tornar as ferramentas digitais mais acess\u00edveis e democr\u00e1ticas. E o feminismo pautava a constru\u00e7\u00e3o de uma<\/p>\n\n\n\n<p>internet feminista. De l\u00e1 para c\u00e1, foram in\u00fameras mudan\u00e7as pol\u00edticas. E no contexto virtual, foram criados diversos blogs feministas, mas que logo foram dando lugar \u00e0s p\u00e1ginas de facebook, canais no Youtube e influencers no Instagram e no Twitter.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das iniciativas de sucesso parecem estar em paz com as plataformas que ocupam. Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, definem suas pr\u00f3prias regras de funcionamento interno e que, n\u00e3o raro, s\u00e3o antifeministas. O whatsapp, principal meio de acesso a informa\u00e7\u00f5es de muitas pessoas, est\u00e1 inundado de redes de Fake News que determinam o jogo pol\u00edtico. Isso sem falar nas diversas viol\u00eancias de g\u00eanero e de ra\u00e7a e discursos de \u00f3dio que seguem sendo disseminados na rede. Uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminista antirracista pode se dar por esses meios?<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos seus dez anos de exist\u00eancia, a Universidade Livre Feministas se deparou com as diferentes rela\u00e7\u00f5es das mulheres com as tecnologias digitais e os limites da sua proposta diante da realidade brasileira. O Brasil teve um aumento expressivo do acesso \u00e0 internet. Entre 2005 e 2018, o<\/p>\n\n\n\n<p>n\u00famero de domic\u00edlios brasileiros com acesso \u00e0 internet subiu de 21% para 67% (TIC, 2005 e 2018). Mas apesar desse aumento, os servi\u00e7os se expandem de forma prec\u00e1ria, em um pa\u00eds marcado por desigualdades regionais, de classe, ra\u00e7a, g\u00eanero e escolaridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez muitas mulheres que le\u00eam o site Outras Palavras estejam em casa, com acesso \u00e0 internet via Wi-Fi. No entanto, \u00e0 medida que criamos forma\u00e7\u00f5es feministas que inclu\u00edam mulheres populares, que moram em cidades fora das capitais, nos deparamos com uma forma completamente diferente de acesso. Na pesquisa que lan\u00e7amos este ano sobre o tema \u2013<a href=\"https:\/\/feminismo.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/NAS-RODAS-E-NAS-REDES_VERSAO-DIGITAL.pdf\"> \u201cNas rodas e nas redes: uso da internet por mulheres de movimentos populares\u201d<\/a> \u2013 apresentamos os dados sobre acesso nas periferias, nas cidades do norte e nordeste deste pa\u00eds, da floresta ao litoral. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. Prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e0s falas, \u00e0s teorias e pr\u00e1ticas das mulheres e seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>As viv\u00eancias de mulheres que fizeram parte de cursos da Universidade Livre Feminista, falam muito sobre o funcionamento de aplicativos e sobre como a tecnologia se relaciona com a nossa sa\u00fade mental. Ent\u00e3o o que encontramos n\u00e3o foi s\u00f3 falta de acesso. N\u00e3o \u00e9 que a internet n\u00e3o chega. Mesmo ali, onde o sinal s\u00f3 funciona num determinado lugar, as mulheres acessam conte\u00fados que alimentam suas resist\u00eancias cotidianas. Ao mesmo tempo, tem que aprender a mexer nas novas ferramentas, a manejar o tempo de acesso com as outras demandas da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos aos nossos dez anos de Universidade Livre Feminista querendo saber como podemos contribuir para n\u00e3o s\u00f3 compartilhar conte\u00fados feministas, mas para lembrar que tamb\u00e9m \u00e9 preciso refletir sobre como os debates acontecem, quais s\u00e3o as formas de acesso das mulheres e de que formas as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o compartilhadas. Queremos explorar de maneira contra-hegem\u00f4nica as novas possibilidades que elas trazem para as experi\u00eancias de educa\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e tamb\u00e9m sobre as suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a essa Pandemia, nos vimos diante do maior desafio dessa jornada, de como aproveitar todas as reflex\u00f5es que fizemos ao longo do tempo para contribuir com esses outros projetos e, ao mesmo tempo, recuperar o f\u00f4lego para continuar fazendo dele um projeto poss\u00edvel. Por isso, estamos realizando uma s\u00e9rie de debates sobre temas como educa\u00e7\u00e3o feminista \u00e0 dist\u00e2ncia, redes sociais e seguran\u00e7a digital. Na semana que vem, tamb\u00e9m vamos come\u00e7ar a compartilhar alguns conte\u00fados para quem est\u00e1 chegando no feminismo no nosso perfil do Instagram, tentando atender a uma demanda constante de quem quer come\u00e7ar a entender melhor o tema e n\u00e3o sabe por onde come\u00e7ar. No futuro, esperamos compartilhar publica\u00e7\u00f5es que sistematizam as experi\u00eancias desses anos de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E quem sabe com isso, incentivar que voltemos a sonhar com uma internet livre, acess\u00edvel a todas as pessoas e com princ\u00edpios feministas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Universidade Livre Feminista lan\u00e7a ciclo de debates sobre as possibilidades (e limita\u00e7\u00f5es) do ativismo e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas redes: as barreiras f\u00edsicas ao acesso democr\u00e1tico \u2013 e as disputas de espa\u00e7o com o discurso de \u00f3dio, racista e machista.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":11772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,10],"tags":[],"class_list":["post-11745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","category-pontos-de-vista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-cfemea-2-1024x576-1.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-33r","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11745"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11782,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11745\/revisions\/11782"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}