{"id":11571,"date":"2020-07-13T10:28:00","date_gmt":"2020-07-13T13:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11571"},"modified":"2020-07-03T21:50:02","modified_gmt":"2020-07-04T00:50:02","slug":"extrativismo-e-covid-19-uma-pandemia-reveladora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11571","title":{"rendered":"Extrativismo e covid-19, uma pandemia reveladora"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">A pandemia deixa transparecer os danos causados pelo extrativismo nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Neste tempo incerto e complexo, evidenciam-se a prepot\u00eancia, o predom\u00ednio do capital sobre a vida e os efeitos da destrui\u00e7\u00e3o das capacidades produtivas n\u00e3o depredadoras. Com sua hist\u00f3ria de desafios ao modelo hegem\u00f4nico e suas a\u00e7\u00f5es para combater a fome em tempos de pandemia, as mulheres dos setores populares s\u00e3o atoras presentes e eloquentes. Que essa presen\u00e7a continue sendo vis\u00edvel nas reconfigura\u00e7\u00f5es que se produzirem quando o v\u00edrus estiver de sa\u00edda.<\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"354\" data-attachment-id=\"11574\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11574\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?fit=778%2C430&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"778,430\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"capa-3-3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?fit=300%2C166&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?fit=640%2C354&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?resize=640%2C354&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11574\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?w=778&amp;ssl=1 778w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/capa-3-3.jpg?resize=768%2C424&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Por Lilian Soto<\/strong>|<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/extractivismo-y-soberania-por\" target=\"_blank\" aria-label=\"undefined (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Revista BRAVAS n.12<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o continua imersa no olho da crise que se propagou quase sem aviso por todos os continentes e imobilizou o planeta. H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas meses de declarada a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria mundial, a doen\u00e7a j\u00e1 causou mais de 400 mil mortes<a>[1]<\/a>, as medidas de distanciamento se converteram em quarentenas e em uma verdadeira paralisa\u00e7\u00e3o mundial. As fronteiras foram fechadas em muitos pa\u00edses e, no final de mar\u00e7o, quase toda nossa regi\u00e3o fechou a passagem para tudo o que n\u00e3o fosse transporte de mercadorias e retornos de pessoas repatriadas. As medidas provocaram alguns impactos inesperados e sumariamente reveladores das consequ\u00eancias dos extrativismos os quais o escritor Eduardo Gudynas descreveu como \u201cmuito mais que um conjunto de projetos, j\u00e1 que est\u00e3o gerando e cristalizando ideias do desenvolvimento arraigadas sobre o progresso material, obcecadas com a valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e cada vez menos democr\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O cerco autoimposto dos pa\u00edses como resposta \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus evidenciou de forma mais clara o dano que causam os mecanismos com os quais opera o modelo extrativista hegem\u00f4nico nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e a dois deles se refere este artigo: a pol\u00edtica do mais forte para continuar sustentando a preval\u00eancia do capital sobre a vida e as consequ\u00eancias da submiss\u00e3o do sul ao que o norte necessita, mesmo \u00e0s custas de seu pr\u00f3prio bem-estar, consolidando rela\u00e7\u00f5es de desigualdade e de domina\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A l\u00f3gica do mais forte\u200b<\/h4>\n\n\n\n<p>Um elemento chave do extrativismo \u00e9 a l\u00f3gica do mais forte: quem tem dinheiro ou armas se apropria dos bens naturais e os explora para seu benef\u00edcio, inclusive se isso viola os direitos de popula\u00e7\u00f5es inteiras. Desse modo, na tens\u00e3o capital-vida, prevalecem os interesses do capital. \u00c9 o que aconteceu historicamente na regi\u00e3o e que adquire, no que se antecipa do s\u00e9culo XXI, novos ind\u00edcios expansivos no marco de viol\u00eancias extremas como \u201cas territorialidades criminosas, viol\u00eancia estatal e paraestatal, viol\u00eancia patriarcal; enfim, expans\u00e3o das energias extremas\u201d. (Svampa 13).<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de crise, esta forma de operar, baseada na prepot\u00eancia e na viol\u00eancia, estende-se a quest\u00f5es b\u00e1sicas da sobreviv\u00eancia; neste per\u00edodo, aconteceu com os insumos para a sa\u00fade, indispens\u00e1veis para enfrentar o covid-19. Com efeito, a maioria da mobiliza\u00e7\u00e3o de mercadorias de um pa\u00eds a outro, habilitada a pesar do fechamento de fronteiras, compreende o necess\u00e1rio para garantir o atendimento em sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o (m\u00e1scaras, respiradores, equipamentos de prote\u00e7\u00e3o pessoal como macac\u00f5es, m\u00e1scaras especiais e outros, os quais, devido \u00e0 alta demanda, come\u00e7aram a faltar no come\u00e7o do per\u00edodo de pandemia). Esta insufici\u00eancia desencadeou a\u00e7\u00f5es ao estilo pirata, como as denunciadas em rela\u00e7\u00e3o aos respiradores de Taiwan destinados ao Paraguai, que ficaram nos Estados Unidos<a>[2]<\/a>, ou o ocorrido com v\u00e1rias cargas de m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o, em seu tr\u00e2nsito entre China e pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica Latina, retidas em alguns deles<a>[3]<\/a>. Se a isso somamos que, em pa\u00edses como Argentina, Brasil e Paraguai, os gr\u00eamios de setores econ\u00f4micos de poder buscaram levantar as medidas sanit\u00e1rias rapidamente para evitar perdas de seus imensos lucros, fica claro que o capitalismo extrativista exp\u00f4s sua pior face neste per\u00edodo complexo para a humanidade, demonstrando que o confronto capital versus vida est\u00e1 mais vigente do que nunca, mesmo em tempos t\u00e3o incertos e quando a prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e a vida deveriam ser priorizadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"589\" height=\"408\" data-attachment-id=\"11573\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11573\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-74.jpg?fit=589%2C408&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"589,408\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"imagem-74\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-74.jpg?fit=300%2C208&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-74.jpg?fit=589%2C408&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-74.jpg?resize=589%2C408&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11573\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-74.jpg?w=589&amp;ssl=1 589w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-74.jpg?resize=300%2C208&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><figcaption>Cr\u00e9dito: F\u00e1tima E. Rodr\u00edguez &#8211; CDE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os alimentos em tempos de pandemia\u200b<\/h4>\n\n\n\n<p>A outra vertente central da mobiliza\u00e7\u00e3o de mercadorias, habilitada apesar das fronteiras fechadas, \u00e9 a provis\u00e3o de alimentos. Permitir a importa\u00e7\u00e3o-exporta\u00e7\u00e3o do necess\u00e1rio para que as pessoas tenham garantida a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma isen\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel aos fechamentos fronteiri\u00e7os; sem isso, n\u00e3o seria poss\u00edvel sustentar as medidas de quarentena. Ao analisar isso, visualiza-se claramente que a importa\u00e7\u00e3o de alimentos hoje \u00e9 inevit\u00e1vel para pa\u00edses da regi\u00e3o com terras f\u00e9rteis e possiblidades de produ\u00e7\u00e3o para cobrir suas demandas internas, mas que n\u00e3o o fizeram porque as pol\u00edticas p\u00fablicas estavam centradas no extrativismo. A \u201capropria\u00e7\u00e3o de recursos naturais para export\u00e1-los\u201d (Gudynas, 7) se contrap\u00f4s assim a propiciar o autoabastecimento alimentar na regi\u00e3o. \u00c9 o caso do Paraguai, um pa\u00eds que, com mais de seis milh\u00f5es de hectares destinados ao cultivo, dedica apenas 6,3%<a>[4]<\/a> dessa superf\u00edcie \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos; entretanto, o resto est\u00e1 destinada ao agroneg\u00f3cio, que avan\u00e7a sem parar, expulsando os camponeses desde os anos 70 (Riquelme e Vera, 17).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 o caso da Argentina, mas a partir de outra perspectiva: a da monopoliza\u00e7\u00e3o na esfera da ind\u00fastria aliment\u00edcia. Este pa\u00eds, embora tenha as possibilidades de abastecer melhor suas necessidades alimentares internas (Dehati et al, 201), tem visto, a partir dos anos 90, a implanta\u00e7\u00e3o do modelo do agroneg\u00f3cio e com isso a concentra\u00e7\u00e3o em algumas empresas de todo o processo de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o, o qual \u201cdetermina os pre\u00e7os dos produtos em detrimento dos pequenos e m\u00e9dios produtores\u201d (Garc\u00eda Guerreiro e Wahren, 330). \u00c9 o que Vandana Shiva denominava totalitarismo alimentar no in\u00edcio deste s\u00e9culo, quando afirmava: \u201cEstamos sendo testemunhas do surgimento do totalitarismo alimentar, no qual um punhado de grandes empresas controla toda a cadeia alimentar e destr\u00f3i alternativas para que as pessoas n\u00e3o tenham acesso a alimentos diversos e seguros produzidos ecologicamente\u201d (Shiva, 31).\u200b<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">As consequ\u00eancias do dano\u200b<\/h4>\n\n\n\n<p>Hoje, em muitos pa\u00edses de nossa regi\u00e3o, os setores que produzem alimentos come\u00e7am a cobrar visibilidade apesar das dificuldades, como o campesinato ou as granjas e hortas ecol\u00f3gicas. Por\u00e9m, se a pandemia continuar, a vacina demorar a chegar, as medidas se estender\u00e3o e, como especialistas da economia preveem, o mundo entrar\u00e1 em uma recess\u00e3o dif\u00edcil e se produzir\u00e1 uma baixa da produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses provedores de alimentos para o consumo. O que acontecer\u00e1 com a alimenta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, neste novo per\u00edodo extrativista<a>[5]<\/a>, nossos pa\u00edses do sul foram obrigados a se especializarem em ser provedores do que o norte necessita, o que implicou a exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima tirada diretamente da explora\u00e7\u00e3o dos bens naturais, expandindo projetos de monocultivos, mega minera\u00e7\u00e3o, privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e outros. Nas palavras de Gdynas, \u201cos extrativismos se estenderam em todo o continente, n\u00e3o pela demanda interna, mas pela de outras regi\u00f5es. O resultado \u00e9 que se aprovam e implantam empreendimentos extrativos para atender interesses exportadores\u201d (16). N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil que agora, uma vez instalada a crise, o dano causado pelo extrativismo possa ser revertido com rapidez. De fato, dificilmente haver\u00e1 interesse dos setores do poder econ\u00f4mico em modificar o modelo quando a crise acabar.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ent\u00e3o, cabe nos perguntar se haver\u00e1 possiblidades de que o olhar social p\u00f3s-pandemia valorize mais a soberania alimentar, o autoabastecimento na alimenta\u00e7\u00e3o e deixe de pensar na explora\u00e7\u00e3o dos bens naturais como um horizonte desej\u00e1vel. Provavelmente isso depender\u00e1 da disputa que se possa dar diante deste pensamento que hoje soa hegem\u00f4nico. Sim, pareceria evidente que a dire\u00e7\u00e3o para onde se decantem nossas sociedades nesta dicotomia, uma vez passada a crise da sa\u00fade, depender\u00e1 da capacidade que exista de evitar que se monopolize o debate em dire\u00e7\u00e3o ao olhar e aos conceitos de \u201cdesenvolvimento\u201d vinculados ao extrativismo. E de que nessa controv\u00e9rsia de sentidos participem com voz potente e de protagonista aqueles que t\u00eam resistido ao modelo obrigat\u00f3rio e t\u00eam sido capazes de gerar alternativas ainda com meios t\u00e3o diversos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"410\" data-attachment-id=\"11572\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11572\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-3-1.jpg?fit=620%2C410&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"620,410\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"imagem-3-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-3-1.jpg?fit=300%2C198&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-3-1.jpg?fit=620%2C410&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-3-1.jpg?resize=620%2C410&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11572\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-3-1.jpg?w=620&amp;ssl=1 620w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/imagem-3-1.jpg?resize=300%2C198&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Cr\u00e9dito: Luis Vera &#8211; CDE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">As mulheres, a resist\u00eancia ao extrativismo e a p\u00f3s-pandemia\u200b<\/h4>\n\n\n\n<p>No lugar de atoras principais da resist\u00eancia ao extrativismo na Am\u00e9rica Latina, encontram-se, claramente, as mulheres: as camponesas que desenvolvem hortas agroecol\u00f3gicas e bancos e interc\u00e2mbios de sementes nativas para combater a invas\u00e3o das transg\u00eanicas; as mulheres ind\u00edgenas que se organizam para produzir alimentos nas condi\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis, como as que vivem no Chaco paraguaio e utilizam a alfarroba para produzir farinha; as mulheres dos bairros populares de muitas das cidades da regi\u00e3o que organizam hortas urbanas, como as que come\u00e7aram os empreendimentos de agricultura urbana na cidade de Rosario, Argentina, no final dos anos 80 e in\u00edcio dos 90 (Lattuca, 98), dando in\u00edcio ao que hoje \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica municipal estendida. A inquestion\u00e1vel presen\u00e7a feminina, na resist\u00eancia ao extrativismo e na produ\u00e7\u00e3o dos alimentos necess\u00e1rios para a sobreviv\u00eancia humana, \u00e9 mais vis\u00edvel do que nunca neste tempo de crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, al\u00e9m disso, as mulheres est\u00e3o sendo as respons\u00e1veis por evitar que a fome se apodere de muitas das comunidades populares da regi\u00e3o, organizando panelas e refeit\u00f3rios que d\u00e3o de comer a milhares de fam\u00edlias. Na Argentina, as mulheres de organiza\u00e7\u00f5es como Bairros de P\u00e9 se juntam, com os cuidados necess\u00e1rios, e preparam alimentos para suas comunidades<a>[6]<\/a>. No Chile, a presen\u00e7a das mulheres na gest\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o das panelas comunit\u00e1rias \u00e9 marcada e minimiza a fome em muitos bairros de Santiago<a>[7]<\/a>. No Paraguai, essas iniciativas se multiplicaram em todo o pa\u00eds<a>[8]<\/a>, dirigidas tamb\u00e9m majoritariamente por mulheres, e nas zonas rurais a produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar camponesa \u00e9 a que prov\u00ea os insumos que possibilitam preparar as refei\u00e7\u00f5es completas<a>[9]<\/a>, e, inclusive, abastecem as que se desenvolvem nas zonas urbanas<a>[10]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a capacidade das iniciativas que resistiram ao extrativismo para prover o alimento b\u00e1sico para a sobreviv\u00eancia em tempos de pandemia quanto o incentivo das organiza\u00e7\u00f5es populares para se organizar e combater a fome, e o papel que as mulheres tiveram e t\u00eam nesses processos, s\u00e3o saberes que n\u00e3o podem ser silenciados neste tempo, e menos ainda quando ocorrer a sa\u00edda da crise. Nesse momento, ser\u00e1 mais necess\u00e1rio do que nunca elevar a voz e lembrar que o modelo econ\u00f4mico extrativista que se expande na maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 eficaz para proporcionar o b\u00e1sico em alimentos de que a popula\u00e7\u00e3o necessita em momentos de crise mundial como a que vivemos, e que esses modelos de explora\u00e7\u00e3o dos bens naturais, de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, de destrui\u00e7\u00e3o ilimitada dos recursos, envenenamento de cursos de \u00e1gua e exclus\u00e3o de amplos setores das popula\u00e7\u00f5es de nossos pa\u00edses, devem ser modificados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve ficar claro que as mudan\u00e7as n\u00e3o podem ser produzidas sem a participa\u00e7\u00e3o daqueles que impedem hoje que \u00e0 crise de sa\u00fade se some e se expanda a cat\u00e1strofe da fome, por terem sido capazes de propor a soberania alimentar como um horizonte, e de se organizarem para prover alimenta\u00e7\u00e3o e desafiar, assim, um modelo que \u201cpercorre a longa mem\u00f3ria do continente e suas lutas, define um modo de apropria\u00e7\u00e3o da natureza, um padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o colonial, associado ao nascimento do capitalismo moderno\u201d (Svampa, 21).<\/p>\n\n\n\n<p>As prioridades da humanidade, e quem se ocupa delas, revelam-se em tempos de dificuldades, e a pandemia nos mostra hoje que as mulheres e as organiza\u00e7\u00f5es populares s\u00e3o atoras centrais para identificar e assumir responsabilidades no tocante a aspectos t\u00e3o indispens\u00e1veis, como garantir a alimenta\u00e7\u00e3o. Suas experi\u00eancias e aprendizagens n\u00e3o podem ser ignoradas no debate de sa\u00edda dessa crise e em decidir para onde se orientar\u00e3o nossas sociedades a fim de assegurar a sustentabilidade da vida.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Referencias\u200b<\/h5>\n\n\n\n<p>Garc\u00eda Guerreiro, Luciana y Juan Wahren. <strong>Seguridad Alimentaria vs. Soberan\u00eda Alimentaria: La cuesti\u00f3n alimentaria y el modelo del agronegocio en la Argentina<\/strong>. Trabajo y Sociedad Sociolog\u00eda del trabajo- Estudios culturales- Narrativas sociol\u00f3gicas y literarias NB &#8211; N\u00facleo B\u00e1sico de Revistas Cient\u00edficas Argentinas (Caicyt-Conicet) N\u00ba 26, Verano 2016, Santiago del Estero, Argentina\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Gudynas, Eduardo. <strong>Extractivismos. Ecolog\u00eda, econom\u00eda y pol\u00edtica de un modo de entender el desarrollo y la Naturaleza.<\/strong> Cochabamba: Centro de Documentaci\u00f3n e Informaci\u00f3n Bolivia (CEDIB), 2015. Web. 6 de junio. 2020.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Lattuca, Antonio. <strong>La agricultura urbana como pol\u00edtica p\u00fablica: el caso de la ciudad de Rosario, Argentina.<\/strong> Agroecolog\u00eda 6: 97, 2012. Web. 8 de junio. 2020\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Miranda, Faustina Dehatri; Franci, Mar\u00eda; Delgado, Mar\u00eda Florencia; Cuenca, Valeria; Quevedo, Cecilia.<strong> Seguridad y soberan\u00eda alimentaria en Argentina.<\/strong> Universidad de Manizales. Facultad de Ciencias Contables, Econ\u00f3micas y Administrativas. Centro de Publicaciones; Revista Asuntos Econ\u00f3micos y Administrativos; 24; 4-2013; 201-218 Web. 6 junio. 2020.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Riquelme y Vera. <strong>Agricultura campesina, agronegocio y migraci\u00f3n El impacto de los modelos de producci\u00f3n en la din\u00e1mica de los territorios.<\/strong> Asunci\u00f3n: CDE, 2015. Web. 6 de junio. 2020\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Shiva, Vandana. Cosecha robada. <strong>El secuestro del suministro mundial de alimentos.<\/strong> Barcelona: Editorial Paid\u00f3s, 2003 (2000). Impreso.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Svampa, Maristella. <strong>Las fronteras del neoextractivismo en Am\u00e9rica Latina.<\/strong> Calas, 2019. Web. 8 de junio. 2020<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Ver em https:\/\/es.statista.com\/estadisticas\/1095779\/numero-de-muertes-causadas-por-el-coronavirus-de-wuhan-por-pais\/ <object height=\"0\"><br \/>[2] Ver em https:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/locales\/2020\/04\/01\/senalan-que-eeuu-confisco-respiradores-de-paraguay\/<object height=\"0\"><br \/>[3] <object height=\"0\"> https:\/\/www.infobae.com\/america\/mundo\/2020\/04\/03\/turquia-retuvo-un-avion-con-respiradores-para-espana-y-se-los-quedo-para-usarlos-con-sus-propios-enfermos\/<object height=\"0\"><br \/>[4] Ver em http:\/\/www.baseis.org.py\/paraguay-destino-solo-el-6-de-sus-tierras-cultivadas-a-sembrar-alimentos-en-la-zafra-20132014\/<object height=\"0\"><br \/>[5] Svampa (2019) denomina este per\u00edodo como neoextrativista.<br \/>[6] Ver em https:\/\/www.anred.org\/2020\/04\/20\/ollas-mujeres-y-feminismo-popular\/<\/object><\/object><\/object><\/object><\/object> <object height=\"0\"><object height=\"0\"><object height=\"0\"><object height=\"0\"><object height=\"0\"><object height=\"0\"><br \/>[7] Ver em <object height=\"0\"><a href=\"https:\/\/radio.uchile.cl\/2020\/05\/18\/otra-vez-las-mujeres-las-ollas-comunes-contra-la-desesperacion-en-tiempos-de-crisis\/\">https:\/\/radio.uchile.cl\/2020\/05\/18\/otra-vez-las-mujeres-las-ollas-comunes-contra-la-desesperacion-en-tiempos-de-crisis\/<\/a><br \/>[8] Ver em <object height=\"0\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Qd1HsafHTis<br \/>[9] Ver em <object height=\"0\">http:\/\/coprofam.org\/2020\/04\/21\/los-paraguayos-combaten-el-hambre-durante-la-cuarentena-total-con-olla-popular\/<br \/>[10] Ver em <object height=\"0\">https:\/\/www.ultimahora.com\/fnc-dona-11500-kilos-alimentos-familias-afectadas-pandemia-del-covid-19-n2880195.html<\/object><\/object><\/object><\/object><\/object><\/object><\/object><\/object><\/object><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia deixa transparecer os danos causados pelo extrativismo nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Neste tempo incerto e complexo, evidenciam-se a prepot\u00eancia, o predom\u00ednio do capital sobre a vida e os efeitos da destrui\u00e7\u00e3o das capacidades produtivas n\u00e3o depredadoras. <\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":11574,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"A pandemia deixa transparecer os danos causados pelo extrativismo nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. 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