{"id":11548,"date":"2020-07-08T09:59:00","date_gmt":"2020-07-08T12:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11548"},"modified":"2025-07-18T16:30:45","modified_gmt":"2025-07-18T19:30:45","slug":"antiga-guatemala-em-quarentena-frustracoes-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11548","title":{"rendered":"Antiga Guatemala em quarentena &#8211; Frustra\u00e7\u00f5es e desafios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><strong>A Guatemala \u00e9 um pa\u00eds conhecido por suas abismais desigualdades. Alguns dados sobre a situa\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e da juventude s\u00e3o ilustrativos: 68% dos aproximadamente 7,5 milh\u00f5es que s\u00e3o, vivem em lares pobres. Os n\u00fameros se agravam para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que \u00e9 marginalizada por um Estado historicamente racista e mis\u00f3gino que n\u00e3o apenas lhes deixa de lado, mas tamb\u00e9m utiliza todo o aparelho de poder para seu controle e domina\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"342\" data-attachment-id=\"11549\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11549\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?fit=861%2C460&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"861,460\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"img-4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?fit=300%2C160&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?fit=640%2C342&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?resize=640%2C342&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11549\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?w=861&amp;ssl=1 861w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?resize=300%2C160&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/img-4.jpg?resize=768%2C410&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><em>Por Ana Cofi\u00f1o (La Cuerda)<\/em><\/strong> | <a href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/uruguay-anormal-por\" target=\"_blank\" aria-label=\"undefined (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Revista BRAVAS n.12<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Guatemala \u00e9 um pa\u00eds conhecido por suas abismais desigualdades. Alguns dados sobre a situa\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e da juventude s\u00e3o ilustrativos: 68% dos aproximadamente 7,5 milh\u00f5es que s\u00e3o, vivem em lares pobres; a desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica entre menores de cinco anos de idade, uma das taxas mais altas do mundo, \u00e9 de 49,5%; a mortalidade infantil n\u00e3o fica atr\u00e1s, com o falecimento \u2013 por causas cur\u00e1veis \u2013 de menores de um ano de idade, por cada mil nascidos vivos<a>[1]<\/a>. Os n\u00fameros se agravam para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que \u00e9 marginalizada por um Estado historicamente racista e mis\u00f3gino que n\u00e3o apenas lhes deixa de lado, mas tamb\u00e9m utiliza todo o aparelho de poder para seu controle e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse entorno social t\u00e3o hostil, a cotidianidade \u00e9 um desafio que consiste em sobreviver: arriscarem-se nas ruas como informais, tratar de obter emprego ou conseguir os d\u00f3lares para migrar ao norte. No imagin\u00e1rio coletivo das mulheres, est\u00e1 presente a possibilidade de ser agredida, violentada ou assassinada em plena luz do dia. Embora seja certo que criamos mecanismos de todo tipo para que isso n\u00e3o nos paralise, no inconsciente, guardamos um acumulado de hist\u00f3rias de viol\u00eancia que afetaram a maioria das pessoas. Talvez por instinto \u00e9 que sejamos resistentes e rebeldes, por viver em um mundo de injusti\u00e7as t\u00e3o evidentes que provocam raiva justa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa vontade de fazer frente \u00e0s adversidades \u2013 que podem ser terremotos, inunda\u00e7\u00f5es, furac\u00f5es, assim como mis\u00e9ria extrema, governos corruptos e pol\u00edticas de espolia\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9, ao mesmo tempo, o que nos move a n\u00e3o calar, a exigir e a nos organizarmos para conseguir o que nos pertence por direito, quer dizer, a vida digna que todas as pessoas merecemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a que a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de luta pelas liberdades e os direitos n\u00e3o foi totalmente aniquilada na guerra contrainsurgente, continuam surgindo, por todo o pa\u00eds, grupos e pessoas que encarnam as velhas demandas que nossas ancestrais levantaram; que apresentam propostas para realizar as transforma\u00e7\u00f5es longamente adiadas; que criam e produzem arte, pensamento cr\u00edtico, e comunidades que protegem os territ\u00f3rios. Por toda a geografia, h\u00e1 fa\u00edscas ou fogueiras, povos que reivindicam seus antigos conhecimentos, que constroem autonomias econ\u00f4micas, que buscam melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_89b3311f27934495aab45fdabec191f9~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_600%2Ch_337%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/cr%2B%C2%ACdito-ameno-c%2B%C2%A6rdova2.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"cr+\u00acdito-ameno-c+\u00a6rdova2.jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">V\u00edrus neocolonialistas\u200b<\/h4>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade, entendida como uma esfera da vida onde confluem o bem-estar f\u00edsico e mental, individual e coletivo, assim como os aspectos econ\u00f4micos e sociais, \u00e9, nestas terras centro-americanas, um bem ao qual poucos podem ter acesso. As estat\u00edsticas mostram dados semelhantes aos da inf\u00e2ncia; no caso das mulheres, a misoginia \u00e9 ainda mais expl\u00edcita. Vou ser mais descritiva, para n\u00e3o os aborrecer com tantos n\u00fameros: centenas de meninas menores de 18 anos s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancias por parte de parentes e pessoas de seu c\u00edrculo de confian\u00e7a, e s\u00e3o obrigadas a se tornarem m\u00e3es. Ao final deste artigo, meios locais informaram que, de janeiro a maio de 2020, foram registradas 1.962 meninas, com idades entre 10 e 14 anos, gr\u00e1vidas, e 44.901, com idades entre 15 e 19 anos de idade<a>[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorre porque o Estado est\u00e1 nas m\u00e3os de funcion\u00e1rios religiosos que, a todo custo, t\u00eam evitado sistematicamente que a educa\u00e7\u00e3o sexual seja incorporada no curr\u00edculo escolar. As mulheres sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, em muit\u00edssimos casos, ignoram como funcionam seus pr\u00f3prios corpos e, al\u00e9m disso, s\u00e3o privadas de seu direito a escolher sobre suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os \u00faltimos governos neoliberais, posteriores \u00e0 assinatura da paz em 1996, a sa\u00fade p\u00fablica foi capturada por grupos criminosos que fizeram grandes neg\u00f3cios e levaram os servi\u00e7os sociais a situa\u00e7\u00f5es alarmantes. Entrar em um hospital nacional \u00e9 como descer ao inferno de Dante nos tempos atuais: a sujeira, o abandono, as car\u00eancias, a dor, a morte e a desfa\u00e7atez de ministros da sa\u00fade como o atual, que est\u00e1 nesse posto pelos favores que o presidente lhe deve, s\u00e3o alguns dos horrores. O Neg\u00f3cio da Sa\u00fade foi o nome com o qual o CICIG<a>[3]<\/a> batizou a rede de abusos, roubos e desfalques, respons\u00e1vel pelo aumento dos medicamentos a n\u00edveis inacess\u00edveis. Todos sabem que aqui os medicamentos s\u00e3o mais caros que na Europa. Do mesmo modo, os rem\u00e9dios caseiros e os medicamentos naturais, assim como curandeiras, parteiras e guias espirituais, t\u00eam sido forte apoio para a cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Se isso j\u00e1 era assim antes da chegada do covid-19, agora tudo \u00e9 pior. O presidente Alejandro Giammattei \u00e9 um m\u00e9dico que tem se dedicado a transitar, de maneiras pouco claras e com s\u00f3cios de reputa\u00e7\u00e3o duvidosa, pelos caminhos que o levaram ao poder. Em suas mensagens \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, chama para orar e jejuar e sempre conclui dando b\u00ean\u00e7\u00e3os. Imp\u00f4s estado de exce\u00e7\u00e3o, deu informa\u00e7\u00e3o truncada ou parcial, e obedece aos mandados da elite de extrema direita, encanada na gremial empresarial organizada, com suas pol\u00edticas de expropria\u00e7\u00e3o<a>[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que o presidente decretou Estado de Calamidade, sab\u00edamos que isso lhes permitiria \u2013 a ele e a outros integrantes do governo \u2013 roubar sob o manto de impunidade, porque sob esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 permitido fazer compras estatais sem passar pelos tr\u00e2mites de rigor e implantar medidas \u201crestritivas\u201d que afetam a popula\u00e7\u00e3o. Aqui se tornou normal que os funcion\u00e1rios do governo sejam provedores do Estado e, com a crise atual, alguns aproveitaram para acumular insumos m\u00e9dicos como m\u00e1scaras, luvas, etc., ficar com recursos e bloquear a chegada de ajuda \u00e0s pessoas mais necessitadas. Nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, vemos diariamente den\u00fancias sobre funcion\u00e1rios\/as do Estado<a>[5]<\/a> que, em qualquer pa\u00eds, constituiriam raz\u00e3o suficiente para exoner\u00e1-los, e aqui s\u00e3o protegidos de maneira c\u00ednica e descarada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da chegada do v\u00edrus, o governo anunciou com festa a inaugura\u00e7\u00e3o de hospitais regionais especiais. O que fizeram foi montar em galp\u00f5es inapropriados umas macas separadas por pain\u00e9is, receber doa\u00e7\u00f5es de empresas monop\u00f3licas, esmolas que se aplaudiram como grandiosos gestos de solidariedade. Tr\u00eas meses depois, as e os profissionais de sa\u00fade contratados\/as para atender as urg\u00eancias provocadas pelo covid-19 n\u00e3o receberam sal\u00e1rios, nem contam com a seguran\u00e7a m\u00ednima para realizar suas tarefas. Os hospitais grandes, que por si mesmos j\u00e1 eram deficientes, hoje est\u00e3o colapsados<a>[6]<\/a>. Em suas frequentes cadeias nacionais, o governo d\u00e1 n\u00fameros, mas ningu\u00e9m mais acredita, porque chegaram ao c\u00famulo em que as somas n\u00e3o coincidem. Evidentemente, os excludentes hospitais privados se negaram a receber pessoas contagiadas, e o hospital dos militares ignoraram aqueles que exigem que suas instala\u00e7\u00f5es recebam os que delas necessitam.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_6ffe73a5ee7e40318602cbf318b0b082~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_600%2Ch_337%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/cr%2B%C2%ACdito-ameno-c%2B%C2%A6rdova1.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"cr+\u00acdito-ameno-c+\u00a6rdova1.jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A frustra\u00e7\u00e3o do isolamento\u200b<\/h4>\n\n\n\n<p>Em meados de mar\u00e7o, come\u00e7ou a quarentena obrigat\u00f3ria, com toque de recolher a partir das quatro da tarde, sem transporte p\u00fablico, com escolas, com\u00e9rcios e servi\u00e7os fechados. Para aqueles que dependem desses servi\u00e7os, isso foi um golpe mortal, j\u00e1 que n\u00e3o contam com economias e muito menos com condi\u00e7\u00f5es para se resguardar. As recomenda\u00e7\u00f5es de sempre lavar as m\u00e3os e estabelecer dist\u00e2ncia f\u00edsica s\u00e3o inaplic\u00e1veis ali onde a pobreza impera, com a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, que \u00e9 um mal generalizado e as moradias prec\u00e1rias, embora o governo tenha contra\u00eddo d\u00edvidas em milh\u00f5es de quetzales[7], supostamente para apoiar aqueles que foram despedidos de seus empregos. Hoje, h\u00e1 quase tr\u00eas meses, n\u00e3o chegou o aux\u00edlio (aproximadamente dez d\u00f3lares di\u00e1rios) prometidos para aliviar a crise. Se apenas a cesta b\u00e1sica familiar custa o triplo, imaginem voc\u00eas como v\u00e3o as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se complicou quando um dia se enunciou que, a partir do dia seguinte, estava proibido o tr\u00e2nsito entre os munic\u00edpios, o uso de ve\u00edculos e o fechamento dos mercados de alimentos, fonte de abastecimentos fundamentais. Essa medida sem sustenta\u00e7\u00e3o nem previs\u00e3o provocou caos nos supermercados, acumula\u00e7\u00e3o, escassez, encarecimento e, evidentemente, aglomera\u00e7\u00f5es, que levaram os protocolos antiv\u00edrus a ca\u00edrem por terra. A \u00fanica coisa boa foi que se produziu um sil\u00eancio t\u00e3o grande, que se p\u00f4de escutar outra vez o vento nas \u00e1rvores, o canto dos p\u00e1ssaros, a m\u00fasica da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, o governo tenta eliminar institui\u00e7\u00f5es como a Secretaria Presidencial da Mulher. Pretende substitu\u00ed-la por uma comiss\u00e3o, fato que gerou rejei\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00f5es de nossa parte. Esta semana, tamb\u00e9m recebemos outro balde de \u00e1gua fria com an\u00fancio do fechamento dos espa\u00e7os de atendimento para pessoas com c\u00e2ncer, diabetes e outras doen\u00e7as, pondo fim \u00e0 leve esperan\u00e7a que os pacientes t\u00eam de escassos investimentos para conseguir atendimento especializado a baixos custos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trancadas em casa \u2013 quem p\u00f4de \u2013, algumas feministas juntamos nossa vontade, reunimos for\u00e7as e capacidades, conseguimos vencer nossos respectivos obst\u00e1culos e decidimos seguir nas lutas: com as colegas do programa de r\u00e1dio Vozes de Mulheres, surgiu um lema lindo que ilustra nosso \u00e2nimo: \u201c#ConfinadasMasN\u00e3oCaladas\u201d. O programa continua sendo transmitido pelas redes independentes, dado que a plataforma da r\u00e1dio da universidade, pela qual se transmitia originalmente, est\u00e1 fechada; o jornal laCuerda continua sendo publicado e distribu\u00eddo, agora de maneira virtual; meios de comunica\u00e7\u00e3o e jornalistas independentes fazem an\u00e1lise e publicam informa\u00e7\u00e3o pertinente. \u00c9 not\u00f3rio que muitas feministas dirigem, coordenam e impulsionam iniciativas dessa \u00edndole, como a nova publica\u00e7\u00e3o Ruda, que nos traz not\u00edcias nacionais e internacionais sobre mulheres, e Prensa Comunitaria, que est\u00e1 nos lugares onde as lutas est\u00e3o acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>As companheiras da Assembleia Feminista temos seguido com a agenda, adaptando-nos e encontrando sa\u00eddas para a circunst\u00e2ncia. Entre todas, tem-se visibilizado e denunciado a viol\u00eancia que o confinamento tem incrementado para meninas e mulheres presas com machos agressivos. Nas redes e nas ruas, as mulheres seguem, valentemente, exigindo bem-estar e justi\u00e7a. Essas atividades coletivas nos entusiasmam e animam a pesar da realidade; por\u00e9m, de imediato, vem uma tempestade que coloca em risco a vida de milhares de pessoas, e passamos noites acordadas pensando nos perigos com as chuvas que atingem a popula\u00e7\u00e3o de menos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Guatemala, vivemos em um carrossel de emo\u00e7\u00f5es encontradas, a cada dia nos chegam not\u00edcias aterrorizantes ou surpreendentes, e parece que estamos acostumadas, que j\u00e1 temos uma forte coura\u00e7a que nos protege da crueldade e da dor. Acreditamos que chegamos ao limite, quando nos avisam do assassinato do guia espiritual Domingo Choc, da etnia q\u2019eq\u2019chi, acusado de bruxaria e queimado vivo em sua comunidade de origem, na prov\u00edncia de Pet\u00e9n. E todos os esfor\u00e7os investidos para nos mantermos de p\u00e9 e as esperan\u00e7as de sair para construir outro mundo desabam; o racismo e os fundamentalismos religiosos ati\u00e7am conflitos e buscam v\u00edtimas para implantar sua ordem, sua asquerosa normalidade neoliberal, para seguir lucrando com os bens comuns. N\u00e3o se passaram nem tr\u00eas dias, e chega a not\u00edcia de outro l\u00edder comunit\u00e1rio eliminado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que nos agarramos para n\u00e3o naufragar? Nas amizades, nas companheiras, nas mulheres que nos apoiam e acompanham, em nossos sonhos comuns, na m\u00ednima e fr\u00e1gil esperan\u00e7a de que este entranh\u00e1vel pa\u00eds um dia possa voltar a florescer. Talvez seja certo que, apesar de s\u00e9culos de opress\u00f5es, os povos fortale\u00e7am suas convic\u00e7\u00f5es e desejos de uma vida melhor. Em alguns momentos, deixo de acreditar nisso e me parece que as for\u00e7as do mal triunfaram. \u00c9 dif\u00edcil alimentar os sonhos quando predomina o \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como um mantra, repetimos para n\u00f3s mesmas que vamos sair desta, que \u00e9 uma oportunidade para mudar. Custe o que custar, sabemos que \u00e9 nossa vez de dar continuidade ao projeto emancipat\u00f3rio, por n\u00f3s, pelas outras, por todas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_908dfdca264548e2b70d595fa618911c~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_800%2Ch_449%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/cr%2B%C2%ACdito-ameno-c%2B%C2%A6rdova4.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"cr+\u00acdito-ameno-c+\u00a6rdova4.jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>[1] https:\/\/www.unicef.org\/evaldatabase\/files\/Informe_de_Evaluacion_Final-Noviembre9.pdf &#8211; Dados obtidos do relat\u00f3rio final de nov. 2017 <object height=\"0\"><\/object><\/p>\n\n\n\n<p>[2] <object height=\"0\">\u200b<\/object>https:\/\/osarguatemala.org\/embarazos-en-adolescentes-del-ano-2015-al-2019\/<\/p>\n\n\n\n<p>[3] A Comiss\u00e3o Internacional Contra a Impunidade na Guatemala \u00e9 uma inst\u00e2ncia de investiga\u00e7\u00e3o criada com apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para colaborar na luta contra a corrup\u00e7\u00e3o e os crimes cometidos por grupos ilegais.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>[4] A gremial patronal guatemalteca (CACIF, Coordenadora de Associa\u00e7\u00f5es Agr\u00edcolas, Comerciais, Industriais e Financeiras da Guatemala) pressionou o governo de Giammattei para abrir os shoppings e receber financiamento do Estado para enfrentar a crise, entre outras gest\u00f5es antipopulares, como impedir que n\u00e3o se cortem os servi\u00e7os de luz e telefonia de quem n\u00e3o p\u00f4de pagar.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>[5] O jornal elPeri\u00f3dico tem publicado investiga\u00e7\u00f5es sobre corrup\u00e7\u00e3o. Nos domingos, na se\u00e7\u00e3o \u201cEl peladero\u201d, denuncia atividades associadas ao narcotr\u00e1fico, a desfalques ao Estado e a todo tipo de atos il\u00edcitos em diferentes n\u00edveis do aparato estatal.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica, em 10 de junho, h\u00e1 8.221 cont\u00e1gios, 316 falecidos.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Moeda guatemalteca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Guatemala \u00e9 um pa\u00eds conhecido por suas abismais desigualdades. Os n\u00fameros se agravam para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que \u00e9 marginalizada por um Estado historicamente racista e mis\u00f3gino que n\u00e3o apenas lhes deixa de lado, mas tamb\u00e9m utiliza todo o aparelho de poder para seu controle e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":11550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"A Guatemala \u00e9 um pa\u00eds conhecido por suas abismais desigualdades. 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