{"id":11105,"date":"2020-05-01T11:00:36","date_gmt":"2020-05-01T14:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11105"},"modified":"2020-05-01T11:08:05","modified_gmt":"2020-05-01T14:08:05","slug":"tempos-modernos-o-trabalho-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=11105","title":{"rendered":"Tempos modernos? O trabalho em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1582\" height=\"863\" data-attachment-id=\"11106\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11106\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?fit=1582%2C863&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1582,863\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"200430-trabalho-feminino\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?fit=300%2C164&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?fit=640%2C349&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?fit=580%2C317&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11106\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?w=1582&amp;ssl=1 1582w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?resize=300%2C164&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?resize=1024%2C559&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?resize=768%2C419&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?resize=1536%2C838&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A forma de desenvolvimento capitalista produziu historicamente uma vida cotidiana em que o tempo social que conta, ou seja, o tempo de trabalho que tem valor, \u00e9 aquele empregado na produ\u00e7\u00e3o de mercadoria, gerador de mais-valia. A apropria\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho \u00e9 uma dimens\u00e3o fundante e permanente da organiza\u00e7\u00e3o social capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sistema, que \u00e9 consubstancialmente patriarcal e racista, o trabalho produtivo \u00e9 uma dimens\u00e3o central e determinante na organiza\u00e7\u00e3o e nas din\u00e2micas da vida cotidiana. A ideologia dominante construiu uma apar\u00eancia da vida social na qual as necessidades humanas, concretas e di\u00e1rias, n\u00e3o s\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o. \u00c9 sempre, e cada vez mais, o lucro o que importa.<\/p>\n\n\n\n<p>No atual tempo moderno influenciado pela pandemia do covid-19, o <em>home office<\/em> \u00e9 o termo que est\u00e1 em voga nos principais sites, em propagandas de bancos e empresas de telefonia no Brasil. O tal do \u201cescrit\u00f3rio em casa\u201d tem sido uma modalidade de trabalho romantizada h\u00e1 muito tempo, especialmente pela categoria de <em>coachs<\/em> que enriqueceram \u00e0s custas de um discurso do \u201cseja voc\u00ea seu empreendedor\u201d \u2014 ou s\u00e3o eles(as) mesmos v\u00edtimas da armadilha. Por\u00e9m, em tempos de crise social, econ\u00f4mica e sanit\u00e1ria provocada pelo novo coronav\u00edrus, essa romantiza\u00e7\u00e3o tem ajudado a aprofundar as desigualdades de g\u00eanero, de ra\u00e7a e de classe e \u00e9 um artif\u00edcio para precarizar e superexplorar o trabalho, principalmente das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>O que para alguns se apresenta como solu\u00e7\u00e3o em tempos de confinamento, o <em>home office<\/em>, na verdade, esconde algumas realidades d\u00edspares e desiguais. Uma delas \u00e9 de quem tem acesso, possibilidade e at\u00e9 mesmo as condi\u00e7\u00f5es de trabalhar em casa, uma vez que nem toda classe trabalhadora est\u00e1 situada em empregos formais ou possuem uma estrutura dom\u00e9stica que possibilite a reprodu\u00e7\u00e3o de um \u201cescrit\u00f3rio em casa\u201d. E, sobretudo, que estejam em um trabalho poss\u00edvel de ser executado remotamente. Mesmo nestes contextos, somos n\u00f3s, mulheres, aquelas que mais t\u00eam sido alvo desta modalidade de trabalho, especialmente como forma de precarizar e promover a chamada concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho remunerado e n\u00e3o remunerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o <em>home office<\/em> \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho que aprofunda a explora\u00e7\u00e3o e destitui\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e de nossos direitos formais, como por exemplo, o direito ao tempo para ter uma vida para al\u00e9m do trabalho. Um exemplo disto s\u00e3o os servi\u00e7os de <em>internet banking<\/em>, que substituem a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os presenciais, e consequentemente, postos de trabalho, j\u00e1 que a automa\u00e7\u00e3o transfere a responsabilidade do servi\u00e7o para o pr\u00f3prio usu\u00e1rio. Temos o nosso tempo invadido, seja o tempo do almo\u00e7o, do caf\u00e9 da manh\u00e3, o tempo do lazer e at\u00e9 mesmo o tempo do sono, para realizar um servi\u00e7o que \u00e9 de responsabilidade dos bancos. Isso gera lucro para as institui\u00e7\u00f5es financeiras em cima da nossa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da perspectiva de trabalho neoliberal, o <em>home office<\/em> imprime um regime de trabalho que \u00e9 intermitente, j\u00e1 que estamos, a todo momento, conectadas(os) a ele, ao alcance de uma notifica\u00e7\u00e3o de email que chega na tela do seu celular. Isso acontece quando a fronteira temporal \u00e9 rompida e tempo do privado, o direito a nossa vida individual e subjetiva, \u00e9 roubado pela explora\u00e7\u00e3o continuada do trabalho. Se o aspecto temporal foi destitu\u00eddo com o avan\u00e7o da tecnologia, e consequentemente, da expans\u00e3o do sistema capitalista, \u00e9 preciso salientar que esta amplia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aprofunda as desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a\/etnia e classe que estruturam as rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a base da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o do tempo e da nossa capacidade de trabalho, as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o realizam um novo ardil do capital: estabelecer jornadas simult\u00e2neas (al\u00e9m de intensivas, extensivas e intermitentes). V\u00e1rios tempos e habilidades s\u00e3o apropriados ao mesmo tempo! Podemos ser exploradas pelo banco enquanto colocamos a roupa para lavar no momento de intermit\u00eancia na jornada profissional. Pela internet se reproduzem novos <em>fios invis\u00edveis<\/em> da explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o muito diferentes do que o velho e atual Marx denunciou no trabalho em domic\u00edlio do s\u00e9culo XIX\u2026 O trabalho aumenta enquanto quem nos explora (como os bancos que ofertam o <em>home bank<\/em>) parecem desaparecer\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A promessa de que a tecnologia liberaria tempo de trabalho mostra-se uma fal\u00e1cia. Trabalhamos muito mais, ao longo do dia e fazendo tarefas simult\u00e2neas. O que se disse do celular, foi dito outrora dos equipamentos dom\u00e9sticos. N\u00f3s, mulheres, n\u00e3o tivemos nosso tempo liberado pela m\u00e1quina de lavar. Passamos a fazer outras tarefas, simultaneamente. No <em>home office<\/em>, as tecnologias do trabalho dom\u00e9stico e profissional n\u00e3o nos livram do cansa\u00e7o e estresse sentido no corpo, testemunha da concilia\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra quest\u00e3o por tr\u00e1s da \u201cpraticidade\u201d desta nova forma de trabalho, \u00e9 a realidade da grande parte da classe trabalhadora que n\u00e3o pode trabalhar em casa. Seja por estarem em servi\u00e7os que precisam do esfor\u00e7o f\u00edsico para serem realizados, como o das(os) trabalhadoras(es) dom\u00e9sticas(os), da limpeza urbana, trabalhadoras(es) informais, da constru\u00e7\u00e3o civil, dos demais servi\u00e7os tidos como essenciais e trabalhadores das linhas de produ\u00e7\u00e3o das grandes ind\u00fastrias, que ao contr\u00e1rio de seus chefes e CEOs, est\u00e3o mantendo a m\u00e1quina econ\u00f4mica em pleno funcionamento. Sejam aquelas e aqueles que s\u00f3 conseguem uma fonte de renda por venderem sua m\u00e3o de obra em trabalhos extremamente precarizados e an\u00e1logos \u00e0 escravid\u00e3o. Estes postos de trabalho t\u00eam g\u00eanero, ra\u00e7a\/etnia e classe social definidos, sendo majoritariamente preenchidos por uma classe trabalhadora mais empobrecida, negra, perif\u00e9rica e migrante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de pandemia, a romantiza\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1tica que j\u00e1 vinha sendo feita em cima de condi\u00e7\u00f5es conflitantes com os direitos da classe trabalhadora precisa ser olhada com cuidado. A situa\u00e7\u00e3o que estamos enfrentando atualmente com a crise do novo coronav\u00edrus, em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho, n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o nova, mas que tem o poder de ampliar o cen\u00e1rio de desordem e destitui\u00e7\u00e3o dos empregos com a naturaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do <em>home office<\/em> e a constru\u00e7\u00e3o discursiva por tr\u00e1s dela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 s\u00f3 fazer uma pesquisa sobre o tema em sites de busca ou no youtube, que \u00e9 poss\u00edvel perceber que a narrativa que tem enaltecido essa nova modalidade est\u00e1 voltada para o aprimoramento da produ\u00e7\u00e3o, colocando o mundo privado, a casa, na cadeia do valor em escala global. A atual crise aprofunda um cen\u00e1rio que j\u00e1 vinha se alargando antes, provocando uma reestrutura\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho como o conhecemos, de empregos formais com carteira assinada.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00f3rmula vendida agora s\u00e3o passos para tornar o trabalho em casa mais lucrativo e produtivo, por\u00e9m, por tr\u00e1s disso, h\u00e1 uma agudiza\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o sexual e racial do trabalho, por exemplo. Esse discurso de que o trabalho precarizado em casa faz parte de um h\u00e1bito que est\u00e1 sendo demandado pela pr\u00f3pria sociedade, \u00e9, na verdade, exatamente ao contr\u00e1rio. Esta nova fase do trabalho neoliberal \u00e9 uma demanda do pr\u00f3prio sistema e as transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho j\u00e1 vinham caminhando para isso. As narrativas refor\u00e7adas pelas propagandas e discursos que romantizam o <em>home office<\/em> criam uma cultura que fortalece uma reestrutura\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho produtivo e reprodutivo. A condi\u00e7\u00e3o de trabalho excepcional e necess\u00e1ria pode ser transformada em regra pelo capital 4.0 para exponenciar seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>A naturaliza\u00e7\u00e3o recai, mais uma vez, na divis\u00e3o sexual do trabalho, quest\u00e3o que j\u00e1 vinha sendo denunciada ao longo da hist\u00f3ria recente pelo movimento feminista: o trabalho dom\u00e9stico simult\u00e2neo entre o trabalho produtivo e reprodutivo das mulheres. Em situa\u00e7\u00e3o de confinamento, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7a entre homens e mulheres se agudiza para o lado desigual desta rela\u00e7\u00e3o e h\u00e1, mais uma vez, uma sobrecarga de trabalho para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>No cora\u00e7\u00e3o do cotidiano, est\u00e1 o trabalho dom\u00e9stico como um motor da sua pulsa\u00e7\u00e3o, para dizer de forma metaf\u00f3rica, e como uma dimens\u00e3o vital da reprodu\u00e7\u00e3o humana, da for\u00e7a de trabalho e da reprodu\u00e7\u00e3o social. Cabe \u00e0s mulheres, como uma atribui\u00e7\u00e3o social e historicamente constitu\u00edda, a responsabilidade priorit\u00e1ria com o trabalho dom\u00e9stico, seja gratuito no interior da sua pr\u00f3pria casa, seja remunerado, quando toma a forma de um emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade que se sedimenta em uma cultura patriarcal, racista e capitalista, o discurso de que \u00e9 poss\u00edvel ser produtivo no trabalho em casa pode determinar a consolida\u00e7\u00e3o de estruturas de divis\u00e3o do trabalho em n\u00edvel internacional, a estrutura social do trabalho de forma mais ampla, de mais explora\u00e7\u00e3o de classe trabalhadora e que ter\u00e1 impactos substanciais no p\u00f3s-pandemia, como o aumento da divis\u00e3o sexual e racial do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse modelo masculino e da branquitude do trabalho neoliberal, que refor\u00e7a o lugar dos homens no mundo produtivo e das mulheres no reprodutivo amplia a divis\u00e3o sexual e racial do trabalho, uma vez que, no contexto do <em>home office<\/em> ou n\u00e3o, o trabalho do cuidado continua recaindo nas costas das mulheres, e em alguns contextos, triplamente para as mulheres negras. O trabalho se reestrutura para manter o sistema intacto, com seus sustent\u00e1culos racistas e patriarcais a servi\u00e7o da ordem capitalista. Neste contexto de pandemia e confinamento, essa din\u00e2mica se estende para outras categorias de trabalhadoras. E leva a uma explora\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho muito mais aguda.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aquelas em confinamento, a sobrecarga se intensifica junto ao aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica, que cresce tamb\u00e9m com a viol\u00eancia que resulta na desigualdade entre trabalho produtivo e reprodutivo presente na rela\u00e7\u00e3o entre mulheres e homens. Quando a sobrecarga do cuidado com os filhos recai sobre n\u00f3s, que al\u00e9m de cuidar da casa, da alimenta\u00e7\u00e3o e agora, tamb\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o de nossas crias, para os homens, o trabalho em casa \u00e9 transformado em fuga para se abster da responsabilidade na divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas e familiares. H\u00e1 uma mudan\u00e7a na din\u00e2mica social provocada pela pandemia, mas n\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de determinados corpos e subjetividades.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto atual, as contradi\u00e7\u00f5es engendradas pelo trabalho dom\u00e9stico aumentam com a hegemonia das pol\u00edticas neoliberais que desestruturam e\/ou eliminam pol\u00edticas sociais de apoio as necessidades e a reprodu\u00e7\u00e3o da vida cotidiana. Enquanto movimento feminista, avan\u00e7amos muito na cr\u00edtica e na an\u00e1lise sobre os efeitos nocivos da divis\u00e3o sexual do trabalho, mas o avan\u00e7o, dentro de um contexto de constante tensionamento e disputa, ainda n\u00e3o se efetivou em mudan\u00e7a de patamar sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais de sexo. A divis\u00e3o sexual do trabalho ainda continua sendo um dispositivo que produz as hierarquias baseadas em g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos tempos \u201cmodernos\u201d que estamos vivendo, em que o lugar da classe trabalhadora no mundo ainda \u00e9 o da desumaniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso estarmos atentas(os) aos novos termos e propostas vindas do sistema-mundo capitalista-racista-patriarcal. Pois os velhos paradigmas de explora\u00e7\u00e3o da classe dominante v\u00e3o se recompondo, se reestruturando, tomando uma \u201cnova\u201d roupagem para continuar ampliando as velhas estruturas. Estamos em disputa, sobretudo das narrativas e pr\u00e1ticas, do que vai ser o mundo depois da pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u201cnova f\u00f3rmula de sucesso\u201d do sistema para explorar a classe trabalhadora, o home office tem ganhado um discurso que naturaliza uma velha pr\u00e1tica:  a divis\u00e3o sexual e racial do trabalho. A superexplora\u00e7\u00e3o sobrecarrega ainda mais o trabalho produtivo e reprodutivo das mulheres. <\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":11107,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"A \u201cnova f\u00f3rmula de sucesso\u201d do sistema para explorar a classe trabalhadora, o home office tem ganhado um discurso que naturaliza uma velha pr\u00e1tica:  a divis\u00e3o sexual e racial do trabalho. A superexplora\u00e7\u00e3o sobrecarrega ainda mais o trabalho das mulheres.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14,10],"tags":[326,811,848,49,449,683,849,47,57,827],"class_list":["post-11105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-pontos-de-vista","tag-capitalismo","tag-covid-19","tag-divisao-racial-do-trabalho","tag-divisao-sexual-do-trabalho","tag-divisao-social-do-trabalho","tag-feminismo-antissitemico","tag-home-office","tag-trabalho","tag-trabalho-domestico","tag-trabalho-reprodutivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200430-trabalho-feminino-1.jpg?fit=1582%2C863&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-2T7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11105"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11108,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11105\/revisions\/11108"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}