{"id":10757,"date":"2020-03-22T09:28:00","date_gmt":"2020-03-22T12:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10757"},"modified":"2020-03-20T17:35:51","modified_gmt":"2020-03-20T20:35:51","slug":"o-cuidado-e-o-feminismo-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10757","title":{"rendered":"O cuidado e o feminismo em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>O papel de tomar conta da fam\u00edlia, invis\u00edvel e n\u00e3o remunerado, recai sobre as mulheres. Em meio \u00e0 crise sanit\u00e1ria, Estado deveria se responsabilizar. Ap\u00f3s o desastre, ser\u00e1 preciso construir um mundo baseado no bem comum e na solidariedade <\/em><\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"491\" data-attachment-id=\"10758\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10758\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?fit=948%2C727&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"948,727\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"200320-mulheres2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?fit=300%2C230&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?fit=640%2C491&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?resize=640%2C491&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-10758\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?w=948&amp;ssl=1 948w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?resize=300%2C230&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/200320-mulheres2.png?resize=768%2C589&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em><strong>Por *CFEMEA, na coluna <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/o-cuidado-e-o-feminismo-em-tempos-de-pandemia\/\">Baderna Feminista<\/a>, no site Outras Palavras.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando um v\u00edrus se alastra entre pa\u00edses, o caos e o medo gerado por isso acabam revelando muito sobre como a nossa sociedade se organiza e quais s\u00e3o seus principais problemas. No caso do Coronav\u00edrus, estamos vendo como se acirram as desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe, at\u00e9 o ponto de inviabilizar medidas como o isolamento social para uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o. Nas nossas vidas e ao nosso redor, as mulheres s\u00e3o fundamentais nas tarefas de cuidado, por seu trabalho nos servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia, nas comunidades onde vivem, nas casas em que trabalham ou nas suas pr\u00f3prias fam\u00edlias atendendo \u00e0s crian\u00e7as e idosos. Cuidar \u00e9 um trabalho duro, \u00e1rduo, emocionalmente exigente, tenso, que sobrecarrega muito mais as mulheres do que os homens nesta sociedade patriarcal em que vivemos. Por isso, uma pandemia como da Coronav\u00edrus tamb\u00e9m nos coloca diante da necessidade da coletividade e da necessidade de repensar a vida em sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\nO cuidado \u00e9 uma quest\u00e3o central da nossa sociedade, ou deveria ser,\npois define como nossas rela\u00e7\u00f5es familiares se organizam e como a\nsolidariedade \u00e9 poss\u00edvel de acontecer. Em sociedades patriarcais e\nracistas, ele \u00e9 sistematicamente desvalorizado e sua contribui\u00e7\u00e3o\npara a manuten\u00e7\u00e3o do sistema capitalista \u00e9 invisibilizada. Ainda\nmais com o neoliberalismo extremado levado a cabo por governos\nautorit\u00e1rios, em que assistimos ao desmonte sistem\u00e1tico das\npol\u00edticas de trabalho, sa\u00fade e assist\u00eancia social.\n<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta imediata para conter a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 o isolamento  das pessoas, uma tentativa de proteger principalmente quem tem sa\u00fade  vulner\u00e1vel ou prec\u00e1ria, casos em que ele \u00e9 mais agressivo. Em nossa  sociedade esse \u00e9 um trabalho das mulheres. E ele j\u00e1 \u00e9 extenuante por  causa da divis\u00e3o sexual do trabalho injusta na nossa sociedade. Al\u00e9m  disso, quando assumido por profissionais, s\u00e3o trabalhos desvalorizados e  mal pagos \u2013 a exemplo da enfermagem ou da educa\u00e7\u00e3o infantil \u2013 e  majoritariamente exercido por mulheres negras. Na pr\u00e1tica, se elas n\u00e3o  s\u00e3o liberadas ou ficam sem remunera\u00e7\u00e3o, o que ocorre \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do  direito \u00e0 autoprote\u00e7\u00e3o e ao autocuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, as jornadas de trabalho das mulheres est\u00e3o aumentando muito \nmais do que a dos homens. Com a suspens\u00e3o das aulas, as crian\u00e7as e \nadolescentes precisam ficar em casa. Idosos precisam de aten\u00e7\u00e3o \nredobrada pela vulnerabilidade da sua sa\u00fade. No espa\u00e7o da pr\u00f3pria casa, \npode entrar tamb\u00e9m o trabalho produtivo, remoto (pela internet) ou em \ndomic\u00edlio (costureiras, passadeiras etc.) exigindo novos esfor\u00e7os das \nmulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A concilia\u00e7\u00e3o entre o trabalho remunerado e n\u00e3o remunerado \u00e9 uma \nexig\u00eancia sem tamanho na vida das mulheres desde o s\u00e9culo XIX, em \nespecial das mulheres negras e chefas de fam\u00edlia monoparentais. Mas \nnesse contexto de pandemia, a situa\u00e7\u00e3o se agrava muito, demandando \nesfor\u00e7o sobre-humano das trabalhadoras. A maior parte das trabalhadoras \ndom\u00e9sticas est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es laborais prec\u00e1rias, no subemprego. Como \npodem se proteger mantendo distanciamento social se o racismo patriarcal\n e o individualismo capitalista as impele a enfrentarem \u00f4nibus lotados \npara irem trabalhar? E as milhares de trabalhadoras e trabalhadores \ninformais que precisam vender ou prestar servi\u00e7os para ter o que \nreceber, no m\u00eas, na semana ou mesmo no pr\u00f3prio dia? Como sobreviver ao \ndesemprego massivo e \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas, se desde \nantes as mulheres negras j\u00e1 ocupavam os postos mais mal remunerados do \nmercado de trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p>\nNo Brasil, embora a doen\u00e7a tenha chegado atrav\u00e9s de pessoas ricas,\nvindas de viagens do exterior, as duas primeiras v\u00edtimas s\u00e3o pobres\ne foram contaminadas porque estavam trabalhando. Em tempo de desmonte\ndo Estado, \u00e9 sempre bom lembrar que \u00e9 ele quem \u00e9 capaz de garantir\na prote\u00e7\u00e3o e a assist\u00eancia econ\u00f4mica em momentos de calamidade. O\nisolamento pode parecer uma op\u00e7\u00e3o ou privil\u00e9gio individual, mas \u00e9\numa quest\u00e3o pol\u00edtica e exige, portanto, respostas coletivas<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/o-cuidado-e-o-feminismo-em-tempos-de-pandemia\/#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup>.\nA desprote\u00e7\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o sist\u00eamica \u2013 patriarcal, racista\ne de classe e, por isso mesmo, o seu oposto (a prote\u00e7\u00e3o contra a\npandemia) \u00e9 um direito n\u00e3o acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A emerg\u00eancia da pandemia reclama enfaticamente a ressignifica\u00e7\u00e3o do \nlugar dos homens na sustenta\u00e7\u00e3o da vida reprodutiva, dos la\u00e7os \nemocionais e do cuidado, tarefa essa n\u00e3o considerada em nossas \nsociedades como essencial e nem positiva, por isso mesmo exercida de \nforma desigual pelas mulheres. <\/p>\n\n\n\n<p> E se tiv\u00e9ssemos pol\u00edticas p\u00fablicas como escolas em tempo integral, \nlavanderias e restaurantes comunit\u00e1rios para essas atividades em nosso \ndia a dia? E se o cuidado com as crian\u00e7as, idosos e quem n\u00e3o pode se \ncuidar n\u00e3o ficasse a cargo exclusivo das fam\u00edlias \u2014 l\u00ea-se mulheres e \nmeninas \u2013, mas sim discutidos e divididos entre toda a sociedade; homens\n e empresas tamb\u00e9m. Essas s\u00e3o propostas que ao longo dos \u00faltimos anos os\n movimentos feministas brasileiros formularam e demandaram dos governos,\n defenderam em processos de confer\u00eancias e planos de pol\u00edticas para as \nmulheres, mas muito pouco se avan\u00e7ou. Basta lembrar da longa luta tamb\u00e9m\n por universaliza\u00e7\u00e3o das creches e ensino infantil, outra demanda \ninsuficientemente atendida.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante\ndo momento pand\u00eamico atual, h\u00e1 de se pensar e propor medidas\nimediatas no Brasil. Pol\u00edticas emergenciais que apoiem e protejam as\nmulheres nas suas atividades de cuidado durante a crise e assegurem o\nprovimento de suas fam\u00edlias s\u00e3o uma prioridade. Os recursos e as\npol\u00edticas para o enfrentamento da pandemia t\u00eam que primar pelo\nenfrentamento \u00e0s desigualdades e n\u00e3o se sustentar nelas. Tamb\u00e9m \u00e9\nfundamental a <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/podcasts\/podcast-coronavirus-por-que-revogar-ja-a-emenda-95\/\">revoga\u00e7\u00e3o\nde medidas como a EC 95\/16<\/a>, que instituiu o Teto de Gastos, e\nque v\u00e3o na contram\u00e3o da responsabiliza\u00e7\u00e3o do Estado diante de sua\npopula\u00e7\u00e3o. Somente no ano passado, 9,5 bilh\u00f5es de reais deixaram\nde ser investidos no Sistema \u00danico de Sa\u00fade, agora t\u00e3o demandado\npara o cuidado das pessoas contaminadas pelo Coronav\u00edrus. Assim como\ns\u00e3o fundamentais a garantia de<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/contra-a-catastrofe-renda-basica-da-cidadania\/\">\nrenda m\u00ednima para trabalhadoras\/<\/a><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/contra-a-catastrofe-renda-basica-da-cidadania\/\">es<\/a><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/contra-a-catastrofe-renda-basica-da-cidadania\/\">\ninformais<\/a>, de cr\u00e9dito para pequenas empresas e, obviamente,\nacesso universal aos sistemas de sa\u00fade e assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m disso, este \u00e9 um bom momento para pensarmos que alternativas\n podemos propor ao capitalismo, que nos permitam criar outras formas de \nlidar com amea\u00e7as como a de uma pandemia, e colocar o cuidado como uma \nestrat\u00e9gia crucial das pol\u00edticas p\u00fablicas orientadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da \nigualdade e justi\u00e7a social. Como <a href=\"https:\/\/ombelico.com.ar\/2020\/03\/12\/reflexiones-feministas-en-tiempos-de-cuarentena\/\">pontuaram<\/a>\n as feministas italianas diante da impossibilidade de realizar as \nmanifesta\u00e7\u00f5es do 8 de mar\u00e7o, n\u00e3o queremos voltar \u00e0 \u201cnormalidade\u201d, porque\n esta normalidade j\u00e1 \u00e9 demasiadamente injusta e desigual, racista e \nheteropatriarcal<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/o-cuidado-e-o-feminismo-em-tempos-de-pandemia\/#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><\/sup>. <\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos pensar a partir de uma outra perspectiva sobre o cuidado, \nque parta de uma vis\u00e3o feminista antirracista e decolonial. Fazendo o \nexerc\u00edcio de imaginar futuros melhores, mais iguais e livres, o cuidado \ndeveria ser um lugar de pot\u00eancia para as mulheres. Em uma sociedade \nbaseada na solidariedade, possivelmente estar\u00edamos pensando de forma \nmais coletiva nos problemas surgidos com a pandemia. Uma proposta \npol\u00edtica como a do Bem Viver; que busca o bem comum, a solidariedade e \nresponsabilidade com a natureza e a cria\u00e7\u00e3o de uma alternativa de \norganiza\u00e7\u00e3o societal que freie a acumula\u00e7\u00e3o sem fim de nossas sociedades\n capitalistas seja um caminho mais vislumbrado como proposta real ap\u00f3s a\n passagem desta pandemia mundial. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\n<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/o-cuidado-e-o-feminismo-em-tempos-de-pandemia\/#sdfootnote1anc\">1<\/a>\nA ONU Mulheres elaborou um documento fundamental sobre como inserir\na quest\u00e3o de g\u00eanero nas respostas de enfrentamento \u00e0 pandemia.\nEst\u00e1 dispon\u00edvel em\n<a href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/onu-mulheres-americas-e-caribe-faz-14-recomendacoes-para-que-mulheres-e-igualdade-de-genero-sejam-incluidas-na-resposta-a-pandemia-do-covid-19\/\">http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/onu-mulheres-americas-e-caribe-faz-14-recomendacoes-para-que-mulheres-e-igualdade-de-genero-sejam-incluidas-na-resposta-a-pandemia-do-covid-19\/<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p> <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/o-cuidado-e-o-feminismo-em-tempos-de-pandemia\/#sdfootnote2anc\">2<\/a> Parte do relato da Paula Satta, \u201cReflexiones feministas en tiempos de cuarentena\u201d. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/ombelico.com.ar\/2020\/03\/12\/reflexiones-feministas-en-tiempos-de-cuarentena\/\">https:\/\/ombelico.com.ar\/2020\/03\/12\/reflexiones-feministas-en-tiempos-de-cuarentena\/<\/a> (Acesso em 19\/3\/2020). <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>*<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/cfemea\/\">O CFEMEA \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o  feminista antirracista que existe para incomodar, deslocar e  transgredir. Fundada em, 1989, por um grupo de mulheres feministas, que  assumiram a luta pela regulamenta\u00e7\u00e3o de novos direitos conquistados na  Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. Em 30 anos de exist\u00eancia, a organiza\u00e7\u00e3o  desenvolveu a\u00e7\u00f5es de advocacy (promo\u00e7\u00e3o e defesa de ideias); articula\u00e7\u00e3o  e comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o; controle  social das pol\u00edticas para as mulheres e, mais recentemente a promo\u00e7\u00e3o do  autocuidado e cuidado entre ativistas. Nosso objetivo \u00e9 a  sustentabilidade do ativismo, sabendo que s\u00f3 assim permaneceremos na  luta. Estamos junto \u00e0s nossas companheiras no front da luta pelos  direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, no enfrentamento aos  fundamentalismos e a todas as formas de viol\u00eancia contra as mulheres e  na luta contra o racismo. <\/a>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel de tomar conta da fam\u00edlia, invis\u00edvel e n\u00e3o remunerado, recai sobre as mulheres. Em meio \u00e0 crise sanit\u00e1ria, Estado deveria se responsabilizar. 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