{"id":10551,"date":"2020-02-13T10:29:00","date_gmt":"2020-02-13T13:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10551"},"modified":"2020-02-12T12:48:02","modified_gmt":"2020-02-12T15:48:02","slug":"a-organizacao-feminista-no-chile-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10551","title":{"rendered":"A organiza\u00e7\u00e3o feminista no Chile (I)"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Carla Batista, na coluna <a href=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/noticias\/noticias\/mulheres-em-movimento\/2020\/02\/11\/NWS,130429,70,1055,NOTICIAS,2190-A-ORGANIZACAO-FEMINISTA-CHILE.aspx\"><strong>Mulheres em Movimento<\/strong><\/a>, da Folha PE. <\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.folhape.com.br\/obj\/83\/370167%2C475%2C80%2C0%2C0%2C475%2C365%2C0%2C0%2C0%2C0.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Muros de Santiago\"\/><figcaption> Muros de Santiago. <em>Foto: Carla Batista<\/em> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Entrevista com Veronica Matus da Corporacion da Mujer La Morada <\/em> <\/h3>\n\n\n\n<p>O\n 18 de outubro de 2019 ficou marcado no Chile, e no mundo, como o in\u00edcio\n do Estallido Social (explos\u00e3o social), uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es que \nest\u00e3o acontecendo n\u00e3o s\u00f3 na capital, Santiago, mas em todo o pa\u00eds. Fiz \numa visita ao Chile por causa destas manifesta\u00e7\u00f5es. Militante feminista \nque sou, queria ver de perto, tentar compreender um pouco mais. No \nfundo, no fundo, uma indaga\u00e7\u00e3o: porque eles\/as e n\u00f3s n\u00e3o? O que leva a \numa mobiliza\u00e7\u00e3o persistente da sociedade &#8211; no pr\u00f3ximo 18 completar\u00e3o 4 \nmeses &#8211; contra as institui\u00e7\u00f5es de forma geral, contra todas as formas de\n opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o? A resposta n\u00e3o \u00e9 simples, nem t\u00e3o pouco a \nencontrei. Conversei com muita gente nas ruas e tamb\u00e9m com integrantes \nde movimentos sociais, feministas ou pr\u00f3ximos\/as a eles. Veronica Matus,\n vice-presidenta do La Morada, foi uma destas pessoas.<br \/><br \/>Veronica \navalia que o movimento 8M alcan\u00e7ou \u201cencarnar\u201d o feminismo em distintas \nlutas. Recuperando os antecedentes, cita o ano de 2016 quando se \norganizaram em torno \u00e0 convocat\u00f3ria do Ni Una a Menos, que em 2018 \nexplodiu! A maioria s\u00e3o jovens, em um movimento que reconquistou o \npluralismo que o movimento feminista chileno havia perdido depois dos \nanos 90. Anos em que foi criado o Servi\u00e7o Nacional da Mulher, com status\n de minist\u00e9rio, mas que s\u00f3 virou minist\u00e9rio realmente em 2015, no \ngoverno de Michele Bachelet. Passou a ser o Minist\u00e9rio da Mulher e da \nEquidade de G\u00eanero. Conta que no processo de pactua\u00e7\u00e3o para a transi\u00e7\u00e3o \nda ditadura militar, uma parte do feminismo se alinhou ao Estado e \nmuitas militantes se filiaram aos partidos pol\u00edticos. Estado esse que, \nentre outras coisas, proibiu tratar de div\u00f3rcio, que era chamado, \ninclusive, de \u201cdesvincula\u00e7\u00e3o matrimonial\u201d. A igreja cat\u00f3lica, que foi um\n importante ator de acolhimento das lutas anti-ditadura, hoje, depois \ndos esc\u00e2ndalos de viola\u00e7\u00e3o sexual, est\u00e1 em decl\u00ednio.<br \/><br \/>Veronica \nreconhece que a institucionalidade nunca deu ao Movimento Feminista um \nlugar de pot\u00eancia. Este movimento tem se mantido aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o ao \nEstado e aos partidos pol\u00edticos, porque os \u00faltimos est\u00e3o sempre negando e\n buscando submeter as mulheres e n\u00e3o valorizam os movimentos sociais \ncomo interlocutores. Para se ter uma ideia, o Senado chileno levou 19 \nanos para tramitar o Protocolo CEDAW \u2013 Conven\u00e7\u00e3o Contra Todas as Formas \nde Discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0s Mulheres.<br \/><br \/>Veronica\n analisa que as manifesta\u00e7\u00f5es atuais cresceram numa lacuna aberta entre o\n discurso da igualdade e o que \u00e9 cidadania real. Lembra que as mulheres,\n no Chile, sempre fizeram grandes manifesta\u00e7\u00f5es. Um exemplo \u00e9 o de \nquando houve o debate sobre a p\u00edlula do dia seguinte, em 2008. \u201cMas, \ninclusive n\u00f3s dos movimentos, o reconhecemos quando ele age \npublicamente, n\u00e3o como cotidiano. O movimento existe sempre, mas s\u00f3 se \nvisibiliza quando se coloca publicamente\u201d. E, como se sabe, ele tem \natuado publica e fortemente nas a\u00e7\u00f5es em torno ao Estallido social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assembl\u00e9ia Constituinte<\/strong><br \/>Ver\u00f4nica\n vislumbra na anunciada convoca\u00e7\u00e3o da Assembl\u00e9ia Constituinte &#8211; que tem \nplebiscito para a confirma\u00e7\u00e3o da abertura do processo marcado para 26 de\n abril &#8211; a mesma l\u00f3gica da transi\u00e7\u00e3o da ditadura: \u201cum acordo de elites, \nque se cercam sobre si mesmas e prop\u00f5em essa sa\u00edda. Estas elites n\u00e3o \ncompreenderam ainda que hoje h\u00e1 um forte movimento social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A \ncondi\u00e7\u00e3o que foi colocada para a Constituinte \u00e9 a paz, isto \u00e9, que as \npessoas saiam das ruas. Mas, acredita, voltar\u00e3o com mais for\u00e7a em mar\u00e7o,\n quando acabar o per\u00edodo de f\u00e9rias estudantis. \u201cO que est\u00e1 acontecendo \u00e9\n uma nova forma de guerrilha urbana\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Direito ao aborto<\/strong><br \/>Conversamos\n sobre a lei de aborto (Em 2017 o Chile o legalizou em 3 causais, \nsemelhantes aos que est\u00e3o descriminalizados no Brasil de hoje). A lei \ntem encontrado dificuldade de implementa\u00e7\u00e3o, principalmente porque \nPi\u00f1era, o atual presidente &#8211; que tem sido fortemente recha\u00e7ado nas \nmanifesta\u00e7\u00f5es &#8211; apresentou um protocolo que contemplou a obje\u00e7\u00e3o de \nconsci\u00eancia, \u00e0 qual recorrem cerca de 70% dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantamentos\n de junho de 2019 demonstram que, de antem\u00e3o, 1 em cada 2 obstetras se \ndeclara objetor nos casos de estupro; 1 em cada 4 objetor nos casos de \ninviabilidade fetal; 1 em cada 5 nos casos de risco de vida da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A casa da mulher La Morada<br \/><\/strong>Fundada\n em 1983, \u201c\u00e9 um lugar para a escritura de uma mem\u00f3ria feminista, a \nexpress\u00e3o de vozes e falas diversas, a cria\u00e7\u00e3o de conhecimento e a \ninova\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Nasceu no per\u00edodo da ditadura\n c\u00edvico militar e \u00e9 uma refer\u00eancia para o feminismo que surgiu nos anos \n80, quando o lema das lutas era democracia no pa\u00eds e em casa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.corporacionlamorada.cl\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">La Morada<\/a>\n foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do primeiro programa de viol\u00eancia \ndom\u00e9stica no pa\u00eds. Possui uma escola de lideran\u00e7as e tamb\u00e9m faz forma\u00e7\u00e3o\n para funcion\u00e1rios\/as p\u00fablicos\/as. Possui um centro de atendimento \u00e0 \nviol\u00eancia em parceria com universidades, voltado para jovens \nuniversit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Veronica me conta que querem fazer no 1\u00ba de mar\u00e7o  o Encontro Feminista Chileno, que ha muito tempo n\u00e3o \u00e9 realizado.  Pergunto porque? Por uma quest\u00e3o geracional, ela diz. \u201cO Encontro ficou  reconhecido como daquelas que s\u00e3o institucionalizadas. As jovens de hoje  s\u00e3o mais assembleistas\u201d, se articulam em outros espa\u00e7os, como no  Encontro das que Lutam, do qual participei e <strong><a href=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/noticias\/noticias\/mulheres-em-movimento\/2020\/02\/11\/NWS,130429,70,1055,NOTICIAS,2190-A-ORGANIZACAO-FEMINISTA-CHILE.aspx\">contarei mais nas pr\u00f3ximas colunas<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u201cmeninas\u201d, diz \nela de forma amorosa e com admira\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7aram instalar o feminismo em\n todas as pr\u00e1ticas. Elas est\u00e3o repolitizando o verdadeiro sentido da \npol\u00edtica. E lembra o lema mexicano \u201cdo amor \u00e0 necessidade\u201d, se referindo\n a estas jovens de luta!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.folhape.com.br\/obj\/83\/370168%2C800%2C80.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.folhape.com.br\/obj\/83\/370168%2C930%2C80.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Pra\u00e7a da Dignidade\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Pra\u00e7a da Dignidade &#8211; Fotos: Carla Batista\/divulga\u00e7\u00e3o<br \/><em><br \/>*Carla Gisele Batista \u00e9 historiadora, pesquisadora, educadora popular. Mestra  em Estudos Interdisciplinares Sobre Mulheres, G\u00eanero e Feminismo pela  UFBA. Militante feminista, integrou as coordena\u00e7\u00f5es do F\u00f3rum de Mulheres  de Pernambuco, da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Brasileiras e da Articulaci\u00f3n  Feminista Marcosur. Publicou em 2019 o livro: A\u00e7\u00e3o Feminista em Defesa  da Legaliza\u00e7\u00e3o do Aborto: Movimento e Institui\u00e7\u00e3o, pela Annablume  Editora.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Veronica Matus da Corporacion da Mujer La Morada, por Carla Batista.   <\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":10554,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Entrevista com Veronica Matus da Corporacion da Mujer La Morada, por Carla Batista.   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