{"id":10363,"date":"2019-12-23T09:42:00","date_gmt":"2019-12-23T12:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10363"},"modified":"2019-12-19T17:52:58","modified_gmt":"2019-12-19T20:52:58","slug":"ate-que-a-dignidade-seja-costume-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10363","title":{"rendered":"At\u00e9 que a dignidade seja costume [1]"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"356\" data-attachment-id=\"10364\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10364\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?fit=975%2C543&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"975,543\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"bravas-3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?fit=300%2C167&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?fit=640%2C356&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?resize=640%2C356&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-10364\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?w=975&amp;ssl=1 975w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/bravas-3.jpg?resize=768%2C428&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Virginia Vargas \/ Lili\u00e1n Celiberti , em Pol\u00edticas del Corpo, na <a href=\"https:\/\/www.revistabravas.org\/hasta-que-la-dignidad-se-haga-costu\">Revista Bravas<\/a>. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Chile despertou. Uma mobiliza\u00e7\u00e3o de estudantes secundaristas pelo aumento da passagem do metr\u00f4 se tornou uma chama impar\u00e1vel de raiva, descontentamento e indigna\u00e7\u00e3o acumulada h\u00e1 muito tempo. Uma rebeli\u00e3o se levanta contra a soberba gananciosa de um sistema que endivida, aprisiona e alimenta um estilo de vida onde n\u00e3o h\u00e1 humanidade, menos ainda cidadania, e muito menos ecossistema e a sobreviv\u00eancia do planeta. \u201cN\u00e3o s\u00e3o 30 pesos, s\u00e3o 30 anos\u201d diziam as paredes de Santiago.<\/p>\n\n\n\n<p>Chile, o o\u00e1sis da Am\u00e9rica Latina, o \u201c<em>\u00eaxito do capitalismo neoliberal<\/em>\u201d segundo disse o presidente Pi\u00f1era em seu discurso em Lima, na ocasi\u00e3o dos Jogos Panamericanos, umas poucas semanas antes. Essa mistifica\u00e7\u00e3o da realidade evidencia o distanciamento que o governo est\u00e1 do povo. O governo de Pi\u00f1era,  tampouco dos outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o est\u00e3o cientes da total rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 classe pol\u00edtica, a essa forma da pol\u00edtica neoliberal que com nuances entre uns e outros, mantiveram os pilares da desigualdade arbitr\u00e1ria e mesquinha. Uma classe pol\u00edtica que n\u00e3o cedeu seus privil\u00e9gios apesar das vibrantes lutas sociais dos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\nAs\ndemandas se acumulam. \u00c9 a mobiliza\u00e7\u00e3o total, s\u00e3o as pens\u00f5es, os\ncustos da educa\u00e7\u00e3o, o endividamento das fam\u00edlias, as persegui\u00e7\u00f5es\nem territ\u00f3rios mapuches, o aborto e os direitos das dissid\u00eancias\nsexuais. E, ao mesmo tempo, \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o quase un\u00e2nime de um\nhorizonte de mudan\u00e7a: queremos decidir em nosso pa\u00eds, espa\u00e7o,\ncomuna, conselhos e queremos Assembleia Constituinte! E, para\nadicionar mais transgress\u00e3o, a Assembleia Feminista parit\u00e1ria e\npluricultural que as feministas de diversas organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam\ngerado. Tudo isto em meio a marchas, mobiliza\u00e7\u00f5es, conselhos e\nassembleias autoconvocadas e\/ou chamadas pelos munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>\nH\u00e1\nmais de um m\u00eas, sem tr\u00e9gua, o Chile se mobiliza por seus direitos.\nA Plaza It\u00e1lia \u00e9 chamada agora de Plaza da Dignidade, uma dignidade\ncheia de f\u00farias, desejos, solidariedades e vontade de estar juntos e\njuntas, para alimentar os horizontes de mudan\u00e7a. Impunemente, os\nCarabinero se sentem com o direito de exigir uma paz armada em seus\npr\u00f3prios termos, por\u00e9m ainda com seus gases lacrimog\u00eanios, com os\njatos de \u00e1gua, bala\u00e7os com alcance de at\u00e9 150 metros, n\u00e3o\nconseguiram frear a for\u00e7a dessa dignidade recuperada e a tremenda\nsolidariedade, em todos os n\u00edveis e espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Avenida Provid\u00eancia, h\u00e1 carros particulares com cartazes que dizem #Subam, para deixar mais pr\u00f3ximos do destino aqueles que tentam conseguir algum tipo de transporte. H\u00e1 manifestantes que levam \u00e1gua com bicarbonato para ajudar com os efeitos das bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eanio ou do g\u00e1s de pimenta. Uma enorme rede de volunt\u00e1rios atende os feridos, cujos integrantes s\u00e3o, ao mesmo tempo, fustigados, capturados, violentados, violados. Redes solid\u00e1rias de profissionais (como o Col\u00e9gio de Matronas de Santiago, Col\u00e9gio M\u00e9dico, Associa\u00e7\u00e3o de Advogadas Feministas) articulam e reportam as den\u00fancias. A viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos das mulheres tamb\u00e9m teve como eixo simb\u00f3lico o corpo das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Os disparos intencionais, de salvas ou de mira, diretamente na cara, nos olhos, ocasionaram a maior trag\u00e9dia conhecida em conflitos sociais: 230 pessoas perderam parte da vista e outras mais, talvez umas 10, que ficaram simplesmente cegas. Assassinato em vida. N\u00e3o s\u00e3o carabineros de rua, \u00e9 um corpo especialmente educado para serem dispositivos patriarcais, como disse a Rede Chilena contra a viol\u00eancia \u00e0s mulheres. E n\u00e3o \u00e9 apenas no Chile &#8211; ainda que este seja um caso paradigm\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A solidariedade se estende aos gr\u00eamios de sa\u00fade. Os m\u00e9dicos chilenos apresentaram, em 21 de novembro, um recurso para denunciar a viola\u00e7\u00e3o dos carabineros contra as detidas. Grupos de m\u00e9dicas, psic\u00f3logas, advogadas, est\u00e3o mobilizadas como redes de apoio d\u00e3o conta dos horrores nos corpos das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_17835284932948f386c3756f9991cb2b~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_980%2Ch_307%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/0037171574.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"0037171574.jpg\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\n<strong>Daniela\n\u201c<\/strong><strong>L<\/strong><strong>a\nMimo\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\nEm\n20 de outubro o cad\u00e1ver da jovem artista  de rua Daniela Carrasco,\nconhecida como \u201cLa Mimo\u201d, apareceu pendurada em uma corda em\ntorno de uma grade, pr\u00f3ximo ao parque Andr\u00e9 Jarlan, no munic\u00edpio\nde Pedro Aguirre Cerda. Na noite do dia 19, os carabineros a\narrastaram enquanto a levavam presa. Esse corpo jovem de mulher\npendurado em uma sacada \u00e9 um emblema da viol\u00eancia pol\u00edtica de\ng\u00eanero que nesse munic\u00edpio se expressou de forma sistem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\nAp\u00f3s\num m\u00eas de seu assassinato a Coordenadoria Feminista 8M realizou uma\nhomenagem \u00e0 artista de rua exigindo justi\u00e7a. Ainda n\u00e3o se sabem os\nresultados da aut\u00f3psia e a justi\u00e7a segue investigando o caso em\nmeio a um sil\u00eancio midi\u00e1tico. Daniela foi enforcada, e seu corpo\napresentava v\u00e1rias les\u00f5es f\u00edsicas atribu\u00eddas a torturas e\nviol\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<p> Uma ginecologista que se reuniu conosco nos relatou tr\u00eas casos graves de viol\u00eancia sexual que atendeu no mesmo munic\u00edpio em que Daniela foi assassinada. As garotas tinham sido violadas com armas. Uma das viola\u00e7\u00f5es foi contra uma jovem l\u00e9sbica. A m\u00e9dica identifica as depend\u00eancias policiais desse munic\u00edpio como perpetradora de uma a\u00e7\u00e3o generalizada de viol\u00eancia sexual que vai desde despir, a manuseios, amea\u00e7as de viola\u00e7\u00e3o e inclusive viola\u00e7\u00f5es nas caminhonetes policiais sem levar as detidas, que s\u00e3o deixadas depois no meio das ruas, para assegurar-se que n\u00e3o possam denunciar \u201cdeten\u00e7\u00f5es inexistentes\u201d. N\u00e3o \u00e9, no entanto, o \u00fanico munic\u00edpio nem a \u00fanica depend\u00eancia policial perpetradora de viol\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_7fd2820227304138b9bc807bf57d47be~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_700%2Ch_411%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/000_1lm45e_1200w.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"000_1lm45e_1200w.jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\n<strong>Viol\u00eancia\nsexual contra as mulheres e dissid\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\nLa\nMorada convocou organiza\u00e7\u00f5es feministas que recolhem depoimentos de\nabusos sexuais contra mulheres para criar um protocolo comum de\nregistro que se possa utilizar em outro momento se alguma das v\u00edtimas\ndecidir posteriormente iniciar uma queixa. A Associa\u00e7\u00e3o de\nAdvogadas Feministas est\u00e1 trabalhando para apresentar 35 queixas,\napesar desta\nser uma\ncifra muito menor em rela\u00e7\u00e3o ao que realmente tem acontecido.\nDestas 35, 28 correspondem a mulheres e sete a meninas, meninos e\nadolescentes, nestes casos n\u00e3o se trata necessariamente de viol\u00eancia\nsexual, mas de les\u00f5es e maus tratos. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o\nque recebe den\u00fancias e o objetivo destas reuni\u00f5es \u00e9 precisamente\ncoordenar os espa\u00e7os de den\u00fancia e registro, comprometer o trabalho\ne o desejo para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\nLondres\n38, lugar de mem\u00f3ria, vem tendo um papel de apoio essencial. Tendo\nsido um centro de repress\u00e3o, tortura e extrem\u00ednio durante a\nditadura pinochetista, hoje \u00e9 um espa\u00e7o de den\u00fancia de viola\u00e7\u00f5es\nde direitos humanos e de alerta sobre o terrorismo de Estado. Situado\nno centro de Santiago, onde geralmente ocorrem as mobiliza\u00e7\u00f5es,\noferece um relat\u00f3rio cabal dos processos de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o,\ndas graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas por agentes do\nEstado. T\u00eam implantado muitas estrat\u00e9gias, entre elas, a acomada\u00e7\u00e3o\nde um espa\u00e7o para primeiros socorros, liderado pela FECH (Federa\u00e7\u00e3o\nde Estudantes da Universidade do Chile). \u00c9 tamb\u00e9m um espa\u00e7o onde\nse acumulam den\u00fancias enviadas \u00e0s redes de advogados e advogadas.\nConstataram que a maior repress\u00e3o foi iniciada depois do toque de\nrecolher, pois a maioria dos feridos que chegavam ao Londres 38 foi\nlogo ap\u00f3s o levantamento feito durante o estado de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\nTamb\u00e9m\ntrabalham coordenados o Granado, o Centro de Direitos Humanos em\nconjunto com a ABUFEM. As den\u00fancias chegam ao Centro de Direitos\nHumanos da Faculdade de Direito e da\u00ed v\u00e3o \u00e0s diferentes\norganiza\u00e7\u00f5es. A viol\u00eancia pol\u00edtica sexual tem sido sistem\u00e1tica\nno Chile e neste momento muitos servi\u00e7os de sa\u00fade n\u00e3o t\u00eam\nrefor\u00e7ado os servi\u00e7os de atendimento, o que vai contra \u00e0 prote\u00e7\u00e3o\ndos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\nPara\na rede chilena contra a viol\u00eancia sexual \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer\nque foram as mulheres em resist\u00eancia que visibilizaram a viol\u00eancia\nsexual na ditadura e conseguiram a sistematiza\u00e7\u00e3o destas pr\u00e1ticas\nexercidas contra elas em todas as situa\u00e7\u00f5es de enfrentamento e\nconvuls\u00e3o social. Analisados\nos dados\nsobre\nfemin\u00edcidios desde 2001, constata-se\nque os crit\u00e9rios de registros ainda n\u00e3o foram unificados; por isso\n\u00e9 importante a proposta de acordar um registro. Tamb\u00e9m constatam\nque a convuls\u00e3o social gera viol\u00eancia intrafamiliar que cai sobre\nas mulheres. A Rede Chilena contra a viol\u00eancia foi objeto de\nvigil\u00e2ncia por parte dos Carabineros, o que demanda a necessidade de\nter crit\u00e9rios de seguran\u00e7a digital e de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>\nH\u00e1\num tema pol\u00edtico de primeira ordem que \u00e9 evidenciar a continuidade\nde uma pr\u00e1tica institucional com o corpo das mulheres, como\nacontecia na ditadura. O desafio \u00e9 acabar com a impunidade, colocar\nestas viola\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias contra o corpo das mulheres nas\nestrat\u00e9gias de luta de outros movimentos sociais, os mesmos que\nest\u00e3o incansavelmente mobilizados. \u00c9 necess\u00e1rio, atrav\u00e9s de\nalian\u00e7as com outros atores, posicionar o debate do que est\u00e1\npassando com as mulheres, para que n\u00e3o fique impune. A elas, as\nmulheres violentadas, \u00e9 preciso devolver a certeza de que ser\u00e3o\nouvidas e defendidas. Esta \u00e9 uma tarefa de todas e todos, e o\nchamado a impulsion\u00e1-la e aliment\u00e1-la vem do movimento feminista.<\/p>\n\n\n\n<p> Este \u00e9 tamb\u00e9m o posicionamento da Coordenadoria Feminista 8M (8 de Mar\u00e7o): \u00e9 necess\u00e1rio posicionar no debate p\u00fablico a viol\u00eancia pol\u00edtica sexual, o recha\u00e7o \u00e0 invisibilidade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s para cuidar-nos. Na coordenadoria existe um grupo de trabalho sobre mem\u00f3ria da rebeldia feminista. A Coordenadoria \u00e9 nova, por\u00e9m tem muitos grupos territoriais e est\u00e1 articulada em n\u00edvel nacional com plataformas similares.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_b3924eb526b640bbb55901663ea5b839~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_800%2Ch_391%2Cal_c%2Cq_80%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/debate-abierto-en-valpara%C3%ADso.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"debate-abierto-en-valpara\u00edso.jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\n<strong>Os\nn\u00facleos de resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o tr\u00eas os espa\u00e7os de articula\u00e7\u00e3o social que hoje existem, nos quais as feministas participam.  <\/p>\n\n\n\n<p>\n<em><strong>Unidad\nSocial<\/strong><\/em>.\n\u00c9 um espa\u00e7o com grande poder de convocat\u00f3ria e organiza\u00e7\u00e3o,\nformado por centrais sindicais, organiza\u00e7\u00f5es ecologistas e\nfeministas. Sua organiza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em agosto,\nantes das mobiliza\u00e7\u00f5es. O integram 115 organiza\u00e7\u00f5es, entre elas a\nANAMURI (organiza\u00e7\u00e3o\nde mulheres\nmapuches),\nMarcha Mundial das Mulheres e mujeres\nlibres. A Coordenadoria 8 de Mar\u00e7o foi a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o\nfeminista convidada desde o in\u00edcio a participar (antes dos\nlevantes). Quando eles come\u00e7aram, abriu-se para outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\n<em><strong>Coordinaci<\/strong><\/em><em><strong>\u00f3n\npor un Pacto Social<\/strong><\/em><em><strong>.<\/strong><\/em>\n\u00c9 um espa\u00e7o de organiza\u00e7\u00f5es, ONG\u2019s\ne pessoas, bastante perme\u00e1vel e reflexivo, por\u00e9m de escassa\nconvocat\u00f3ria p\u00fablica. Tem um perfil mais acad\u00eamico e cultural, e\nelabora propostas para a Assembleia Constituinte. Tem uma forma\norganizativa horizontal, sem representa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 comiss\u00e3o\npol\u00edtica; est\u00e3o organizados em comiss\u00f5es de trabalho, e as\nporta-vozes, diversas e setoriais, s\u00e3o eleitas mensalmente. N\u00e3o s\u00e3o\naceitos representantes de partidos como porta-vozes.<\/p>\n\n\n\n<p>\n<em><strong>Por\nun Nuevo Pacto Social<\/strong><\/em><em>.<\/em>\n\u00c9 um espa\u00e7o formado por grandes ONG\u2019s\ne organiza\u00e7\u00f5es mais dispostas ao di\u00e1logo com o governo, ao menos\ninicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\nOs\ntr\u00eas espa\u00e7os est\u00e3o convocando a Assembleia Constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p>\nN\u00e3o\ns\u00e3o articula\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, pois nem sempre o sentido das novas\nmudan\u00e7as \u00e9\nassumido pelas organiza\u00e7\u00f5es e for\u00e7as sociais participantes destes\nespa\u00e7os. As disputas feministas e das pessoas jovens no interior\ndesses espa\u00e7os est\u00e1 relacionada a preserva\u00e7\u00e3o da autonomia e \u00e0\nurg\u00eancia de uma maior democratiza\u00e7\u00e3o de suas din\u00e2micas e\ndecis\u00f5es. Assim, a Coordenadoria 8M, como espa\u00e7o feminista\nhorizontal, evidenciou diante da Unidad Social a falta de\ntranspar\u00eancia nas decis\u00f5es e nas porta-vozes, e uma pr\u00e1tica\ncentrada na velha pol\u00edtica. A Coordenadoria recha\u00e7a qualquer\nnegocia\u00e7\u00e3o com quem decidiu declarar guerra ao povo. Defende a\nautonomia e independ\u00eancia da Unidad Social com rela\u00e7\u00e3o aos\npartidos pol\u00edticos. Expressa que n\u00e3o concebem as demandas\nfeministas nem a plurinacionalidade como express\u00f5es de um \u201csetor\u201d,\nmas como parte de uma agenda coletiva de transforma\u00e7\u00e3o. Entendem\nque os conselhos convocados pela institucionalidade t\u00eam como\nobjetivo a coopta\u00e7\u00e3o do processo democratizador e autoconvocado da\npopula\u00e7\u00e3o. Denunciam que os meios de comunica\u00e7\u00e3o manipulam ao\ntentar dividir a manifesta\u00e7\u00e3o popular. Alertam sobre o oportunismo\npol\u00edtico da Nueva Mayor\u00eda que s\u00e3o parte das pol\u00edticas de\nprecariza\u00e7\u00e3o da vida e do terrorismo de Estado em Wallmapu.\nDenunciam as formas pouco democr\u00e1ticas de funcionamento do espa\u00e7o,\nque segue emitindo pronunciamentos que n\u00e3o foram discutidos\ncoletivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\nA\nCoordenadoria teve um grande debate interno relacionado a manter-se\nou retirar-se da Unidad Social devido \u00e0s pr\u00e1ticas pol\u00edticas\npatriarcais que se expressam. Decidiram, por agora, permanecer e\nseguir disputando pr\u00e1ticas democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p> Os estudantes secundaristas emitiram um pronunciamento no mesmo sentido, em que expressam seu distanciamento da Unidad Social. <em>\u201cSendo coerentes com nossa pr\u00e1tica e proposta de constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos nos manter em um espa\u00e7o que n\u00e3o se declara \u2018independente da pol\u00edtica institucional\u2019 como ocorre na Unidad Social, pois a\u00ed nunca se defendeu realmente os interesses e protagonismo real de todas as pessoas. Muito pelo contr\u00e1rio, reduzem a import\u00e2ncia de quem s\u00e3o os atores verdadeiramente relevantes neste processo: que \u00e9 o povo em conjunto. (&#8230;) Comunicamos oficialmente que a Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundaristas, ACES, decidiu retirar-se do espa\u00e7o de coordena\u00e7\u00e3o da Unidad Social, que pretendia unificar as lutas de maneira transversal, por\u00e9m n\u00e3o deu garantias para que este belo despertar do pa\u00eds n\u00e3o termine uma vez mais decidindo-se entre quatro paredes com as mesmas l\u00f3gicas da pol\u00edtica de antes\u201d.<\/em> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/b45053_253b69ed9d854188805423ef2d2dbe37~mv2.jpg\/v1\/fill\/w_800%2Ch_513%2Cal_c%2Cq_85%2Cusm_0.66_1.00_0.01\/debate-abierto-en-Valpara%C3%ADso%281%29.webp?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"debate-abierto-en-Valpara\u00edso(1).jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\n<strong>Assembleia\nFeminista Plurinacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\nA\nAssembleia Feminista\u00e9\num espa\u00e7o que re\u00fane diferentes organiza\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m as\nfeministas que participam de forma individual. \u00c9 o espa\u00e7o pol\u00edtico\nde articula\u00e7\u00e3o para o posicionamento p\u00fablico, mas tamb\u00e9m para a\na\u00e7\u00e3o coletiva que leva adiante os feminismos articulados neste\nespa\u00e7o. \n<\/p>\n\n\n\n<p>\nAs\norganiza\u00e7\u00f5es feministas participam nas inst\u00e2ncias de coordena\u00e7\u00e3o\nde movimentos e organiza\u00e7\u00f5es, por\u00e9m t\u00eam sua pr\u00f3pria articula\u00e7\u00e3o\nna Assembleia Feminista Plurinacional. O car\u00e1ter plurinacional de\nsua demanda se baseia na hist\u00f3rica luta da popula\u00e7\u00e3o mapuche por\nreconhecimento em sua cosmovis\u00e3o, seu territ\u00f3rio e seu direito\nancestral a seus territ\u00f3rios. J\u00e1 as feministas reivindicam com toda\nclareza, muito mais que outros movimentos, um reconhecimento a esta\nluta.<\/p>\n\n\n\n<p>\nDiante\nda Convocat\u00f3ria dos partidos pol\u00edticos a assembleia declara:<\/p>\n\n\n\n<p>\n\u201cA\nConstitui\u00e7\u00e3o de 1980, instalada autorit\u00e1ria e violentamente,\nchegou ao seu fim. Esta \u00e9 uma conquista das vozes das ruas, das\nmobiliza\u00e7\u00f5es que buscam novos acordos de conviv\u00eancia baseados na\nconstru\u00e7\u00e3o de uma vida digna para todas as pessoas e os povos. A\nAssembleia Feminista Plurinacional faz parte deste grande movimento\nsocial amplo e democr\u00e1tico. No entanto, e uma vez mais, \u00e0s costas\ndas organiza\u00e7\u00f5es sociais e territoriais, a institucionalidade\npol\u00edtica levou adiante um processo de \u2018acordo pela paz social e\numa nova constitui\u00e7\u00e3o\u2019 a portas fechadas. Com isso, os partidos\npol\u00edticos nos negam nossa condi\u00e7\u00e3o de sujeitas e sujeitos\nhist\u00f3ricos deliberantes na defini\u00e7\u00e3o dos caminhos que nos levem a\numa Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Para as feministas, a paz n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\nse o acordo carece de uma mudan\u00e7a imediata e s\u00f3lida na dire\u00e7\u00e3o da\nverdade, justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o pelas graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos\nhumanos que foram cometidas. Ao mesmo tempo, \u00e9 imprescind\u00edvel\nestabelecer um compromisso com uma agenda social de curto prazo, que\nmelhore as condi\u00e7\u00f5es de vida de toda a popula\u00e7\u00e3o: mulheres,\ncrian\u00e7as, jovens, dissidentes sexuais, homens de todo o territ\u00f3rio\nassim como os povos origin\u00e1rios que est\u00e3o tamb\u00e9m reclamando suas\npr\u00f3prias demandas ancestrais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\nAs\nmobiliza\u00e7\u00f5es seguir\u00e3o, porque o desejo enorme, genu\u00edno, poderoso\npela nova Assembleia Constituinte n\u00e3o est\u00e1 sendo respeitado. Diante\nda distor\u00e7\u00e3o de uma demanda hist\u00f3rica, multitudin\u00e1ria,\ntransgressora, surge, desde o mais profundo,o grito de <em>Nunca\nMais,<\/em>\nnem no Chile, nem em outro lugar da nossa Am\u00e9rica e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\nPor\nisso, foi debatido com a Assembleia Feminista Plurinacional a\nnecessidade de apoiar este processo colaborando a partir da AFM com a\norganiza\u00e7\u00e3o de um encontro de Causa Aberta, possivelmente em mar\u00e7o,\npara visibilizar a viol\u00eancia pol\u00edtica sexual, em conjunto com este\ngrupo de organiza\u00e7\u00f5es, garantindo a presen\u00e7a de pessoas relevantes\nna \u00e1rea de direitos humanos a n\u00edvel internacional. \n<\/p>\n\n\n\n<p> Chile democr\u00e1tico, jovem, diverso, feminista segue em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1]  Cartaz localizado no bairro de Provid\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Chile despertou. 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