{"id":10328,"date":"2019-12-05T12:05:00","date_gmt":"2019-12-05T15:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10328"},"modified":"2019-12-18T14:18:27","modified_gmt":"2019-12-18T17:18:27","slug":"vigilia-pelo-fim-da-violencia-contra-as-mulheres-volta-as-ruas-de-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10328","title":{"rendered":"Vig\u00edlia pelo fim da viol\u00eancia contra as mulheres volta \u00e0s ruas de Pernambuco"},"content":{"rendered":"\n<p><em>172 mulheres foram assassinadas apenas este ano no Estado<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por D\u00e9bora Guaran\u00e1, do SOS Corpo, e Emanuela Castro, da Cardume(*)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, com velas, pirulitos e pipas as mulheres ocuparam as ruas do\n Centro do Recife para expressar sua indigna\u00e7\u00e3o diante dos dados \nalarmantes de assassinatos de mulheres no Estado de Pernambuco. Mesmo \nap\u00f3s os 13 anos da Lei Maria da Penha, essa realidade n\u00e3o mudou. Por \nesse motivo, o F\u00f3rum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) resolveu voltar \u00e0s\n ruas em vig\u00edlia para denunciar as 172 mulheres assassinadas este ano no\n Estado. De janeiro a outubro de 2019 a Secretaria de Sa\u00fade e a \nSecretaria de Defesa Social, por meio da assessoria de imprensa, \ninformaram os dados oficiais: foram registrados tamb\u00e9m 34.590 \nocorr\u00eancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica, 1979 queixas de estupros e dos 172 \nassassinatos violentos contra mulheres, 49 foram enquadrados como crimes\n de feminic\u00eddio. O ato aconteceu dia 29\/11.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vig%C3%ADlia-feminista-em-PE.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11081\"\/><figcaption>Foto: Emanuela Castro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com velas, cartazes e interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, as mulheres sa\u00edram em \ncortejo pelas ruas do centro do Recife em mem\u00f3ria \u00e0s v\u00edtimas e para \npressionar o Estado a dar respostas atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas de \npreven\u00e7\u00e3o \u00e0s viol\u00eancias contra as mulheres e tamb\u00e9m acolhimento, \nassist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. A a\u00e7\u00e3o fez \nalus\u00e3o ao 25 de novembro, Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da \nViol\u00eancia contra as Mulheres, e est\u00e1 integrada aos 30 anos do movimento,\n que tem ao longo de sua hist\u00f3ria, buscado informar e mobilizar a \npopula\u00e7\u00e3o para exigir pol\u00edticas p\u00fablicas para o enfrentamento \u00e0s \ndiferentes formas de viol\u00eancia contra as mulheres. \u201cOs n\u00fameros da \nviol\u00eancia s\u00e3o estarrecedores, e viemos analisando a necessidade de fazer\n uma a\u00e7\u00e3o neste sentido. Essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que soma outras mulheres, \u00e9 uma\n forma de protestar, reclamar e visibilizar um fato que vem sendo \nnaturalizado. Precisamos nos organizar para que n\u00e3o seja apenas uma a\u00e7\u00e3o\n pontual, mas uma a\u00e7\u00e3o de den\u00fancia constante ao longo do pr\u00f3ximo ano. \nEsse \u00e9 um compromisso nosso do FMPE e da Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres \nBrasileiras que tamb\u00e9m estiveram nas ruas e mobilizadas pelo dia 25 de \nnovembro\u201d, disse Dolores Fastoso, integrante da coordena\u00e7\u00e3o colegiada do\n Coletivo Mulher Vida, associada da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de ONGs \n(Abong), e coordena\u00e7\u00e3o colegiada do FMPE.<\/p>\n\n\n\n<p>Contrapondo-se a um regime patriarcal que oprime e mata este segmento\n diariamente, o FMPE tem na vig\u00edlia uma experi\u00eancia de mobiliza\u00e7\u00e3o e \nden\u00fancia que faz parte de sua hist\u00f3ria desde 2005 e que d\u00e3o visibilidade\n \u00e0s viol\u00eancias contra as mulheres, al\u00e9m de exigirem a\u00e7\u00f5es para fazer \nvaler a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminic\u00eddio. A viol\u00eancia letal \ncontra as mulheres aumentou em Pernambuco e no Brasil. De acordo com o \nAtlas da Viol\u00eancia (2019) houve um crescimento de 30,7% de homic\u00eddios de\n mulheres no Brasil entre 2007 e 2017, \u00faltimo ano analisado pelo \nestudo.&nbsp; Ainda segundo o Atlas, apenas entre 2016 e 2017, este aumento \nfoi de 6,7%. Neste cen\u00e1rio, Pernambuco ocupa a d\u00e9cima segunda posi\u00e7\u00e3o \nentre os estados que mais matam mulheres no Brasil, apresentando uma \ntaxa de mais de 6, homic\u00eddios para cada 100 mil mulheres, maior do que a\n m\u00e9dia nacional que \u00e9 de 4,7 mortes para cada 100 mil mulheres.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11082\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=11082\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-6.jpg?fit=800%2C800&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"800,800\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"\u00edndice-6\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-6.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-6.jpg?fit=640%2C640&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/observatoriosc.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vig%C3%ADlia-feminista-PE.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-11082\"\/><figcaption>Foto: Emanuela Castro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As mulheres negras s\u00e3o as principais v\u00edtimas. Enquanto a taxa de \nhomic\u00eddios de mulheres n\u00e3o negras teve crescimento de 1,6% entre 2007 e \n2017, a taxa de homic\u00eddios de mulheres negras cresceu 29,9%. Em n\u00fameros \nabsolutos a diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais brutal, j\u00e1 que entre n\u00e3o negras o \ncrescimento \u00e9 de 1,7% e entre mulheres negras de 60,5%. Considerando \napenas o \u00faltimo ano dispon\u00edvel, a taxa de homic\u00eddios de mulheres n\u00e3o \nnegras foi de 3,2 a cada 100 mil mulheres n\u00e3o negras, ao passo que entre\n as mulheres negras a taxa foi de 5,6 para cada 100 mil mulheres neste \ngrupo. Para Ver\u00f4nica Ferreira, pesquisadora do SOS Corpo \u2013 Instituto \nFeminista para a Democracia e tamb\u00e9m associada da Abong, a viol\u00eancia \nest\u00e1 se agravando, principalmente contra as mulheres negras. \u201cA \nviol\u00eancia permanece e se agrava, porque estruturalmente vivemos em uma \nsociedade desigual, machista e o racismo pesa sobre as mulheres negras. \nPor falta de autonomia econ\u00f4mica, pelas condi\u00e7\u00f5es de vida, de moradia. \nEnt\u00e3o as desigualdades estruturais mant\u00e9m a viol\u00eancia e isso permanece. E\n vivemos em um contexto de governo fascista, que a viol\u00eancia sexista \u00e9 \numa arma para levar seu projeto pol\u00edtico e econ\u00f4mico. E por fim, a \nviol\u00eancia se agrava como uma resposta a nossa pr\u00f3pria for\u00e7a. E \u00e9 por \nisso que precisamos cuidar dela\u201d, pontuou.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Ver\u00f4nica, a vig\u00edlia proporcionou algumas conquistas \nimportantes que derivam do processo de luta feito pelo F\u00f3rum de Mulheres\n de Pernambuco. \u201cA partir das vig\u00edlias o f\u00f3rum coloca no debate p\u00fablico \ntanto para o Estado, como para a sociedade de maneira geral o problema \nda viol\u00eancia contra as mulheres. Se tornou um problema p\u00fablico. As \nvig\u00edlias passaram a ser uma refer\u00eancia pol\u00edtica importante da luta \nfeminista, os familiares passaram a fazer parte. E o FMPE se fortaleceu e\n pode incidir na luta pol\u00edtica, a partir dessa luta permanente. Hoje \ndebater, refletir e criar uma est\u00e9tica de luta pelo fim da viol\u00eancia \ncontra as mulheres, com a utiliza\u00e7\u00e3o das velas, pirulitos e por fim das \npipas, expressando que a viol\u00eancia roubou a liberdade de voar\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com M\u00e9rcia Alves, militante do FMPE e integrante do SOS \nCorpo, a hist\u00f3ria do&nbsp; F\u00f3rum, diante do contexto do movimento feminista \nnacional, revela a sua grandiosidade ao reeditar a Vig\u00edlia Feminista e \nda diversidade que comp\u00f5e a milit\u00e2ncia. \u201cEu vejo que os 30 anos do F\u00f3rum\n de Mulheres de Pernambuco \u00e9 o exemplo de sua fortaleza no tempo. E \ncontribuiu muito para dar a dimens\u00e3o, enquanto movimento feminista em \nPernambuco, para fortalecer a luta nacionalmente na Articula\u00e7\u00e3o de \nMulheres Brasileiras. Eu acho que o ato da Vig\u00edlia Pelo Fim da Viol\u00eancia\n Contra as Mulheres, que foi algo que aconteceu a \u00faltima vez em meados \ndos anos 2000, hoje volta com for\u00e7a diante do grande aumento dos casos \nde feminic\u00eddio, sobretudo de mulheres negras e de periferia. E essa \ndiversidade do F\u00f3rum, essa grandiosidade do Cais ao Sert\u00e3o, eu acho que \nd\u00e1 a liga da import\u00e2ncia do movimento feminista no antes e no agora\u201d, \ncomentou M\u00e9rcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira o v\u00eddeo produzido sobre o ato: <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BLIF4C2XVpI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em>(Fotos: Emanuela Castro, assessora de comunica\u00e7\u00e3o da CMN)<br \/>\n<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2014<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>(*)CARDUME<\/strong>&nbsp;\u2013 Comunica\u00e7\u00e3o em Defesa de Direitos \u00e9\n uma rede que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es e movimentos da sociedade civil para \na\u00e7\u00f5es articuladas de comunica\u00e7\u00e3o que potencializem a promo\u00e7\u00e3o e defesa \nde direitos e bens comuns.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>172 mulheres foram assassinadas apenas este ano no Estado. <\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":10329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,14],"tags":[69,691,54,145,748,25],"class_list":["post-10328","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","category-destaques","tag-amb","tag-feminicidio","tag-forum-de-mulheres-de-pernambuco","tag-lei-maria-da-penha","tag-vigilia-feminista","tag-violencia-contra-a-mulher"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/14012015-GOPR9753-scaled.jpg?fit=2560%2C1920&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-2GA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10328"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10330,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10328\/revisions\/10330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}