{"id":10023,"date":"2019-11-22T18:06:48","date_gmt":"2019-11-22T21:06:48","guid":{"rendered":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10023"},"modified":"2019-12-02T18:50:24","modified_gmt":"2019-12-02T21:50:24","slug":"abre-caminhos-as-mulheres-na-luta-antirracista-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?p=10023","title":{"rendered":"Abre caminhos: as mulheres na luta antirracista em Pernambuco"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"399\" data-attachment-id=\"10025\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10025\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?fit=1791%2C1116&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1791,1116\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1574268647&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DSC_0055-1-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?fit=300%2C187&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?fit=640%2C399&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?resize=640%2C399&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-10025\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?resize=1024%2C638&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?resize=300%2C187&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?resize=768%2C479&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?resize=1536%2C957&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?w=1791&amp;ssl=1 1791w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0055-1-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil, as mulheres lideram os processos de enfrentamento e constroem estrat\u00e9gias para sobreviver a um mundo onde os sistemas que estruturam a vida social e econ\u00f4mica, tem o racismo como um projeto que sustenta a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o das pessoas. O racismo enquanto uma pol\u00edtica estruturante do capitalismo, cada vez mais explorat\u00f3rio da natureza e das formas de vida, e do projeto patriarcal de domina\u00e7\u00e3o das mulheres, incide diretamente para manter o mundo em constante desigualdade. <\/p>\n\n\n\n<p>Diante do recrudescimento do racismo em escala local, nacional e global, a luta antirracista \u00e9 cada vez mais uma frente que deve estar no centro da luta dos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es populares que resistem \u00e0 essa l\u00f3gica de exterm\u00ednio. Diante desse contexto, as mulheres negras se mant\u00e9m em resist\u00eancia. Criam la\u00e7os, redes de afeto e solidariedade que s\u00e3o hist\u00f3ricas, ancestrais, que s\u00e3o tamb\u00e9m maneiras de organizar as comunidades e a garantia de exist\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Contrariando a l\u00f3gica, elas est\u00e3o abrindo os caminhos. Com muito enfrentamento, denunciam o projeto de sociedade que tem o racismo estrutural como base. N\u00f3s do SOS Corpo acreditamos que a pr\u00e1tica feminista s\u00f3 transforma se ela tiver no cerne de suas a\u00e7\u00f5es, o antirracismo como instrumento imprescind\u00edvel na luta em defesa das mulheres e por uma democracia plena e plural. <\/p>\n\n\n\n<p>Neste Novembro Negro, destacamos iniciativas de organiza\u00e7\u00f5es e coletivos que est\u00e3o pautando no dia a dia a luta antirracista, produzindo a\u00e7\u00f5es que questionam a l\u00f3gica social, que escancaram as facetas do racismo e que est\u00e3o organizadas para defender o direitos de mulheres, homens e crian\u00e7as negras de poderem existir com dignidade. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Articula\u00e7\u00e3o Negra de Pernambuco: Contra o Racismo, o Genoc\u00eddio e Pelo Direito de Viver <\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A Marcha da Consci\u00eancia Negra Contra o Racismo, o Genoc\u00eddio e Pelo Direito de Viver percorreu as ruas do centro de Recife no dia 20 de Novembro para demonstrar a for\u00e7a pol\u00edtica do movimento negro e denunciar as atrocidades da colonialidade. Organizado pela Articula\u00e7\u00e3o Negra de Pernambuco &#8211; ANEPE, a Marcha faz parte do processo de retomada da Articula\u00e7\u00e3o, que surgiu na d\u00e9cada de 1980 como meio de organiza\u00e7\u00e3o do movimento negro na cidade. Atrav\u00e9s da jun\u00e7\u00e3o diferentes organiza\u00e7\u00f5es populares, coletivos pol\u00edticos e culturais, como os Afox\u00e9s e Maracatus, a ANEPE veio da compreens\u00e3o de que os espa\u00e7os onde os negros est\u00e3o em resist\u00eancia s\u00e3o espa\u00e7os pol\u00edticos com potencial de transforma\u00e7\u00e3o da realidade para todas as pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de desarticula\u00e7\u00e3o por conta de quest\u00f5es conjunturais e pol\u00edticas, ela \u00e9 retomada este ano por coletivos que fazem parte do movimento nacional Coaliz\u00e3o Negra Por Direitos. Formado por mais de 25 coletivos e organiza\u00e7\u00f5es negras de Recife e da regi\u00e3o metropolitana, a ANEPE vem com o prop\u00f3sito de ser um espa\u00e7o pol\u00edtico de atua\u00e7\u00e3o conjunta e de incid\u00eancia articulada do movimento negro pernambucano com o objetivo de incidir politicamente como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que explica Gilmara Santana, da Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Negras Jovens Feministas, uma das organiza\u00e7\u00f5es que constroem a ANEPE. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O momento pol\u00edtico de hoje pede que estejamos juntas. Sejam as pessoas da cultura, da arte, da pol\u00edtica, dos v\u00e1rios lugares, estejam juntas pensando a\u00e7\u00f5es antirracistas. A Articula\u00e7\u00e3o vem desse potencial. A decis\u00e3o de retomar a ANEPE e de hoje, 20 de novembro, estar em caminhada, em Marcha com esse tema, \u00e9 criar essa possibilidade de forma estrat\u00e9gica e pensar outras a\u00e7\u00f5es. A gente se entende como uma for\u00e7a pol\u00edtica. Mesmo sendo diversas, essa for\u00e7a pol\u00edtica pode ter a\u00e7\u00f5es como antes j\u00e1 tinha, como representa\u00e7\u00f5es em espa\u00e7os p\u00fablicos, institucionais e pensar, num processo atual, em como a gente enfrenta e combate esse racismo que est\u00e1 o tempo todo em nossa vida, contou Gilmara. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"10026\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10026\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?fit=1280%2C960&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1280,960\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?fit=300%2C225&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?fit=640%2C480&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?fit=580%2C435\" alt=\"\" class=\"wp-image-10026\" width=\"349\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2019-11-22-at-15.51.03.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><figcaption>Foto: Analba Braz\u00e3o\/SOS Corpo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse contexto de retomada, a Marcha organizada pela ANEPE trouxe como temas a luta contra o racismo e o direito de viver, pautas que marcaram a Marcha das Mulheres Negras realizada em 2015, em Bras\u00edlia, e a den\u00fancia do genoc\u00eddio sistem\u00e1tico da juventude negra, que corre risco cotidiano de morte frente \u00e0 viol\u00eancia policial. De acordo com Gilmara Santana, essa \u00e9 outra a\u00e7\u00e3o emergente que parte tamb\u00e9m dos corpos das mulheres negras, mas diretamente aos corpos da juventude. O Direito de Viver, segundo a militante, liga a vida dos jovens negros assassinados pela pol\u00edcia \u00e0s m\u00e3es dos jovens, mulheres negras que t\u00eam suas vidas interrompidas junto a dos filhos. Segundo dados divulgados pelo <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/relatorio_institucional\/190605_atlas_da_violencia_2019.pdf\"><strong>Atlas da Viol\u00eancia de 2019<\/strong><\/a>, 70% dos jovens homens assassinados em casos de homic\u00eddios em Pernambuco s\u00e3o negros. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente diz \u2018Contra o Genoc\u00eddio e pelo Direito de Viver\u2019 \u00e9 porque a gente est\u00e1 nas estat\u00edsticas de morte, n\u00f3s somos os corpos em alvo, a faixa et\u00e1ria de 15 a 29 anos \u00e9 a faixa et\u00e1ria que est\u00e1 o tempo todo sendo disputada pelo bra\u00e7o armado do Estado, que \u00e9 a pol\u00edcia. Ent\u00e3o esse \u00e9 um chamamento para que as pessoas n\u00e3o naturalizem a morte dos jovens negros. A gente quer passar pra sociedade,&nbsp; para as pessoas do entorno que n\u00f3s precisamos e temos esse direito constitucionalmente garantido de viver. Mas que no exerc\u00edcio da lei, a gente v\u00ea vidas sendo ceifadas o tempo inteiro. O tema \u00e9 atual porque recorta os corpos das mulheres negras, porque quando um jovem negro \u00e9 assassinado, a vida daquela m\u00e3e negra \u00e9 afetada de diversas formas, ela n\u00e3o vive mais. A gente quer chamar os homens negros, os jovens homens negros pra estar nesse debate, porque o tempo inteiro n\u00f3s mulheres negras nos vemos muito na responsabilidade de estar sempre pautando a vida e a prote\u00e7\u00e3o dos homens negros, quando na verdade eles nem conseguem chegar no debate. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 nessa busca ativa de chamar, aglutinar e de potencializar os espa\u00e7os que j\u00e1 existem tamb\u00e9m\u201d, completou. <\/p>\n\n\n\n<p>A Marcha reuniu diversos coletivos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do movimento negro, de grupos de mulheres de bairro, organiza\u00e7\u00f5es estudantis \u00e0 grupos de Afox\u00e9 e Maracatu. O 20 de novembro em Recife foi pintado pela resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra. Nas ruas do centro, erguida com muito suor e sangue ancestral, at\u00e9 a Rua da Guia, mulheres e homens cantaram e exigiram, atrav\u00e9s de falas pol\u00edticas e poesia, liberdade, respeito e direito de viver. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Libertas Elas: a luta contra o encarceramento das mulheres negras<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Coletivo que surgiu em 2018 e re\u00fane mulheres da \u00e1rea do direito, da sociologia e da psicologia, o Liberta Elas come\u00e7ou com a organiza\u00e7\u00e3o de uma semana de atividades na Penitenci\u00e1ria Feminina Bom Pastor, que teve o objetivo de levar aten\u00e7\u00e3o, afeto, assessoria jur\u00eddica e cultura para as mulheres encarceradas. Logo ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da atividade, o coletivo decidiu se firmar de forma concreta para dar continuidade \u00e0 a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0s mulheres no sistema prisional. Foi quando concorreram a um edital de fortalecimento lan\u00e7ado pelo SOS Corpo, o que possibilitou que elas continuassem a promover oficinas e atividades junto \u00e0s mulheres, em sua grande maioria negras. No Estado, de acordo com informa\u00e7\u00f5es divulgadas pelo INFOPEN, 81% das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de encarceramento s\u00e3o negras. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8959\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=8959\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/liberta-elas.jpg?fit=475%2C365&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"475,365\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"liberta elas\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/liberta-elas.jpg?fit=300%2C231&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/liberta-elas.jpg?fit=475%2C365&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/liberta-elas.jpg?resize=297%2C228&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-8959\" width=\"297\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/liberta-elas.jpg?w=475&amp;ssl=1 475w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/liberta-elas.jpg?resize=300%2C231&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo Nathielly Ribeiro, soci\u00f3loga e uma das integrantes negras do coletivo que \u00e9 formado por mulheres negras e brancas, s\u00e3o oferecidas oficinas de leitura, de empoderamento est\u00e9tico, assist\u00eancia jur\u00eddica e atividades que levem um pouco de acolhimento, afeto, carinho para as mulheres, algumas m\u00e3es e gestantes, que est\u00e3o no sistema prisional. Hoje o Liberta Elas conta com seis integrantes que se dividem em visitas semanais tanto no Bom Pastor quando na Col\u00f4nia Penal Feminina de Abreu e Lima. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente trabalha exclusivamente com mulheres porque a gente entende que \u00e9 uma demanda urgente. A mulher que est\u00e1 dentro do sistema prisional sofre uma coer\u00e7\u00e3o tripla: em sua grande maioria s\u00e3o negras, pobres e semianalfabetas. Nesse sentido a situa\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 mais complicada, porque muitas s\u00e3o abandonadas pelos companheiros.&nbsp; Muitas est\u00e3o presas por tr\u00e1fico de drogas em decorr\u00eancia de atividades que exerciam com os companheiros, e s\u00e3o abandonadas. Elas s\u00e3o m\u00e3es, s\u00e3o filhas e tem todo esse peso que a sociedade demanda delas, o que as coloca em situa\u00e7\u00f5es muito mais dif\u00edceis dentro do encarceramento\u201d, explicou Nathielly. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma das atividades que mais t\u00eam trazido transforma\u00e7\u00e3o em torno da pauta antirracista \u00e9 a oficina do Clube do Livro, realizada de maneira permanente dentro da Col\u00f4nia Penal Feminina de Abreu e Lima. Cada encontro re\u00fane de 15 a 20 mulheres para a leitura de textos de autoras negras. As mulheres j\u00e1 tiveram contato com os escritos de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Angela Davis, bell hooks, Paulina Chiziane, Chimamanda Adichie, da poeta pernambucana Amanda Tim\u00f3teo entre outras. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA experi\u00eancia do Clube do Livro \u00e9 interessante porque no in\u00edcio elas iam participar focadas na remiss\u00e3o da pena, s\u00f3 que como n\u00e3o temos nenhum v\u00ednculo com o Estado, o Clube n\u00e3o entra na remiss\u00e3o. Ent\u00e3o em um primeiro momento elas se mostraram decepcionadas, o que fez a gente achar que os encontros iriam esvaziar. Mas eles come\u00e7aram a lotar, porque os textos faziam com que as mulheres se identificassem com as realidades que elas estavam vivendo, principalmente porque a gente levava informa\u00e7\u00f5es sobre quem eram as autoras. Levamos v\u00eddeos sobre a vida de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e algumas delas come\u00e7aram a se questionar \u2018ela se parece comigo, o cabelo dela \u00e9 igual ao meu, oxe ela \u00e9 preta tamb\u00e9m?\u2019&#8230; Ent\u00e3o a gente come\u00e7ou a trabalhar a partir da representa\u00e7\u00e3o e da auto representa\u00e7\u00e3o dessas mulheres que est\u00e3o no sistema prisional junto com as escritoras\u201d, contou a soci\u00f3loga. <\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade de temas que atravessam as hist\u00f3rias narradas pelas autoras atravessam tamb\u00e9m a vida da mulheres em situa\u00e7\u00e3o de encarceramento. S\u00e3o temas sobre amor, liberdade, posse sobre o pr\u00f3prio corpo, viol\u00eancia contra a mulher, aborto, estupro. Hist\u00f3rias que fortaleceram a consci\u00eancia da opress\u00e3o de g\u00eanero e de ra\u00e7a e como o racismo influencia em suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Atrav\u00e9s das leituras e dos espelhamentos do que as escritoras trazem em suas hist\u00f3rias, a mulheres entendem que est\u00e3o encarceradas como fruto de um passado escravocrata, que a pris\u00e3o \u00e9 ainda, em sua ess\u00eancia, um resqu\u00edcio da senzala. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGrande parte das encarceradas, inclusive as negras, est\u00e3o ali reproduzindo a l\u00f3gica do racismo, o que \u00e9 muito complicado porque elas foram socializadas nesse contexto racista. De que elas s\u00e3o feias, que suas bocas, que o formato do seu nariz n\u00e3o \u00e9 legal e que consequentemente foi a sua cor da pele que colocou elas ali dentro. E trabalhando a pauta do antirracismo nas oficinas a gente percebe o despertar, o florescer dessas mulheres como uma planta que germina. E elas fazendo uma autorreflex\u00e3o entendem que elas est\u00e3o l\u00e1 por causa da cor e da condi\u00e7\u00e3o social. Muitas delas falavam que est\u00e3o presas para pagar por um erro que quando voc\u00ea vai ver, elas foram presas por uma quantidade irris\u00f3ria de maconha ou de crack que estavam traficando porque os filhos n\u00e3o tinham o que comer em casa. Ent\u00e3o as oficinas fazem com que elas reflitam sobre as condi\u00e7\u00f5es que as levaram a estar ali\u201d, contou Nathielly Ribeiro.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Beleza Negra: auto estima e valoriza\u00e7\u00e3o da beleza da mulher negra na luta por direitos<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00e3o organizada pelo Espa\u00e7o Mulher, grupo organizado de mulheres do bairro Passarinho, o Beleza Negra surgiu como uma forma de valoriza\u00e7\u00e3o das trajet\u00f3rias de vida das mulheres da comunidade, que tem 74,4 % de moradores que se autodeclaram negros. Bairro da periferia de Recife, Passarinho \u00e9 um dos v\u00e1rios territ\u00f3rios negros na cidade que resistem ao abandono de um Estado institucionalmente racista. A falta de qualidade de vida, acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico, seguran\u00e7a e mobilidade urbana fizeram com que as mulheres do bairro se auto organizassem e em 1990 fundassem o Espa\u00e7o Mulher.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Formado por mulheres negras, o grupo se reuniu a partir da identidade coletiva negra. Em um pa\u00eds onde a desigualdade social \u00e9 marcada pela ra\u00e7a e pelo g\u00eanero, a compreens\u00e3o da opress\u00e3o como algo comum entre elas foi propulsora da organiza\u00e7\u00e3o. O Espa\u00e7o Mulher surge para organizar a luta em torno de direitos e de reafirma\u00e7\u00e3o da identidade, da\u00ed surge o Beleza Negra, como explica Evandra Dantas, uma das integrantes do grupo<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Surgiu pra gente denunciar a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para as mulheres pretas do bairro. Porque a gente via que l\u00e1 onde a gente mora, em Passarinho, n\u00e3o tinha nada pra gente, a\u00ed a gente decidiu fazer alguma coisa nesse sentido. Tem oficina de turbante, tem manicure, maquiagem, sess\u00e3o de reiki, pensando a beleza como sa\u00fade tamb\u00e9m. A gente fala sobre empoderamento, sobre est\u00e9tica, sobre os direitos que a gente tem. De tudo um pouquinho a gente conversa nesse dia, contou Evandra. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"10027\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10027\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?fit=1211%2C1651&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1211,1651\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1574267371&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DSC_0023-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?fit=220%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?fit=640%2C873&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?fit=580%2C791\" alt=\"\" class=\"wp-image-10027\" width=\"330\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?w=1211&amp;ssl=1 1211w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?resize=220%2C300&amp;ssl=1 220w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?resize=751%2C1024&amp;ssl=1 751w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?resize=768%2C1047&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0023-1.jpg?resize=1127%2C1536&amp;ssl=1 1127w\" sizes=\"auto, (max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/><figcaption>\u00c0 esquerda, Evandra Dantas foi uma das manequins vivas durante a Marcha do 20 de Novembro. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O auto reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o da identidade de mulher negra \u00e9 fundamental para o fortalecimento das a\u00e7\u00f5es do grupo. O Beleza Negra acontece todos os anos e tem um dia dedicado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas positivas que valorizem \u00e0 vida das mulheres e da comunidade. Durante a manh\u00e3 as mulheres participam de oficinas voltadas ao enaltecimento da est\u00e9tica negra e \u00e0 tarde acontece sempre uma a\u00e7\u00e3o cultural, que nos \u00faltimos anos acontece no mesmo dia do Ocupe Passarinho, a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m organizada pelo grupo como forma de enfrentamento ao avan\u00e7o do capital especulativo imobili\u00e1rio, que tenta desapossar mais de cinco mil fam\u00edlias que habitam a Vila Esperan\u00e7a, que fica na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso pr\u00f3ximo Beleza Negra vai ser no s\u00e1bado, dia 07 de dezembro. De manh\u00e3 vai ser o Beleza Negra e \u00e0 tarde vai ter a a\u00e7\u00e3o do Ocupe Passarinho. O Ocupe passarinho surgiu em 2015 porque a gente estava com muita falta de pol\u00edtica p\u00fablica, principalmente na educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma a\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia porque a gente n\u00e3o tem educa\u00e7\u00e3o direito, n\u00e3o temos sa\u00fade e agora voltou a falta d\u2019\u00e1gua. J\u00e1 tem cinco dias que estamos sem \u00e1gua l\u00e1. Seguran\u00e7a que a gente n\u00e3o tem, a abordagem da pol\u00edcia quando chega l\u00e1 com os jovens. Ent\u00e3o, tudo isso juntou um pacote s\u00f3 e todo ano a gente faz isso\u201d, explicou Evandra. <\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade de questionar o modelo de gest\u00e3o da cidade, em que os bairros perif\u00e9ricos s\u00e3o abandonados pelo poder p\u00fablico e depois vendidos \u00e0 iniciativa privada. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mulheres Negras pela Vida!<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ada em outubro pela Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e a FASE (Federa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o para Assist\u00eancia Social e Educacional), a campanha \u201cMulheres Negras Pela Vida!\u201d percorreu as quatro regi\u00f5es do Estado (Recife e Regi\u00e3o Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sert\u00e3o) com o objetivo de \u201cinterpelar a sociedade sobre as viol\u00eancias que atingem cotidianamente as mulheres negras, viol\u00eancias geradas pelo racismo, pelo machismo e pela discrimina\u00e7\u00e3o de classe, entre outras formas de opress\u00e3o que atingem diretamente as mulheres negras\u201d, como explica M\u00f4nica Oliveira, integrante da Rede. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"212\" height=\"300\" data-attachment-id=\"10028\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10028\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-696x984-212x300.jpg?fit=212%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"212,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"\u00edndice-696&amp;#215;984-212&amp;#215;300\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-696x984-212x300.jpg?fit=212%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-696x984-212x300.jpg?fit=212%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/%C3%ADndice-696x984-212x300.jpg?resize=212%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-10028\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Enfrentando uma tripla condi\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o por serem mulheres, negras e em sua grande maioria pobres, as mulheres negras s\u00e3o sujeitas cotidianamente \u00e0s mais perversas formas da viol\u00eancia racista na sociedade brasileira. S\u00e3o viol\u00eancias presentes em todas as dimens\u00f5es da vida: em casa, na escola, no lazer, no trabalho e pelas institui\u00e7\u00f5es do Estado. Para chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre esse fato, a Campanha usou como estrat\u00e9gia e forma de di\u00e1logo com a sociedade, uma exposi\u00e7\u00e3o em pontos de grande movimento na cidade, onde seis manequins femininos pretos com vestidos coloridos trazem escritos dados alarmantes sobre as diferentes viol\u00eancias que atingem as mulheres negras. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos n\u00fameros sobre encarceramento de mulheres negras e do genoc\u00eddio da juventude negra em Pernambuco j\u00e1 citados nessa mat\u00e9ria, as manequins mostram tamb\u00e9m percentuais sobre a gera\u00e7\u00e3o de renda e a mortalidade materna. Em 2017 , no estado de Pernambuco, 72% dos casos de morte materna foram de mulheres negras. No ano passado, em Recife, as mulheres negras foram 95% dos casos. Os dados apresentados pelo Comit\u00ea de Mortalidade Materna denunciam como o servi\u00e7o de sa\u00fade p\u00fablica, \u00fanico que as mulheres negras de classes baixas podem ter acesso, s\u00e3o de p\u00e9ssima qualidade e que expressam o projeto racista nas institui\u00e7\u00f5es do Estado brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que a gente tem ainda outros elementos que tocam muito as comunidades negras que s\u00e3o os \u00edndices de desemprego, e isso empurra a comunidade negra ainda mais para o trabalho informal. N\u00f3s j\u00e1 somos a maioria no trabalho informal e esse contexto de crise no pa\u00eds, no Estado, nos empurra ainda mais para a pobreza e isso \u00e9 algo muito preocupante. O&nbsp; recrudescimento da pobreza e de fam\u00edlias que passam fome. Essas s\u00e3o quest\u00f5es muito fundamentais, como s\u00e3o tamb\u00e9m alguns casos de racismo religioso. O fato de hoje n\u00f3s termos uma C\u00e2mara de Vereadores no Recife e em outras cidades da regi\u00e3o metropolitana e tamb\u00e9m uma Assembleia Legislativa com uma presen\u00e7a muito forte de parlamentares fundamentalistas, neopentecostais \u00e9 uma grande amea\u00e7a contra os direitos das religi\u00f5es de matriz africana e contra o princ\u00edpio constitucional do livre culto e cren\u00e7a. Esse \u00e9 tamb\u00e9m um elemento muito grave dessa conjuntura. Fora todo esse contexto de amea\u00e7a \u00e0 democracia, embora que o acesso \u00e0 democracia para n\u00f3s popula\u00e7\u00e3o negra sempre tenha sido restrito, mas o retrocesso do ponto de vista do modelo democr\u00e1tico do pa\u00eds com certeza n\u00e3o nos favorece, muito pelo contr\u00e1rio, \u00e9 mais grave a nossa situa\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou M\u00f4nica Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1592\" height=\"1212\" data-attachment-id=\"10030\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10030\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?fit=1592%2C1212&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1592,1212\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1574269906&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DSC_0078-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?fit=300%2C228&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?fit=640%2C488&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?fit=580%2C442\" alt=\"\" class=\"wp-image-10030\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?w=1592&amp;ssl=1 1592w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?resize=1024%2C780&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?resize=768%2C585&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?resize=1536%2C1169&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0078-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A Campanha esteve presente na Marcha de 20 de novembro. S\u00f3 que ao inv\u00e9s de manequins, militantes da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco vestiam os vestidos. A interven\u00e7\u00e3o fez parte da estrat\u00e9gia da a\u00e7\u00e3o cultural-pol\u00edtica e foi um dos momentos de grande impacto da Marcha. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>E qual a import\u00e2ncia da luta antirracista no Brasil?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>As iniciativas aqui apresentadas s\u00e3o de coletivos e organiza\u00e7\u00f5es negras e mistas, mas \u00e9 preciso enfatizar que o antirracismo \u00e9 uma luta que deve ser assumida por todas as pessoas e organiza\u00e7\u00f5es que querem a transforma\u00e7\u00e3o do mundo e que est\u00e3o no enfrentamento ao estado de exclus\u00e3o que est\u00e1 em curso no pa\u00eds. Uma luta antifascista, antipatriarcal e anticapitalista s\u00f3 ser\u00e1 vitoriosa se o antirracismo estiver no horizonte das a\u00e7\u00f5es. Para Gilmara Santana, da ANEPE, a diversidade de coletivos em que estamos inseridas n\u00e3o pode significar um impeditivo para o di\u00e1logo na busca por uma a\u00e7\u00e3o antirracista coletiva. Segundo a jovem feminista negra, se estamos em v\u00e1rios lugares ao mesmo tempo, sejam em coletivos feministas, de direito \u00e0 cidade, de luta por soberania alimentar, a a\u00e7\u00e3o deve ser a pautada no enfrentamento ao racismo estrutural.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c9 entender que o racismo n\u00e3o \u00e9 combatido sozinho, n\u00e3o \u00e9 enfrentado sozinho, de que o racismo n\u00e3o \u00e9 um problema das pessoas negras. Mas uma pauta que pessoas n\u00e3o-negras precisam estar e de que a gente precisa aglutinar, por exemplo, as pessoas ind\u00edgenas tamb\u00e9m porque \u00e9 uma quest\u00e3o de ra\u00e7a. A gente fica no debate de abrir m\u00e3o dos privil\u00e9gios, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. \u00c9 de conseguir mesmo chamar essas pessoas para discuss\u00e3o e de modificar a rotina delas. E pensando no presidente atual, que est\u00e1 o tempo todo violando os nossos corpos, violando a forma que a gente transita na cidade, no espa\u00e7o, pensar uma luta antirracista \u00e9 possibilitar, inclusive, que n\u00f3s possamos estar em v\u00e1rios espa\u00e7os, nos espa\u00e7os institucionais, nos espa\u00e7os p\u00fablicos, onde a gente quiser estar. As pessoas que comp\u00f5em esses espa\u00e7os precisam se entender como uma ferramenta estrat\u00e9gica para o combate ao racismo. Isso \u00e9 ser antirracista, avaliou. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nathielly Ribeiro, do Coletivo Liberta Elas relembra que mesmo com o avan\u00e7o que tivemos no pa\u00eds entre os anos 2002 \u00e0 2015, \u00e9poca dos governos progressistas de Lula e Dilma, a atual conjuntura mostra que essas conquistas n\u00e3o foram concretas e est\u00e3o amea\u00e7adas pela pol\u00edtica neoliberal. Por isso a import\u00e2ncia da pr\u00e1tica antirracista deve ser constantemente refor\u00e7ada. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pauta antirracista \u00e9 urgente e de extrema import\u00e2ncia porque a gente est\u00e1 vendo que mesmo com a maioria das pessoas hoje na universidade serem de pessoas negras, a maior taxa de pessoas que concluem os cursos s\u00e3o brancas. A gente est\u00e1 vendo o avan\u00e7o do discurso de \u00f3dio e do retrocesso de direitos no atual contexto do pa\u00eds, e isso faz com que a luta antirracista seja importante. Dentro do contexto prisional ela \u00e9 urgente pois, nos \u00faltimos anos, cresceu a taxa de mulheres negras encarceradas, o que \u00e9 muito grave, como a taxa de mulheres negras v\u00edtimas de feminic\u00eddio. A luta antirracista \u00e9 um ponto que a gente quer refor\u00e7ar porque h\u00e1 toda uma identidade de povos. Os anos de opress\u00e3o n\u00e3o podem ser jogados para debaixo do tapete. Esse perfil assimilacionista do racismo \u00e0 brasileira faz com que a gente desvie da import\u00e2ncia da luta antirracista no pa\u00eds\u201d, ponderou a soci\u00f3loga. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1727\" height=\"1133\" data-attachment-id=\"10031\" data-permalink=\"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/?attachment_id=10031\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?fit=1727%2C1133&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1727,1133\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1574271953&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DSC_0114-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?fit=300%2C197&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?fit=640%2C420&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?fit=580%2C381\" alt=\"\" class=\"wp-image-10031\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?w=1727&amp;ssl=1 1727w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?resize=300%2C197&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?resize=1024%2C672&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?resize=768%2C504&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?resize=1536%2C1008&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/DSC_0114-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Crian\u00e7as estiveram presente na Marcha do 20 de Novembro. Foto: Fran Ribeiro\/SOS Corpo.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com M\u00f4nica Oliveira, mesmo diante do atual contexto de acirramento da pol\u00edtica da ultra-direita, \u00e9 preciso identificar os avan\u00e7os que existem nas experi\u00eancia e iniciativas de luta que pautam o antirracismo no pa\u00eds e em Pernambuco. Para a ativista, a luta permanece e tem se ampliado e isso est\u00e1 expresso na quantidade de coletivos, sobretudo de jovens negras e negros, que t\u00eam surgido nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas em diferentes espa\u00e7os e dimens\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es sociais. A resist\u00eancia est\u00e1 na cidade, nas universidades e em lugares e profiss\u00f5es que antes era imposs\u00edvel de ver pessoas negras. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s tivemos, especialmente nessa \u00faltima d\u00e9cada, o surgimento de v\u00e1rios coletivos, pequenos coletivos que s\u00e3o tamb\u00e9m de uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o, de juventude negra ou espec\u00edficos, como de jovens mulheres negras ou coletivos mistos. A gente tem tido a\u00ed o surgimento de v\u00e1rios pequenos coletivos com essa caracter\u00edstica e eu acho que isso \u00e9 um avan\u00e7o. A afirma\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica negra, que \u00e9 tamb\u00e9m uma afirma\u00e7\u00e3o de identidade, tem avan\u00e7ado muito e isso n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista das estat\u00edsticas do Censo, das estat\u00edsticas demogr\u00e1ficas, mas tamb\u00e9m a olho nu, como se diz. Hoje a gente encontra muitos jovens, tanto rapazes quanto garotas com uma est\u00e9tica negra muito bem afirmada e isso \u00e9 muito positivo. A gente tem tamb\u00e9m uma presen\u00e7a importante de jovens negros nas universidades, em coletivos de estudantes e profissionais negros de profiss\u00f5es que antes praticamente n\u00e3o tinham presen\u00e7a negra, como o pessoal de medicina com o Coletivo Negrex e o Coletivo de Arquitetas Negras. Acho que tem v\u00e1rios elementos a\u00ed que significam avan\u00e7os. Tem tamb\u00e9m a cultura negra pernambucana que sempre foi muito forte e que continua resistindo, com surgimento de v\u00e1rios outros Afox\u00e9s, Maracatus, o que traz a\u00ed tamb\u00e9m a multiplica\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es culturais. A luta permanece e ela tem se ampliado\u201d, pontuou.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para as comunidades negras, as mulheres est\u00e3o \u00e0 frente da resist\u00eancia. Neste #NovembroNegro trazemos diferentes iniciativas que pautam, no dia a dia, a pr\u00e1tica antirracista como instrumento imprescind\u00edvel \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":10024,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Para as comunidades negras, as mulheres est\u00e3o \u00e0 frente da resist\u00eancia. Neste #NovembroNegro trazemos diferentes iniciativas que pautam, no dia a dia, a pr\u00e1tica antirracista como instrumento imprescind\u00edvel \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,14,8],"tags":[684,683,265,177],"class_list":["post-10023","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lutafeminista","category-destaques","category-entrevista","tag-feminismo-antirracista","tag-feminismo-antissitemico","tag-feminismo-popular","tag-mulheres-negras"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/antigo.soscorpo.org\/wp-content\/uploads\/teste.jpeg?fit=1030%2C654&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p5mcIC-2BF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10023"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10045,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10023\/revisions\/10045"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10024"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antigo.soscorpo.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}